segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

A LAVA JATO, O PSDB, E AS PROPINAS NA PETROBRÁS QUE COMEÇARAM COM O DITADOR ERNESTO GEISEL ATRAVÉS DO SEU INDICADO SHIGEAKI UEKI



Depois de contribuir para o golpe, a Lava Jato provoca a discórdia entre os golpistas e adensa o caos reinante


Parafraseando Mino Carta na Carta Capital

destino do Brasil - ao menos de imediato - depende da Lava Jato. É uma dependência pior que as que são apenas incômodas. Ao contrário do que trombeteou a propaganda da mídia nativa, a República de Curitiba não veio para erradicar a corrupção coisa nenhuma, e sim para demolir um partido e um setor industrial vital para o País.
Projeto bem-sucedido, porque atingiu seus dois maiores objetivos: o primeiro foi a paralisação imediata de empresas até ontem fundamentais para a autonomia nacional. Em momento algum se cogitou de salvá-las, sem deixar, está claro, de punir os culpados. Se fosse uma operação ante corrupção os culpados estariam presos, e as empresas operando, salvando do desemprego milhões de brasileiros.
No Brasil, a corrupção é endêmica. Os governos tornaram-se reféns do poderio das empreiteiras, ao sabor da antiga regra pela qual “é dando que se recebe”, desde o mandato de Juscelino Kubitschek. A ditadura não deixou por menos, bem como os governos da chamada redemocratização, proclamada em um país que nunca foi democrático, sempre e sempre sob o domínio da casa-grande, ressalvada a ousada tentativa de Lula para romper o círculo mágico de uma hegemonia de 500 anos.
As empreiteiras foram avalistas desse poder, o que é evidência acessível até ao mundo mineral, e da mesma forma é a corrupção na Petrobras, também decisiva para o desenvolvimento do País, onde começa no tempo do ditador Ernesto Geisel.
Foi ele quem entregou a empresa petrolífera estatal a um predador chamado Shigeaki Ueki, o qual cobrava 1 dólar sobre cada barril produzido ou comprado, em proveito dos seus próprios bolsos. Isso é também do conhecimento do mundo mineral, conquanto caiba admitir que quartzo e feldspato dispõem de memória mais apurada, sem contar a total ausência de hipocrisia, da maioria dos integrantes da sociedade nativa. E, ao dizer sociedade, excluo o povo que vive no limbo.
Aos tucanos foi reservado um tratamento especial. Há uma lógica na operação: o PSDB é o perfeito representante e intérprete dos interesses da casa-grande, haja vista, por exemplo, o comportamento do chanceler José Serra, citado em inúmeras delações da Lava Jato por embolsar muito mais de 23 milhões depositados em contas da Suíça.
O governo de Fernando Henrique Cardoso foi o mais corrupto de todos os tempos, tudo indica, entretanto, que até aí a República de Curitiba não chega, ou o faz com extrema cautela, na ponta dos pés. Ao dar início à Lava Jato, logo na primeira oitiva, o juiz Sergio Moro delimitou: "Só nos interessa a partir de 2003". Uma foto recente, onde Sergio Moro é flagrado com o delatado Aécio Neves a se rirem em amistosa sintonia às costas do traidor Michel Temer, deslumbrou os crédulos e os espertos, embora justificasse mais o espanto da parte honrada da sociedade brasileira.
juiz Moro, de todo modo, cumpriu sua missão com empenho total e assessoria de especialistas eméritos, como CIA, FBI e DEA, por cujos escritórios o nosso "herói" circula mensalmente. E não esqueçamos o desempenho, também missionário, de um grupo de promotores milenaristas, discípulos de Pedro, o Eremita, a pregar cruzadas de inspiração divina. A atuação da turba acusadora é exemplar da penúria intelectual destes nossos tristes trópicos, como diria Claud Lévi-Strauss.
Uma estranha contradição, a seu modo cômica, emerge da Lava Jato, por tempo largo a contribuir para o cerco a Dilma Rousseff e ao PT e agora a colocar em campos opostos os golpistas de 2016. Trata-se de um conflito anunciado, de desfecho imprevisível e certamente de efeitos deletérios, quaisquer forem. Quem é contra e quem é a favor da Lava Jato? Fácil identificar: muitos dos envolvidos, de um lado e de outro, sem exclusão de Gilmar Mendes e Rodrigo Janot, cujas posições transcendem o óbvio.
Ambígua, a mídia finge estar em cima do muro, pronta apenas a engrandecer tudo quanto prejudica Lula e seu partido. Em meio ao combate, que haveria de ser surdo e não é, pois seus ruídos transbordam, Temer vai em frente com os programas nefastos desejados pela casa-grande, mas não dissipa a incógnita: aonde vamos acabar? A risco para todos os envolvidos, e a primeira vítima já é o Brasil.
Sabemos que o propósito final da Lava Jato é eliminar Lula da corrida presidencial de 2018, e este objetivo reúne todos aqueles que se digladiam pelo poder. Condenar o ex-presidente por ser dono de um apartamento que não lhe pertence, como está fartamente provado, talvez fosse estopim de agitação social. Decerto, seria a prova definitiva de que no Brasil a Justiça não existe.





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