terça-feira, 31 de janeiro de 2017

CARMEN LUCIA SOCORRE CRIMINOSOS COM DECRETAÇÃO DE SIGILO



Carmen Lucia, como todo o STF, mais uma vez faz o jogo que só beneficia a elite putrefata.




A quem a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármem Lúcia, pensa estar enganando quando ao passo que homologa as 77 delações da Odebrecht, mantém o seu mais absoluto sigilo?

Como já é do conhecimento até do reino mineral, no Brasil do golpe não existe um único ato por parte dos grandes figurões de nossa tragédia democrática que não seja milimetricamente pensado e elaborado para que toda essa farsa seja mantida, quando não da mesma forma, com as oportunas mudanças de cenários que as ocasiões da empreitada assim o exigem.

Não tornar, porém, público o conteúdo dessas delações, atende, para utilizarmos um termo recorrente nesses dias sombrios, o “timing” necessário para que as peças do nosso xadrez político estejam devidamente posicionadas.

Já sabido que as tais delações possuem um monumental poder de destruição voltados especialmente para a cúpula do governo Temer, ele próprio chafurdado até a alma, não é à toa que o Planalto recebeu a notícia da manutenção do sigilo com um profundo “alívio”.

A grande questão é que Cármem Lúcia, novamente, atua muito menos como uma juíza preocupada com a crise institucional e muito mais como um agente político que, pelo menos por ora, dá suporte aos interesses de um governo visivelmente corrupto, incapaz e inoperante.

MAIS UM CRIME DE AÉCIO SERÁ INVESTIGADO PELO MP - DESTA VEZ É A TÃO ESPERADA "CIDADE ADMINISTRATIVA"



Esse canalha trouxe o Brasil ao fundo do poço, movido por sentimentos os mais mesquinhos, como inveja, ressentimento, ganância, tentativa de escapar da justiça.


Aécio Neves (PSDB-MG) será alvo de um novo pedido de inquérito da procuradoria-geral da República.

O motivo, desta vez, é o superfaturamento na construção da Cidade Administrativa de Minas Gerais, que foi orçada em R$ 500 milhões e saiu por R$ 2,1 bilhões.

As informações da nova investigação contra Aécio foram antecipadas pelo jornalista Severino Motta, do Buzzfeed, o mesmo que antecipou a primeira delação da Odebrecht.

Eis um trecho de sua reportagem:

O BuzzFeed Brasil apurou junto a investigadores que trabalham na Lava Jato que o senador foi acusado de receber dinheiro das empreiteiras que fizeram as obras da Cidade Administrativa em Minas Gerais: entre elas a Odebrecht, OAS e Andrade Gutierrez. A delação da Odebrecht, inclusive, fará com que a Andrade seja chamada para um ‘recall’ de sua delação, uma vez que não revelou os pagamentos destinados a Aécio, em sua colaboração.  Na delação da OAS, o empreiteiro Léo Pinheiro contou que realizou repasses a Oswaldo Borges da Costa Filho, o Oswaldinho, apontado como operador e tesoureiro informal das campanhas de Aécio entre 2002 e 2014. Pelo relato de Pinheiro, cujo acordo de delação foi suspenso no ano passado pelo STF, 3% era o montante da propina paga aos tucanos pela obra mineira.

Na gravação em que defendeu o golpe para estancar a sangria da Lava Jato, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) ouviu de Sergio Machado, ex-presidente da Transpetro, que Aécio seria o primeiro a ser comido.

O SIGILO DE CARMEN LUCIA E O ALÍVIO DE MICHEL TEMER SÃO TÃO CÍNICOS QUANTO IMORAIS



Jogo grande, onde se arriscam todas as fichas

A seguir, texto de Carlos Fernandes no DCM


A quem a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármem Lúcia, pensa estar enganando quando ao passo que homologa as 77 delações da Odebrecht, mantém o seu mais absoluto sigilo?

Como já é do conhecimento até do reino mineral, no Brasil do golpe não existe um único ato por parte dos grandes figurões de nossa tragédia democrática que não seja milimetricamente pensado e elaborado para que toda essa farsa seja mantida, quando não da mesma forma, com as oportunas mudanças de cenários que as ocasiões da empreitada assim o exigem.

A morte de Teori Zavascki, o relator original da operação Lava Jato, mais do que uma tragédia acidental ou provocada, trouxe um leque de oportunidades na então conjuntura do circo de Curitiba, isso justamente às vésperas do que há muito já é considerada como a delação do fim do mundo.

É triste termos que encarar a morte de um ser humano como a saída providencial de uma quadrilha multi-institucional que tomou de assalto a República, o Estado Democrático de Direito e a Constituiçáo Federal, mas assim é o reino dos chacais.

O fato é que homologar as mais importantes e reveladoras delações de toda a Lava Jato ainda no período de recesso do STF e, portanto, de forma monocrática e independente antes mesmo de ser indicado o seu novo relator, é – independente da inquestionável urgência do assunto e de todo o seu cunho legal – uma autopromoção que cai como uma luva para alguém que, digamos, sonha com voos ainda mais altos.

Não tornar, porém,  público o conteúdo dessas delações, atende, para utilizarmos um termo recorrente nesses dias sombrios, o “timing” necessário para que as peças do nosso xadrez político estejam devidamente posicionadas.

Já sabido que as tais delações possuem um monumental poder de destruição voltados especialmente para a cúpula do governo Temer, ele próprio chafurdado até a alma, não é à toa que o Planalto recebeu a notícia da manutenção do sigilo com um profundo “alívio”.

