quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

JUCA FERREIRA NA CULTURA. ÓTIMA NOTÍCIA!







A Secretaria de Imprensa da Presidência da República confirmou na noite desta terça-feira (30) que Juca Ferreira será o ministro da Cultura do segundo governo Dilma Rousseff. A notícia é altamente positiva. Após vários recuos para "acalmar o mercado" e "garantir a governabilidade" no Congresso Nacional, com a indicação de nomes que expressam o conservadorismo, a presidenta vai equilibrando o jogo e indicando ministros mais identificados com as bandeiras mudancistas que garantiram a sua reeleição. O atual secretário de Cultura da capital paulista é reconhecido por suas posições mais à esquerda. Ele é respeitado nos coletivos culturais da juventude por suas ideias inovadoras e ousadas.

Juca Ferreira também é um defensor da radicalização da democracia no país. Na semana retrasada, no lançamento do Fórum-21 – uma articulação que reúne intelectuais, comunicadores e lutadores sociais dispostos a reforçar o campo das ideias progressistas –, o novo ministro da Cultura defendeu a urgência da democratização dos meios de comunicação. Segundo reportagem de Eduardo Maretti, da Rede Brasil Atual, ele argumentou que a formação da uma sociedade política e culturalmente madura depende da superação da mídia monopolizada. 

"Durante os longos anos de ditadura, nos acostumamos a ir contra a censura do Estado. Mas hoje tem a censura do mercado, e outro tipo de censura que a sociedade brasileira está descobrindo agora, que é a censura a partir dos interesses dos donos dos grandes meios de comunicação... Se não tivermos uma informação correta e desideologizada, que garanta que a população tenha discernimento e capacidade de analisar por si mesma, a gente não tem uma sociedade livre... A relação que isso tem com a cultura é fundamental. A informação é a base do desenvolvimento cultural. Se a informação é viciada, parcial e não democrática, atrasa e dificulta a formação de uma sociedade que se desenvolve culturalmente.", afirmou Juca Ferreira no evento em São Paulo. 

Para o novo ministro da Cultura, "a grande mídia tem um poder enorme na formação de opinião da sociedade. Quer manter como está, e os que dirigem o processo político têm avaliado que não têm condições (de fazer a reforma democrática dos meios)... Acho que dá para avançar, não com golpe de mão, mas com discussão na sociedade, que vai compreender que é preciso que se regulamente a atividade, não no sentido de cercear a opinião, mas no de ampliar a possibilidade de que todas as opiniões tenham presença nos meios de comunicação".


Reproduzo abaixo reportagem da Agência Brasil com a biografia do novo ministro da Cultura:

*****


Juca Ferreira está de volta ao governo

Por Helena Martins

Atual secretário de Cultura de São Paulo, Juca Ferreira, de 65 anos, foi anunciado hoje (30) como novo chefe do Ministério da Cultura (MinC). O nome foi divulgado no começo da noite, por meio de nota, pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República.

O baiano estará à frente do ministério pela segunda vez. A primeira foi durante o governo Lula, em 2008, quando substituiu o músico Gilberto Gil, com quem trabalhou durante mais de cinco anos no MinC como secretário executivo, entre 2003 e 2008. Na sua primeira passagem pelo ministério, Juca colaborou na formulação dos Pontos de Cultura, programa que levou para São Paulo.

A volta de Juca Ferreira à Esplanada dos Ministérios está vinculada tanto à atuação na prefeitura de São Paulo como na campanha de Dilma à reeleição. Ele coordenou o programa de cultura da candidata e também mobilizou artistas e grupos culturais para apoiá-la. Nas últimas semanas da disputa, chegou a se licenciar da prefeitura para dedicar-se exclusivamente às eleições.

A militância política do futuro ministro da Cultura vem desde a juventude. Ele foi líder estudantil e, em 1968, chegou a ser eleito presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), mas não assumiu por causa do Ato Institucional Número 5, que proibiu o funcionamento da entidade. Juca viveu nove anos no exílio no Chile, na Suécia e na França, onde se formou em Ciências Sociais na Universidade Paris 1 – Sorbonne.

