quinta-feira, 12 de março de 2015

O fio de meada nesta sexta-feira dia 13







Luciano Siqueira *




Em qualquer esfera da vida, quando a dispersão impera e os acontecimentos parecem conduzidos pelo desencontro e pela confusão, achar o fio da meada é o ponto de partida para seguir em frente.



Na cena política, mais ainda - como nesse instante da vida nacional.


Nem se completaram três meses do novo mandato da presidenta Dilma, o ambiente se faz tumultuado.

Repetem-se, com traços atuais, episódios recorrentes em nossa história, quando a possibilidade de mudanças de envergadura vem à tona, tendo como alvo o governo central. As elites retrógradas, derrotadas nas urnas, tentam subverter a ordem estabelecida.

Com Juscelino foi assim e igualmente com Jango, nos desdobramento da crise motivada pela renúncia de Jânio Quadros.

No primeiro governo Lula, idem.

Agora, as oposições, sob o comando do “partido midiático”, insistem na continuidade do chamado terceiro turno e elevam o tom, fomentando a ideia do impeachment da presidenta Dilma, que sem fundamento legal e motivação objetiva, configura golpe. Tentam inviabilizar o governo e interromper o ciclo de mudanças iniciado em 2003.

Isto temperado pelo ódio, que reflete – como bem observa Leonardo Boff – o inconformismo dos segmentos mais retrógrados, que influenciam parte da “classe média” (vide o “panelaço dos de barriga cheia”), diante da ascensão social de mais de quarenta milhões de brasileiros antes submetidos a condições miseráveis ou de extrema pobreza.

O governo, por seu turno, carece de uma linha de conduta clara que torne compreensível pelo povo o conjunto de medidas recém-adotadas, sobretudo o ajuste fiscal; e reage timidamente à guerra midiática destinada a fazer crer, forçando a barra, que a presidenta Dilma teria sido conivente com os ilícitos revelados pela Operação Lava Jato.

Nessa quebra de braço, um elemento indispensável há de ser a voz das ruas – via movimentos sociais – que reforce a defesa das conquistas alcançadas e o prosseguimento das transformações em curso, para além de interesses corporativos imediatos, que embora legítimos, não podem obscurecer a defesa da nação e da democracia.

O embate é intenso, acirrado e de consequências neste momento imprevisíveis.

Onde está o fio da meada?

Está na defesa do governo Dilma, eleito pela maioria dos brasileiros em outubro e expressão concentrada da ordem constitucional.

Nas manifestações desta sexta-feira, esta é a questão central, à qual se ajuntam o verdadeiro combate à corrupção e a defesa da democracia.



Roberto Freire (que não se elege em Pernambuco nem para vereador) propaga discurso do ódio para convocar protestos







Em entrevista à rádio CBN nesta quarta-feira (11), Roberto Freire, presidente do PPS, propagou o discurso de ódio da oposição e disse que a presidenta Dilma Rousseff não governa mais. “Dilma não governa mais nada. Esse não é um governo em exercício. O governo acabou”, disse ele.


No entanto, mesmo dizendo que não existe governo, admitiu que não há espaço político para o impeachment. Isso porque vários parlamentares estão sob investigação na Operação Lava Jato. “Se nós tivéssemos um Congresso livre desse aspecto seria muito mais fácil de resolver, mesmo com a intervenção do impeachment. É uma situação que não é fácil”, afirmou.

E não está fácil mesmo. Os tucanos e seus históricos aliados, como o PPS, estão desnorteados com o fato do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), afilhado do também senador e candidato tucano à Presidência Aécio Neves, ter sido incluído na lista dos investigados da Operação Lava Jato, por participar do esquema do doleiro de Alberto Youssef. Aécio também foi citado, mas não foi investigado por se tratar do esquema de Furnas e não a Petrobras.

Em seguida, Freire cumpriu o verdadeiro objetivo da entrevista, que era convocar para o ato que os partidos de oposição organizam: “Talvez, quem possa nos ajudar mesmo, e não é nenhuma agitação, é a manifestação popular”.

