quinta-feira, 22 de outubro de 2015

DESONESTO, ALEXANDRE GARCIA DIZ QUE "O PAÍS NÃO ERA RACISTA ATÉ CRIAREM AS COTAS"










O jornalista Alexandre Garcia, da Globo, conseguiu falar outra bobagem numa lista que parece interminável. Comentando sobre o cadastro do Simples Doméstico, Garcia descobriu o seguinte: “O país não era racista até criarem as cotas”.

É uma revelação fabulosa. Alguém precisa avisar sua colega do Jornal Nacional, Maju Coutinho, que aquele pessoal que a chamou de “macaca fedida” é cotista. Nem o chefe Ali Kamel, autor do clássico “Não Somos Racistas”, acredita mais nessa atrocidade.

Ader Gotardo, fotógrafo do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, escreveu uma resposta no Medium:

Carta aberta a Alexandre Garcia

“Institucionalização do racismo”?

Hoje é 21/10/2015, com bom humor, muitos estão comemorando o “Back To The Future”, em alusão ao filme dos anos 80. Muitos dizem “o futuro chegou!” Será que chegou mesmo?

Pleno 2015, Alexandre Garcia, jornalista em rede nacional destila desinformação para corroborar sua indignação, usando falsidade intelectual e abusando de privilégio branco. É impossível respeitar seus cabelos brancos, Garcia. Só na cabeça de desonestos as empregadas e empregados domésticos não merecem mesmo respeito e direitos que os demais trabalhadores neste país, ou em qualquer outro lugar.

Manter empregados não é fácil para nenhuma empresa, mas dentro de casa, patrões querem regalias para continuar tratando essa força laboral como se fosse “da família”, ou seja: muitas vezes dispensando a eles educação que não têm nem para como seus pais, remunerando auxiliares como se fossem seus cunhados, com um tapinha das costas e um muito obrigado, quando muito. Quem trabalha merece remuneração justa e direitos assegurados. É leviano confundir recolher os impostos devidos nessa área com as consequências do não retorno em serviços a população. Pagar impostos e cobrar o governo pertence a relação de dever e direito que nós, cidadãos, temos que exercer.

Quanto a “institucionalização do racismo”, basta dizer que esse é o tipo de asneira que um privilegiado é capaz de reproduzir, sem conhecer ou, ainda pior, sem valorizar dados que já existem, estudos já publicados e experiências comprovadas. Raça não existe. Fato. Mas alguns da “raça humana” de pele mais clara resolveu classificar outros por “racismo”, que é a opressão por meio da cor da pele.
O combate contra o racismo quer exatamente isso, acabar com o preconceito por raça. O racismo, Garcia, pode ser comprovado em todas as classes de trabalho, em todos os bancos escolares. Homens e, principalmente, mulheres negras ganham menos em qualquer faixa salarial, qualquer função, com qualquer capacitação educacional.
Só mesmo alguém com dificuldades cognitivas não enxerga algo que até mesmo a emissora onde trabalha já noticiou, por meio de sua colega de bancada, Míriam Leitão! Além, Leitão também discursa sobre as cotas, vale a pena sua leitura. Cito Míriam Leitão, porque brancos como o senhor tem especial necessidade que outro semelhante seu produza discurso inclusivo para que este seja validado. Em alguma área obscura do cérebro, alguns acham que negros advogando direitos para outros negros não vale. É preciso uma validação “branca”. Então, estou usando o seu racismo, para chamar sua atenção.

É absurdo ainda convivermos com tal discurso de que cotas é uma institucionalização do racismo. A segregação americana, o Apartheid sul-africano, esses são exemplos da institucionalização do racismo. Será que você, Garcia, é tão desonesto intelectualmente que é capaz de comparar esses regimes do passado com a política de reparação das cotas brasileira? Puxado




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