Além de dar tempo para que sujeitos do naipe de Rodrigo Maia e Eunício Oliveira disputem (e provavelmente ganhem) as eleições para presidente da Câmara e do Senado – peças fundamentais para uma sobrevida do governo Temer – ainda abre espaço para os nossos velhos conhecidos vazamentos seletivos.

A grande questão é que Cármem Lúcia, novamente, atua muito menos como uma juíza preocupada com a crise institucional e muito mais como um agente político que, pelo menos por ora, dá suporte aos interesses de um governo visivelmente corrupto, incapaz e inoperante.

A resposta entretanto pode estar na necessidade da plutocracia de se manter um parasita no poder até que as condições necessárias para que o golpe do golpe estejam definitivamente satisfeitas.

Temer pode até ter respirado aliviado por mais esse  “jeitinho brasileiro” encontrado nos gabinetes da mais alta corte do país, mas ele, traidor como ninguém, deveria saber que essa nova bajulação da presidente do STF pode lhe custar muito caro.

Afinal, como dizia Winston Churchil, um bajulador é aquele que alimenta um crocodilo e que espera comê-lo no final.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

MINISTÉRIO PÚBLICO: PADILHA INVADIU TERRAS APÓS ÁREA SER DEMARCADA COMO PARQUE



Golpista, achacador, corrupto, delatado dezenas de vezes pela Lava-Jato... ministro do traidor Michel Temer, seu comparsa na lista de delações.


O Ministro Chefe da Casa Civil da Presidência da República, Eliseu Padilha, ocupou terras do Parque Serra Ricardo Franco já após o local ser considerado unidade de preservação ambiental. A denúncia de grilagem foi feita na tarde desta quinta-feira (26) pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE), por meio do Procurador-geral de Justiça em exercício, Luiz Alberto Esteves Scaloppe e de Regiane Souza de Aguiar, Procuradora de Justiça de Vila Bela da Santíssima Trindade, município onde se localiza o Parque ecológico. Questionado por Olhar Jurídico, o Ministro Eliseu Padilha "nega que o alegado fato exista".

O Parque em questão está situado no município de Vila Bela da Santíssima Trindade (521 km a oeste da capital) e é considerado a unidade de conservação estadual com maior potencial turístico de Mato Grosso,  contendo em seu interior centenas de cachoeiras, piscinas cristalinas, vales e uma vegetação que reúne floresta Amazônica, o Cerrado e Pantanal, com espécies únicas de fauna e flora, algumas ainda desconhecidas da ciência.

A coletiva de imprensa marcou o anuncio de protocolização de recurso que buscará reverter a derrota do órgão ministerial da justiça. Isto porque a Procuradoria Geral do Estado de Mato Grosso (PGE-MT) entrou com recurso de suspensão das liminares do MPE, junto ao Tribunal de Justiça. Para os Procuradores não há dúvidas de que, além de ter cometido ato de “grilagem”, o ministro do peemedebista Michel Temer ainda usou de seu poder político para defender interesses particulares.

São mais de 120 propriedades dentro do parque ecológico, afirmou a Procuradora. Questionada, em seguida, se a entrada de Padilha naquelas terras ocorreu antes ou depois do local tornar-se unidade de preservação ambiental, ambos respondem: “depois”. 

Em outro momento, Luiz Alberto Scaloppe avança na acusação. “O Ministro Padilha está ocupando irregularmente o parque, que é uma unidade de conservação. Deduzo que ele não tenha consciência ambiental de que está fazendo isso, além das pressões, que temos notícias, que ele faz para permanecer no parque. O que melhor faria o ministro, para dar um exemplo nacional, era aceitar o Termo de Conduta oferecido pelo Parque, é bom que se entenda isso. Nesse acerto ele daria um exemplo de que iria cumprir as normas, de acordo com a Constituição e as Leis Brasileiras”.

Adiante, o Procurador adjetiva. “O ministro está ocupando indevidamente aquela área. Disse, em outro momento, que quem invade indevidamente é grileiro, é assim que a gente chama”.

Mexendo os pauzinhos: 
Para o MPE, não bastando invasão da área, o Ministro teria interferido em assuntos de interesse do Estado de Mato Grosso para manutenção de seus desejos particulares, mediante ligações telefônicas e pressões sobre o governador Pedro Taques (PSDB) e o vice, Carlos Fávaro (PSD). O objetivo: derrubar as liminares que buscavam “esvaziar” a área e garantir a preservação ambiental do Parque. 

“Todos os dias estão sendo feito isso (ação de preservação) em Mato Grosso. Em todos os lugares embargados pelo IBAMA e pela Sema MT estamos tirando motores, correntões, gado, casa e ferramentas. De repente, só ali que não pode tirar? Por quê? Houve um pedido em especial? O Estado não falava nada, tudo calmo, de repente, veio um pedido de alguém que é poderoso no momento e acontecem todas essas coisas”.

Questionado quem seria essa “pessoa poderosa no momento”, o Procurador dá nome aos bois. “Uma pessoa que consegue mover um governador, um vice-governador e a diretoria da Sema MT, tem que ser poderosa e eu deduzo que seja o Ministro Padilha. Afinal, o governo do Estado está reclamando tanto de dinheiro e precisando tanto da ajuda da Casa Civil e da União, para ter seus recursos públicos... ele deve ser uma pessoa poderosa! Também a PGE é poderosa, também o governador, também o vice-governador presidente da Aprosoja, muito ligado com o Ministro da Agricultura (Blairo Maggi). São muito poderosos”, queixou-se o Procurador.