Utilizando a bola de cristal da oposição, Freire afirmou que do ponto de vista econômico não há perspectivas de melhoria. “A economia não vai ter nenhuma resposta positiva, mesmo que o ajuste seja aprovado na íntegra, tal como composto por Levy. Isso não vai acontecer. E mesmo que tenha algum resultado, será a longo prazo”, disse ele, preocupado com a “confiança dos agentes de mercado”.

Culpa do PT

Para reforçar a sua tese de que a culpa é do PT, Freire disse ainda que o país vive uma profunda crise econômica que começou com o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Esse processo de desindustrialização não será resolvido muito rapidamente. E essa desindustrialização foi uma situação de total irresponsabilidade do ponto de vista da economia brasileira que vem desde Lula, por um equívoco em suas opções, seus objetivos populistas exacerbados”, afirmou.



Os organizadores do protesto do dia 15 batem boca e cabeça







Publicado na BBC Brasil.

“O ‘Vem pra Rua’ não defende o impeachment, então a gente considera que eles não sejam bem-vindos no dia 15. Sem foco, fica a bagunça dos protestos de 2013″, diz Kim Patroca Kataguri, coordenador nacional do Movimento Brasil Livre (MBL).
“O Marcello Reis (fundador do ‘Revoltados On Line’) já defendeu militarismo e um projeto absurdo de restrição a cinco partidos: extrema direita, direita, centro, esquerda e extrema esquerda”, continua o ex-estudante de economia de 19 anos, em entrevista à BBC Brasil por telefone. “Imagina isso. Liberal, só a gente.”
Unidos pelo descontentamento comum com o governo Dilma Rousseff e pela habilidade em agregar seguidores nas redes sociais, Vem Pra Rua, Revoltados On Line e Movimento Brasil Livre contam juntos mais de um milhão de fãs só no Facebook.

Em contagem regressiva para a série de protestos marcados em vários Estados no dia 15 de março, eles se revezam entre até 200 postagens diárias de fotos, vídeos, memes e reportagens críticas ao governo federal – além de convites para os protestos.
Mas a reta final para as manifestações também revela disputas, críticas mútuas e a ausência de uma agenda política comum entre os grupos.
O fogo cruzado começa em torno da autoria dos protestos.
“Outros movimentos participarão como convidados, mas não estão na organização”, diz o porta-voz do MBL, que reivindica para si a criação das manifestações do dia 15 e critica os “oportunistas que queiram promover pautas em cima do nosso movimento”.
O administrador de empresas Marcello Reis, de 40 anos, fundador do Revoltados On Line, discorda. “Não é verdade. A iniciativa do dia 15 veio pelo Whastapp espontaneamente, foi popular. O MBL só foi o primeiro a protolocar.”
Também por telefone, Rogério Chequer, 46 anos, sócio de uma consultoria “especializada em apresentações corporativas” e criador do Vem Pra Rua, questiona:
“Algum grupo confirmou a você ter sido convidado?”, perguntou. “Ninguém foi convidado. A manifestação é absolutamente livre e começou em mensagens SMS para milhares de brasileiros, mas ninguém sabe a fonte”, diz.
‘Fogo amigo’
Com tom pausado e didático, pronunciando bem cada sílaba, Chequer é voz mais moderada entre os três grupos. Na última terça-feira, chegou a publicar um vídeo pedindo o fim do “fogo amigo”.
“Nós não vamos entrar nessa de gastar tempo e energia tentando gerar um fogo amigo dentro de uma oposição que deveria estar muito unida”, diz no filme, curtido por 5 mil pessoas. “O importante agora é a gente ir para a Paulista em torno de uma mesma causa: pedir pela mudança nesse nosso país querido que está sendo tão prejudicado pelo governo atual.”
O empresário ironiza a polêmica sobre a autoria dos protestos. “Não fomos os primeiros a convocar e não pretendemos ser os maiores, os mais bonitos. Queremos aglutinar as pessoas que estão em torno da mesma causa”, diz.
Com estratégia distinta, apresentando-se apenas como “colaborador do protesto de domingo”, o Revoltados On Line tentou mobilizar seus 700 mil seguidores para o que chamou de “gigantesco ‘abre alas’ das manifestações”.
Sem a adesão dos outros grupos, a caminhada promovida na quarta-feira, no Rio de Janeiro, reuniu menos de 50 pessoas em frente à sede da Petrobras.
Vandalismo
Após reunião na segunda-feira com a Polícia Militar, os três grupos decidiram que irão manter seus carros de som em pontos distintos da avenida Paulista, em São Paulo.
Diferente dos protestos promovidos por setores ligados à esquerda em 2013, a manifestação da direita se manterá parada, sem circular por diferentes pontos cidade.
“É para manter a ordem acima de tudo”, diz Reis, do ‘Revoltados’, que no passado pregou a intervenção militar e hoje diz “ter estudado e encontrado outros caminhos democráticos para derrubar o PT”.

