segunda-feira, 19 de outubro de 2015

STF DEMITE PROTÓGENES QUEIRÓZ DA POLÍCIA FEDERAL POR EXPOR PRISÃO DE PITTA. O QUE DIZER DA LAVA-JATO?





Agora, Fernando Brito e Rubens Valente, sempre indesmentíveis, demonstram que a demissão de Protógenes, assinada pelo ministro zé da Justiça, não anula o que Protógenes apurou contra Dantas, o imaculado banqueiro, o brilhante, segundo o comprador de reeleição.




Com a condenação pelo STF e a demissão da PF, o delegado Protógenes  Queiroz passa a uma condição única, especial. Ele é hoje a única pessoa condenada e punida em decorrência da própria operação que ajudou a desencadear. E durante a qual, aliás, ao lado de seu colega Victor Hugo, se recusou receber um suborno milionário. É inusitado, para dizer o mínimo, que o delegado tenha sido condenado e expulso por uma operação que o STJ já anulou, em 2011. Ou seja, as provas coletadas durante a investigação foram consideradas válidas para condenar e punir o delegado, mas não para condenar quem ele investigou e prendeu.


Como sabemos, em 2008, em decorrência de uma série de decisões do STF e do STJ, o delegado não conseguiu concluir sua investigação, o juiz De Sanctis não conseguiu julgar o processo e o Ministério Público Federal não conseguiu terminar sua investigação. Foram todos impedidos por forças maiores e mais ativas, para dizer o mínimo. Vejo que agora em 2015, com a saída de Protógenes da PF, quer se construir a versão de que a Operação Satiagraha não foi levada adiante tão somente por “problemas” criados pelo próprio “atrapalhado” delegado, que teria feito “teatrinhos”. Essa teoria simplória configura uma leitura reducionista da história e uma tentativa de reescrever o passado pelas conveniências do presente. Como se não houvessem ocorrido dois habeas corpus do STF em tempo recorde, o factoide de um suposto grampo telefônico que nunca apareceu e as acusações infundadas e mentirosas sobre o juiz De Sanctis ter mandado “grampear” o ministro do STF Gilmar Mendes. Todas essas acusações, com o apoio decisivo da cúpula da Polícia Federal, torpedearam e inviabilizaram o prosseguimento da Satiagraha. Atribuir tudo ao delegado é uma saída fácil, porém inegavelmente, ela sim, fraudulenta.



Um comentário:

  1. Estranho muito a Demissão do Delegado Protógenes Queiroz sob a acusação de obtenção de provas por meios ilegais. Segundo aprendi na Academia da Polícia Civil de São Paulo, as investigações sobre crimes de autoria desconhecida só têm êxito se os investigadores se socorrerem de "informações", em outras palavras de "alcaguetagem" feitas por pessoas estranhas aos quadros policiais, mas que são colabores da polícia. Trabalhei no DENARC por 10 (dez) anos e lá se constata que, sem informantes, torna-se difícil a elucidação do crime de tráfico de drogas. Até hoje nunca soube de anulação de investigação por tal motivo, nem de arquivamento de inquérito e muito menos de qualquer punição a policiais que se valem desse recurso. Estranhamente o Delegado Protógenes é demitido da Polícia Federal porque teria obtido provas por meios de grampos ilegais, sem autorização judicial. Porque punição tão severa?? Só porque as investigações empreendidas por ele envolvia figurões como o banqueiro Daniel Dantas????

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