No Brasil, passou a atuar com políticas de cultura na Bahia. Nos anos 1980, ingressou também na militância ambiental. Depois, participou de fóruns internacionais sobre cultura e meio ambiente como representante da sociedade civil. Filiado ao PV, foi secretário municipal de Meio Ambiente de Salvador e vereador da capital baiana por dois mandatos, tendo sido eleito em 1992 e 2000. Depois de mais duas décadas no PV, filiou-se ao PT em 2012.










O BARRACO DE DONA MARTA











Ressentida e recalcada, madame Suplicy dispara, deselegante, contra Juca Ferreira e Padilha. Mas, todos sabemos, seu alvo é Lula e Dilma.

Ela não os perdoa por tê-la colocado em seu devido lugar.

Preterida para a disputa da prefeitura de São Paulo e, em seguida, igualmente descartada para disputar o governo de seu Estado, Dona Marta abriu a janela do barraco e passou a gritar, acordando os vizinhos.

Ela repete Heloísa Helena e Cristóvam Buarque, ambos saíram do PT, quem não se lembra?, atirando para todos os lados.

Helô terminou, melancolicamente, ilustrando as páginas das revistonas em uma fotografia infeliz onde saltava, sorridente, ao lado de ACM, Agripino e toda a malta direitista no Congresso ao votar com eles contra o governo e contra o povo.

O recalque virou sabotagem.

Ainda desfrutando seus 15 minutos de infâmia, HH ganhou capa e perfis nas revistonas e jornalões ao enfrentar Lula nas urnas.

Derrotada, foi descartada pela mídia e o povo lhe deu uma ostra.

Cristóvam, o monotemático, também se arvorou a enfrentar seu ex-partido. Termina o ano em penúltimo lugar no ranking da revistaveja que avalia a atuação dos parlamentares. E pede desculpas a seus eleitores.

O senador, veja você, era um bravateiro.

De gravata e de bravata, o professor aprendeu pouco no Congresso e ruma ao ostracismo.

 Dona Marta, oh imagem terrível, calçou as botinas do filho punk e saiu a dar coice nos companheiros como uma forma de fazer barulho.

Ela joga para os holofotes, madame é, como o filho, punk de boutique. Quer sair do partido dando a impressão que foi forçada a isso.

Repete à risca os ex-companheiros. Segue um mau exemplo!

Ganhará holofotes enquanto for útil aos golpistas, reverberarão suas bravatas, vão fotografá-la sempre pelo seu melhor perfil, à direita agora, mas aposto que no final de 2016 deixará a vida pública como os ex-companheiros, com uma ostra nas mãos, pesaaaada!


Palavra da salvação.



GRAÇA MANDA INVESTIGAR OS NEGÓCIOS DA PETROS








Fundo de pensão dos petroleiros é o segundo maior do País, com 150 mil beneficiários e R$ 79,2 bilhões em investimentos; o fundo foi citado em investigações da Lava Jato e um dos alvos é o ex-gerente de novos negócios, Humberto Grault de Lima, que teria estruturado negócios em que a fundação registrou prejuízos; além do pente-fino na Petrobras, Graça Foster quer monitorar mais de perto os investimentos do fundo patrocinado pela Petrobras; Lima nega irregularidades: "Nunca recebi qualquer recurso para induzir investimentos nos seis anos em que trabalhei na Petro

A presidente da Petrobras, Graça Foster, não está disposta a fazer uma devassa somente em todas as áreas da estatal.

Os escritórios de investigação contratados pela companhia também irão investigar os negócios da Petros, o segundo maior fundo de pensão do País, que é patrocinado pela Petrobras.

Hoje, a Petros tem 150 mil participantes e administra investimentos que somam R$ 79,2 bilhões.
Na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, surgiram indícios de que a Petros realizou negócios que causaram prejuízos aos associados.

O advogado Carlos Alberto Pereira Costa, ligado ao doleiro Alberto Youssef, que representantes da fundação recebiam propina do esquema.

Ele citou o ex-gerente de novos negócios da Petros, Humberto Grault de Lima, que passou pelo falido banco BVA e teria estruturado operações prejudiciais à fundação.