“Não vai ter vandalismo e black bloc, é um manifesto para a família”, afirma.
Patroca Kataguri, do MBL – citado em fevereiro pela revista The Economist como defensor do livre mercado no Brasil –, explica que o ato será “uma ação pontual, não uma união dos grupos”.
“Defendemos o impeachment, mas não somos apenas anti-PT”, ele diz, defendendo a privatização da Petrobras e o uso de ‘vouchers’ (ou cartas de crédito, como ocorre em alguns locais dos Estados Unidos) para saúde e educação.
“Liberal (entre os movimentos), só a gente”, afirma.
Partidarismo
Rogério Chequer, do Vem Pra Rua, disse em entrevista ao #salasocial considerar as diferenças entre os grupos “indesejáveis, mas compreensíveis”.
“É natural que no calor das emoções as pessoas acabem talvez querendo um pouco mais de protagonismo”, diz.
Ele explica porque não defende o impeachment ou a renúncia de Dilma Rousseff.

“Não somos a favor porque não acreditamos que exista ainda tese jurídica para que ele aconteça”, diz.
Questionado sobre os efeitos que espera das manifestações, Chequer aponta “mais foco no interesse do povo e menos nos interesses de perpetuação do poder e compra de controle”.
Após comentar nas redes sociais sobre um suposto vínculo com o PSDB – sugerido por outros grupos envolvidos nas manifestações de domingo –, ele voltou a frisar à reportagem que seu movimento é “suprapartidário”.
“Comecei a ver mensagens e vídeos nesta direção”, diz. “O vínculo com o PSDB não existe. A gente os trata do mesmo jeito que trata os demais partidos.”
Durante as eleições, o Vai Pra Rua apoiou publicamente o então candidato Aécio Neves – que nesta quarta-feira afirmou que o “impeachment não está na agenda do PSDB”.
“Não quero ser leviano e não reconhecer que por três semanas apoiamos o candidato do PSDB”, prossegue Chequer. “No segundo turno, nos deparamos com o desafio: como nos manter suprapartidários se somos contra a reeleição e votos brancos?”, explica.
À frente do único entre os movimentos a não pedir doações financeiras de seus seguidores nas redes, o empresário afirma que as vinhetas, músicas, vídeos e pagamentos feitos ao Facebook para promoção de sua página – “feitos para direcionar melhor as postagens’ – são financiados coletivamente por membros do movimento.
“As doações são espontâneas de pessoas envolvidas na coordenação do movimento”, diz. “São centenas.”




ANDRADE, POUPADA POR MORO, CAI NA MIRA DE JANOT







Poupada pela força-tarefa que conduz a Operação Lava Jato, a Andrade Gutierrez, uma das maiores empreiteiras do País, e a maior doadora à campanha do senador Aécio Neves (PSDB-MG), com R$ 20,3 milhões, caiu na mira do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Isso porque, em sua delação premiada, Alberto Youssef narrou como recolheu propinas de R$ 1,5 milhão na empreiteira, a pedido do lobista Fernando Baiano, para realizar pagamentos a parlamentares do PP. Segundo Youssef, Baiano era 'muito próximo' ao presidente da empresa, Otávio Azevedo, que já foi presidente do conselho de Administração da Oi e é um dos executivos mais conhecidos do País. O valor teria sido retirado, segundo Youssef, em malas de dinheiro.

