terça-feira, 18 de agosto de 2015

Para historiadora da USP, elites brasileiras 'não evoluíram': 'ainda é muito parecido com 1964'





Marcha da Família com Deus pela Liberdade, movimento surgido em março de 1964 favorável à deposição do então presidente da República, João Goulart.



Maria Aparecida de Aquino é professora titular aposentada da Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, colabora com o Programa de Pós-Graduação em História Social da mesma instituição. Durante sua carreira, se dedicou ao estudo da repressão política durante o período da ditadura civil-militar no Brasil, especialmente a censura exercida sobre os veículos de comunicação.

Nesta entrevista realizada no fim de março, ela aborda os motivos que levaram ao golpe de Estado em 1964, o papel exercido pela imprensa e faz comparações com o atual cenário da política nacional. Segundo a historiadora, há um elemento em comum entre passado e presente: “Uma das coisas que persistem é o comportamento das elites. Ainda é muito parecido com o que era em 1964.”

Quais foram os motivos que levaram ao golpe de 1964?

A gente precisa levar em consideração que no golpe estão presentes diversas forças dentro do Brasil, bem como existiu apoio internacional - mais especificamente, apoio dos Estados Unidos. Quando a gente pensa quais seriam os motivos que levariam essas forças internas e externas a embarcarem numa aventura que foi o golpe de 1964 - aventura essa ilegal e ilegítima sob todos os aspectos - existem razões bastantes diversas. Se tivéssemos que centralizar essas razões eu diria que, basicamente, foi o programa de reformas, as chamadas reformas de base do então presidente João Goulart, o elemento detonador dessa questão. Essas reformas atingiriam todos os setores: penetrariam na educação, no mundo agrícola, na indústria. Era uma proposta para mudar o Brasil.

Mas não se tratavam de reformas feitas em outros países? Por que aqui não foram aceitas pela elite?

Sim, era um projeto reformista, não revolucionário, mas “há elites e há elites”. Ela não aceitou porque não suporta partilhar, essa é a característica da nossa elite. Não apenas da elite do nosso país. É uma marca das elites dos países que eram considerados subdesenvolvidos.

Enquanto você tem nos países considerados avançados, como Inglaterra, França, Alemanha, uma determinada caracterização das elites, na medida em que não existe um distanciamento tão grande entre aquele que pertence à elite e aquele que está alijado na sociedade, no Brasil e em outras nações você tem uma distância imensa. Existem nações em que a diferença entre o menor salário e o maior não ultrapassa dez vezes. Aqui não dá para mensurar quantas vezes ultrapassa. Consequentemente esse distanciamento tão grande faz com que essa elite nossa não seja tão permissiva.

Ela não admite, ela não é democrática. Ela é cruel, mesquinha. No momento em que ela diz “não podem se sentar à mesa”, ela está negando o próprio desenvolvimento. Porque é do acesso dessas pessoas a bens que elas não teriam, e a possibilidade que elas teriam que, inclusive, você tem o maior desenvolvimento do país. Quanto mais gente consumindo, partilhando, mais o país será desenvolvido. Nossa elite nega inclusive o desenvolvimento. O seu próprio desenvolvimento. É predatória, talvez seja o melhor adjetivo para ela.

Hoje se fala muito do papel de resistência à ditadura que os órgãos de imprensa desempenharam. Como eles atuaram antes do golpe?

Têm um papel de protagonismo. Eles foram conspiradores. Toda a grande imprensa estava na conspiração contra a democracia. Vai ser uma das articuladoras mais importantes do golpe. O único veículo que não apoiou o golpe e se manteve ao lado do regime deposto foi o jornal Última Hora, do Samuel Wainer. Por conta disso, ele ganhou um inimigo total, que vai destruir o jornal. Demora pelo menos quatro anos até ele perder a posse do jornal em 1968, mas é destruído. Também ocorreu com o Correio da Manhã, que apoia o golpe, mas que dois dias depois já está contra, se colocando na oposição, já que percebeu o monstro que ajudou a criar. Por conta disso, também será destruído, pelo mesmo grupo que comprou oÚltima Hora.

Então como se explica que parte da grande imprensa, após esse momento inicial, passa a resistir à ditadura?

A maior parte dos órgãos de divulgação de notícias tem uma tendência absolutamente liberal. Faz parte dos objetivos do liberalismo a defesa da liberdade de expressão e de opinião. Então, a liberdade de imprensa é um elemento central no interior da plataforma liberal. A imprensa tem essa plataforma. Não é o tipo de coisa que eles queriam que acontecesse. Embarcou numa terrível aventura, descobriu que a canoa era furada, num determinado momento a canoa deles também fura. O exemplo lapidar é o jornal que eu estudei, O Estado de S. Paulo. Foi um grande conspirador. Os Mesquita [família dona do jornal] assumem que estavam na conspiração; dois anos antes do golpe eles já faziam parte das reuniões que discutiam como seria o Brasil depois do apocalipse. Mas três anos depois do golpe já está na linha de tiro, tanto que vai receber a censura. É talvez o único órgão da grande imprensa, ao lado da revista Veja, que tem censura prévia no interior da redação.

