quarta-feira, 30 de setembro de 2015

FINANCIAL TIMES DIZ QUE IMPEACHMENT PÕE EM RISCO REPUTAÇÃO DO BRASIL





Não há nenhum nome ou partido com legitimidade moral ou política para substituir a presidenta.




Situação irônica.

Mas coerente em relação ao que tem acontecido há muito tempo.

O Brasil só tem sido defendido lá fora. Aqui dentro, a nossa imprensa promove o vira-latismo e o golpe.

Primeiro foi o New York Times, jornal de perfil mais progressista (embora sempre chancelando os clichês pró-imperialistas da Casa Branca), a fazer um duro editorial contra o impeachment.

Agora foi o Financial Times, jornal ultraconservador, sem absolutamente nenhuma simpatia pelo PT ou por qualquer agremiação política com preocupação social, que publicou um longo editorial, de página inteira, alertando para os riscos de uma paralisia em caso de impeachment.

Eu reproduzo abaixo matéria da BBC Brasil, que fez uma resenha sobre o editorial do Financial Times.

A BBC enfatizou a parte do editorial que menciona os riscos à "reputação do Brasil de erguer instituições fortes".

Eu assinei o Financial Times e li a matéria no original. É um resumão sobre a situação política brasileira, com entrevistas feitas, na maioria, com pessoas ligadas à oposição. O "jurista" entrevistado é Joaquim Falcão, o homem da Globo dentro da FGV, o comentarista oficial do julgamento do mensalão.

Entretanto, de fato, o Financial Times alerta que um impeachment poderia causar uma paralisia econômica e política no país, e por uma simples razão: não há nenhum nome ou partido com legitimidade moral ou política para substituir a presidenta.

O FT, esperto, conclui que a única "coisa boa" que pode resultar da crise política brasileira é obrigar o governo a fazer reformas conservadoras radicais...

Acontece que nem New York Times nem Financial Times tem noção exata do que está acontecendo no Brasil, sobretudo porque eles não tem capacidade ou interesse para fazer uma análise crítica dos procedimentos judiciais totalmente extraordinários que tem sido usados para dar consistência à crise política.

As conspirações têm, deliberadamente, paralisado a economia nacional, visando o golpe. É o caso da Lava Jato.

Em que outro país do mundo, os sigilos bancários, eletrônicos e telefônicos de um ex-presidente da república, dos principais quadros do partido desse ex-presidente, além de emails estratégicos das grandes companhias nacionais de engenharia, são expostos e vazados seletivamente para a mídia?

Em que outro país do mundo, que não seja uma ditadura ou um regime autoritário, os dirigentes das principais empresas de engenharia são presos por tempo indeterminado antes mesmo de qualquer sentença ou condenação, apenas como prática de tortura?

Hoje a capa do Globo faz mais um violento ataque político ao ex-presidente Lula e à Dilma, vazando emails dos diretores, do presidente da Odebrecht, de ex-ministros de Estado.

Não há governo nem companhia que resista a uma devassa tão imoral, tão arbitrária, tão truculenta desse tipo.

Até os emails da Odebrecht discutindo suas preferências políticas por este ou aquele indicado, coisa que evidentemente todas as empresas do país fazem, são tratados como "prova do crime".

A Lava Jato se tornou uma espécie de Midas sui generis. O antigo rei bíblico transformava tudo que tocava em ouro. A Lava Jato, com apoio da mídia, transforma tudo que toca em crime.

Temos alertado há tempos: se o ministério da justiça não exercer a autoridade sobre uma polícia federal transformada em polícia política antigoverno, como interromper a marcha do arbítrio?

O ex-presidente Lula viajava com delegações de empresários. Ele defendia, abertamente, o interesse das empresas brasileiras, porque é assim que fazem todos os chefes de Estado do mundo.

Defendem os interesses das empresas de seu país. No Brasil, a nossa imprensa e os estamentos golpistas devem considerar que nossos dirigentes políticos devem defender empresas americanas, como sempre fizeram os tucanos, jamais empresas nacionais.

Os jornalões brasileiros apenas disfarçaram seu apoio ao golpe. Na verdade, eles repetem a estratégia que tem usado há muitos anos. Ao contrário dos jornais europeus e americanos, que dão sua opinião nos editoriais e tentam ser isentos no noticiário, os congêneres brasileiros juram isenção em seus editoriais, e enfiam sua opinião, suas narrativas combinadas, na seção de notícias.

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