sexta-feira, 22 de maio de 2015

VANNUCHI: “SEM IMPEACHMENT, AÉCIO PERDE O RESTO DAS FORÇAS”









Analista político acredita que o tucano deverá passar a ser visto como "traidor dos movimentos que o apoiaram" e diz que Aécio Neves se apresenta como figura oposta ao seu avô Tancredo Neves; "O ex-presidente sempre fazia mediações entre o movimento das Diretas Já e os militares, assim com um pé em cada canoa, construiu sua vitória no colégio eleitoral. Entretanto, Aécio perdeu esse DNA, pois é uma liderança política furiosa, que não faz nenhum tipo de intermediação, se bateu raivosamente pelo impeachment, até cair numa armadilha tucana"
O analista político Paulo Vannuchi afirma nesta sexta-feira, 22, em sua coluna para a Rádio Brasil Atual que o presidente do PSDB, senador Aécio Neves, perde cada vez mais força no seu eleitorado, pois deverá passar a ser visto como "traidor dos movimentos que o apoiaram". O candidato derrotado à Presidência anunciou desistência da ação de impeachment contra Dilma Rousseff, após parecer do jurista Miguel Reale Júnior ter admitido não haver indícios suficientes.
"A mídia está tão focada em atacar o PT, Lula e a Dilma, que se fosse em outros tempo, não teria perdido a chance de fazer a ironia de que os tucanos sempre ficam em cima do muro, sinalizando de um lado e para o outro", afirma.
Segundo o comentarista, Aécio se apresenta como figura oposta ao seu patrono na política, o avô Tancredo Neves. "O ex-presidente sempre fazia mediações entre o movimento das Diretas Já e os militares, assim com um pé em cada canoa, construiu sua vitória no colégio eleitoral. Entretanto, Aécio perdeu esse DNA, pois é uma liderança política furiosa, que não faz nenhum tipo de intermediação, se bateu raivosamente pelo impeachment, até cair numa armadilha tucana."
Para o comentarista, o "partido da mídia" continuará atacando o PT, e principalmente Lula, porém o cenário já não é tão positivo. "Haverá troco, já que o ex-presidente é a maior liderança política do país. No ponto de vista de propaganda, quando alguém bate excessivamente pesado, pode gerar o 'efeito bumerangue', que deverá deixar algumas pessoas com um pé atrás nessa onda de ataques."
"É importante lembrar que essa desistência do PSDB abre espaço para a Dilma 'sair das cordas'. Aliás, ela acertou ontem (21), ao incluir uma elevação de bilhões a serem arrecadados, com o aumento da parte de impostos que os bancos pagam a partir do seu lucro de cada ano", analisa.




Danilo Gentili rosna nas redes sociais









Por Altamiro Borges


Com seu estilo agressivo e provocador, o “humorista” Danilo Gentili, que comanda o patético “The Noite”, no SBT, resolveu comprar briga agora com Jô Soares, que teve um encontro nesta segunda-feira (18) com Dilma Rousseff. Entusiasta dos panelaços e das marchas golpistas, que ladram pelo impeachment e pela volta dos milicos ao poder, ele também rosnou contra o seu rival da TV Globo – que ultimamente tem feito declarações contrárias às forças de direita no país. Em seu perfil no twitter, Danilo Gentili comparou Jô Soares a um cachorro: “Senta. Deita. Rola. Parabéns para você”, postou a figura hidrófoba. A mensagem hostil foi acompanhada de uma montagem que exibia duas fotos do apresentador global: uma com o ditador Emílio Garrastazu Médici e outra com Dilma Rousseff.

Danilo Gentili, um reacionário raivoso, é conhecido por estimular o ódio nas redes sociais e também no seu talk show no SBT – uma emissora privada que explora uma concessão pública de tevê. Em abril, quando a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República lançou o programa “Humaniza Redes”, visando apurar e combater as práticas preconceituosas e criminosas na internet, ele anunciou uma campanha contra Dilma Rousseff batizada de “Desumaniza Redes”. Conforme rosnou em entrevista ao IG, o objetivo seria presentear com um videogame a melhor ofensa contra a presidenta: “Comprei um Playstation do meu bolso e vou sortear para quem mais xingar as redes sociais que o governo criou para combater 'o ódio' na internet".