Com o fim da ditadura, é possível dizer que há uma contradição entre democratização política e a ausência de democratização da mídia?

Os grandes blocos de comunicação – o Brasil tem meia dúzia, se chegar a tanto – você observa que não têm como ideal a defesa da democratização das comunicações. Porque democratizar significa, ao fim, que você dará liberdade para as pessoas se organizarem em pequenos jornais que passariam a ter direito à luz do sol. Para a grande imprensa isso não interessa.
Quando você pega “o grande jornal A” versus “o grande jornal B” você vai ver manchetes idênticas, até a fotografia de capa muito parecida. O mesmo para as grandes revistas, parece tudo a mesma coisa. É bom esse mundo, né? Esse mundo entre “iguais” agrada a grande imprensa, o mundo da diversidade não.

Na realidade se está na defesa do oligopólio. Há grupos enormes que dominam fatias gigantescas do mercado das comunicações. É uma defesa cooperativista. Não quer que outros entrem. Para eles o “mesmismo” é bom. De forma alguma tem a ver com liberdade de imprensa. Liberdade de imprensa, inclusive, seria lutar pela diversidade.

Você vai a uma cidade do Acre, lá tem uma concessionária dos grandes veículos de comunicação. É isso que está em jogo. Por isso que está em jogo, a perda de domínio. No Brasil, antes mesmo de se colocar em pauta, se faz o discurso de que se está ameaçando a liberdade de imprensa.

Nesse sentido, qual sua avaliação mais geral sobre o papel da imprensa no fortalecimento da democracia?

Fortalece enquanto defensora das liberdades democráticas, dentre elas a liberdade de expressão e imprensa. Tem um papel importante sim, mas não se pode dizer que ela seja fiel à democracia no sentido de que a democracia também significa conviver com o diferente, com o antagônico. O que se vê hoje é a incapacidade de viver com o antagônico. “Vocês estão de um lado, eu de outro, não quero diálogo”. Hoje cumpre um papel péssimo nesse sentido.

Eu fico muito chateada e entristecida quando eu comparo as manchetes que antecedem o golpe de 1964 e o que se faz hoje na grande imprensa. Só é comparável o que se faz hoje em relação ao governo. A grande imprensa está fazendo isso de novo, não aprendeu com a censura, com o fechamento, com o empastelamento, não aprendeu nada, repete a mesma coisa. Só a semelhança com a destruição que hoje se faz do governo com o processo de destruição de que foi alvo o governo de João Goulart.

Quando você acompanha as manchetes, as primeiras páginas, os editoriais daquela época, eles são devastadores. Não é “queremos um Brasil melhor”, mas sim “o que está aí não nos serve”, independentemente de ser democrático ou não, então partiram para o ataque. Está acontecendo o pior que pode ocorrer, não se está dando possibilidade de defesa para alguém que você colocou no chão. Usa-se todo seu potencial e destrata cada um dos pontos do governo. “Nada é bom”.

“O Brasil teve coisas negativas, mas cresceu o nível de emprego”. O “mas cresceu o nível de emprego” é o mais importante, mas aparece no rodapé da página. É clara a iniciativa para quem quiser ver e estiver prestando atenção.

Em sua opinião, o que permaneceu intocado mesmo com o fim da ditadura?

Hoje pouca coisa. Uma das coisas que persistem é o comportamento das elites. Ainda é muito parecido com o que era em 1964. As elites não evoluíram, não avançaram. Enquanto o Brasil mudou muito, para melhor, um país que inclui muito mais pessoas, e não só por causa dos últimos anos, vem num processo de inclusão muito importante. A realidade que vivemos hoje está a léguas de diferença da realidade de 50 anos atrás. Talvez a única que persista é uma atitude semelhante das elites, infelizmente.

Então as elites ainda se comportam do mesmo jeito?

Quando você analisa as elites que estavam posicionadas em 1964 elas são claramente golpistas. Elas querem a derrubada do regime democrático. Elas não sabem e não conseguem conviver com o Estado democrático. Portanto, partem para sua destruição e dissolução, que ocorre através do golpe, ilegal e ilegítimo.



Hoje você tem uma elite que tem um pouco de receio. Ela tem um pouco de receio de dizer “para nós acabou a brincadeira, a bola é minha e não brinco mais” e assumir uma caracterização abertamente golpista. Não que ela não flerte. Não que ela não seja capaz de embarcar em uma aventura terrível, pela forma como age, pelas considerações que ela faz.

