segunda-feira, 30 de abril de 2007

Darfur, África... O Cu do Mundo.


Numa suposta "anatomia
geográfica", não haveria como dissociar o continente africano - com excessão do extremo sul - dessa "área de serviço", destinada a eliminação de dejetos em todos os
animais.
"Aqueles negros miseráveis,
sujos, maltrapilhos, impres-
táveis", parecem assim dejetos,
aos olhos
de países como os
EUA, tão preocupados em
libertar povos dos seus algozes, mas, apenas
quando esses povos caminham sobre
jazidas de ouro,
diamantes ou petróleo abundante.

Grandes organizações de direitos humanos e agências humanitárias se recusam a usar o termo "genocídio" em Darfur. A análise
delas é de que Darfur não se tra-
ta de uma tentativa deliberada
de exterminar um grupo, como
no Holocausto, Hiroshima e Naga-
saki, ou em Ruanda, mas sim, de
crimes contra a humanidade,
cometidos ao longo de uma
contra-insurreição.
Dois milhões de pessoas abandonaram a região de Darfur - noroeste do Sudão - desde 2003, e 250 mil desde agosto do ano passado. A chegada de 250 mil refugiados desestabilizou o vizinho Chade. Em quatro anos, o conflito já matou 400 mil negros famintos, incluídos aí, milhares de mulheres e crianças. O conflito em Darfur era, inicialmente, entre o governo sudanês e grupos que se opunham a esse governo na região, mas os confrontos se estenderam para o Chad e a República Centro-Africana.
Desde maio do ano passado,
Uma combinação de sinismo
do governo e liderança errática
dos rebeldes, levou a um agravamen-
to da crise em Darfur.
A guerra se intensificou e agora
é parte de uma guerra por procuração entre o Chade e o Sudão, com cada lada apoiando
os rebeldes do outro. Uma reunificação dos rebeldes é necessária antes que qualquer negociação significativa possa ser realizada.
Os organizadores do Dia Mundial por Darfur - realizaram neste último domingo eventos em mais de 35 capitais para marcar o quarto aniversário do conflito onde, cerca de 200 mil pessoas já morreram, segundo a Organização das Nações Unidas.
Sob o slogan "Time is ...protect Darfur", algo como "Esgotou o tempo... Proteja
Darfur", manifestantes
viraram dez mil relógios de areia (ampulheta) cheios de sangue artificial para chamar a atenção para a violência na região.
Entre os eventos realizados, tivemos ainda uma demonstração em Londres por volta de meio-dia em frente à residência oficial do primeiro-ministro, uma marcha no Coliseu, em Roma, e uma demonstração do lado de fora da embaixada do Sudão em Abuja, na Nigéria.
Diante dessa crônica de um desastre anunciado, a ONU e a União Africana adotam, essencialmente, medidas simbólicas e paliativas. Há dez anos, uma força inter-africana de 7.500 homens, "Missão Africana no Sudão (African Mission in Sudan-AMIS)" foi deslocada para Darfur.

Mas, a AMIS, sub-equipada, dispõe de um mandado restritivo: os soldados não têm o direito de efetuar patrulhas ofensivas. Eles devem se limitar a “negociar” e se contentar com a contagem dos mortos. Por fim, falta à força internacional uma vontade política resoluta de por fim aos massacres que a União Africana e a ONU se recusam obstinadamente até hoje a classificar como “genocídio”. Os soldados africanos, desolados, declaram entre si: “Não servimos para nada”.
O regime sudanês teme que uma força de paz da ONU aja como braços do Tribunal Penal Internacional, que detém, há dez anos, uma lista de nomes de criminosos de guerra compilada pelas Nações Unidas. Mesmo que essa lista nunca tenha sido divulgada, estima-se que altos dirigentes sudaneses, talvez o próprio presidente Beshir, constem dela.

No entanto, enquanto o regime continuar a recusar o envio de uma força da ONU, ele incentiva a “comunidade internacional” a manter o financiamento da AMIS. Exatamente porque ela para nada serve. O “arranjo” é reflexo de uma hipocrisia negociada, já que os europeus e os norte-americanos, que conhecem perfeitamente a ineficácia da força africana, fingem ignorá-la. O gesto serve para dar a impressão de que estão agindo na região.

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