segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Verba parlamentar de Hugo Motta paga R$ 50 mil a filha de Eduardo Cunha









Reportagem do Jornal O Globo deste domingo aponta que a publicitária Danielle Cunha, filha do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, teria recebido pagamentos de cota parlamentar de três deputados para prestar serviços de assessoria. Entre eles, está o paraibano Hugo Motta (PMDB), presidente da CPI da Petrobrás, que já teria desembolsado R$ 50 mil para a Popsicle Digital Flavors, empresa à qual Danielle é ligada.
Segundo a reportagem, a publicitária transita com livre acesso no plenário e em alguns gabinetes da Câmara dos Deputados, onde atua como captadora de clientes. Ela oferece trabalho de assessoria e divulgação de mandatos. Desde que seu pai assumiu o comando da Câmara, a publicitária conquistou as contas de, pelo menos, três deputados aliados de Cunha. Nesse período, esses três desembolsaram R$ 102,6 mil da cota parlamentar a que têm direito, um dinheiro público, para pagar a empresa.
Os assessorados de Danielle são o presidente da CPI da Petrobras, Hugo Motta (PMDB-PB) – acusado por colegas de preservar Cunha na comissão -; André Fufuca (PEN-MA), outro aliado e que acaba de ser indicado para uma sub-relatoria na CPI do BNDES; e Danilo Forte (PMDB-CE), que atuou na campanha para fazer o peemedebista presidente da Câmara. Eles argumentam que contrataram Danielle por sua competência e negam qualquer influência de Cunha no fechamento do negócio. Desse total pago até agora, R$ 50 mil foi por assessoria a Motta; R$ 27.600 a Fufuca; e R$ 25.080 para Forte.
A reportagem também informa que Danielle tem abordado e conversado com o também paraibano e peemedebista Manoel Júnior, igualmente da linha de frente de apoio a Cunha. Procurado na última sexta-feira, Hugo Motta não teria retornado o contato do GLOBO, diz a reportagem.
Danielle Cunha disse que é funcionária de Michell e que recebe salário. Ela entende que não há conflito de interesse entre seu trabalho e a posição de Eduardo Cunha. Para ela, o cargo do pai pode até atrapalhar.
– Atuo na linha de frente. Recebo salário e prospecto trabalhos. Não necessariamente me ajuda (o fato de Cunha ser o presidente da Câmara). Até pela minha condição, pode atrapalhar. Tenho cinco empresas na área de internet e dez anos de experiência. Meu currículo diz por si só. É aprovado no mercado – disse Danielle, que negou receber recurso da cota parlamentar. – Presto um serviço. Do mesmo jeito para a Popsicle como para várias outras. Um trabalho mensurável. Não tem nada ilegal. Trabalho para uma empresa privada, que recebe verba de parlamentar.
Michell Verdejo não retornou os contatos do GLOBO na última sexta.
Eduardo Cunha, por meio de sua assessoria, disse que a filha é qualificada para esse trabalho e que nunca interferiu a favor dela junto aos parlamentares. “Danielle Cunha, filha do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, é uma profissional com qualificação reconhecida no meio em que exerce seu ofício e desenvolve suas atividades dentro das normas legais. O presidente não acompanha sua carteira de clientes, nunca pediu nem pedirá, para quem quer que seja, que a contrate. Ela não precisa desse tipo de auxílio”, diz o presidente.




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