Um exemplo foi quando a presidenta Dilma se elegeu. Ela teve uma capacidade eleitoral bastante grande no Nordeste. Quando você olha as redes sociais falando dos nordestinos, você vai ver a cara dessa elite. Ela é exatamente aquilo. Ela começa a dizer: “é esse tipo de gente que elegeu, e nós somos melhores”. Ela tem condições, desejo e vontade de flertar abertamente [com o autoritarismo].

Ou seja, hoje você tem um processo ou uma proposta de inclusão social, que de uma maneira ou de outra dá acesso a determinadas instâncias, desde a casa própria até o ensino universitário, a pessoas que não teriam esse acesso.

Essa proposta descontentava, como descontenta hoje. A proposta de inclusão. Se o Brasil vive um momento de crise, se é que existe a crise, se ela não é fabricada pelos meios de comunicação, essa crise se deve fundamentalmente a esse descontentamento. São os mesmos grupos, a mesma raiz, que não aceita que as pessoas que não têm nem acesso às migalhas passem a se sentar na mesa.

Como a senhora analisa os protestos pedindo impeachment, os “panelaços”?

Quem bateu panelas? Foi a grande elite? Eu sou capaz de entender o porquê. Tem o que perder, e é só por isso que está batendo panela. Eu não tenho dúvida que essa gente está em defesa de seus privilégios. Existiu a tentativa de puxar um fio de corrupção que envolveria o PSDB, mas foi engavetado. Então por que se diz que só existe um criminoso, o PT?

O Paulo Francis há mais de vinte anos já falava de corrupção na Petrobras. Faleceu porque veio um processo judicial que ele não conseguiu arcar. A corrupção é exclusiva desse governo?

Mas o conservadorismo, atualmente, não se resume à elite...

Uma coisa é pensarmos no Brasil como um país jovem, que está vivendo um processo de ascensão das chamadas classes médias; quanto a isso não há dúvida. Mas é um erro achar que nesse mesmo processo progressivo também terá o mesmo processo no sentido de qual leitura eles terão da realidade brasileira. Infelizmente, a leitura que se tem, na média, é conservadora.

Isso se deve à formação do Brasil, uma escolarização muito baixa. Teve o acesso das pessoas ao ensino, mas é um ensino transformador? Quando se pega a escola pública, que atende à vasta maioria, essa educação transforma sua mentalidade, prepara para os novos tempos? Se tivesse uma imprensa que fosse muito mais plural, também contribuiria para que tivéssemos esses debates ampliados.

O que você diria para alguém que defende o retorno da ditadura?

Pensa, raciocina e observa o que o regime militar produziu. Um mundo sem luz. A desigualdade se ampliou enormemente nesse período, os ricos mais ricos e os pobres mais pobres. É isso que você quer para a sociedade brasileira? O remédio para a sociedade brasileira é uma aventura antidemocrática? Para combater a corrupção é necessário acabar com a democracia?

Para pessoas que pensam nisso, eu aconselharia a ver as contas da Transamazônica. Ou as contas nunca fechadas da Ponte Rio-Niterói. Ninguém falou, porque naquele momento não podia falar. Se você levantar, você vai trazer uma quantidade de coisas irregulares que arrepia os cabelos de qualquer um. Hoje, graças ao caminho que a sociedade brasileira trilhou, nós temos liberdade de falar. O autoritarismo corre ao lado da irregularidade, porque ele abafa a irregularidade.




