segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

DILMA JÁ PREPARA A VOLTA DE LULA EM 2018







"Até aqui, pelo menos, Dilma dá a impressão de que concorda em trocar o Dilma 2 pelo Lula 3. Ela engoliu Joaquim sem fazer cara feia", diz o jornalista Ricardo Noblat;  "O PSDB ficará rouco de tanto repetir que Joaquim é cria dele, e que o PT se apropria descaradamente de sua receita de governo. Quem se interessa por isso? A verdade é que o PT é especialista em deixar o PSDB sem discurso e, com frequência, sem bandeiras", afirma.

O jornalista Ricardo Noblat afirma que a presidente Dilma Rousseff fará um segundo governo pragmático e que terá como foco a eleição do ex-presidente Lula em 2018, para que o PT possa permanecer 20 anos no poder. Leia, abaixo, sua análise:

Dilma vai às compras

Ricardo Noblat

Quem disse a maior bobagem da semana passada? Gilberto Carvallho, ministro-chefe da Secretaria-Geral da presidência da República, ao comentar a escolha de Joaquim Levy para futuro ministro da Fazenda?

Aécio Neves, senador do PSDB, pelo mesmo motivo? Ou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que parece não ter assimilado a reeleição da presidente Dilma Rousseff e mais uma derrota do seu partido?

Gilberto disse: “Joaquim Levy aderiu ao programa histórico do PT, à filosofia econômica do projeto”.

Aécio disse: “O da presidente Dilma é um governo que não sabe a direção que vai tomar”.

Disse Fernando Henrique: “[Dilma] ganhou, é legal. Mas sem uma parte do dinamismo do país. E por outro lado com um sistema de apoios que não se expressa no atual nem no futuro Congresso”.

O PT foi quem aderiu ao modelo econômico que Joaquim sempre defendeu desde sua formatura na ultraortodoxa Universidade de Chicago.

Com a indicação dele para xerife da economia, Dilma deixou claro a direção que dará ao seu governo.

Não faltou apoio do atual Congresso para que ela se reelegesse. Não faltará apoio do próximo para que governe. Pode acreditar.

Dilma mandou às favas todos os escrúpulos e saiu às compras. Em Fortaleza, aproveitou uma reunião do Diretório Nacional para garantir que governará com todos os partidos.

Não poderia ter sido mais direta: “O governo não é um governo meu. É do PT, dos partidos de nossa aliança”
.
Prometeu que os partidos participarão do governo com cargos e discussão de políticas públicas.

Aos partidos bastam os cargos. Mas se o preço a pagar por eles for a discussão de políticas públicas...

Vai longe o tempo em que o PT era um partido ideológico. Hoje, o que o orienta é apenas um projeto de poder.

Lula abriu mão de tentar voltar à presidência este ano por que Dilma se recusou a deixá-la mais cedo. Espera, agora, que ela cumpra direito com o seu dever.

Até aqui, pelo menos, Dilma dá a impressão de que concorda em trocar o Dilma 2 pelo Lula 3. Ela engoliu Joaquim sem fazer cara feia. E está disposta a engolir as exigências dos partidos por diretorias que furam poços.

Foi Severino Cavalcanti, ex-presidente da Câmara no primeiro governo Lula, que cobrou para o PP, seu partido, uma diretoria da Petrobras que furasse poço.

Diretoria que fura poço movimenta mais dinheiro. O PMDB, por exemplo, quer trocar o Ministério da Previdência pelo dos Transportes.

O da Previdência tem um orçamento gigante, mas quase todo comprometido com despesas obrigatórias. O Ministério dos Transportes tem mais dinheiro cuja aplicação depende só da vontade do ministro.

É um manjar! Compreende?  Pois é...

A oposição de fraque e cartola teima em subestimar o PT de macacão estilizado. Pior para ela.

Dilma fez com a economia o que achou necessário para se eleger. Deu certo, embora tenha sido por pouco.

PIB? Onde o povão se preocupa com o crescimento do PIB se por enquanto emprego e renda vão muito bem, obrigado?

Dilma fará com a economia o que for necessário para eleger Lula.

Melhor os dois primeiros anos  de governo sob dieta severa do que os dois últimos.

O PSDB ficará rouco de tanto repetir que Joaquim é cria dele, e que o PT se apropria descaradamente de sua receita de governo.

Quem se interessa por isso?

A verdade é que o PT é especialista em deixar o PSDB sem discurso e, com frequência, sem bandeiras.

Foi o que fez em 2002 ao eleger Lula. É o que está fazendo outra vez para bater novo recorde de permanência no poder e eleger Lula.





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