Questionado sobre qual seria o interesse do governador em atender a uma solicitação direta e particular do Ministro Eliseu Padilha, o Procurador oferece hipóteses. “Sob pressão, sob pedido ou por boa vontade ideológica. Não sei o que se passa na cabeça do governador, mas sei que ele está fazendo uma coisa errada”.

Adiante o representante do MPE lamentou. “Estou decepcionado com a atitude do meu amigo (Pedro Taques), muito decepcionado, pois esse é um precedente. Ele é um Constitucionalista, um bom professor e sabe que não poderia ter feito isso”. Mais tarde, em particular, ao Olhar Jurídico, considerou a atitude “imoral”.

A Procuradora Regiane de Aguiar explica a importância do Parque Serra Ricardo Franco e detalha que as 50 ações do MPE, o qual figurou entre os ajuizados o Ministro Padilha, visavam reverter danos causados após a criação da unidade de preservação. “O Parque foi criado por um Decreto Estadual de 1997 após estudo sobre a importância ambiental. Estamos falando do bioma amazônico, áreas de cerrado, pantanal, com espécies raras e ameaçadas de extinção, além de recursos hídricos de suma importância para o Estado. Já existiam, sim, alguns proprietários em atividade no local, mas depois da criação do parque novos possuidores entraram na área e começaram a explorá-la economicamente. Todas as 50 ações ajuizadas são a reparação dos danos do desmatamento ocorrido depois da criação do parque”, explica.

Fazenda de Padilha:
Em dezembro de 2016, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), atendendo 51 ações do MPE, determinou busca e apreensão na Fazenda Paredão, de propriedade de Marcos Antônio Assi Tozzati, ex-assessor do Ministro Eliseu Padilha. Lá foram apreendidos um trator e 1.912 bovinos. Policiais e fiscais identificaram péssimas condições das acomodações dos funcionários, inclusive com presença de galões de gasolina e vasilhames de agrotóxicos. 

A Fazenda Paredão não possui sede própria e, portanto, se utiliza da estrutura da Fazenda Jasmim Agropecuária, que pertence ao Ministro Padilha. Os policiais fizeram buscas nas casas e alojamentos da Jasmim, onde foram encontradas duas espingardas calibre 36 e uma motosserra.

Segundo a Justiça, a apreensão do gado foi determinada para cessar os danos ao meio ambiente e por ser instrumento do crime, conforme o artigo 48 Lei 9.605 / 1998 (impedir ou dificultar a regeneração da vegetação).

O STRIP-TEASE DA JUSTIÇA BRASILEIRA AOS OLHOS DO MUNDO, QUE DESNUDA, A CADA DIA MAIS, TODO SEU ACOVARDAMENTO DIANTE DAS PRESSÕES, SUA HIPOCRISIA, SUA PARCIALIDADE, SUAS RUGAS ÉTICAS E SUA MANIPULAÇÃO DOS FATOS




É nas mãos dessa gentalha que compõem a Suprema Corte que está o futuro da nossa Democracia.

O pagamento de benefícios e verbas indenizatórias a magistrados e servidores do Judiciário subiu 30% de 2014 para 2015, ano em que a crise econômica no país se agravou. Parte da alta se deve à decisão liminar do ministro do STF Luiz Fux que garantiu a todos os magistrados do país auxílio moradia de R$ 4,3 mil. O plenário da corte não tomou decisão definitiva sobre o tema, que se arrasta há mais de dois anos.
Assim como todas as verbas indenizatórias, os tribunais não exigem comprovante de gasto para que o magistrado tenha direito a ela.


Um delegado, em entrevista a uma revista semanal, declara que a Polícia Federal “perdeu” o “timing” para prender Lula.

Outro delegado, que já manifestou publicamente, nas redes sociais, por mais de uma vez, suas preferências políticas e que, criticado por isso, tentou censurar, na justiça, as manifestações de internautas contra ele, vem a público para afirmar que, na verdade, esse “timing” não passou, e que, em 30, 60 dias, será possível obter condições favoráveis para prender o ex-presidente, cuja esposa acaba de sofrer uma cirurgia para conter as sequelas de um AVC.

Ora, não sabemos se há “timing” para fazer, mais uma vez, a reflexão óbvia e ululante, mas se ainda faltavam provas de que parte preponderante da Operação Lava-Jato tem motivação política – e o objetivo de prender Lula antes que chegue 2018, a qualquer custo – e do incontido ativismo de alguns de seus membros, elas estão aí, escancaradas, mais uma vez, à vista de todos.

Em um país minimamente sério, o ex-presidente Lula seria preso se houvesse provas incontestáveis contra ele, e não em função do “timing” institucional, eventualmente construído com o auxílio de uma campanha midiática exagerada e sórdida, que se arrasta já há quase três anos.

Sutis como elefantes, as duas entrevistas fazem parte de um evidente, incomensurável, indiscutível, strip-tease da justiça brasileira aos olhos do mundo, que desnuda, a cada dia mais, todo o seu acovardamento diante das pressões, sua hipocrisia, sua parcialidade, suas rugas éticas e sua manipulação dos fatos, com a fabricação de factoides tão postiços quanto perucas.