TIRARAM A CHUPETA DO MERVAL





O golpista Merval Pereira anunciando a vitória de Dilma



Por Miguel do Rosário, em O Cafezinho



Merval voltou a chorar.
O principal colunista da Globo tem um blog, hospedado no portal do grupo.
Não entendo muito bem, visto que os sites da Globo recebem bilhões de todas as esferas de governo (municipal, estadual e federal),  porque o seu blog fica às moscas. Olhei os últimos posts e nenhum possui um mísero comentário.
Em todos os posts, lá está a mensagem fatídica: Seja o primeiro a comentar.
Quer dizer, entendo sim: é porque é ruim mesmo.
Voltemos ao choro de Merval. Percebe-se facilmente que seu humor degenerou depois que lhe tiraram o brinquedinho do golpe das mãos.
No post de hoje, igualmente sem comentário nenhum, o colunista, mais apalermado do que o normal, sai distribuindo coices para tudo que é lado.
O jornalista ficou horrorizado com a "metáfora" usada pelo presidente da CUT, de que pegaria em armas se houvesse um golpe contra a presidenta Dilma.
Pois é, Merval, mas infelizmente esse é o risco que corríamos, se o golpezinho paraguaio, que você e seus coleguinhas de jornal planejavam, fosse adiante.
Aliás, por falar nisso, até agora você não deu informações mais detalhadas sobre o teor da reunião a portas fechadas entre os editores do Globo, você e Eduardo Cunha. O que conversaram?
Aquilo pegou bastante mal, Merval!
Flagrado com a boca na botija, Merval tentou usar a tática do ladrão que grita "pega ladrão" para sair de fininho.
Citou o Cafezinho, que deu o furo, mas não deu o nome do blog: muito honesto, como sempre. E saiu falando em "blogs rastreados pela Lava Jato", ou seja, praticamente entregando o jogo: que a Lava Jato está sendo efetivamente usada como polícia política, uma espécie de operação coringa que serve a qualquer propósito.
O colunista, ao se referir ao presidente da Central Única dos Trabalhadores, fala em "chefão da CUT". Ao mencionar João Pedro Stédile, em "comandante do MST". Os adjetivos hostis apenas evidenciam uma personalidade visivelmente transtornada por um ódio de classe de cunho fascista: odeia sindicalistas e sindicatos, e odeia movimentos sociais.
Em seguida, o ódio de Merval se volta para o ex-presidente Lula, o qual, segundo Merval, teria sido "apanhado indiretamente num grampo telefônico".
Por aí se vê o mau caratismo golpista do setor tucano da PF, que não tem vergonha nenhuma de ser uma polícia política destrambelhada (contra o governo, o que é a coisa mais esquizofrênica que já se viu no mundo), que sai grampeando todo mundo e vazando o que grampeia para jornais de oposição.
E se a PF começasse a grampear e vazar conversas de jornalistas, empresários de mídia e banqueiros? Merval, na mesma hora, acusaria a existência de um Estado policial. Mas como é contra Lula e contra uma empresa de engenharia independente da Globo, então vale tudo.
Daí Merval abandona qualquer prudência e faz um ataque gratuito, grosseiro e irresponsável ao movimento sindical brasileiro.
Copio os dois parágrafos de Merval:
"Se não fosse perigosa a retórica desses movimentos periféricos ao poder sustentados pelas verbas do governo federal, seria ridícula essa linguagem de sindicalistas que, como está no voto do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, querem transformar o país em um 'sindicato de ladrões'. "

O presidente da CUT, Vagner Freitas, foi o antecessor de João Vaccari na presidência do Bancoop, a cooperativa do triplex de Lula."

É incrível a capacidade desses colunistas globais de concentrarem, em tão poucas palavras, tantas mentiras, leviandades e grosserias.
Ele começa falando em "movimentos sustentados por verbas do governo federal". Ora, os sindicatos brasileiros são financiados por suas próprias verbas, independentemente do governo federal.
Quem é financiado pelo governo federal, para desgraça do Brasil, é a Globo.
Aliás, aconselho Merval a ler o livro O Quarto Poder, de Paulo Henrique Amorim, para saber dos podres da empresa onde trabalha. Roberto Marinho, patriarca da Globo, sempre se beneficiou - e abusou - de suas relações privilegiadas com o poder. Se alguém quiser estudar a corrupção no Brasil, não poderá jamais esquecer a Globo.
Em seguida, Merval repete a grosseria de Gilmar Mendes, e diz que "sindicalistas" querem transformar o Brasil num "sindicato de ladrões".
Como é que é, Merval?
Isso inclui o sindicato dos jornalistas também? Ou inclui apenas os sindicatos que você não gosta?
O nível de irresponsabilidade, leviandade, grosseria de uma frase como essa me faz lembrar, mais uma vez, de minhas leituras de jornais estrangeiros, como Washington Post, New York Times, Le Figaro, El País, Le Monde.
Nenhum desses jornais, mesmo os mais conservadores, publicaria semelhantes vulgaridades. No Washinton Post, jornal da direita norte-americana, eu li, certa feita, uma elegante e respeitosa reportagem sobre os sindicatos de lá.
Não, Merval, o Brasil não tem nada a ver com a Venezuela, por inúmeras razões, mas suas colunas talvez copiem o que há de pior, de mais desonesto, agressivo e leviano na imprensa marrom da Venezuela.
Em seu blog sem comentários, Merval parece ter virado, ele mesmo, um troll, um desses comentaristas de blog expelidores de chorume.
A frase seguinte me parece a essência de um espírito doente: "O presidente da CUT, Vagner Freitas, foi o antecessor de João Vaccari na presidência do Bancoop, a cooperativa do triplex de Lula."

É puro veneno. Não há nenhuma condenação contra Freitas, contra Vaccari, em relação ao Bancoop, nem Lula possui nenhum triplex. Merval se aferra à mentira contumaz da Globo sobre o "apartamento de Lula em Guarujá".
Não haveria problema nenhum para Lula em possuir um apartamento triplex.  Lula não tem porque não quer. Mas não tem, como já explicou mil vezes à imprensa.
A frase de Merval apenas evidencia, portanto, um espírito mesquinho, obcecado em disseminar veneno e mentiras.
Não admira que seu blog continue às moscas.




