sábado, 14 de maio de 2011

Os “Filhos da Puta” de Barack Obama

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A morte da legislação internacional
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Comecemos com a invocação de um ícone cultural do Ocidente, Dante: “Abandonai toda a esperança, vós que entrais” – porque a legislação internacional que conhecemos até aqui foi morta com uma estaca no coração.
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Por Pepe Escobar, no AsianTimes
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O “novo” darwinismo sociopolítico implica neocolonialismo humanitário, assassinatos seletivos – que são execuções extrajudiciais – e guerras combatidas por aviões-robôs comandados a distância, os drones, guerreadas em nome de uma “carga que pesa sobre o homem branco” recauchutada.
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No torvelinho de mentiras e hipocrisia que envolveu o assassinato de Osama bin Laden, a questão que ainda tem alguma relação com a justiça é como um homem desarmado, codinome “Geronimo”, foi capturado vivo e imediatamente executado à vista de uma de suas filhas – depois de invasão rápida como raio, a território de país teoricamente “soberano”.
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Quanto à guerra pantanosa que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) guerreia contra a Líbia, fato é que a opinião pública ocidental engoliu a ‘explicação’ segundo a qual um ataque militar contra país soberano aconteceu sem qualquer violação da Carta das Nações Unidas. Pode-se falar de lobo (o neocolonialismo) em pele de cordeiro (uma “guerra humanitária”).
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No coração dessa questão estão os próprios conceitos de lei internacional – aceita por todas as nações “civilizadas” – e do que seja uma guerra justa. Mas para as elites ocidentais, não passam de detalhes: houve debate de alto nível sobre as implicações de a ONU legitimar uma guerra da Otan, cujo objetivo último – e jamais declarado – é a mudança de regime.
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Darwinismo à Tomahawks
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A imunda operação no norte da África mostra-se ainda mais imunda, se se sabe que a guerra da Líbia foi conceito construído para atender duvidosos interesses da França; que a Arábia Saudita entregou aos EUA um voto falso, como se fosse voto da Liga Árabe, porque queria livrar-se de Muammar Gaddafi e, simultaneamente, ficar liberada para esmagar as manifestações pró-democracia no Bahrain; que a Líbia ofereceu ao AFRICOM do Pentágono a possibilidade perfeitamente viável de construir uma base militar africana; que um punhado de “rebeldes” sem eira nem beira seqüestraram os legítimos protestos dos líbios e tentam um golpe de estado, unidos a desertores do governo de Gaddafi; Jihadis ligados à al-Qaeda; e exilados como o informante da CIA general Khalifa Hifter, que viveu os últimos vinte anos nos EUA, em Virginia.
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A coisa fica ainda mais imunda, se se sabe que, dia 19 de março, as elites financeiras de Washington/London/Paris autorizaram o Banco Central de Benghazi a comandar sua própria – a mando do ocidente – política monetária, oposta à política financeira estatal e completamente independente do banco central nacional líbio em Trípoli. Gaddafi trabalhava para livrar-se do dólar e do euro e para fazer do dinar-ouro uma moeda comum africana – e já reunira em torno de seu projeto muitos governos africanos.
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A guerra contra a Líbia foi vendida globalmente sob o slogan de sigla (R2P) “Responsabilidade de Proteger”)– “novo” conceito do imperialismo humanitário que foi brandido à fartura em Washington pelas três chefes-de-torcida/rainhas amazonas: a secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton, a embaixadora dos EUA à ONU Susan Rice e Samantha Power, conselheira do presidente Obama.
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Grande parte do mundo emergente – a verdadeira “comunidade internacional”, não aquela ficção que aparece nas páginas da mídia-empresa ocidental – viu aquela guerra como o que é: o enterro do conceito de soberania nacional, e o “reenquadramento” espertíssimo do texto original do art. 2, sec. 1 da Carta da ONU, que define o princípio da igualdade de todos os Estados soberanos.
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Viram que os “decisores” que “decidiram” sobre a Responsabilidade de Proteger eram exclusivamente Washington e um punhado de capitais europeias. Viram que a Líbia está sendo bombardeada pela Otan – que não bombardeia nem o Bahrain, nem o Iêmen nem a Síria. Viram que os “decisores” nem tentaram negociar um cessar-fogo dentro da Líbia, ignorando os planos propostos pela Turquia e pela União Africana.
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Atores poderosos como Moscou e Pequim, claro, também viram que o princípio da “Responsabilidade de Proteger” poderia ser invocado no caso de agitação no Tibete e em Xinjiang – e que o passo seguinte seria a Otan invadir território chinês. O mesmo no que tenha a ver com a Chechenia, com o fator extra de hipocrisia de que os chechenos têm sido há anos armados pela Otan através das redes ligadas à al-Qaeda no Cáucaso/Ásia Central.
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E a América Latina também entra na lista dos possíveis “salvos” por intervenção “humanitária” da Otan, na Venezuela e na Bolívia.
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Eis afinal o novo significado de “lei internacional”: Washington – com o Africom ou a Otan – intervém onde bem entenda, com ou sem resolução específica do Conselho de Segurança da ONU, em nome do princípio “R2P”; e todo mundo fecha os olhos para os danos colaterais, para os golpes (jamais declarados) e para as legiões de refugiados que atravessam o Mediterrâneo e que ninguém vê ou considera.
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Quanto ao fato de por que Gaddafi é atacado, enquanto os al-Khalifas no Bahrain, Saleh no Iêmen e Bashar al-Assad na Síria se safam, é simples: você não é ditador do mal, se é um dos “nossos” filhos da puta, quer dizer, se joga pelo “nosso” manual. O destino dos “independentes” como Gaddafi é ser assado e trinchado. E a coisa fica ainda mais fácil, se o ditador acolher uma base militar em seu território, ou, como os al-Khalifas, toda a 5ª Frota dos EUA.
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Se os al-Khalifas não fossem lacaios dos EUA e lá não houvesse base militar norte-americana, Washington não teria problema algum numa intervenção militar a favor dos xiitas pacíficos e na maioria favoráveis à democracia que se manifestam contra uma tirania sunita sanguinária que precisa da Casa de Saud para reprimir o próprio povo.
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E há os problemas de lei. Imaginem o que seria Gaddafi no banco dos réus. Corte marcial, ou corte civil? Corte canguru – como com Saddam Hussein –, ou garantir-lhe todos os meios “civilizados” de defesa e julgamento? E como comprovar crimes contra a humanidade? Como usar informações obtidas sob tortura, não, desculpem, sob “interragatório superestimulado”? E quanto tempo duraria o julgamento? Anos? Quantas testemunhas? Milhares?
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Muito mais fácil resolver tudo com um Tomahawk – ou um balaço na cabeça –, e chamar a coisa de “fez-se justiça”.