"Nunca recebi qualquer recurso para induzir investimentos nos seis anos em que trabalhei na Petros. No depoimento, o advogado diz ter ouvido meu nome relacionado à propina, mas sem provas. Vou questioná-lo na Justiça", disse ele, ao jornal O Globo (leia aqui). "Acho bom a investigação na Petros para esclarecer essa confusão com meu nome."



segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

TEXTO DE ARY FONTOURA PROPAGA ONDA DE ÓDIO







Postagem do ator global, em que ele pediu que a presidente Dilma Rousseff renuncie ao PT, despertou manifestações no Facebook que fazem apologia ao crime e pregam o assassinato da presidente e do antecessor Luiz Inácio Lula da Silva; a internauta Stella Medina a chamou de "assassina e terrorista"; Luciana Cetrim falou em "cadeia no mínimo"; Cleci Schmitt disse que compraria as balas e Paulo Correia afirmou que puxaria o gatilho.

O texto em que o ator Ary Fontoura prega que a presidente Dilma Rousseff renuncie ao PT (leia aqui) despertou uma onda de ódio na internet, com direito à apologia ao crime.

A internauta Stella Medina defendeu que a presidente Dilma Rousseff assassinasse o ex-presidente Lula e depois se matasse. Ela também a chamou de "assassina e terrorista". Em seguida, Luciana Cetrim falou em "cadeia no mínimo". Cleci Schmitt disse que compraria as balas e Paulo Correa afirmou que puxaria o gatilho.



Ontem, o 247 publicou respostas de leitores ao texto de Ary Fontoura. Muitos defendem que ele, que decidiu se colocar como reserva moral da nação, renuncie à Globo, que andou de braços dados com os generais e se beneficiou de um regime militar, que transformou os Marinho na família midiática mais rica do planeta, graças à concentração dos meios de comunicação no Brasil (leia aqui).





A VALENTE FAMÍLIA TESTI E A ASCENDÊNCIA DO JUIZ SERGIO MORO








EDUARDO GUIMARÃES29 DE DEZEMBRO DE 2014 ÀS 13:39


Há pouco mais de dez dias, recebi mensagem privada, via Facebook, de alguém que, apesar de ler o Blog da Cidadania há sete dos dez anos de existência da página, jamais havia me procurado ou mesmo comentado naquele espaço.
Confira, abaixo, a mensagem de Enzo Fachini Testi, de Maringá.


Fiquei comovido e honrado. São pessoas como essas que me impedem de mandar tudo para o espaço, porque não é fácil ser blogueiro de esquerda em um país como este – você não ganha dinheiro, expõe-se à hidrofobia da direita e trabalha MUITO.
Aceitei o convite de Enzo sem nem mesmo saber direito que dia e hora ele e a família me convocariam para o encontro. No fim, marcamos para o dia 27 (último sábado), à tarde, em um lugar que Enzo considerou que seria emblemático: o restaurante Sujinho, reduto dos “blogueiros sujos”.
Além da honraria de ser considerado tão importante por uma família linda como aquela, ver que Moisés Testi, o patriarca, tem filhos que o amam tanto a ponto de lhe preparar uma surpresa como essa, aqueceu-me o coração.
Chega o sábado. Até havia me esquecido do compromisso. Por volta das 15 horas, toca o celular. Era Enzo, avisando-me de que já estava com o pai no Sujinho, à minha espera. Porém, Moisés não sabia que eu iria encontrá-los e estava impaciente, porque ainda tinha compromissos em São Paulo antes de voltar para Maringá.
Lamentavelmente, só pude me desvencilhar do que estava fazendo lá pelas 16:30 horas; cheguei ao Sujinho às 17 horas.
O restaurante estava lotado e eu não sabia quem eram as pessoas que me esperavam, mas bastaram poucos passos diante do restaurante para ser reconhecido e chamado por Enzo. Foi tocante ver a surpresa do pai, Moisés. Achei que ele ficou emocionado.
Que pai não ficaria, vendo um gesto de carinho como esse partindo dos filhos?
Conversamos por umas duas horas, acompanhados por litros de cerveja e uma bela porção de picanha como aperitivo. Durante o papo, pude saber mais sobre essa família admirável. Sobretudo sobre a luta dos Testi na ultra conservadora Maringá.
Moisés Testi tem 60 anos. É empresário do ramo alimentício em Maringá. Tem dois filhos, Enzo (29 anos) e Lorena (15 anos) – na foto, também aparece Leonardo (23 anos), o sobrinho. Todos eles leitores deste Blog desde 2007, quando a página já tinha 2 anos e surgiu o Movimento dos Sem Mídia.
Quem apresentou o Blog à família foi Enzo, quem, hoje, tem 29 anos e então, lá em 2007, tinha 23 anos.
A família Testi é de esquerda e apoia o PT. Isso, em Maringá, é prova de coragem. Para que se possa mensurar quanto é difícil, relato alguns fatos da história dessa família.
Moisés era empresário de outro setor; tinha a maior locadora de vídeos da cidade, frequentada, em peso, pela elite maringaense. O negócio, segundo relata o patriarca da família Testi, “morreu” devido ao avanço da tecnóloga.
Segundo Moisés, quando ele soube que a rede de locadoras americana Black Buster pediu concordata, ele se deu conta que seria melhor mudar de atividade. Porém, para que se possa mensurar a seriedade desse homem, ele não vendeu a empresa; encerrou-a.
À época, lá pelo início do governo Lula, teria sido possível vender a maior locadora da cidade para algum desavisado. Mas Moisés não quis empurrar o “abacaxi” para que, segundo ele, outra família sofresse como a sua estava sofrendo, com falta de clientes.
O lado mais triste dessa história, porém, é que o negócio de Moisés afundou antes da hora por conta de suas crenças políticas.
Com tristeza no semblante, ele relata episódio envolvendo um dos seus clientes mais frequentes e queridos, à época: Dalton Moro, já falecido, pai do juiz Sergio Moro, que conduz as investigações da Operação Lava Jato.