A sua cara – e a opinião pública mundial percebe claramente isso,  ao ver, horrorizada, os vídeos postados pelos assassinos – não é, apesar dos arroubos costumeiros da mídia local, quando ocorrem certos convescotes, a dos jovens procuradores e juízes de  armanianos ternos, que visitam outros países em busca de holofotes, plaquinhas e diplomas honoríficos; mas a das cabeças arrancadas, diante das câmeras de celulares, a golpes de facão, do tronco de prisioneiros – muitos deles provisórios, que sequer ainda haviam sido julgados – que estavam sob a custódia de um sistema apodrecido até a raiz, incapaz de garantir os mais elementares direitos, ou de fazer valer a Lei e a Constituição, em um país com 8.5 milhões de quilômetros quadrados e a quinta maior população do mundo.




A LAVA JATO, O PSDB, E AS PROPINAS NA PETROBRÁS QUE COMEÇARAM COM O DITADOR ERNESTO GEISEL ATRAVÉS DO SEU INDICADO SHIGEAKI UEKI



Depois de contribuir para o golpe, a Lava Jato provoca a discórdia entre os golpistas e adensa o caos reinante


Parafraseando Mino Carta na Carta Capital

destino do Brasil - ao menos de imediato - depende da Lava Jato. É uma dependência pior que as que são apenas incômodas. Ao contrário do que trombeteou a propaganda da mídia nativa, a República de Curitiba não veio para erradicar a corrupção coisa nenhuma, e sim para demolir um partido e um setor industrial vital para o País.
Projeto bem-sucedido, porque atingiu seus dois maiores objetivos: o primeiro foi a paralisação imediata de empresas até ontem fundamentais para a autonomia nacional. Em momento algum se cogitou de salvá-las, sem deixar, está claro, de punir os culpados. Se fosse uma operação ante corrupção os culpados estariam presos, e as empresas operando, salvando do desemprego milhões de brasileiros.
No Brasil, a corrupção é endêmica. Os governos tornaram-se reféns do poderio das empreiteiras, ao sabor da antiga regra pela qual “é dando que se recebe”, desde o mandato de Juscelino Kubitschek. A ditadura não deixou por menos, bem como os governos da chamada redemocratização, proclamada em um país que nunca foi democrático, sempre e sempre sob o domínio da casa-grande, ressalvada a ousada tentativa de Lula para romper o círculo mágico de uma hegemonia de 500 anos.
As empreiteiras foram avalistas desse poder, o que é evidência acessível até ao mundo mineral, e da mesma forma é a corrupção na Petrobras, também decisiva para o desenvolvimento do País, onde começa no tempo do ditador Ernesto Geisel.
Foi ele quem entregou a empresa petrolífera estatal a um predador chamado Shigeaki Ueki, o qual cobrava 1 dólar sobre cada barril produzido ou comprado, em proveito dos seus próprios bolsos. Isso é também do conhecimento do mundo mineral, conquanto caiba admitir que quartzo e feldspato dispõem de memória mais apurada, sem contar a total ausência de hipocrisia, da maioria dos integrantes da sociedade nativa. E, ao dizer sociedade, excluo o povo que vive no limbo.
Aos tucanos foi reservado um tratamento especial. Há uma lógica na operação: o PSDB é o perfeito representante e intérprete dos interesses da casa-grande, haja vista, por exemplo, o comportamento do chanceler José Serra, citado em inúmeras delações da Lava Jato por embolsar muito mais de 23 milhões depositados em contas da Suíça.
O governo de Fernando Henrique Cardoso foi o mais corrupto de todos os tempos, tudo indica, entretanto, que até aí a República de Curitiba não chega, ou o faz com extrema cautela, na ponta dos pés. Ao dar início à Lava Jato, logo na primeira oitiva, o juiz Sergio Moro delimitou: "Só nos interessa a partir de 2003". Uma foto recente, onde Sergio Moro é flagrado com o delatado Aécio Neves a se rirem em amistosa sintonia às costas do traidor Michel Temer, deslumbrou os crédulos e os espertos, embora justificasse mais o espanto da parte honrada da sociedade brasileira.
juiz Moro, de todo modo, cumpriu sua missão com empenho total e assessoria de especialistas eméritos, como CIA, FBI e DEA, por cujos escritórios o nosso "herói" circula mensalmente. E não esqueçamos o desempenho, também missionário, de um grupo de promotores milenaristas, discípulos de Pedro, o Eremita, a pregar cruzadas de inspiração divina. A atuação da turba acusadora é exemplar da penúria intelectual destes nossos tristes trópicos, como diria Claud Lévi-Strauss.
Uma estranha contradição, a seu modo cômica, emerge da Lava Jato, por tempo largo a contribuir para o cerco a Dilma Rousseff e ao PT e agora a colocar em campos opostos os golpistas de 2016. Trata-se de um conflito anunciado, de desfecho imprevisível e certamente de efeitos deletérios, quaisquer forem. Quem é contra e quem é a favor da Lava Jato? Fácil identificar: muitos dos envolvidos, de um lado e de outro, sem exclusão de Gilmar Mendes e Rodrigo Janot, cujas posições transcendem o óbvio.
Ambígua, a mídia finge estar em cima do muro, pronta apenas a engrandecer tudo quanto prejudica Lula e seu partido. Em meio ao combate, que haveria de ser surdo e não é, pois seus ruídos transbordam, Temer vai em frente com os programas nefastos desejados pela casa-grande, mas não dissipa a incógnita: aonde vamos acabar? A risco para todos os envolvidos, e a primeira vítima já é o Brasil.
Sabemos que o propósito final da Lava Jato é eliminar Lula da corrida presidencial de 2018, e este objetivo reúne todos aqueles que se digladiam pelo poder. Condenar o ex-presidente por ser dono de um apartamento que não lhe pertence, como está fartamente provado, talvez fosse estopim de agitação social. Decerto, seria a prova definitiva de que no Brasil a Justiça não existe.





domingo, 29 de janeiro de 2017

ELISEU PADILHA - VULGO PRIMO - PRODIGIOSO E POLIVALENTE



O "Primo" nas planilhas da Adebrecht, tem a expertise que Temer - vulgo MT - precisa para tentar se manter no poder que usurpou.