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William Bonner Quer Ser o Presidente do BRAZIL

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Crescendo os olhos a mando dos seus chefões.
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Lucro de quase 11 Bilhões de Reais da Petrobras só no primeiro trimestre deste ano deixa o Jornal Nacional da Rede Globo de olhos arregalados e mudo sobre o assunto. Há toda uma torcida contra comandada por um William Bonner que sonha todo santo dia em ser presidente do Brasil. O noticioso escondeu que a empresa teve um aumento de 42% frente aos R$ R$ 7,726 bi registrados em igual período de 2010. O resultado, para um primeiro trimestre é recorde, e a subida de rampa pela dupla “zoiúda” da Globo só mesmo no sonho desse quinta coluna do Bonner, que se entristece tanto com a educação do Brasil mas esbanjou felicidade ao anunciar o assassinato de Bin Ladem, o seqüestro do seu cadáver, e o impedimento da família de enterrar o seu morto.

A receita líquida da Petrobras também cresceu 9% no trimestre, encostando nos 55 Bilhões de Reais. José Sergio Gabrielli, presidente da empresa, informou que as reservas cresceram 7,5%, ficando agora nos 16 Bilhões de barris de petróleo.

Mas nem assim a Globo e os arautos dos jornais que lhe dão guarida deram trégua. A pretexto da redução do preço dos combustíveis na bomba pela distribuidora de combustíveis da Petrobras, a BR, publicaram vários artigos com o lenga lenga de sempre, prejudicando a valorização das ações da Petrobras na Bolsa.

Agora, essas mesmas vozes serão obrigados a engolir o sucesso da empresa, e aturar o seu papel na consolidação da indústria de gás e petróleo, do biodiesel e do etanol no país. Terão de se acostumar com os avanços tecnológicos que o país vai absorver e desenvolver com o pré-sal, uma riqueza que já foi apropriada pela nação, com a nova regulação da exploração do petróleo e gás. Esse mesmo pré-sal dará recursos excedentes da renda do petróleo para investimentos em educação e inovação, meio ambiente e combate a miséria.

Das profundezas do oceano, sob uma densa camada de quilômetros de sal, virá, ainda, um seguro para as próximas gerações, uma vitória e tanto dos nossos governos e do nosso povo. Mas, como vemos pela notícia da Folha, seus arautos acreditam que o lucro da empresa poderia ter sido maior se a Petrobras tivesse repassado o aumento dos preços internacionais – sujeitos às especulações de praxe - ao nosso consumidor, o que contribuiria para o aumento da inflação, é claro. Mas, então, ela não seria a Petrobras e sim a Petrobrax, que já nasceu morta, felizmente, e não patrocinará a campanha de Bonner a presidente do Brasil.