Na semana passada, outro adepto do humorismo invasivo, Rafinha Bastos – que já atuou com Danilo Gentili e inclusive é seu sócio numa casa de shows em São Paulo – afirmou que o seu “rival” é uma pessoa transtornada. “Ele precisa odiar alguém. É isso que move ele”, afirmou. De fato, o rapaz que rosna precisa de tratamento. E que não seja numa clínica veterinária – em respeito aos cãezinhos.



Manipulação com cotação do Real pode deixar Lava-Jato “no chinelo”









O ótimo trabalho do repórter Fernando Nakagawa, do Estadão, divulga, pela primeira vez no Brasil, o que desde ontem já se sabia nos círculos financeiros  norte-americanos:

Os grandes bancos internacionais, sobretudo o Barclays  – mas também o Citibank, o JP Morgan (que opera no Brasil com a participação deArmínio Fraga), Royal Bank of Scotland (RBS), UBS e Bank of America  – estavam envolvidos e pagarão US$ 5,6 bilhões manipularam, entre outras,  a cotação da moeda brasileira, pelo menos durante a crise financeira de 2008/2009.

Diz Nakagawa que “documento do órgão supervisor do Departamento de Serviços Financeiros de Nova York (DFS) mostra que negócios com a moeda brasileira em 2009 foram alvo da ação de operadores que queriam influenciar preços para aumentar lucros. “Operadores de câmbio envolvidos no mercado entre o dólar dos Estados Unidos e o real do Brasil conspiraram juntos para manipular os mercados”, diz o termo de compromisso de cessação de prática (consent order, em inglês) que envolve o Barclays”.

Entre  2008 e 2012, os agentes de FX (Foreign Exchange, câmbio mundial, numa tradução livre)  do Barclays comunicavam com os negociantes de FX em outros bancos para coordenar tentativas de manipular os preços de algumas moedas – a nossa, entre elas – através de comunicação online.

O mercado de FX, preste atenção, não está escrito errado, movimenta um quatrilhão de dólares por ano. É, quatrilhão, mil vezes um trilhão. E os bancos envolvidos respondem por mais de 20% do total das operações, o que dá um poder de fogo imenso na cotação. E transforma décimos de centavos nas cotações em somas bilionárias.

Diz a reportagem:

“Uma indicação do esquema veio à tona com a troca de mensagens entre duas pessoas que negociavam a moeda brasileira. Em 28 de outubro de 2009, um operador do Royal Bank of Canada (RBC) conversava com um colega do Barclays. “Todo mundo está de acordo em não aceitar um agente local como corretor?”, questiona o funcionário do banco canadense via programa eletrônico de troca de mensagens. “Sim, menor competição é melhor”, respondeu o operador do banco britânico. Exatamente no dia da troca de mensagens citada no processo, o dólar fechou em alta de 0,6%, a R$ 1,7447, segundo dados do Banco Central. Naquela época, o mercado de câmbio do Brasil vivia o fim de um período de quase um ano de firme valorização da moeda nacional. Enquanto o mundo tentava se desvencilhar dos problemas da crise financeira que estourara um ano antes, o Brasil crescia e o fluxo de moeda estrangeira para o País fez com que o dólar caísse do patamar próximo de R$ 2,50 visto em dezembro de 2008 para R$ 1,70 em outubro de 2009. A manipulação do mercado brasileiro foi descoberta pela investigação que envolveu autoridades dos EUA e Reino Unido e revelou um grande esquema global que influenciou as cotações das principais moedas do planeta.”