Eis o que houve: em 2002, esse senhor foi à locadora de Moisés e lhe perguntou se era verdade que ele iria votar em Lula, ao que obteve imediata confirmação. Naquele momento, ele pagou o que devia ao estabelecimento e disse ao estupefato Moisés que por conta da opção política dele nunca mais entraria em sua loja.
A partir dali, a locadora foi parando, parando, até que parou de vez. A empresa, que vinha crescendo, parou de crescer e a crise que atingiu esse mercado de locação de vídeos chegou antes para o negócio de Moisés.
Muitas vezes sou assaltado por dúvidas quanto ao que faço neste blog. Será que vale a pena? Será que não estou perdendo meu tempo, bradando no deserto? A família Testi me mostra que não. Alguma coisa boa devo estar fazendo aqui, para merecer a amizade anônima de gente como aquela.
Obrigado, Enzo. Obrigado, Leonardo. Obrigado, Lorena. E, acima de tudo, Obrigado, Moisés. Vocês me deram o melhor presente de 2014. Dinheiro nenhum seria capaz de comprar tão bela dádiva, que só nobreza moral como a dos Testi pode oferecer.




Gastos de governo tucano em MG com publicidade tem alta de 900%






Entre 2003 e 2014, de acordo com informações publicadas pela Rede Brasil Atual, três rádios e um jornal ligados, à família de Aécio Neves (PSDB-MG), foram recheadas com um repasse de R$ 1,2 milhão de reais. Nos 12 anos em que foi comandado pelos tucanos, o governo de Minas gastou mais de R$ 547 milhões com publicidade, em valores corrigidos pela inflação.


A pesquisadora Susy dos Santos, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenadora do Grupo de Pesquisa em Políticas e Economia da Informação e da Comunicação (PEIC), participou do debate por videoconferência.

Segundo a pesquisadora, especialista no tema, o radiodifusor não precisa ser um coronel tradicional, dono de terras e de poder político na sua região, para ser inserido no conceito de coronelismo eletrônico. “Essa relação clientelista, no entanto, provoca uma ruptura na autonomia das instituições sociais porque mantém um alinhamento da mídia com interesses partidários”, explicou.