Tio San mandou parar com a palhaçada - NY Times faz duro editorial contra o golpe no Brasil




FHC, o "borra calças" que ficará rotulado para sempre como GOLPISTA


Acredite se quiser.
O New York Times acaba de publicar um duro editorial contra o impeachment da presidenta Dilma!
Em outras palavras, um editorial contra o golpe.
O editorial repete os argumentos da blogosfera e do campo progressista e popular, de que um golpe causaria sérios danos à democracia no país, levando a um período de instabilidade por tempo indeterminado.
Não que eu dê bola ao que pensa o New York Times. Ao contrário, tenho consciência das armadilhas enormes por trás desses elogios da imprensa americana.
Mas o pensamento conservador brasileiro tem profundo respeito pelo que pensa o maior jornal dos Estados Unidos, não?
Tradução de um trecho:
"Ela [Dilma] não fez - o que é admirável - nenhum esforço para constranger ou influenciar as investigações. Ao contrário, ela tem consistentemente enfatizado que ninguém está acima da lei, e apoiou a renovação da gestão do atual procurador-geral da república, encarregado das investigações sobre a Petrobrás, Rodrigo Janot.
Até o momento, as investigações não encontraram nenhuma evidência de ações ilegais de sua parte. E enquanto ela é, sem dúvida, responsável por políticas e erros que produziram problemas econômicos, não há nada que justifique o impeachment. Derrubar Dilma sem evidências concretas de corrupção causaria sérios danos à democracia que vem ganhando força nos últimos 30 anos, sem nenhuma contrapartida. E não há nada que sugira que algum dos líderes políticos que querem lhe tomar o lugar faria melhor do que ela em termos de política econômica".
*
Agora está explicado porque a Globo e a grande mídia em geral recuaram do apoio ao golpe.
O Tio Sam mandou parar com a palhaçada.
Os EUA tem dezenas de bilhões de dólares investidos no Brasil.
Sabem que uma aventura golpista iria lhes fazer perder dinheiro.
Falta só avisar aos coxinhas psicóticos que desfilaram nas ruas com faixas em inglês.
A última frase do editorial, que fala sobre a falta de competência e moral na oposição, é um recado duro e sarcástico contra FHC e o PSDB, que se tornaram ainda mais histéricos e desequilibrados após as malogradas manifestações do último domingo.
O governo que mais combateu e combate a corrupção em toda a nossa história, é o de Dilma Rousseff.
Se as conspirações midiático-judiciais não transformarem essas investigações em surtos alienistas para prender metade do país, paralisar a economia e promover uma seletividade política penal, então Dilma terá um excelente legado para mostrar.



Mandato de Dilma e "Terceiro Turno" estão agora nas mãos do TSE





Aécio: mau caráter e mau perdedor


Por Vasconcelo Quadros em "Marco Zero"


Brasília – O depoimento do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, previsto para esta terça-feira no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pode ser o lance mais emblemático no longo e sistemático processo de conspiração que contamina o poder. Delator agraciado com um contrato que pode reduzir sua pena e testemunha chave, Pessoa pode fornecer a bala de prata que a oposição espera para tentar vencer no tapetão o “terceiro turno” das eleições de 2014.

O ovo da serpente é um recurso chamado tecnicamente de Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), impetrada pelo advogado do PSDB, José Eduardo Rangel de Alckmin pedindo a cassação dos diplomas da presidente Dilma Rousseff e de seu vice, Michel Temer. Caso Pessoa confirme o que andou falando sobre doação ilegal para a campanha de Dilma, o TSE pode anular a eleição do ano passado, convocar um novo pleito ou – o que seria mais provável -, dar posse ao segundo colocado, o senador Aécio Neves.
Os riscos de Dilma ser destituída são claros e palpáveis, especialmente porque a mesma corte acatou os mesmos argumentos para cassar os mandatos de pelo menos quatro governadores _ Mão Santa (PI), Marcelo Miranda (TO), Jackson Lago (MA) e do tucano Cássio Cunha Lima (PB). Além do depoimento do delator, Dilma está no meio de uma das mais turbulentas crises, onde enfrenta baixa popularidade e a corrosão de sua base de apoio no Congresso. Seu próprio partido e os movimentos sociais que ajudaram a elegê-la fazem uma defesa tímida do mandato presidencial, uma postura equivocada e que vem dando a escalada conspiratória para tirá-la do Palácio do Planalto.