Nos EUA e no Reino Unido, as multas aos bancos superam  US$ 5 bilhões (R$ 15 bilhões), quase o triplo  do que – e com muito exagero – se consideram terem sido os prejuízos possíveis com a Lava-Jato. Só para o Barclays são US$ 2,4 bilhões: US$ 485 milhões para o Departamento de de Serviços Financeiros do Estado de Nova Iorque , US$ 400 milhões para a Commodities Futures Trading Commission , US$ 710 milhões para o Departamento de Justiça dos EUA, US$ 342 milhões ao Federal Reserve, o BC dos EUA, e e 284 milhões de libras esterlinas (aproximadamente US$ 441 milhões para os órgãos reguladores do Reino Unido.

E isso é apenas o acordo de leniência firmado com os bancos.

E nós com isso?

Tudo, porque o Banco Central toma e liquida contratos em dólares, em bilhões de reais, porque opera a troca de moeda. E vende contratos de câmbio compromissados com valores que, agora, sabem-se manipulados.

Embora seja virtualmente impossível apurar o valor exato das perdas, é certo que elas foram imensas, a confirmar-se que a manipulação durou anos. Mas o BC, o Itamaraty e a Procuradoria Geral da República têm de agir imediatamente, a começar pelo levantamento de todas as operações de câmbio fechadas por estes bancos, diretamente ou por intermediação com outros, durante  aquele período.

E, com isso, estimar as penalidades que devem ser aplicadas.

A tal “mão invisível” do mercado, vê-se, também é dada a manipulações criminosas.




Líder de protestos pela intervenção militar é investigado pela Polícia Federal




Capitão de bosta




O capitão da reserva da Marinha Sérgio Luiz Zorowich, um dos líderes dos protestos que pedem uma intervenção militar no Brasil, foi intimado para depor em um inquérito da Polícia Federal que, segundo ele, tem como objetivo enquadrar os defensores da volta do regime militar na Lei de Segurança Nacional. Zorowich, que mora em Santos, recebeu a intimação há cerca de dois meses para depor na semana que vem.
O depoimento faz parte do inquérito 0161/15-4 instaurado pela Polícia Federal. A intimação não especifica o motivo da investigação.
Segundo ele, sua advogada apurou junto à PF que o objetivo é enquadrar defensores da intervenção militar no artigo 23 da Lei de Segurança Nacional, que prevê pena de um a quatro anos de detenção para quem incitar “subversão da ordem política ou social” ou “animosidade entre as Forças Armadas ou entre estas e as classes sociais ou as instituições civis”.
Procurada por meio da assessoria de imprensa, a PF não negou as afirmações de Zorowich e se limitou a dizer que não comenta investigações em andamento.
Dono de empresas que prestavam serviços à Petrobrás e acabaram falindo, Zorowich concentra sua atuação nas redes sociais, onde tem milhares de seguidores e publica mensagens nas quais pede a ação imediata das Forças Armadas pata depor o governo do PT e chega a vincular a presidente Dilma Rousseff a grupos criminosos como o PCC ou terroristas como o Estado Islâmico. Para ele e seus seguidores, a tese do impeachment defendida por partidos de oposição é muito leve.
Em uma destas mensagens, em referência à Operação Lava Jato, escreveu: “que indiciamento que nada, vamos derrubar o governo pela força das massas e com apoio dos quartéis”.
Indagado se as postagens não se enquadram no incitamento proibido pela lei, Zorowich respondeu: “não deixa de ser, não vou desmentir”.




A conexão Serra-Matarazzo no caso do jornal anti Haddad e no blog ‘Implicante’. Por Kiko Nogueira









