sexta-feira, 26 de junho de 2015

O PT AINDA VIVE? SIM, COM CERTEZA!...





Os Zumbis da direita golpista começam a perder força.


A Resolução Política do Partido dos Trabalhadores, divulgada ontem, mostra que a legenda ainda possui um esqueleto resistente e uma coluna vertebral intacta.


E que, sobretudo, ainda vive!


Agora só falta o PT assumir de fato o governo e convencer a presidenta de que ela também pertence a este partido…

*****

O desgaste de governar o Brasil, as conspirações judiciais, os ataques diuturnos da mídia, os erros políticos, as inúmeras traições internas, quase desossaram o partido, quase o tornaram um bicho invertebrado, uma legenda amorfa.

O PT por pouco não se converte num modelo de covardia e esvaziamento ideológico, que é a forma que assumem os partidos quando morrem.

Felizmente, a política é movida por forças dialéticas poderosas, quase orgânicas, que fogem à compreensão e ao controle dos próprios atores sociais.

O PT, em sua fase mais difícil, em seu momento mais perigoso, quando a história lhe oferece uma encruzilhada mortal, escolheu a direção mais corajosa: enfrentar de frente, cabeça erguida, o arbítrio.

Diante de toda postura de intrepidez, eu sempre me lembro da máxima de um de meus escritores preferidos, o nova iorquino Henry Miller: “nenhuma ousadia é fatal !”.

É interessante esse momento: um partido de governo de repente se vê mergulhado numa atmosfera psicológica de quase clandestinidade.

Coisas típicas do Brasil: único país do mundo onde a polícia política opera contra o próprio governo; onde a censura se dá também contra o governo; e onde o partido no poder é tratado como agremiação clandestina.

Vivemos uma guerra política diuturna, sem tréguas, uma guerra que usa as armas mais sofisticadas da semiótica, da propaganda, da tecnologia da informação, da psicologia de massas, e que impõe ao campo sob ataque uma severíssima e dolorosa rotina de exercícios.

Diante desta conjuntura paradoxal, entre ser simultaneamente governo e resistência, se desdobra uma dessas lindíssimas ironias.

Ao contrário do que esperava a mídia, o PT e sua militância aos poucos tem desenvolvido técnicas de resistência e combate que poucos partidos no mundo tiveram oportunidade de produzir.

Então voltamos à máxima de Heraclito, um dos mais brilhantes e enigmáticos pensadores da antiguidade: a guerra tudo cria, e de uns faz escravos, de outros, homens livres.

A resolução do PT mostra que a legenda escolheu seu caminho: a guerra e a liberdade.

Quer ser um partido de homens – e mulheres – livres.

Essa escolha, a meu ver, é o caminho inexorável da vitória, porque, em se tratando de uma guerra política e psicológica, a vitória se dá antes das batalhas.

É uma vitória interna.

Uma vitória sobre si mesmo.

Uma vitória que se respira.

Uma vitória de quem ama o povo brasileiro, e que, por isso mesmo, não pretende explorar seus vícios, como faz a mídia, ao atiçar seus instintos mais baixos, seus rancores, seus ressentimentos, tentando sempre levar a política não para o campo do debate de ideias, mas para a arena dos tribunais, onde prevalece o autoritarismo.

No campo das ideias, ao contrário, os truculentos, os autoritários, soçobram diante da tríade criatividade, sensibilidade, inteligência.

Foi apenas por isso, e exclusivamente por isso, que Aécio Neves perdeu as eleições em 2014.

Durante as eleições, ficou bem claro quem representava a violência política, o autoritarismo, a truculência midiática e judicial.

A mesma coisa vale para hoje.

Quem são as forças que crescem na esteira do avanço do autoritarismo, do conservadorismo, de todos os sentimentos de violência e egoísmo social?

O PT, malgrado todos seus infinitos erros, e até mesmo por causa desses erros, é o único contraponto à judicialização da política, que é um disfarce mal ajambrado da ditadura.

A aceleração dos processos históricos, um fenômeno que ocorre desde a primeira revolução industrial, nos permite, cada vez mais, observar e compreender algumas mudanças que, em outras épocas, demandariam décadas, ou mesmo séculos, para serem devidamente observadas e compreendidas.

Hoje podemos ver a história, esta moça maliciosa, bipolar, que oscila entre o mais puro sadismo à generosidade mais comovente, dançando, rindo e chorando diante de nossos olhos.

Testemunhamos o PT, uma legenda que brotou do chão, do nada histórico, no momento mais crítico da esquerda mundial, quando os regimes socialistas europeus se esboroavam em ruínas envergonhadas, transformar-se em poucos anos no maior partido de massas da esquerda latino-americana, talvez de todo o mundo democrático.

Vimos o PT conquistar, num país com 200 milhões de pessoas, quatro grandes vitórias presidenciais consecutivas, sempre tendo contra si as mais poderosas e mais concentradas forças midiáticas do mundo.

Depois vimos o PT envelhecer rapidamente, desgastar-se junto a população, perder sua juventude, seu entusiasmo, seu tesão pela necessária luta em prol de uma sociedade mais justa.

Vimos suas lideranças serem condenadas, várias delas injustamente, em processos que se constituíram em sofisticadas conspirações midiático-judiciais, conspirações extremamente bem sucedidas no campo da guerra simbólica, com suas técnicas goebelianas de psicologia de massas.

Vimos os estragos terríveis provocados no PT, que de repente parecia uma cidade semidestruída, um amontoado de escombros e corpos mutilados.

Pior de tudo: vimos o PT enfiar-se no buraco de sua própria covardia, abandonando o povo às influências nefastas de uma mídia reacionária, maligna, antinacional.

Entretanto, num ambiente democrático, é muito difícil matar um partido de massas.

Aliás, não foi para isso que lutamos tanto pela democracia? Para imortalizarmos as ideias de independência, rebeldia, liberdade e soberania?

Essa é a razão do ódio irracional, a razão pela qual crescem as demonstrações de irritação contra a democracia e em favor de uma intervenção militar, o motivo da ascensão deste neofascismo tupiniquim: porque eles sabem que, enquanto formos uma democracia, as nossas ideias não podem morrer.

Ao contrário.

É a dialética da natureza: o que não nos mata, nos torna mais fortes.

Os ataques que tanto destróem produzem experiências, impõem posturas combativas, criam rotinas e técnicas de resistência, que não existiriam não fosse o próprio fato da guerra.

Como blogueiro, eu tenho a oportunidade e, arrisco dizer, até mesmo o privilégio, de viver intensamente todas essas experiências de luta política.

Philip Dick, o grande escritor de ficção científica, numa entrevista concedida em 1974, fez uma declaração que, a meu ver, resume o espírito com que criei este blog:

“Como fazer um livro de resistência, um livro de verdade em meio a um império de falsidades, um livro de retidão perante um império de odiosas mentiras?

Como alguém poderia fazer isso, abertamente, diante do inimigo?

Como alguém poderia fazer isso num futuro de tecnologias avançadas?

É possível para liberdade e a independência surgirem sob novas formas, sob novas condições históricas? Quer dizer, as novas tiranias conseguirão abolir esses protestos? Ou haverá novas respostas e novas reações do espírito humano que não podemos prever?”

É com esse espírito de resistência que saúdo a resolução política do PT.

Os gladiadores romanos, antes de iniciarem as batalhas das quais apenas alguns sobreviveriam, saudavam o imperador:

– Ave César, os que vão morrer te saúdam!

Diante da demonstração de coragem do PT, eu diria o contrário:

– Ave César, os que vão viver te saúdam!



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