sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

DEPRESSÃO PÓS GOLPE: FROTA, BARBOSA E BICUDO ENTRAM EM PARAFUSO



Personagens de todos os matizes participaram - cada um a seu modo - do golpe de 2016


A seguir, texto de Kiko Nogueira no DCM

Alguém definiu à perfeição, no Twitter, o atual momento coxinha: depressão pós pato.

Ao DCM, a ex-líder de milícias anti Dilma Daniela Schwery, ligada ao PSDB, contou que os movimentos eram organizados e financiados por Aécio Neves e Ronaldo Caiado e que ela se sentia “uma idiota, uma iludida”.

Para Hélio Bicudo, “o impeachment de Temer já deveria ter ocorrido”. Janaína Paschoal ameaça encarnar a pomba gira novamente.

Deltan Dallagnol, em sua coletiva chantagista contra uma votação da Câmara que não lhe agradou, lembrou que “até o governo Dilma avançou propostas contra a corrupção muito melhores que as que foram aprovadas”.

Alexandre Frota escreveu um desabafo. “A direita é frouxa e a esquerda sabe agir”, segundo ele. Por isso ia se “JUNTAR AOS VÂNDALOS DE BRASÍLIA” (em caixa alta no original).

O exército coxa está diante da obra que ajudou a construir e não gosta do que vê. Um dos ídolos dessa cambada, Joaquim Barbosa, aka Batman, deu entrevista à Folha em que acusou a nossa “rebananização”.

Sobre o golpe, Barbosa considera que “o que houve foi que um grupo de políticos que supostamente davam apoio ao governo num determinado momento decidiu que iriam destituir a presidente. O resto foi pura encenação. Os argumentos da defesa não eram levados em consideração, nada era pesado e examinado sob uma ótica dialética.”

O atual governo “corre o risco” de não chegar ao fim. Na opinião dele, “a partir do momento em que se aceitou como natural o torpedeamento do pilar central do sistema presidencialista, abriu-se caminho para o enfraquecimento de outras instituições”.

Barbosa, como todos os supracitados, contribuiu decisivamente para o atual estado de coisas.

Seu papel no mensalão de juiz vingador, o status de popstar, a criminalização de um partido apenas, conceitos estapafúrdios como a “teoria do domínio do fato” — tudo isso antecipou Moro, a Lava Jato, o moralismo seletivo e o ódio que tomariam as ruas.

Sem eles, o fascismo com que passamos a conviver não teria tanta força.

Agora as panelas voltam a soar. O Vem Pra Rua e o MBL convocam para uma manifestação no domingo dia 4, em defesa das 10 medidas contra a corrupção. Renan, amigo deles até ontem, é o demônio.

O antigo patrocinador Aécio não presta. “Diante de tudo isso que está acontecendo em Brasília, você vai ficar em casa no sofá?”, apela o VPR.

Os sinais estavam em todos os lugares, mas eles preferiram ignorar. Alguns por inocência, outros por ignorância, uns por desonestidade, muitos por oportunismo.

Deram-se mal. A corja que auxiliou a derrubada de Dilma se dá conta do que fez. Somos um país dividido. Na formulação do filósofo Vladimir Safatle para o DCM, descobrimos nos últimos anos que nunca fomos um país, apenas ocupamos o mesmo território que essa gente.

Que se virem com seus monstros.

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