O caso do panfleto anti-Haddad produzido pelo vereador Andrea Matarazzo, prefeiturável do PSDB em São Paulo, obedece a um modus operandi de seu mentor e melhor amigo José Serra.
Segundo a Folha, foram gastos, oficialmente, 13 mil reais para imprimir 55 mil exemplares de um tabloide com oito página denominado “Nova Cidade”. O dinheiro foi tirado da verba anual de 239 062,56 destinada a  “serviços gráficos, assinaturas e materiais de escritório”.
Segundo as normas da Câmara Municipal, esse tipo de material precisa ter “caráter educativo, informativo ou de orientação social”. É permitida a criação de um jornal para divulgação de atividades institucionais “desde que não haja promoção pessoal de qualquer dos vereadores por meio desse veículo de comunicação”.
O pasquim automopromocional tem fotos de Matarazzo triunfante em todo lugar. O editorial, assinado por ele, diz que “nos últimos dois anos, a vida na cidade piorou muito, graças a uma gestão ineficiente e sem noção de prioridades”.
Uma das matérias denuncia que São Paulo tem número recorde de queda de árvores, para emendar que Matarazzo propôs um projeto de lei para diminuir os processos de poda. Sobra também para as “ciclovias do absurdo”. O expediente traz o nome de cinco jornalistas, quatro repórteres e uma editora, todos eles lotados no gabinete do pessedebista.
A gráfica é a do Estadão. O repórter do DCM Pedro Zambarda fez um orçamento de uma publicação nos mesmos moldes. O valor foi de 4,1 mil reais, quase 9 mil a menos. Esse montante teria pago o trabalho do time.
A assessora de imprensa de Andrea, Bia Murano, editora do panfleto, acha que não há “nenhum problema ético” e que, pelo chefe ser de oposição, é natural que ele seja “mais crítico com o prefeito”.



É um uso espúrio de dinheiro público. As digitais de AM estão também em outra história recente: a do Implicante, o site de difamação feito pela agência Appendix, contratada por Alckmin por 70 mil reais mensais para “serviços de comunicação da secretaria da Cultura”.
Ex-subprefeito da Sé na gestão Serra e secretário de Kassab, Andrea foi secretário estadual de Cultura entre 2010 e 2012, quando saiu para a vereança, mas deixou sua equipe (ganha um sorvete quem souber o nome do atual secretário). Eles eram chamados, segundo um pessedebista histórico, de “menudos”.
Uma destas pessoas é Cristina Ikonomidis, que também passou pela Secretaria de Cultura, foi secretária-adjunta de Comunicação Institucional do governo Serra e hoje é sócia da Appendix. Bia Murano gravou em 2010 um depoimento sobre Serra no YouTube, afirmando que o conhece “desde a infância” e que guarda “com carinho um presente muito especial que recebeu dele” — uma autógrafo numa cópia da Constituição.
Em setembro do ano passado, Andrea Matarazzo organizou uma coletiva de Aécio Neves com donos de mais de 80 jornais de bairro da capital. “Na semana seguinte, todos eles tinham anúncios da Secretaria de Cultura”, disse um desses empresários ao DCM.
O jornal detonando a prefeitura, que o contribuinte paulistano ajudou a lançar, é um aperitivo do que Matarazzo ainda fará até 2016. José Serra, o homem do “Pó Pará, governador?”, fez escola.