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O Assassinato de Bin Laden - Fez-se Vingança, Não Justiça

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Não se fez justiça com a morte de Bin Laden. Praticou-se a vingança, sempre condenável."Minha é a vingança" diz o Deus das escrituras das três religiões abraâmicas. Agora estaremos sob o poder de um Imperador sobre quem pesa a acusação de assassinato. E a necrofilia das multidões nos diminui e nos envergonha a todos.

Alguém precisa ser inimigo de si mesmo e contrário aos valores humanitários mínimos se aprovasse o nefasto crime do terrorismo da Al Qaeda do 11 de novembro de 2001 em Nova Iorque. Mas é por todos os títulos inaceitável que um Estado, militarmente o mais poderoso do mundo, para responder ao terrorismo se tenha transformado ele mesmo num Estado terrorista. Foi o que fez Bush, limitando a democracia e suspendendo a vigência incondicional de alguns direitos, que eram apanágio do pais. Fez mais, conduziu duas guerras, contra o Afeganistão e contra o Irã, onde devastou uma das culturas mais antigas da humanidade nas qual foram mortos mais de cem mil pessoas e mais de um milhão de deslocados.

Cabe renovar a pergunta que quase a ninguém interessa colocar: por que se produziram tais atos terroristas? O bispo Robert Bowman de Melbourne Beach da Flórida que fora anteriormente piloto de caças militares durante a guerra do Vietnã respondeu, claramente, no National Catholic Reporter, numa carta aberta ao Presidente:"Somos alvo de terroristas porque, em boa parte no mundo, nosso Governo defende a ditadura, a escravidão e a exploração humana. Somos alvos de terroristas porque nos odeiam. E nos odeiam porque nosso Governo faz coisas odiosas".

Não disse outra coisa Richard Clarke, responsável contra o terrorismo da Casa Branca numa entrevista a Jorge Pontual emitida pela Globonews de 28/02/2010 e repetida no dia 03/05/2011. Havia advertido à CIA e ao Presidente Bush que um ataque da Al Qaeda era iminente em Nova York. Não lhe deram ouvidos. Logo em seguida ocorreu, o que o encheu de raiva.

Essa raiva aumentou contra o Governo quando viu que com mentiras e falsidades Bush, por pura vontade imperial de manter a hegemonia mundial, decretou uma guerra contra o Iraque que não tinha conexão nenhuma com o 11 de setembro. A raiva chegou a um ponto que por saúde e decência se demitiu do cargo.

Mais contundente foi Chalmers Johnson, um dos principais analistas da CIA também numa entrevista ao mesmo jornalista no dia 2 de maio do corrente ano na Globonews. Conheceu por dentro os malefícios que as mais de 800 bases militares norte-americanas produzem, espalhadas pelo mundo todo, pois evocam raiva e revolta nas populações, caldo para o terrorismo. Cita o livro de Eduardo Galeano, "As veias abertas da América Latina", para ilustrar as barbaridades que os órgãos de Inteligência norte-americanos por aqui fizeram. Denuncia o caráter imperial dos Governos, fundado no uso da inteligiência que recomenda golpes de Estado, organiza assassinato de líderes e ensina a torturar. Em protesto, se demitiu e foi ser professor de história na Universidade da Califórnia. Escreveu três tomos "Blowback" (retaliação) onde previa, por poucos meses de antecedência, as retaliações contra a prepotência norte-americana no mundo. Foi tido como o profeta de 11 de setembro. Este é o pano de fundo para entendermos a atual situação que culminou com a execução criminosa de Osama Bin Laden.

Os órgãos de inteligência norte-americanos são uns fracassados. Por dez anos vasculharam o mundo para caçar Bin Laden. Nada conseguiram. Só usando um método imoral, a tortura de um mensageiro de Bin Laden, conseguiram chegar ao su esconderijo. Portanto, não tiveram mérito próprio nenhum.

Tudo nessa caçada está sob o signo da imoralidade, da vergonha e do crime. Primeiramente, o Presidente Barak Obama, como se fosse um "deus" determinou a execução/matança de Bin Laden. Isso vai contra o princípio ético universal de "não matar" e dos acordos internacionais que prescrevem a prisão, o julgamento e a punição do acusado. Assim se fez com Hussein do Iraque,com os criminosos nazistas em Nürenberg, com Eichmann em Israel e com outros acusados. Com Bin Laden se preferiu a execução intencionada, crime pelo qual Barak Obama deverá um dia responder. Depois se invadiu território do Paquistão, sem qualquer aviso prévio da operação. Em seguida, se sequestrou o cadáver e o lançaram ao mar, crime contra a piedade familiar, direito que cada família tem de enterrar seus mortos, criminosos ou não, pois por piores que sejam, nunca deixam de ser humanos.