Diante das evidências de envolvimento com os fatos que vêm sendo apurados, Janot decidiu ouvir Azevedo e outros executivos da Andrade Gutierrez nos inquéritos que correrão no Supremo Tribunal Federal. Além da delação de Youssef, a empresa também foi envolvida nos depoimentos de Paulo Roberto Costa. O ex-diretor da Petrobras afirmou que a empreiteira colocou US$ 4 milhões à sua disposição no banco Vilarte, de Lichtenstein, segundo reportagem de Fábio Pupo e André Guilherme Vieira, no jornal Valor Econômico (leia maisaqui).

A proximidade entre a Andrade e o senador Aécio, que concorreu à presidência da República pelo PSDB, se deve ao acordo de acionistas da Cemig, a jóia da coroa mineira. Na gestão de Eduardo Azeredo, a gestão da empresa foi transferida, por valor simbólico, à empresa americana AES. Quando Itamar Franco assumiu o governo de Minas, retomou o controle da empresa. Depois, nos governos dos senadores Aécio e Antonio Anastasia, voltou-se à situação anterior. Primeiro, a Andrade comprou as participações da AES. Em seguida, conseguiu mudar o acordo de acionistas da Cemig, passando a ter poder efetivo na administração da empresa.
Na Lava Jato, praticamente todas as empreiteiras do País foram citadas nas delações premiadas, mas duas das maiores, Andrade Gutierrez e Odebrecht, não tiveram executivos presos nem submetidos à pressão para fazer delações premiadas.




AGITADORA TUCANA CAI NA LISTA DO SWISSLEAKS









Filha de um ex-diretor do Metrô na gestão de José Serra, que mantinha conta no HSBC, Fernanda Mano de Almeida (ela também correntista na Suíça) espalha mensagens como 'eu tenho vergonha dos políticos brasileiros' nas redes sociais; seu pai, Paulo Celso Mano Moreira da Silva, é acusado de improbidade administrativa pelo Ministério Público do Estado por suspeita de corrupção com a Alstom; na época da assinatura de um polêmico contrato com a multinacional francesa, ele virou correntista do banco suíço e chegou a ter saldo de US$ 3,032 milhões; Fernanda é uma das beneficiárias da conta
O caso que denunciou o esquema de evasões do HSBC, na Suíça, inclui entre os brasileiros envolvidos a família de Paulo Celso Mano Moreira da Silva. Ex-diretor do Metrô de São Paulo, ele é acusado de improbidade administrativa pelo Ministério Público do Estado por suspeita de corrupção com a Alstom.
Em 1997, Moreira da Silva abriu uma conta no país helvético e acrescentou duas filhas como beneficiárias da conta: Fernanda Mano de Almeida, 41 anos, e Mariana Mano Moreira da Silva, 38 anos. No período em que o Swissleaks é investigado, ele apresentava um saldo de US$ 3,032 milhões.
A ironia do caso é que Fernanda é uma agitadora das redes sociais, militante tucana. Em fevereiro do ano passado, ela postou uma imagem em seu perfil no qual aparece a seguinte inscrição: “Campanha contra a corrupção no Brasil – Eu tenho vergonha dos políticos brasileiros”. Ela também compartilhou imagens de apoio à candidatura de Aécio Neves à Presidência.




O “esquenta” da marcha dos paneleiros só reuniu 20 no Rio de Janeiro







Vinte pessoas, segundo o G1.


De seis para 30, diz o Estadão.

Estes foram a “multidão” do ato convocado para hoje, no Rio, como “esquenta coxinha” para a manifestação de domingo, sob a liderança do modesto vendedor de camisetas que lidera o Revoltados Online.

Quantidade que foi bastante para xingarem e agredirem, segundo oEstadão.

“O sociólogo Ricardo Santana Reis, funcionário da estatal Eletronuclear, foi atingido por duas garrafas de água mineral ao chamar de “golpistas” e “milicos” os manifestantes que pedem o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), em protesto na Candelária (centro). As garrafas foram jogadas por Rodrigo Brasil, empresário e fundador da página de facebook  Revoltados Online”.

E também para fazerem ameaças:

Representante do movimento União Contra a Corrupção (UCC), o técnico de segurança do trabalho Maicon Freitas, de 32 anos, discursou e conclamou os presentes a “tacarem ovos” nas pessoas que participarem das manifestações em defesa de Dilma, organizadas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), marcadas para a próxima sexta-feira, 13. “Dia 13 pode ser que as mariquinhas, as baratas vermelhas estejam nas ruas”.