Bia Barbosa, coordenadora do Intervozes e membro da coordenação executiva do FNDC, reforçou a importância do tema ser debatido com a sociedade em geral. “Enquanto a sociedade não se indignar com o controle de outorgas de rádio e TV para políticos, o debate público das questões mais essenciais para a população estará contaminado por essa troca de benefícios entre políticos e mídia”, afirmou.ento, desde a posse de Aécio, em 2003, até este mês de dezembro, quando termina o governo tucano em Minas Gerais, os gastos do estado com publicidade oficial aumentaram mais de 900%. 

As emissoras de TV, que apoiaram abertamente a campanha aecista para presidente, ficaram com a maior fatia. Rede Globo em primeiro lugar, com R$ 290 milhões. Entre os jornais, foram gastos R$ 138 milhões, o maior beneficiado foi O Estado de Minas, que apoiou editorialmente o governo de Aécio e sua candidatura presidencial. O jornal teve um aumento de 1.428% nos valores recebidos dos cofres públicos de 2003 para cá.

Sob o comando de Aécio, as despesas de órgãos da administração direta com "divulgação governamental" chegaram a R$ 489,6 milhões, segundo o Sistema Integrado de Administração Financeira de Minas Gerais (Siafi-MG), valor que ultrapassa R$ 815 milhões quando incluídos gastos de empresas, fundações e autarquias controladas pelo Executivo.

Coincidência ou não, o tucano - ainda Senador da República - se tornou sócio da Rádio Arco-Íris, que já era dirigida por sua irmã Andrea, em dezembro de 2010, dois meses depois de ser eleito para o Senado. 

Declaração de bens

Em sua declaração de bens ao Tribunal Superior Eleitoral, o candidato tucanos derrotado declarou possuir 88.000 cotas da Rádio Arco-Íris, com valor de R$ 700 mil. Ele ainda declarou possuir ações junto à empresa Diários Associados, que pertenceram a seu avô, Tancredo Neves.

Campanha "Coronéis da Mídia"

Recente campanha lançada pelo Fórum Nacional da Democratização da Comunciação (FNDC) denuncia, além do senador Aécio Neves, outros parlamentares que possuem concessões de rádio e TV no Brasil, ação que é considerada inconstitucional em nosso país.

De acordo com a campanha, o chamado coronelismo eletrônico é mais sutil, menos evidente, mais sorrateiro. Para entendê-lo, é preciso ir mais fundo, em busca do rabo da palavra, como diria o bom mineiro Guimarães Rosa.

A pesquisadora Susy dos Santos, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenadora do Grupo de Pesquisa em Políticas e Economia da Informação e da Comunicação (PEIC), explica que o radiodifusor não precisa ser um coronel tradicional, dono de terras e de poder político na sua região, para ser inserido no conceito de coronelismo eletrônico. “Essa relação clientelista, no entanto, provoca uma ruptura na autonomia das instituições sociais porque mantém um alinhamento da mídia com interesses partidários”, explicou.

Bia Barbosa, coordenadora do Intervozes e membro da coordenação executiva do FNDC, reforçou a importância do tema ser debatido com a sociedade em geral. “Enquanto a sociedade não se indignar com o controle de outorgas de rádio e TV para políticos, o debate público das questões mais essenciais para a população estará contaminado por essa troca de benefícios entre políticos e mídia”, afirmou.

Com informações das agências



A volta por cima de uma geração que lutou



O autor traz à tona o fato de que os vencedores de 1964 hoje estão esquecidos enquanto os derrotados de então são os reais vitoriosos. 


O momento não poderia ser mais propício para a leitura de Os Vencedores – A Volta por Cima da Geração Esmagada pela Ditadura de 1964, do jornalista Ayrton Centeno. Enquanto a direita saudosa dos anos de chumbo sai às ruas com seus gatos pingados e barulhentos para pedir intervenção militar, a imensa reportagem de Centeno chega às livrarias para relembrar uma história sombria que calou por muitos anos militantes, músicos, cineastas, atores, jornalistas, escritores e artistas em geral. 


O que o autor pretende é trazer à tona uma realidade bastante evidente, mas que, segundo ele, até então ninguém havia abordado: “O fato de que os vencedores de 1964 hoje estavam esquecidos enquanto os derrotados de então são, décadas depois, os reais vitoriosos. O ponto de partida foi uma entrevista com a então ministra da Casa Civil e pré-candidata à Presidência, Dilma Rousseff, que eu havia feito em 2010”, afirma Ayrton Centeno.