BRASIL-CHINA É PLANO MARSHALL SEM IDEOLOGIA








Por Paulo Moreira Leite



"Não há, na história diplomática brasileira, o registro de qualquer evento desta envergadura, envolvendo um espectro tão amplo e variado de atividades estratégicas", comenta Paulo Moreira Leite, diretor do 247 em Brasília, sobre os 35 acordos bilaterais firmados entre os dois países essa semana, cujo alcance real é de US$ 53 bilhões em investimentos no Brasil; "É um Plano Marshall sem contrapartidas políticas nem ideológicas", opina o embaixador José Alfredo Graça Lima, que coordenou as negociações pelo lado brasileiro, lembrando do programa de investimentos criado pelos EUA após a Segunda Guerra; anunciado numa conjuntura em que a oposição faz o possível para criar um grande pessimismo em torno do futuro do país, diz PML, o acordo levou o diplomata Samuel Pinheiro Guimarães a ironizar: "ou os chineses são desinformados e totalmente equivocados, ou quem imagina que o Brasil enfrenta uma situação catastrófica precisa aprender prestar atenção à realidade".
A principal dificuldade para se compreender o alcance real do conjunto de acordo de US$ 53 bilhões para investimentos da China no Brasil reside em sua dimensão. Embora possam ser resumidos, hoje, a um simples calhamaço com algumas centenas de folhas de papel, autografadas pelas autoridades dos dois países, os 35 acordos bilaterais entre os dois governos envolvem um conjunto gigantesco de decisões, possibilidades e perspectivas, formando um bloco de medidas capaz de produzir um impacto tão grande em nosso futuro que é difícil encontrar um parâmetro de comparação.
Não há, na história diplomática brasileira, o registro de qualquer evento desta envergadura, envolvendo um espectro tão amplo e variado de atividades estratégicas como mineração, petróleo, defesa, aeronáutica, ferrovias, exportação de carne — e ainda um curioso programa de cooperação esportiva para aperfeiçoamento de atletas de ping-pong e ainda de badminton, aquele esporte que é uma mistura de vôlei de praia e jogo de peteca, muito popular na China e quase desconhecido no Brasil.
Anunciado numa conjuntura em que a oposição faz o possível para criar um grande pessimismo em torno do futuro do país, o acordo levou o diplomata Samuel Pinheiro Guimarães — secretário-geral do Itamaraty na gestão de Celso Amorim, ministro nos dois mandatos de Lula — a fazer uma ironia em entrevista ao 247: "ou os chineses são desinformados e totalmente equivocados, ou quem imagina que o Brasil enfrenta uma situação catastrófica precisa aprender prestar atenção à realidade." Crítico do programa de ajuste econômico que marca o segundo mandato de Dilma, Samuel também afirma: "ninguém investe 50 bilhões de dólares num país à beira do abismo. Muito menos quem tem as maiores reservas do mundo e pode escolher aonde coloca cada centavo."
Em busca de uma referência histórica para o acordo com a China, diplomatas ouvidos pelo 247 admitem alguma semelhança entre os acordos assinados no início da semana e o Plano Marshall, programa de investimentos criado pelo governo dos Estados Unidos logo depois da Segunda Guerra Mundial, que permitiu a reconstrução da economia européia nas décadas seguintes.
"Mas é um Plano Marshall sem contrapartidas políticas nem ideológicas", adverte o embaixador José Alfredo Graça Lima, que coordenou as negociações pelo lado brasileiro. Assim batizado em homenagem ao então secretário de Estado George Marshall, a partir de 1947 o plano que leva seu nome mobilizou US$13 bilhões na época — cerca de US$ 130 bilhões em dinheiro de hoje — para produzir uma dupla mudança no Velho Mundo, que teve impacto em todo planeta. Se, de um lado, contribuiu para modernizar uma economia destruída pelos bombardeios dos próprios aliados, que carregava marcas duradouras da sociedade aristocrática do século XIX, também jogou um papel decisivo para atrair os países da chamada Europa Ocidental para a áerea de influência política dos Estados Unidos. Foi assim que França, Italia, Inglaterra e outros países se consolidaram como aliados incondicionais de Washington durante a Guerra Fria, condição assegurada por laços econômicos, diplomáticos — e também militares, através da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Os acordos Brasil-China têm como finalidade as metas de cada país neste século XXI: crescimento da economia, distribuição de renda, inclusão dos mais pobres — e assim por diante.
Com uma postura que a maioria dos observadores concorda em definir como 100% pragmática, a diplomacia chinesa convive com indiferença absoluta pelo mais diversos regimes políticos. Não debate assuntos internos dos países-anfitriões e não gosta de ser forçada a tratar de seus próprios tabus, onde a área de direitos humanos é sempre uma questão delicada. Suas reais finalidades externas começam e terminam na economia. Até pelo tamanho de seu país e a dimensão de sua população de 1,3 bilhão de almas, os chineses são caçadores de fontes de matérias primas de todo tipo e tem uma preocupação permanente em encontrar mercado para suas mercadorias — o país, hoje, tem a maior produção industrial do planeta.