Eliseu Padilha, o "Primo" das planilhas de propinas da Odebrecht, é um político prodigioso e polivalente. As evidências da fortuna que possui indicam que ele conhece como poucos a arte da multiplicação do dinheiro. Ouve-se dizer que desse predicado nasceu seu outro apelido, de "Eliseu Quadrilha", que o acompanhou quando foi ministro do FHC e que caiu em desuso, embora não faltem motivos para reabilitar a alcunha.
O Estadão de hoje, num raro exercício de jornalismo desse veículo tucano golpista, traz reportagem na qual um procurador de justiça do Mato Grosso [MT] acusa o governador tucano Pedro Taques de colocar a procuradoria-geral do Estado a serviço dos interesses particulares do Padilha. Trocando em miúdos: a mesma coisa que Geddel, Temer e Padilha fizeram para operar os interesses imobiliários do Geddel na Bahia.

Esse filme é bem conhecido: a oligarquia golpista, sobretudo os tucanos, aparelha e controla as instituições de Estado – as polícias, o ministério público e o judiciário – para aniquilar inimigos políticos e traficar os interesses da sua turba.

O procurador-geral do MT em exercício, Luiz Scaloppe, acusa o "Primo" de grilagem de terras no Parque Estadual Serra de Ricardo Franco, onde uma das empresas do "Primo" cometeu os crimes de desmatamento, pecuária irregular e alojamento dos trabalhadores rurais em condições degradantes. Por esses crimes, o "Primo" e sócios tiveram R$ 180 milhões bloqueados por ordem judicial. Como o "Primo" amealhou tamanha fortuna, daria um livro de receitas do gênero "como ficar rico na política".
Padilha é polivalente: além de conspirador integrante da santidade formada pelo "caranguejo" Cunha, o "MT" Temer, o "suíno" Geddel e o "angorá" Moreira, ele coleciona uma infinidade de atributos: [1] grileiro de terras no mesmo Estado onde Joaquim Barbosa disse que Gilmar Mendes tem jagunços; [2] usucapião [sic] de quase 2 mil hectares de terras em Palmares do Sul; [3] arrendador de latifúndios de terras para empresas de geração eólica; [4] investidor-empresário bem sucedido do ramo imobiliário; [5] advogado e consultor jurídico colecionador de obras de arte; [6] aposentado desde os 53 anos como deputado com salário de 20 mil reais; [7] traíra da Presidente Dilma; [8] vice-campeão em citações nas delações da Odebrecht e, por isso mesmo, [9] ministro da Casa Civil do usurpador Michel Temer.



NA VÉSPERA DA HOMOLOGAÇÃO DAS DELAÇÕES EM QUE É CITADO UMA CENTENA DE VEZES COMO ACHACADOR, TEMER RECEBE APOIO DA GRANDE MÍDIA QUE RESOLVE FAZER DE CONTA QUE NÃO VAI ACONTECER NADA



Não foi ao acaso que os fatos foram tomando o formato de golpe. Foi tudo bem combinado para manter as sacanagens dessa gentalha que não suportava mais ver um partido de trabalhadores ditando as regras.


Os três principais jornais do País - Folha de S. Paulo, O Globo e Estado de S. Paulo, amanheceram neste domingo, 29, com cara de paisagem em relação ao assunto mais importante do País neste momento: a homologação das delações premiadas dos 77 executivos da Odebrecht, que pode ser feita pela ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, nesta segunda-feira, 30.
 
Nenhum dos três jornais que participaram ativamente da derrubada da presidente Dilma Rousseff, dedicou destaque ao assunto. A Folha preferiu trazer em sua manchete que notícia do aumento da inadimplência no Fies, o financiamento estudantil, que subiu para 53% em 2016. Jornal chefiado por Otávio Frias Filho dedicou apenas uma fotolegenda da ministra Cármen Lúcia.

Já o jornal da família Marinho optou por falar sobre o monitoramento das fronteiras do País, onde apenas 4% são monitoradas. Enquanto isso, o jornal Estado. de S. Paulo se dedica à safra de grãos do Brasil, que injetará R$ 200 bilhões na economia, num esforço para trazer otimismo à atividade econômica combalida pela política de Michel Temer.

Enquanto a mídia finge que não vê a delação da Odebrecht, a ministra Cármen Lúcia trabalha no fim de semana para homologar os acordos. Com a morte do ministro e relator dos processos da Lava Jato no Supremo, Teori Zavascki, em queda de avião na semana passada, ficou nas mãos de Cármen Lúcia a tarefa de decidir tanto sobre as homologações, quanto sobre quem herdará a relatoria.

Como plantonista do recesso do Judiciário, Cármen Lúcia pode decidir questões urgentes até o dia 31 de janeiro. Além disso, na terça-feira o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou ao STF um pedido de urgência para a homologação das delações, abrindo espaço para a presidente do Supremo autorizar as homologações antes do início dos trabalhos, no dia 1º de fevereiro.