Para contar esta história, durante três anos Ayrton fez muitas entrevistas. Dilma, Tarso Genro, José Genoíno, Aloysio Nunes Ferreira, José Dirceu, Frei Betto, Gilberto Gil, Marília Pêra, José de Abreu, José Celso Martinez e Ignácio de Loyola Brandão são alguns dos que receberam o jornalista para longas conversas. A primeira delas foi com a presidenta reeleita, sobre quem ele narra toda a história, desde a infância, em Belo Horizonte, passando pela adolescência, a entrada na clandestinidade, a prisão, a tortura, a vitória contra o câncer e a conquista da presidência do maior país da América do Sul.

Segundo Centeno, o critério de escolha dos entrevistados tem uma lógica e um lado bem definidos. “Pode-se dizer que o material existente, os depoimentos a serem concedidos, as histórias a serem contadas dariam material para uma alentada coleção da resistência. Foi necessário fazer escolhas. A primeira delas foi a de ouvir apenas os resistentes. O livro, portanto, tem lado. O que não significa que pretenda subverter a verdade factual. Quanto aos entrevistados potenciais, houve alguns que, procurados, preferiram não se manifestar, caso de Chico Buarque, Caetano Veloso, Fernando Gabeira, por exemplo. A outros não foi possível ouvir por diferentes razões”, afirma.

Devidos lugares

Os fatos são incontestáveis: “Nos últimos 20 anos, o Brasil foi governado por um professor perseguido que perdeu sua cátedra na Universidade de São Paulo e se autoexilou; um torneiro mecânico preso, condenado duas vezes e removido da direção de seu sindicato; e uma ex-guerrilheira, presa e torturada. Os três foram privados de seus direitos políticos”, reforça. E como estão aqueles que perseguiram, torturaram e mataram nos porões da ditadura?

O delegado Davi dos Santos Araújo, conhecido na época da ditadura como Capitão Lisboa, talvez tenha a resposta. Supostamente arrependido, parece ter entendido a sucessão de desgraças que viveu (infartos, cânceres, cegueira e acidentes) como castigo divino pelas atrocidades que cometeu. “Se eu soubesse que o Brasil resultaria nisso, não teria ido para lá (DOI-Codi). Hoje nossos adversários são excelências e nós não somos nada.”

“Na disputa pela memória, os perdedores venceram”, escreve Ayrton Centeno, na abertura do livro, ao observar que velhas palavras impostas pelo imaginário do autoritarismo foram ressignificadas. “Revolução, terrorismo, subversão deram lugar a golpe, tortura, resistência. Repisada a sério anos a fio, a expressão ‘Revolução Redentora’ é lida hoje apenas pelo viés da galhofa. Mesmo a imprensa que quase sempre perfilou-se com os militares, agora refere-se a 1964 como golpe, sem nenhuma cerimônia.”

Ao contrário dos algozes que têm de esconder sua história vergonhosa, os personagens de Os Vencedores, por mais difíceis e dolorosas que tenham sido suas experiências, podem se orgulhar de terem lutado por um país mais justo e democrático. Apesar de não serem histórias inéditas, são impactantes e extraordinárias. Juntas em uma mesma obra, têm peso inquestionável.

Os Vencedores – A Volta por Cima da Geração Esmagada pela Ditadura de 1964 faz um retrato de uma geração nascida nos anos 1940 e que era muito jovem nos anos 1960. A narrativa acompanha a travessia desses militantes, estudantes, músicos, escritores, atores, cineastas e guerrilheiros em sua derrocada até sua superação, quando se tornam referências de luta pela democracia.

Trata-se de uma obra útil até mesmo (ou ainda mais) para esses que hoje esperneiam pela volta dos militares. “Costumo dizer que a direita que está nas ruas em 2014 se faz direita menos por sua atividade intelectiva do que por sua operosidade intestinal. Mas, cuidado: todo mundo sabe perfeitamente que, adicionando agressividade e violência a este coquetel, o resultado é o fascismo. Acho que o livro será útil mesmo para quem grita pela volta dos militares. Basta encará-lo com espírito desarmado, sem milhares de certezas e nenhuma dúvida. É que Os Vencedores, entre outras tarefas, também cumpre a função de descrever algumas das situações e práticas que tornaram a ditadura uma experiência tão nefasta. Para nunca mais ser repetida”, completa o autor.