Não se fez justiça. Praticou-se a vingança, sempre condenável."Minha é a vingança" diz o Deus das escrituras das três religiões abraâmicas. Agora estaremos sob o poder de um Imperador sobre quem pesa a acusação de assassinato. E a necrofilia das multidões nos diminui e nos envergonha a todos.

Texto de Leonardo Boff, teólogo e escritor.
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Barack Obama: O Réu Confesso

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Hitler também achava que venceria todas as suas guerras
e que, portanto, jamais pagaria por suas atrocidades.
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A cruzada americana e as lições de Nuremberg


Os filhos de bin Laden – conforme pronunciamento publicado ontem – acusam os Estados Unidos de terem violado os princípios imemoriais de justiça, como os do devido processo legal, ao assassinarem o chefe da família em Abottabad. De forma clara, eles reclamam das Nações Unidas investigação sobre os fatos, e admitem  levar o caso à Corte Internacional de Justiça. Um grupo de advogados britânicos já foi contatado.

Eles argumentam que sempre estiveram contra os atos de seu pai e, tal como os condenavam, condenam hoje o assassinato de um homem desarmado, que poderia ter sido preso vivo e submetido, como tantos outros, a um julgamento legal.

A idéia é clara: se o presidente Obama violou os princípios assumidos pela comunidade internacional e pela consciência do homem, tal como outros os violaram, e foram submetidos a julgamento, ele deverá ter o mesmo tratamento. É certo que isso não ocorrerá. Desde que o mundo existe, só são realmente punidos pelos tribunais os eventualmente mais débeis. O grande intelectual católico e resistente francês François de Menthon, procurador da França no Tribunal de Nuremberg, pronunciou duas frases marcantes sobre aquele momento. Em uma delas, ele define o que é o crime contra a humanidade: “
crime contra a condição humana, motivada por uma ideologia que é contra o espírito, para rejeitar a humanidade à barbárie.” A definição terá servido, naquele momento, mas sempre temos  dificuldade em definir que ideologia é contra o espírito e visa a reconduzir a humanidade à barbárie. Como cada um de nós tem sua ideologia, é normal que defendamos a nossa e rejeitemos a que  se contrapõe. A outra frase de Menthon é mais incisiva como ajuda ao raciocínio. Quando todos sorriam diante da estupidez dos lemas e idéias nazistas, o francês  comentou, com lúcido ceticismo: “Nós consideramos ridículos tais slogans, mas, se eles houvessem vencido a guerra, nós os estaríamos repetindo, e, em alguns casos, com entusiasmo”.

É com entusiasmo que muitos repetem os argumentos de Washington, que se resumem a um só: dispondo de força suficiente para impor a democracia made in United States e a sua peculiar exegese dos Human Rights, o governo de Obama agiu corretamente, ao invadir um país estrangeiro, ali matar algumas pessoas desarmadas, seqüestrar um cadáver que devia ser sepultado pelos familiares, e ameaçar, veladamente, países soberanos e outros inimigos, de agir da mesma forma, se assim considerar necessário. É com esse entusiasmo que têm reagido, em sua maioria, os veículos de comunicação do mundo e alguns homens de Estado e dos meios acadêmicos.

Não têm faltado, desde o Iluminismo, os que profetizam nova barbárie para o homem. Essa barbárie se fundaria na aplicação tecnológica das descobertas da ciência e do mito da eficiência e do progresso. Essa visão profética e triste, que teve sua formulação admirável em Vico, quase se realizou sob o nazismo, com sua organização bélica e administrativa próxima da perfeição, de que foram exemplos os campos de concentração. E já que falamos em Nuremberg, o substituto de François de Menthon na parte final do julgamento,  Champetier de Ribes, foi preciso em seu pronunciamento final:

“O historiador do futuro, como o cronista de hoje, saberá que a obra de vinte séculos de uma civilização que se acreditava eterna escapou de desabar no retorno de uma nova forma da antiga barbárie, mais selvagem, por ser mais científica”.

Ainda não escapamos da barbárie que nos ameaçam o “pensamento único” e a arrogância de uma nação que se considera senhora da civilização ocidental, com a cumplicidade de seus grandes e pequenos vassalos. Diante disso, só a reação dos homens e mulheres do mundo (no que de humano ainda nos resta) poderá salvar o melhor da nossa experiência histórica.

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Texto de Mauro Santayana 
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