“ Briga de cachorro grande”

O “terceiro turno” das eleições, que deve ter como palco a justiça eleitoral, é “briga de cachorro grande”, a começar pelo perfil do advogado que defende a cassação do mandato. Primo do governador paulista, Geraldo Alckmin, ex-ministro do TSE e filho do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) José Geraldo Rodrigues de Alckmin (falecido) – um dos fundadores da Opus Dei no Brasil, nomeado pelo ex-ditador Emílio Garrastazu Médici – José Eduardo Alckmin é um dos mais influentes advogados de Brasília, com reconhecido trânsito nos tribunais superiores. Sua especialidade é a área eleitoral, onde tanto já defendeu quanto acusou governadores enrolados com fraudes eleitorais.
Ao contrário do que fará agora, o advogado Alckmin sempre teve uma postura contra a cassação de mandatos, hipótese que só admite diante de uma fraude que macule a vontade do eleitor ou muda o resultado do pleito. Não foi, obviamente, o caso da eleição da dupla Dilma-Temer cujo desempenho por muito pouco não acabou prejudicado pela edição antecipada da revista Veja no ano passado, sob a expectativa de Aécio e da cúpula tucana.
“Nesse caso é diferente. A eleição foi decidida por pequena margem, o que torna a cassação necessária diante da gravidade dos fatos (doação ilegal de fundos para a campanha). A novidade é que o que de fato faz a diferença agora é a preponderância do aspecto moral. Os recursos de origem abomináveis contaminaram a legitimidade da presidente”, disse o advogado ao Marco Zero. Ele afirma que a tese não é golpista e não vê riscos a democracia numa eventual cassação de Dilma e Temer, decisão que seria inédita e levaria o caso para o STF.
O problema é que as mesmas empreiteiras que fizeram doações também a outros candidatos, entre eles, Aécio Neves, o que reforça a suspeita de que, se conseguir emplacar a tese, a oposição não hesitará em derrubar Dilma, mesmo que tenha de andar com um carimbo de golpista na testa.

Carona na Lava Jato

Alijados do poder há quatro eleições presidenciais e sem um novo “Plano Real” no bico, os tucanos pegaram carona na Operação Lava Jato e já conspiraram, sem sucesso, em todos os ninhos para tentar voltar ao poder. Ás vésperas do segundo turno, apostaram as fichas na repercussão da edição antecipada de Veja, publicação que certamente entrará para os anais do jornalismo brasileiro; depois, entraram com um pedido de recontagem dos votos e, quando as manifestações contra Dilma e o PT ganharam as ruas, chegaram a apostar no impeachment da presidente – ideia abandonada diante da constatação de que a queda de Dilma tornaria inevitável o retorno de Lula numa nova eleição.
A saída então – planejada por personagens que num passado distante também sofreram os efeitos do golpismo - é matar os dois coelhos numa só cajadada e fazer o banquete no Palácio do Planalto: os tucanos querem o poder a qualquer custo, nem que para isso rasguem suas próprias biografias.

Cartada final

A ação no TSE é a cartada final e, nos bastidores, tem um discreto apoio dos grupos de comunicação. Não por acaso são os mesmos que num passado não muito distante se enfileiraram entre os golpistas que derrubaram um presidente legitima e legalmente eleito para instalar uma ditadura de 21 anos. Os donos desses veículos só se deram conta de que o regime militar iniciado em 1964 era para valer com a edição do AI-5, em 1968, que inaugurou o período de trevas. A resistência ao arbítrio, vendida com fachada democrática para as novas gerações, é de um farisaísmo que a história desmente. Os principais veículos pediam a derrubada de Jango em editoriais.
As vozes mais sensatas têm defendido a manutenção do mandato de Dilma não pelo PT ou de sua estrela mais cintilante, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas pelo respeito ao regime democrático numa República que só agora, há apenas três décadas, interrompeu os ciclos militaristas alimentados por quarteladas.
Lula, o PT e Dilma erraram feio ao recorrer aos mesmos métodos corruptos dos adversários, mas só devem ser tirados pela vontade popular se nada for provado. O processo em curso usurpa a vontade do eleitor e sua grande colaboração é obrigar o PSDB a mostrar as garras, conforme as entrelinhas da entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na convenção tucana, há duas semanas.

A voz do cardeal

“O PSDB está pronto para assumir” sinalizou FHC, o cardeal em torno do qual gravitam os tucanos de alta plumagem, como Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra, todos esforçadíssimos para tentar um terceiro turno embora, para a plateia, jure que não assumiria o poder como o derrotado em 2014. Outra ação impetrada por José Eduardo Alckmin no STF por Aécio advoga a tese de uma nova eleição, mas as declarações dos tucanos permitem especular que essa tese pode cair por terra caso o TSE convoque o segundo colocado a assumir, como fez nos casos envolvendo governadores.
A posição do TSE vai depender do que o “arrependido” Ricardo Pessoa disser no depoimento. Se confirmar o que tem dito e acrescentar algo que vincule a presidente a arrecadação ilegal de dinheiro para a campanha, o país assistirá, então, uma crise sem precedentes e de consequências imprevisíveis, mas certamente graves.