Fonte: Rede Brasil Atual




Deu no The Economist: "A tentativa de golpe de Bolsonaro, Lobão, Aécio e os cumpinchas da elite insensível, tornaram Dilma ainda mais forte e querida"







Sérgio Saraiva: Revolta Cashmere
Em um ano de acontecimentos da ordem de uma Copa do Mundo e de uma eleição antecedida de uma tragédia que vitimou um dos seus principais candidatos, o personagem principal não foi nem um atleta e nem um político, mas sim a figura do revoltoso cashmere.

Por Sérgio Saraiva, especial para o GGN



Revolta Cashmere – assim a The Economist” chamou o inusitado movimento que tomou as ruas do Brasil em 2014. Pessoas brancas, bem vestidas, daí o designativo de cashmere, bem posicionadas social e financeiramente, de repente saem às ruas no intento de derrubar um governo democraticamente eleito.

Sem a ironia típica dos ingleses, chamamos os de “os coxinhas”.

A “The Economist” foi realmente feliz. Sem dúvida, Revolta Cashmere é um nome adequado para descrever nossa luta de classes unilateral e invertida.

Não nos enganemos, vivemos a última década envolvidos em uma luta de classes como nunca antes neste país. Luta de classes singular, invertida, onde as classes dominantes são protagonistas. Reagem ao avanço das classes populares que marcham inconscientes da própria luta em que estão inseridas.

Em 2014, a luta que até então era surda, frente à eminência de mais quatro anos fora do poder federal, jogou o revoltoso cashmere nas ruas.

Seus gritos de guerra: “não vai ter Copa”, “vai tomar no c* ”, “fora Dilma, e leve o PT junto” e o indefectível “vai pra Cuba”.

Basta recordá-los para ver que o revoltoso cashmere é antes de tudo um derrotado. Alguém que luta contra seu próprio país por nele se considerar um estrangeiro jamais vencerá.

Seu inimigo,  os bolivarianos. Ainda que de bolivariano mesmo somente a mesma classe média reacionária no Brasil e na Venezuela.

O revoltoso cashmere se recusa a reconhecer que seu inimigo é qualquer ação que venha a reduzir, minimamente que seja, a nossa escandalosa desigualdade. Que reduza as vantagens comparativas com as quais se identifica como superior aos “nativos”. O revoltoso cashmere acusa Lula de jogar pobres contra ricos. E, como o revoltoso cashmere se filia aos ricos, sente-se pessoalmente atacado.

O ano mal havia começado e o combate que deram aos meninos pretos e mulatos dos rolezinhos que ousavam frequentar o mesmo shopping center que seus filhos mostrou o quanto de preconceito e hipocrisia há na nossa “democracia racial”. Os rolezinhos eram tão somente uma apropriação de valores burgueses por uma classe social de proletários que tinha tido seu poder aquisitivo melhorado. Os burgueses julgavam, no entanto, que essa apropriação era, na verdade, um roubo. Mandaram a polícia bater nos meninos.

Foi também um momento tragicômico para os estamentos superiores da nossa pirâmide social. Juízes dando liminares que cassavam o direito constitucional de ir e vir. Personalidades constrangidas em mostrar todo o seu preconceito social, mas considerando os rolezinhos um perigo. E os garotos só a fim de dançar funk ostentação na praça de alimentação.

Lembrando daquele povo branco nas ruas em junho de 2013 pleiteando escolas e hospitais públicos “padrão Fiifa”, perguntei-me: estiveram realmente dispostos a dividir a mesma enfermaria com o porteiro dos seus condomínios? Seus filhos iriam dividir a mesma classe escolar do filho da diarista no advento do tal “padrão FIFA” público e para todos?

Com a reação aos rolezinhos eles responderam: não.

Daí até a Copa, a violência explodiu. Se havia policiais suficientes para sufocar os rolezinhos, pareciam insuficientes e impotentes para controlar os revoltosos cashmeres e sua tropa de choque – os black blocs.