Como ocorre com boa parte dos episódios relevantes da evolução humana, a aproximação entre brasileiros e chineses não foi feita por uma sucessão de atos de pura vontade política, mas pela capacidade das partes em dar respostas racionais diante de circunstâncias definidas.
Os dois países começaram a aproximar de verdade quando o Brasil consumava a transição da ditadura militar para a democracia, num processo simultâneo à consolidação do programa de reformas — na época chamado de "economia socialista de mercado" — realizado por Deng Xiao Ping. Foi naquele período que José Sarney fez uma viagem a Pequim, foi recebido pelo próprio Deng e debateu tratados de natureza diversa, inclusive espacial.
No governo Luiz Inácio Lula da Silva, onde a diplomacia brasileira consumou uma guinada definitiva em direção aos países que começavam a ser chamados de emergentes, o Itamaraty deu um voto de imenso valor diplomático quando, nos debates da Organização Mundial de Comércio, aceitou incluir a China na categoria dos países que possuem uma "economia de mercado." O nascimento dos BRICS ajudou a pavimentar o processo construção de um pólo diplomático alternativo ao lado de Índia e África do Sul, também, mas os 35 acordos da semana passada têm natureza bilateral.
Reúnem interesses complementares de brasileiros — cuja economia pede novos investimentos — e de chineses, que não podem cumprir um planejamento econômico destinado a modernizar o país e oferecer novas oportunidades a sua população sem abrir mercados externos para investimentos produtivos, que lhe permitam empregar centenas de milhões de pessoas.
Num mundo em prolongada crise econômica desde o colapso dos derivativos, em 2008, Pequim movimenta uma máquina em outro percurso, que não enfrenta concorrentes nem mesmo rivais.
Afundada em seus programas de austeridade, a Europa não consegue sair do próprio atoleiro e tem sido incapaz de responder ao drama — modesto sob todos os pontos de vista — até de uma economia como a da Grécia, que pede um pouco, só um pouco, de oxigênio para respirar. O desempenho dos Estados Unidos tem sido um pouco melhor. Nem de longe, contudo, os bancos que governam a economia norte-americana têm demonstrado apetite para levantar o mercado interno de forma regular, e muito menos para estimular o crescimento fora dos EUA. Preferem alimentar-se no tradicional cassino e acumular ganhos espetaculativos. O resultado é que a esperada recuperação mundial se mostra lenta, sem um sinal visível nem convincente.
Neste ambiente em geral pouco promissor, a China, com o segundo PIB do planeta, é a economia que faz o contra-ciclo. Crescendo 7,5% ao ano — já cresceu 10% por um longo período — atua como uma locomativa na contra-corrente de uma tendencia mundial ao crescimento baixo e mesmo a recessão.
Vem daí o papel crescente que a China passa a desempenhar fora de suas fronteiras, ocupando espaço — sempre pacificamente, sem estimular atritos políticos — que até há pouco pareciam reservados aos Estados Unidos. O desembarque no Brasil, na semana passada, consumou uma vitória indiscutível do Dilma Rousseff, também. "Demonstra a credibilidade do país", afirma Graça Lima.
Experimentado arquiteto da diplomacia comercial brasileira, a estrela de Graça Lima iluminou-se no governo Fernando Henrique Cardoso, perdeu força durante os dois mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva e, de uns tempos para cá, recuperou o brilho durante o governo Dilma Rousseff. Na condição de Subsecretário de Assuntos Políticos 2, área responsável pelas relações com os países da Ásia e com os BRICS, Graça Lima conduziu negociações acompanhadas, de perto, pela própria presidenta da República — que sempre devotou gosto e atenção especial às negociações com a potência asiática. Semana sim, semana não, nos últimos meses Graça Lima recebia missões diplomáticas de Pequim no gabinete no Itamaraty, em conversas destinadas a acertar detalhes dos acordos. Os pontos mais complicados, como se pode imaginar, eram os urgentes e importantes, envolvendo a venda de aviões e as ultimas barreiras para a exportação da carne brasileira — e só foram resolvidos poucos dias antes da chegada da comitiva chinesa ao país.
Como se sabe, tão importante quanto a assinatura dos 35 acordos bilaterais, será o esforço para garantir sua execução em prazos compatíveis. A convivência econômica entre povos e países está recheada de iniciativas bem sucedidas e também de idéias que deram errado. Os anos iniciais do Plano Marshall foram muito menos animadores do que se podia imaginar no futuro. A Aliança para o Progresso, de 1960, que seria um esforço de John Kennedy para estimular o crescimento da América Latina em bases democráticas para fazer frente ao apelo da revolução cubana encerrou-se sem progressos visíveis e o apoio a golpes militares contra governos progressistas. O futuro dos países não se encontra numa bola de cristal e sempre será um horizonte formado por surpresas e movimentos inesperado. Mas é difícil negar que, por sua história recente, Brasil e China, tão diferentes, tão distantes, têm um conjunto de interesses diferentes mas complementares que podem ser atendidos de forma proveitosa pelas partes. Esta é a racionalidade do acordo.