A Micareta Deprimida do Impeachment











Seria normal, em uma democracia, que a presença de centenas de milhares de pessoas nas ruas pedindo o impeachment de um presidente da República gerasse, no dia seguinte, rumores sobre a iminente queda do governo e comemorações efusivas dos líderes das jornadas de protesto sobre o “sucesso” da mobilização. Mas não é isso que estamos vendo neste 17 de agosto de 2015. Pelo contrário: nas entrelinhas dos editoriais da grande imprensa e na média da opinião dos comentaristas de política existe uma clara percepção de que o movimento pelo impeachment, apesar de ainda ser grande e barulhento, perdeu o viço, desmilinguiu-se, gerando uma situação aparentemente contraditória: o alvo dos protestos parece estar menos incomodado com o resultado das manifestações do que aqueles que convocaram as pessoas às ruas.


A seguir, arrisco alguns palpites sobre as razões para este suposto contrassenso: 


Perda do poder de contágio

As manifestações deste último domingo, 16 de agosto, mostraram que ao invés de ganhar adesão de setores populares descontentes com o governo, o movimento Fora Dilma sofreu uma debandada. Ainda que as redes sociais já sinalizassem o que estaria na avenida, manifestantes menos engajados ou aqueles com algum histórico de ativismo na esquerda ficaram assustados com as cenas explícitas de elitismo, agressividade, conservadorismo e mesmo de maluquice e ignorância da primeira manifestação. Pularam fora e passaram a acompanhar o Fla-Flu político à distância. 

De março para cá, mesmo com a corrosão da popularidade do governo, nenhum novo movimento social relevante aderiu às marchas pelo impeachment. Apenas a oposição de direita resolveu escancarar sua adesão aos protestos, gerando um efeito contrário ao pretendido: agora, além de direitista, o movimento também recebe a pecha de partidário, afastando os descontentes com o governo que são refratários a políticos e partidos. Tanto nas redes quanto nas ruas ficou nítido que os protestos de ontem ficaram restritos a um perfil muito específico de manifestante.


Perfil elitista e discurso de ódio


Ao analisar o perfil médio das 135 mil pessoas que ocuparam ontem a Avenida Paulista, o Datafolha transformou em dados estatísticos o que já se via a olho nu: homens, brancos de classe média-alta e ideologicamente identificados com a direita compõem o modelito básico dos manifestantes. Mas o Datafolha traz uma novidade: 70% deles tem mais de 36 anos, sendo que 40% já passaram dos 50 anos. Não é preciso ser estatístico ou sociólogo para saber que a esmagadora maioria da população brasileira não se encaixa nem se identifica com este perfil. 

Some-se a isso as cenas repugnantes de gente pedindo a morte dos comunistas e hostilizando com violência física quem pensa diferente; declamando ignorância política e desconhecimento histórico; vociferando machismo e preconceitos de todo tipo; menosprezando os mais pobres; glorificando torturadores e figuras execráveis de extrema-direita; gesticulando saudações nazistas e apoiando uma intervenção militar. Tudo isso e mais um pouco forma um retrato bastante perturbador do que passa pela cabeça desta gente. E é justamente este perfil que torna quase impossível a adesão de setores populares às manifestações de rua pelo impeachment.


Ausência de bandeiras populares


Não é só o perfil dos manifestantes que restringe o alcance do movimento. A completa ausência de bandeiras que acenem para a melhoria das condições de vida dos brasileiros também conspira contra a neodireita que agora ocupa as ruas. Em 2013, as grandes jornadas de protestos tiveram como pano de fundo reivindicações por mais e melhores serviços públicos e, com isso, angariaram o apoio de amplas massas, sobretudo entre a juventude. 

Já o movimento Fora Dilma convoca o povo às ruas tremulando uma única bandeira: a do antipetismo e, com base nela, pedem o impeachment, agora transfigurado (talvez por reconhecimento da correlação de forças desfavorável) em um patético e risível clamor pela renúncia da presidente. Educação, saúde, transporte, cultura, direitos trabalhistas, respeito à diversidade? Nenhuma dessas pautas comparece nas manifestações. Mesmo o discurso contra a corrupção oferecido à imprensa mostra-se falso, como veremos adiante.


Pauta sem futuro 


Além de não ter outra pauta que não seja o antipetismo, o movimento Fora Dilma, por sua própria contradição interna, também não oferece perspectivas de futuro na arena política. Ainda que a ampla maioria dos manifestantes se declare eleitores de Aécio Neves, nem mesmo a entrega do poder aos tucanos surge como alternativa para os líderes do movimento. O que fazer se Dilma deixar o governo? Qual agenda de mudanças deve ser defendida? Quem deve compor o eventual novo governo? 

São perguntas para as quais a maioria dos manifestantes não tem resposta. Assim, sem oferecer pistas sobre o futuro, o movimento Fora Dilma perde-se num imediatismo inconsequente, irresponsável e sem propósito. E, mais uma vez, afasta para longe das ruas a turma que pensa e usa o bom senso, mesmo estando de mal com o governo. 