A abertura do ano judiciário, prevista para a próxima quarta-feira, é encarada por essa fonte como um "divisor de águas" para a ministra externar sua decisão.


sábado, 28 de janeiro de 2017

TEMER ESTÁ CITADO EM 4 DAS 77 DELAÇÕES DA ODEBRECHT



A Trinca de Ás que, além de achacar empreiteiros, se tornaram "sócios" dos lucros da Caixa Econômica


Assim que a ministra Cármen Lúcia homologar as 77 delações premiadas da Odebrecht, o que deve ocorrer até a terça-feira 31, Michel Temer terá novos constrangimentos.
 
Além de já ter sido citado 43 vezes na delação premiada do executivo Cláudio Melo Filho, lobista da empreiteira em Brasília, por ter pedido R$ 10 milhões no Jaburu (leia aqui), ele aparecerá em pelo menos mais três delações: as de Marcelo Odebrecht, Márclo Faria e Benedicto Júnior.

Este último relatou um jantar que envolveu Temer, Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, e Moreira Franco, para tratar de corrupção na Caixa Econômica Federal e contribuições de campanha, segundo informações do jornalista Mauricio Lima, editor da coluna Radar.

Uma operação recente da Polícia Federal revelou que Geddel Veira Lima, braço direito de Temer, e Eduardo Cunha cobravam propinas de empresas que levantavam recursos na Caixa (leia aqui).

Leia, abaixo, reportagem da Reuters sobre o trabalho de Cármen Lúcia:

Presidente do STF manterá análise de delação da Odebrecht no fim de semana.
 
BRASÍLIA (Reuters) - A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, deve trabalhar durante o fim de semana para construir sua decisão sobre as delações de 77 executivos da Odebrecht, podendo inclusive ir ao seu gabinete, na sede da Suprema Corte.

Mas a chance de a ministra anunciar sua decisão sobre as homologações no sábado ou no domingo é muito pequena, na avaliação de uma fonte com conhecimento do assunto.

Com a morte do ministro e relator dos processos da Lava Jato no Supremo, Teori Zavascki, em queda de avião na semana passada, ficou nas mãos de Cármen Lúcia a tarefa de decidir tanto sobre as homologações, quanto sobre quem herdará a relatoria.

Na avaliação dessa fonte, a ministra tem os instrumentos necessários para, se considerar oportuno, determinar a homologação. Ela pode, inclusive, homologar apenas parte das colaborações.

Como plantonista do recesso do Judiciário, Cármen Lúcia pode decidir questões urgentes até o dia 31 de janeiro. Além disso, na terça-feira o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou ao STF um pedido de urgência para a homologação das delações, abrindo espaço para a presidente do Supremo autorizar as homologações antes do início dos trabalhos, no dia 1º de fevereiro.

A abertura do ano judiciário, prevista para a próxima quarta-feira, é encarada por essa fonte como um “divisor de águas” para a ministra externar sua decisão.


MARIZA LETÍCIA LULA DA SILVA, ESPOSA DO PRESIDENTE LULA, EX PRIMEIRA DAMA DO BRASIL







Publicado originalmente no site de Hildegard Angel.
 
A procura por ele foi tão grande – 11 mil acessos ao mesmo tempo – que o site saiu momentaneamente do ar.

Foram oito anos de bombardeio intenso, tiroteio de deboches, ofensas de todo jeito, ridicularia, referências mordazes, críticas cruéis, calúnias até. E sem o conforto das contrapartidas. Jamais foi chamada de “a Cara” por ninguém, nem teve a imprensa internacional a lhe tecer elogios, muito menos admiradores políticos e partidários fizeram sua defesa. À “companheira” número 1 da República, muito osso, afagos poucos. Ah, dirão os de sempre, e as mordomias? As facilidades? O vidão? E eu rebaterei: e o fim da privacidade? A imprensa sempre de olho, botando lente de aumento pra encontrar defeito? E as hostilidades públicas? E as desfeitas? E a maneira desrespeitosa com que foi constantemente tratada, sem a menor cerimônia, por grande parte da mídia? Arremedando-a, desfeiteando-a, diminuindo-a? E as frequentes provas de desconfiança, daqui e dali? E – pior de tudo – os boatos infundados e maldosos, com o fim exclusivo e único de desagregar o casal, a família? Ah, meus queridos, Marisa Letícia Lula da Silva precisou ter coragem e estômago para suportar esses oito anos de maledicências e ataques. E ela teve.

Começaram criticando-a por estar sempre ao lado do marido nas solenidades. Como se acompanhar o parceiro não fosse o papel tradicional da mulher mãe de família em nossa sociedade. Depois, implicaram com o silêncio dela, a “mudez”, a maneira quieta de ser. Na verdade, uma prova mais do que evidente de sua sabedoria. Falar o quê, quando, todos sabem, primeira-dama não é cargo, não é emprego, não é profissão? Ah, mas tudo que “eles” queriam era ver dona Marisa Letícia se atrapalhar com as palavras para, mais uma vez, com aquela crueldade venenosa que lhes é peculiar, compará-la à antecessora, Ruth Cardoso, com seu colar poderoso de doutorados e mestrados.

Agora, me digam, quantas mulheres neste grande e pujante país podem se vangloriar de ter um doutorado? Assim como, por outro lado, não são tantas as mulheres no Brasil que conseguem manter em harmonia uma família discreta e reservada, como tem Marisa Letícia. E não são também em grande número aquelas que contam, durante e depois de tantos anos de casamento, com o respeito implícito e explícito do marido, as boas ausências sempre feitas por Luís Inácio Lula da Silva a ela, o carinho frequentemente manifestado por ele. E isso não é um mérito? Não é um exemplo bom?

