domingo, 12 de março de 2017

TEMER NÃO PODE MAIS DIZER QUE NÃO SABIA COMO PADILHA AGIA NA SOMBRA. AFINAL SÃO UMA MESMA PESSOA



Gangsters siameses




O depoimento do ex-diretor da Odebrecht e hoje delator na Lava Jato José de Carvalho Filho transformou em pó a tese dos advogados de Temer, de que ele só negociava dinheiro para o PMDB por vias oficiais.

Carvalho Filho contou que Padilha era um dos operadores do partido e nessa condição recebeu senhas para identificar o recebimento e a posterior distribuição de 5 milhões de reais via caixa 2, em 2014.

Isso significa que Padilha atuava como tesoureiro do partido. E arrecadava por meio de caixa 2. Sendo tesoureiro, recebia ordens do presidente do partido que era Michel Temer.

Não há como sustentar o argumento de que Temer não sabia que o operador subordinado a ele operava o caixa 2 do partido. Ainda mais levando-se em conta que parte do dinheiro foi entregue no escritório de seu amigo pessoal, José Yunes e ele contou a Temer o que tinha acontecido.

Ou seja: Temer sabia que Padilha operava no caixa 2 e nada fez para repreendê-lo; na verdade, o promoveu, transformando-o em ministro-chefe da Casa Civil do seu governo.

Outro trecho da delação de Carvalho Filho, na qual afirma que uma parte da propina foi destinada a José Yunes também coloca Temer sob suspeita. Yunes não fazia parte do governo Dilma, do qual Temer era o vice, não havia motivo, portanto, para ele fazer jus a uma parte da propina. Cabe então uma dúvida: ele não teria recebido o dinheiro para repassar a Temer? Não teria se antecipando dizendo que era “mula” de Padilha para proteger Temer? Assim a história parece fazer mais sentido.

 O silêncio de Padilha – e de Temer - agravam ainda mais a situação do governo.

   Se ainda não recebeu alta de uma cirurgia que foi bem sucedida é porque não quer sair do hospital e enfrentar os repórteres ansiosos por saber a sua versão dos fatos.

Se não quer enfrentar os repórteres é porque ainda não encontrou uma versão plausível que livre a cara dele e a de Temer.

Ou seja: o seu silêncio é quase uma confissão. Se a história fosse fantasiosa ele a teria contestado quando surgiu na imprensa.

Ou seja: Padilha não sai do hospital porque não sabe o que fazer.

Temer também não sabe o que fazer com Padilha. Se o demite quebra a regra de que só demitiria quem se tornasse réu e admite a versão dos delatores que o envolve no caixa 2 até o pescoço.

Se não o demite corre o risco de manter num dos postos mais importantes do governo um político de comportamento altamente suspeito cujas atividades em breve serão investigadas mais a fundo. Se é que já não estão sendo.

Seja qual for a sua decisão, ele não pode mais dizer que não sabia como Padilha agia.

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