domingo, 26 de fevereiro de 2017

AS 3 MULAS DO PMDB - YUNES, PADILHA E MT



O triplex do crime


A seguir, texto de Alex Solnik
 
Anarrativamontada pelo Palácio do Planalto e "comprada" pela imprensa que aderiu ao golpe do impeachment que consiste em responsabilizar e criminalizar somente Eliseu Padilha e relativizar a participação de Michel Temer no "Caso do Pacote de 1 milhão" entregue a José Yunes pelo operador Lucio Bolonha Funaro pode ser desmontada por qualquer aprendiz de Sherlock Holmes.

Senão, vejamos. O pacote de 1 milhão fazia parte do pacote de 4 milhões destinados a Padilha, que fazia parte do pacote de 10 milhões acertados pelo então presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e pelo diretor da Odebrecht Claudio Melo Filho num jantar no Palácio do Jaburu, com presença do então vice-presidente da República, Michel Temer, e de Eliseu Padilha.

O Jaburu era a residência oficial de Temer, e não de Padilha. A maior autoridade presente no jantar era Temer, e não Padilha, portanto. Temer era o chefe de Padilha, e não o contrário.

Ou seja, depois do jantar, selado o acordo com a principal autoridade presente, Padilha saiu em campo para operacionalizar a entrega e o recebimento da bufunfa. E então usou Yunes como intermediário, que não era seu amigo, mas amigo de Temer. Se Yunes, como confessou, foi "mula" de Padilha, este, por sua vez foi "mula" de Temer.

Não há como engolir a versão do Planalto de que Temer atuou dentro da legalidade, mas Padilha, não. Ou ambos atuaram legalmente ou ambos ilegalmente.

Para começar, se o acerto fosse legal – contribuição para campanhaS do PMDB - não seria fechado no Palácio do Jaburu, que não era a sede do PMDB e sim no diretório do partido. Se fosse legal, não seria fechado com Marcelo Odebrecht que era o criador e responsável pelo propinoduto da Odebrecht por meio de contratos com a Petrobrás.

A narrativa de que o pedido era relativo a "campanhas do PMDB" também não para em pé a partir do momento em que Yunes revelou que, no encontro em seu escritório, Funaro lhe disse que estava negociando a adesão de 140 deputados à campanha de Eduardo Cunha para presidente da Câmara.
Não era uma campanha eleitoral formal, e, portanto, não caberia uma doação legal ao partido, como Temer quer fazer crer.

A outra questão que não quer calar é: por que Temer tinha tanto interesse em eleger Cunha presidente da Câmara? A resposta mais óbvia é que Cunha, nesse cargo, era quem poderia dar início a um processo de impeachment da presidente Dilma. O que alçaria Temer a presidente, em seu lugar. O maior interessado, portanto, era Temer e não Padilha que poderia é claro ser recompensado, mas não com o cargo máximo da hierarquia de poder.

Ou seja, a conspiração do impeachment começou no Palácio do Jaburu e contou com o financiamento direto (voluntário ou involuntário) da Odebrecht e, indireto, da Petrobrás. E só foi possível com a compra de 140 votos, como Funaro contou a Yunes.
Se 140 dos 367 votos que derrubaram a presidente foram comprados, como se deduz, qualquer aprendiz de Sherlock diria que a votação foi viciada e é passível de anulação.

Esse é o enredo que o Palácio do Planalto, aliado à imprensa que ainda tenta blindá-lo está tentando esconder da opinião pública.

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