Passemos agora às desfeitas ao que, no entanto, eu considero o mérito mais relevante de nossa ex-primeira-dama: a brasilidade. Foi um apedrejamento sem trégua, quando Marisa Letícia, ao lado do marido presidente, decidiu abrir a Granja do Torto para as festas juninas. A mais singela de nossas festas populares, aquela com Brasil nas veias, celebrando os santos de nossas preferências, nossa culinária, os jogos e as brincadeiras. Prestigiando o povo brasileiro no que tem de melhor: a simplicidade sábia dos Jecas Tatus, a convivência fraterna, o riso solto, a ingenuidade bonita da vida rural. Fizeram chacota por Lula colar bandeirinhas com dona Marisa, como se a cumplicidade do casal lhes causasse desconforto. Imprensa colonizada e tola, metida a chique. Fazem lembrar “emergentes” metidos a sebo que jamais poderiam entender a beleza de um pau de sebo “arrodeado” de fitinhas coloridas. Jornalistas mais criteriosos saberiam que a devoção de Marisa pelo Santo Antônio, levado pelo presidente em estandarte nas procissões, não é aprendida, nem inventada. É legitimidade pura. Filha de um Antônio (Antônio João Casa), de família de agricultores italianos imigrantes, lombardos lá de Bérgamo, Marisa até os cinco de idade viveu num sítio com os dez irmãos, onde o avô paterno, Giovanni Casa, devotíssimo, construiu uma capela de Santo Antônio.

Até hoje ela existe, está lá pra quem quiser conferir, no bairro que leva o nome da família de Marisa, Bairro dos Casa, onde antes foi o sítio de suas raízes, na periferia de São Bernardo do Campo. Os Casa, de Marisa Letícia, meus amores, foram tão imigrantes quanto os Matarazzo e outros tantos, que ajudaram a construir o Brasil.

Outro traço brasileiro dela, que acho lindo, é o prestígio às cores nacionais, sempre reverenciadas em suas roupas no Dia da Pátria. Obras de costureiros nossos, nomes brasileiros, sem os abstracionismos fashion de quem gosta de copiar a moda estrangeira. Eram os coletes de crochê, os bordados artesanais, as rendas nossas de cada dia. Isso sim é ser chique, o resto é conversa fiada. No poder, ao lado do marido, ela claramente se empenhou em fazer bonito nas viagens, nas visitas oficiais, nas cerimônias protocolares. Qualquer olhar atento percebe que, a partir do momento em que se vestir bem passou a ser uma preocupação, Marisa Letícia evoluiu a cada dia, refinou-se, depurou o gosto, dando um olé geral em sua última aparição como primeira-dama do Brasil, na cerimônia de sábado passado, no Palácio do Planalto, quando, desculpem-me as demais, era seguramente a presença feminina mais elegante.

Evoluiu no corte do cabelo, no penteado, na maquiagem e, até, nos tão criticados reparos estéticos, que a fizeram mais jovem e bonita. Atire a primeira pedra a mulher que, em posição de grande visibilidade, não fez uma plástica, não deu uma puxadinha leve, não aplicou uma injeçãozinha básica de botox, mesmo que light, ou não recorreu aos cremes noturnos. Ora essa, façam-me o favor!

Cobraram de Marisa Letícia um “trabalho social nacional”, um projeto amplo nos moldes do Comunidade Solidária de Ruth Cardoso. Pura malícia de quem queria vê-la cair na armadilha e se enrascar numa das mais difíceis, delicadas e técnicas esferas de atuação: a área social. Inteligente, Marisa Letícia dedicou-se ao que ela sempre melhor soube fazer: ser esteio do marido, ser seu regaço, seu sossego. Escutá-lo e, se necessário, opinar. Transmitir-lhe confiança e firmeza. E isso, segundo declarações dadas por ele, ela sempre fez. Foi quem saiu às ruas em passeata, mobilizando centenas de mulheres, quando os maridos delas, sindicalistas, estavam na prisão. Foi quem costurou a primeira bandeira do PT. E, corajosa, arriscou a pele, franqueando sua casa às reuniões dos metalúrgicos, quando a ditadura proibiu os sindicatos. Foi companheira, foi amiga e leal ao marido o tempo todo.

Foi amável e cordial com todos os que dela se aproximaram. Não há um único relato de episódio de arrogância ou desfeita feita por ela a alguém, como primeira-dama do país. A dona de casa que cuida do jardim, planta horta, se preocupa com a dieta do maridão e protege a família formou e forma, com Lula, um verdadeiro casal. Daqueles que, infelizmente, cada vez mais escasseiam.

Este é o meu reconhecimento ao papel muito bem desempenhado por Marisa Letícia Lula da Silva nesses oito anos. Tivesse dito tudo isso antes, eu seria chamada de bajuladora. Esperei-a deixar o poder para lhe fazer a Justiça que merece.


DELEGADO IGOR ROMÁRIO DE PAULA DESMORALIZOU DE VEZ A LAVA JATO - DIZ KAKAI




A entrevista do delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paula, ao portal Uol, nesta sexta-feira (27), na qual o policial prevê que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ser preso num prazo entre 30 e 60 dias, é “tão desqualificada” que nem mereceria comentário. “Ninguém fala de prisão em forma de ameaça. É a própria desqualificação do instituto da prisão. Estou em Lisboa, trabalhando aqui, mas vi e achei inacreditável. Prefiro não acreditar que seja verdade aquilo que foi dito, prefiro acreditar que seja falso”, diz o advogado criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.
 