“Não vai ter Copa”.

Não era uma Copa, era uma revolução, tratava-se de derrubar o governo.

Uma campanha de desconstrução conduzida massivamente pela grande mídia tornou-se um fenômeno sociológico. Foi capaz de momentaneamente modificar a auto-imagem do brasileiro. O brasileiro passou de um povo alegre, hospitaleiro, festeiro e laissez faire para um povo capaz de ameaçar turistas estrangeiros como fossemos um terrorista do oriente médio. Carrancudo a ponto de não querer participar da própria festa pela qual esperou mais de meio século. Oportunista a ponto de agredir um símbolo como a seleção brasileira de futebol para chamar atenção para suas reivindicações salariais e intolerante e violento a ponto de linchar meninos carentes e senhoras emocionalmente desajustadas.

"Ei Dilma, vai tomar no c*! ".

Os jogos, no entanto, foram a primeira derrota dos revoltosos cashmeres. Foram um sucesso de organização e de público. Mas a pressão já havia feito seu estrago no moral da nossa seleção.

Ainda assim, nos setores VIPs dos estádios, lá estavam os revoltosos cashmeres ofendendo a presidente com termos de baixo calão. Mostrando ao mundo que formavam hordas bárbaras em meio a um povo que festejava nas ruas o congraçamento dos povos em torno do esporte.

"Fora Dilma, e leve o PT junto".

Acabada a Copa, a campanha eleitoral foi a grande batalha da Revolta Cashmere. Nela, as forças se dividiram literalmente como dois exércitos em guerra. O PT de um dos lados, todos os demais do outro. E lá estava o revoltoso cashmere exercendo o preconceito contra os pobres que ele chamava, na sua ignorância, de nordestinos. Pleiteando a divisão do Brasil em dois países antagônicos – o do norte e o do sul. O preconceito desavergonhado e a intimidação mais grosseira elevados à condição de manifestação política. Mas toda a violência contida no “Fora Dilma, e leve o PT junto” não bastou. Deu Dilma, deu PT.

"Vai pra Cuba".

Inconformado, o filósofo cashmere ainda ameaçava:

“Precisamos de uma militância de secessão: que os bolivarianos durmam inseguros com o dia seguinte, porque metade do país já sabe que eles não são de confiança. Que fique claro que a batalha foi ganha pelos bolivarianos, mas, a guerra acabou de começar, e começou bem” - Luis Felipe Pondé em “Diálogo ou secessão?”. 

E o revoltoso cashmere foi novamente às ruas, agora para pedir impeachment e a volta da ditadura militar. Chegou ao ridículo de em uma petição em inglês pedir à Casa Branca uma intervenção americana. Sonhava ser salvo pela cavalaria do General Custer.

Em sua batalha final, já uma luta de resistência, aos grupelhos, dirigiu-se à Avenida Paulista. Mas, agora, eram liderados por malucos decadentes. E no último e melancólico ato da Revolta Cashmere, seu eleito faltou à passeata que ele mesmo convocara – havia ido para a praia. Os revoltosos cashmeres ficaram esperando Godot.

Por fim, mais uma série de derrotas simbólicas. O revoltoso cashmere ainda teve de ver seu cavaleiro vingador politicamente inviabilizado aposentar se precocemente e a pedido, mas com vencimentos integrais e apartamento em Miami. E vê aqueles a quem admira e adula, os diretores de grandes empresas de engenharia, seu símbolo de ascensão profissional, serem presos como corruptores na Operação Lava Jato.

Antes, vira seu Midas-X falir. Fechando o ano, ouviu Obama falar para Fidel Castro: “Somos todos americanos”. Obama foi para Cuba.

E assim, termina 2014 - o ano da Revolta Cashmere. Um ano em que fomos apresentados a nossa face mais hipócrita, preconceituosa, violenta e intolerante. Donde o brasileiro cordial? Foi um ano para confrontarmos nossos mitos.

Começaremos 2015, ansiando por nuvens escuras e tempestades. Até porque, ao lado progressista desta nação em construção, os enfrentamentos à Revolta Cashmere nos ensinaram a não temer tempos feios ou gente cheirosa.