domingo, 9 de outubro de 2016

A CEGUEIRA DE MORO: "NÃO SOMOS UMA SOCIEDADE DE CASTAS"



Mal congênito


Uma das bravatas da semana veio de Sérgio Moro. Ele comemorou uma decisão do STF que permite prisões em segunda instância — na dele, portanto — com as seguintes palavras: “Não somos uma sociedade de castas.”

Como assim?

Na verdade, somos, mais que nunca, ou como sempre, uma sociedade de castas.

Não fôssemos, os políticos do PSDB envolvidos em delações não teriam tratamento privilegiado.

Simplesmente não acontece nada com eles.

O delator e construtor Leo Pinheiro disse que o dinheiro dado a Aécio e a Dilma vinha exatamente da mesma fonte. Mas é como se um fosse puro e o outro sujo, pela forma distinta como Moro e a Lava Jato os tratam.

Aécio teve em Furnas uma fonte de propina de muitos e muitos anos. Que lhe foi cobrado por isso? Ou pelo aeroporto particular erguido com dinheiro público?

E Serra, com a denúncia de 23 milhões de reais cash que lhe deu uma construtora?

Como falar que não somos uma sociedade de castas? A mesma lei que vai servir para prender em segunda instância os suspeitos de sempre — os petistas — será engavetada quando se tratar dos “suspeitos de nunca” — os políticos a serviço da plutocracia.

Não fôssemos uma sociedade de castas, as corporações jornalísticas não teriam as mãos livres para cometer as barbaridades que cometem em nome de seus interesses privados.

E pagariam os devidos impostos, além disso. Não teriam as facilidades de sempre para sonegar como há tantos anos, décadas acontece. Cunha não estaria solto. FHC teria que explicar a compra de votos no Congresso que lhe permitiu um segundo mandato. E por aí vai.

Faz tempo que não lembro aqui Wellington, mas esta é uma situação que pede isso.

Quem acredita que não somos uma sociedade de castas acredita em tudo.



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