“É a desmoralização completa das investigações, ao se utilizar a hipótese da prisão como instrumento de intimidação”, acrescenta. “Tem que se discutir isso, esses abusos não podem acontecer. Temos que ter uma sociedade de pesos e contrapesos. A polícia não pode tudo, ninguém pode tudo, nem o Supremo Tribunal Federal pode tudo. Vindo de um delegado, é gravíssimo.”

O delegado federal previu que o "timing" para prender Lula pode surgir em "30 ou 60 dias". Kakay concorda com a defesa de Lula, que, em nota, voltou a denunciar que o ex-presidente é vítima de “perseguição, mesmo sem existir evidências de delitos ou provas de qualquer tipo contra Lula”.

“Não tenho nenhuma dúvida de que as prisões estão sendo feitas de formas ilegais e arbitrárias. A prisão preventiva virou uma regra, quando tem que ser uma exceção. Uma declaração como essa (do delegado Igor Romário de Paula) fortalece imensamente a hipótese de uma perseguição, sem dúvida”, avalia Kakay. A defesa de Lula afirma que o delegado "será objeto das providências jurídicas adequadas".

Além de desmoralizar a própria investigação, Kakay diz que a fala desmoraliza o próprio policial, apesar de fazer efeito na mídia. “A sociedade ávida por espetacularização vai achar bom, mas temos que manter uma sociedade que pensa. Aqueles que pensam, que têm visão crítica, precisam ver que os limites têm que ser preservados.”

Kakay afirma que a parcela crítica da sociedade precisa resistir. “Contra o abuso, nós temos que resistir de todas as formas, seja através da palavra, seja através das ações, seja através da tristeza. Nós temos que resistir, porque o Brasil hoje virou uma sociedade punitiva, onde só tem vez e voz, principalmente na imprensa, quem trabalha pela punição.”

Na nota, o advogado de Lula Cristiano Zanin Martins afirma que “a forma como o delegado Federal Igor Romário de Paula se dirige ao ex-presidente Lula é incompatível com o Código de Ética aprovado pela Polícia Federal”.

Segundo Zanin Martins, ao abordar a “hipotética privação da liberdade” de Lula, o delegado “deixa escancarada a natureza eminentemente política da operação no que diz respeito a Lula”. Os defensores de Lula voltam a dizer no comunicado que “há pré-julgamento, parcialidade, vazamentos e comportamentos que violam a ética e a conduta profissional por parte de diversas autoridades envolvidas nas investigações e processos referentes ao ex-presidente”.

Zanin Martins voltou a citar o termo lawfare para se referir aos métodos utilizados nas investigações contra Lula. “É o ‘lawfare’, como uso da lei e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política.”




sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

TEMER FOI CITADO 43 VEZES SÓ NA PRIMEIRA DAS 77 DELAÇÕES DA ODEBRECHT



Foto não oficial, com a faixa na posição correta


Viramos um país desmemoriado e descarado.

Parece que esquecemos que o presidente usurpador governa sob o peso de 43 citações numa única delação da Odebrecht.

Uma seria suficiente para colocar Temer sob séria suspeita — e provavelmente inviabilizá-lo na presidência.

Mas são 43.

Um dia a posteridade, retomada a sanidade entre os brasileiros, se perguntará como o país foi capaz de tolerar um presidente mergulhado de tal forma num superesquema de roubalheira.

Não é o primeiro sinal de que perdemos a lucidez, aliás. Os pósteros também lutarão para entender como um gangster como Eduardo Cunha foi deixado livre para comandar o processo na Câmara que foi dar num golpe de Estado. Os múltiplos crimes de Cunha já eram amplamente conhecidos enquanto ele derrubava abertamente Dilma.

Pena que os futuros brasileiros não terão nenhuma justificativa do ministro do STF Teori Zavascki sobre seu comportamento absurdo no impeachment.

Teori esperou uma eternidade para mandar prender Cunha, como pedia a PGR. Teori deu a Cunha o tempo necessário para o golpe.

Ri sozinho ao ler um amigo dele dizer que a monumental demora se deveu a que Teori examinava os processos com “sobriedade”.

Ora, ora, ora. Você pode rir ou chorar com essa desculpa. Sigo os filósofos gregos, e rio diante da miséria humana contida na pretensa justificativa para a lentidão de Teori.

Postagem do "Bastidores" à época

O fato é que perdemos o juízo, o tino, a noção das coisas. É tido como normal, para citar mais um caso, um juiz do STF ter uma atuação tão partidária quanto a de Gilmar Mendes.

Deveríamos ficar escandalizados com isso, mas nem reparamos. Tente encontrar um único editorial da mídia que questione a tagarelice indevida de Gilmar.

Em nenhum país civilizado um juiz como Gilmar seria tolerado, mas no Brasil ele é um astro da mídia.

Também em nenhuma sociedade avançada seria aceito que a chefia do governo estivesse nas mãos de alguém citado 43 vezes num caso de corrupção.

Ou o mundo civilizado está errado e o Brasil certo, ou é o inverso. Sabe aquela história da mãe que vê o filho desfilar diferente de todos os demais numa imensa parada e conclui, orgulhosa, que só seu garoto está certo?

Pois é.