Conluio com políticos corruptos

Quem acompanha a imprensa internacional pode ficar com a impressão que as manifestações de março, abril e agosto são uma demonstração cabal do “saco cheio” dos brasileiros com a corrupção. Mas como explicar para quem vê a coisa de fora que esta mesma turma que grita nas ruas e nas redes contra a corrupção apoia o financiamento privado de campanhas eleitorais –considerado por dez entre dez analistas como a raiz da corrupção política no Brasil – e escale como principal aliado o presidente da Câmara dos Deputados, denunciado no processo da Lava Jato por receber US$ 5 milhões de propina e que é visto e sabido nos meios políticos como um corrupto notório? 

A comunhão com outras figuras tão nebulosas e enroscadas em escândalos quanto Eduardo Cunha, como os senadores Ronaldo Caiado, Agripino Maia, Aloysio Nunes e Aécio Neves, escancara a indignação seletiva dos manifestantes e torna ridículo o discurso pela “ética” que as lideranças do movimento oferecem para a plateia. Na prática, estão dizendo que corrupção é tolerável desde que seja praticada por quem os apoia.


Ridicularização dos protestos pelas redes sociais

Apesar da cumplicidade da grande mídia, esse lodaçal de contradições e excrecências não escapa do olhar arguto de uma parte muito influente da sociedade: os internautas e ativistas de redes sociais. Os três principais grupos à frente das manifestações (Vem Pra Rua, Revoltados Online e Movimento Brasil Livre) nasceram e cresceram na internet. Sua influência nas redes sociais ainda é muito forte, mas o extremismo de suas ideias e o paradoxo de seus atos estão os deixando isolados. 

O fato da hashtag #CarnaCoxinha (usada para desqualificar e ridicularizar as manifestações de ontem) ter alcançado o primeiro lugar entre as palavras mais comentadas no Twitter no Brasil e o segundo lugar no mundo - enquanto nenhuma tag contra Dilma apareceu sequer entre as dez mais - revela que a direita está perdendo o controle da narrativa sobre os protestos antigoverno. Muitos analistas políticos afirmam que a consolidação de um discurso no ambiente virtual tende a se refletir no mundo real a médio prazo. 

Eis mais um motivo que ajuda a entender o enfraquecimento gradativo do movimento Fora Dilma. Alguns colegas jornalistas que estiveram nas ruas ontem por dever de ofício relatam que não apenas o número de pessoas nas ruas caiu, mas também o ânimo dos manifestantes está baixo. Não se viu nos protestos de ontem a mesma empolgação dos atos anteriores. Apesar do caráter carnavalesco do protesto - reforçado por dancinhas, fantasias, bonecões e trios elétricos - a micareta direitista apresentava muitos foliões visivelmente cabisbaixos e incomodados. 

Isso se deve em boa parte à ridicularização e péssima repercussão das manifestações nas redes sociais. Ninguém se sente motivado a ir para as ruas se este gesto não for reconhecido como algo a favor do país e da sociedade. Não se deve duvidar que boa parte, talvez a maioria dos manifestantes anti-Dilma, carrega, ainda que por vias tortas, um sentimento genuíno de estar fazendo algo bom. Mas uma boa parte deles, sobretudo suas lideranças, joga deliberadamente no time do quanto pior melhor, de forma dissimulada, irresponsável e perigosa. Já que a mídia empresarial, envolvida ela também com o golpe, não cumpre seu papel de denunciar o discurso de ódio e os excessos e descaminhos antidemocráticos da manifestação, os ativistas das redes sociais estão assumindo esta tarefa.


O governo reagiu timidamente, mas reagiu 


Por fim, é preciso registrar que se as manifestações não conseguiram colocar o governo nas cordas - e a de ontem configurou-se, no máximo, num embate chocho - a explicação não está apenas na pouca força demonstrada pelo desafiante à direita, de calção verde-amarelo. O governo também soube se esquivar. Tropeçou, tomou alguns cruzados constrangedores de direita, sangrou, perdeu uma das luvas, o calção vermelho rasgou, o sparring foi ameaçado, mas o pugilista conseguiu ficar de pé. 

Ao buscar diálogo e apoio em setores menos incendiários da arena política, sair da toca, mostrar-se disposta a ouvir críticas à esquerda e também (para o bem e para o mal) curvar-se a interesses empresariais, a presidenta Dilma evitou ser nocauteada por mais uma jornada de protestos. Resta saber se ela terá apoio, disposição e esperteza política suficiente para aguentar firme até o último round. O gongo final está programado para soar apenas em dezembro de 2018. Até lá, como dizem por aí, há muita luta pela frente. E ela deve ser travada sem menosprezar o adversário mas também sem subestimar nossa vontade e capacidade de vencê-lo.

* Cláudio Gonzalez é jornalista, editor-executivo da revista Princípios.