Aécio é “frouxo” e “traidor”, diz Lobão e membros do Movimento Brasil Livre





Guerreiro de araque


Do Facebook:

Se fôssemos depender do Aécio e do PSDB, ficaríamos em casa assistindo do sofá o PT destruir nossas instituições.
Hoje o PSDB anunciou que não vai aderir a pauta do impeachment, traindo assim os mais de cinquenta milhões de votos adquiridos na última eleição dos brasileiros que apostaram nessa falsa oposição que continua nos decepcionando todos os dias. O Movimento Brasil Livre vai continuar a sua marcha até Brasília para protocolar o impeachment, pois, diferentes do PSDB, mantemos nossa palavra.




Paulo Pimenta: Folha de S. Paulo ataca quem investiga a Zelotes









por Paulo Pimenta*, via e-mail

Para minha surpresa, nesta quinta-feira (21), o colunista da Folha de S.Paulo Leonardo Souza iniciou uma “cruzada” contra todos aqueles que lutam para que não haja uma operação abafa sobre a Operação Zelotes. Acuada que está, a mídia faz diversas tentativas para desqualificar tanto a Zelotes quanto o episódio das contas secretas do HSBC na Suíça, conhecido como escândalo Swissleaks, pois ela não sabe QUEM as investigações poderão “pegar”.
O que se sabe é que nesses dois escândalos bilionários de sonegação há empresas de mídia e nomes ligados a grupos de comunicação envolvidos. Como a imprensa não controla esses episódios, ela busca estratégias para retirar a autoridade do trabalho investigativo da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, ou daqueles que buscam dar visibilidade à Operação Zelotes.
A imprensa, basicamente, não se ocupa da Operação Zelotes por três motivos: o escândalo bilionário não envolve a classe política (os envolvidos são empresas privadas, anunciantes da própria mídia); há grupos de mídia investigados; e por que parte da imprensa sustenta que sonegar é um ato aceitável, e que não se trata, portanto, de corrupção.
Chama atenção que o colunista Leonardo Souza jamais se deteve em profundidade ao assunto para informar à sociedade o que é o Carf, o que é a Operação Zelotes, como é que agiam as quadrilhas que se apropriaram de uma estrutura como o Carf para defesa dos seus próprios interesses. Pelo que se sabe, o colunista não moveu até agora uma palha para tentar esmiuçar o assunto. Quando não cala sobre a Zelotes, o colunista Leonardo Souza prefere fazer juízo de valor sobre a minha atuação, tentando colocar sob suspeita as reais intenções do nosso trabalho.
Lamento que, mesmo tendo gasto grande quantidade de papel e tinta acompanhando a Operação Zelotes e a nossa atividade parlamentar, o colunista da Folha de S.Paulo o faça sem reconhecer a realidade dos fatos, sob a frágil alegação de que os esforços engendrados por nosso mandato tenham a única finalidade de desviar a publicidade da operação Lava Jato. Qual o motivo de tratar a Lava Jato e a Zelotes como concorrentes, e não como casos de corrupção de forma semelhante, respeitando o direito que a sociedade tem de ser informada? Se o raciocínio do tal colunista procedesse, seria possível afirmar que a mídia só cobre a Lava Jato com objetivo de ofuscar a Zelotes.
Sim, Leonardo, que as autoridades investiguem a fundo a Lava Jato, a Zelotes, o HSBC, o Mensalão Tucano, o Trensalão Tucano de São Paulo e todos os casos de corrupção do país, bem diferente do que ocorria até o final dos anos 1990, quando muitos casos de corrupção eram engavetados. E que a imprensa, por sua vez, noticie todos os casos de corrupção do país.
E quando for cobrada de que não está cumprindo com o papel de informar e servir ao cidadão, de que está agindo como a quadrilha que atuava no Carf defendendo apenas seus próprios interesses, que a imprensa não busque o caminho dos ataques, da desqualificação e das suposições baseadas em ufanismos editoriais ideológicos. Que não seja autoritária como os censores da ditadura! Que não tente calar e sufocar a voz daqueles que buscam chamar atenção para a roubalheira que foi feita no Carf. Que não censure! Que não faça o que justamente critica. Combata a censura, a si próprio, e não quem defende a liberdade para se falar da Zelotes e de todos escândalos de corrupção.
Por respeitar e confiar na independência do poder judiciário é que buscamos tratamento isonômico a todas as investigações criminais envolvendo o desvio de verbas públicas. Acreditamos que entre os excessos a Operação Lava Jato e a negligência dedicada à Operação Zelotes deve existir um caminho do meio.
As estratégias da mídia são velhas conhecidas. O que há de novo é que, agora, não há mais como impedir que o público tenha acesso às informações de que os grandes grupos de comunicação estão envolvidos tanto no Swissleaks quanto na Zelotes, que apuram sonegação fiscal, corrupção, tráfico de influência e lavagem de dinheiro.
Infelizmente, a imprensa brasileira trabalha os casos de corrupção não a partir do ato em si, mas, sim, a partir de quem praticou a corrupção e quem está envolvido nesses escândalos. Só depois desse filtro, dessa censura prévia, e só depois de verificar se não irá atingir interesses dos grupos econômicos influentes, é que a imprensa decide qual o tamanho da cobertura jornalística que dedicará, ou, então, se irá varrer os acontecimentos para debaixo do tapete, sumindo com esses fatos do noticiário.
A mídia conhece, mais do que ninguém, os limites da sua liberdade de expressão, até onde pode ir e sobre o quê e quem falar. Nesse sentido, e parafraseando o próprio colunista Leonardo Souza, “é uma pena que o ímpeto apurativo da imprensa brasileira não se dê pela vontade genuína de ver um Brasil limpo da corrupção”.