É esta escória moral que a mídia brasileira está transformando em atores da política nacional e autorizando a questionarem o voto da população.

Claro que em São Paulo, domingo, poderá haver uma quantidade de gente muito grande.

E bém provável que haja, aliás.

Mas o espírito será o mesmo.

E o alto comando tucano assiste, esfregando as mãos, a movimentação de suas de sua “Divisão Tempestade”, suas Sturmabteilungen.

Que, no nosso caso, têm o patético Batman como alegoria e adereço.
PS. O G1 “corrigiu” a informação das 20 pessoas e a emenda ficou pior do que o soneto. Agora diz que foram 39, contadinhos, um a um. Ridículo.




Randolfe Rodrigues: Impeachment de Dilma, a essa altura, é inaceitável







Assim não dá, assim não pode


Por Luiz Carlos Azenha

Ainda que as contas da campanha de Dilma Rousseff em 2010 sejam investigadas, no inquérito envolvendo o ex-ministro Antonio Palocci, que atuou como tesoureiro, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) acredita que falar em impeachment da presidenta, neste momento, é inaceitável.
“O sistema político brasileiro é que tem de passar por reforma. O argumento do impeachment [de Dilma], a essa altura, é inaceitável. Na investigação o presidente nacional do PSDB [Aécio Neves] também foi citado. Tem um senador do PSDB [Antonio Anastasia] citado, da mesma forma. Tem os presidentes das duas Casas. Impeachment em que direção? Para deixar o governo na mão do PMDB a essa altura?”, perguntou Randolfe neste sábado durante entrevista ao Viomundo.
Segundo ele, o que precisa mudar é o sistema de financiamento de campanha, “que favorece e incentiva” a corrupção, que “é corrupto na natureza e essência”.
O Supremo Tribunal Federal, por 6 votos a 1, baniu o financiamento privado de campanhas eleitorais, mas o ministro Gilmar Mendes pediu vistas do processo e está sentado sobre ele há 306 dias.

Seria uma manobra para ganhar tempo e permitir a aprovação da PEC 352, antes da decisão definitiva do STF.
Em andamento no Congresso, a PEC 352, ou emenda Vaccarezza, permitiria às empresas continuarem financiando campanhas.

O ex-deputado petista Cândido Vaccarezza está na lista dos que serão investigados por suposto envolvimento no escândalo da Petrobras.
Randolfe acredita que qualquer reforma política feita sob Renan Calheiros e Eduardo Cunha, presidentes do Congresso e da Câmara — ambos sob investigação — ficará comprometida.
Para Randolfe, um exemplo da atuação “casuística” do presidente da Câmara se viu recentemente, na aprovação da medida que dificulta a criação e restringe a fusão de partidos.
Logo depois de assumir, Eduardo Cunha uniu-se a partidos de oposição para aprovar o projeto, que passou na Câmara e em seguida no Senado.
O objetivo teria sido evitar a criação, pelo ministro Gilberto Kassab, do Partido Liberal, para o qual migrariam parlamentares do PSD e de outras siglas.
O novo partido poderia oferecer ao Planalto uma alternativa ao PMDB.
Para Randolfe Rodrigues, Eduardo Cunha “não tem mais condição moral de estar à frente [da Câmara]“.
O presidente da Câmara, diga-se, é ferrenho opositor do financiamento público de campanhas.
O senador do PSOL considera “absurdo, inadequado e descabido” o fato de o PMDB ter entrado com representações contra seus colegas de partido Ivan Valente (PSOL-SP) e Edmilson Rodrigues (PSOL-PA) no Conselho de Ética da Câmara.
No início da semana, ambos protestaram contra a decisão do presidente da CPI da Petrobras, Hugo Motta (PMDB-PB) de indicar quatro sub-relatores sem consultar os demais integrantes da comissão.
Motta é aliado de Eduardo Cunha. O presidente da Câmara estaria manobrando a CPI para extrair concessões e/ou acuar o governo Dilma. Ele já opinou que acredita que Valente e Edmilson quebraram o decoro parlamentar ao bater boca com Motta.
O PSOL pediu o afastamento da CPI de deputados que receberam financiamento de empresas citadas na Operação Lava Jato. As empreiteiras investigadas doaram R$ 50 milhões a 243 integrantes do Congresso na mais recente campanha eleitoral (41% do Congresso).
Da CPI da Petrobras, receberam doações Otávio Leite (PSDB-RJ), Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), Paulo Pereira da Silva (SD-SP), Antonio Imbassahy (PSDB-BA), Julio Delgado (PSB-MG) e Onyx Lorenzoni (DEM-RS).
Além disso, dois deputados da comissão serão investigados pelo STF por suposto envolvimento no escândalo da Petrobras: Lázaro Botelho (PP-TO) e Sandes Júnior (PP-GO).
Para Randolfe Rodrigues, “é um inversão completa de valores” levar deputados do PSOL ao Conselho de Ética, quando isso deveria ser feito “com os citados na Lava Jato”.
O senador do PSOL defende que os parlamentares não citados na lista do procurador-geral Rodrigo Janot se unam para retomar o controle do Congresso.
“O sistema político brasileiro não pode tratar isso como se nada estivesse acontecendo”, afirmou. “Acho que imediatamente [Renan Calheiros e Eduardo Cunha] deveriam se afastar de suas funções. Não é possível que o terceiro na linha de sucessão esteja sendo investigado e ao mesmo tempo dirija a Câmara dos Deputados”, concluiu.