A DEMOCRACIA ESTÁ EM RECESSÃO.










VÁRIOS GRANDES PAÍSES RECUARAM EM QUESTÃO DE LIBERDADE. E MESMO ALGUNS REGIMES DEMOCRÁTICOS ACIDENTAIS COMEÇAM A APRESENTAR BLOQUEIOS E A EVIDENCIAR PROBLEMAS. NUMA TENDÊNCIA GLOBAL, A DEMOCRACIA PARECE ESTAR EM RECESSÃO.

Após três décadas de avanços importantes, a democracia – a pior forma de governo com exceção de todas as outras, como gostava de dizer Winston Churchill – não apenas deixou de progredir no mundo como enfrenta várias formas de ataques. Pelo menos, esta é a opinião clara de vários politólogos importantes, entre os quais Francis Fukuyama e Thomas L. Friedman.
Os fatos estão aí para indicar que esta tendência, infelizmente, é uma realidade. Entre eles a afirmação de regimes autoritários pelo mundo afora, os malogros das Primaveras Árabes, a deterioração do nível médio da liberdade no mundo.


“Desde 2000”, diz um outro politólogos – Larry Diamond, da Stanford University – “25 democracias entraram em colapso – não só devido a golpes militares ou dirigentes autoritários, mas também devido a degradações sutis e progressivas dos direitos e procedimentos democráticos. Alguns desses fenômenos ocorreram em sistemas políticos de fraca qualidade. Mas em todos esses casos, a concorrência eleitoral multipartidária razoavelmente livre e justa, ou foi eliminada, ou foi degradada muito abaixo dos padrões mínimos de um regime democrático.