Irmãos Koch, magnatas do petróleo e financiadores da extrema-direita nos EUA, ajudam a bancar os “meninos do golpe” no Brasil





Os meninos do golpe no dia 15: quem banca essa turma?

março 12, 2015 00:44

“Estudantes pela Liberdade” (EPL) são financiados por corporação petroleira norte-americana que ataca direitos indígenas, depreda ambiente e tem interesse óbvio em atingir a Petrobras.


David Koch se divertia dizendo que fazia parte “da maior companhia da qual você nunca ouviu falar”. Um dos poderosos irmãos Koch, donos da segunda maior empresa privada dos Estados Unidos com um ingresso anual de 115 bilhões de dólares, eles só se tornaram conhecidos por suas maldosas operações no cenário político do país.
Se esses poderosos personagens são desconhecidos nos Estados Unidos, o que se dirá no Brasil? No entanto eles estão diretamente envolvidos nas convocações para o protesto do dia 15 de março pela deposição da presidenta Dilma.




Segundo a Folha de São Paulo o “Movimento Brasil Livre”, uma organização virtual, é o principal grupo convocador do protesto. A página do movimento dá os nomes de seus colunistas e coordenadores nos Estados. Segundo o The Economist, o grupo foi “fundado no último ano para promover as respostas do livre mercado para os problemas do país”.

Entre os “colunistas” do MBL estão Luan Sperandio Teixeira, que é acadêmico do curso de Direito Universidade Federal do Espírito Santo e colaborador da rede Estudantes Pela Liberdade (EPL) do Espírito Santo; Fabio Ostermann, que é coordenador do mesmo movimento no Rio Grande do Sul, fiscal do Instituto de Estudos Empresariais (IEE) e diretor executivo do Instituto Ordem Livre, co-fundador da rede Estudantes Pela Liberdade (EPL), tendo sido o primeiro presidente de seu Conselho Consultivo, e atualmente, Diretor de Relações Institucionais do Instituto Liberal (IL).
Outros participantes são Rafael Bolsoni do Partido Novo e do EPL; Juliano Torres que se define como empreendedor intelectual, do Partido Novo, do Partido Libertários, e do EPL.
Segundo o perfil de Torres no Linkedin, sua formação acadêmica foi no Atlas Leadership Academy. Outro integrante com essa formação é Fábio Osterman, que participou também do Koch Summer Fellow no Institute for Humane Studies.
A Oscip Estudantes pela Liberdade é a filial brasileira do Students for Liberty, uma organização financiada pelos irmãos Koch para convencer o mundo estudantil da justeza de suas gananciosas propostas. O presidente do Conselho Executivo é Rafael Rota Dal Molin, que além de ser da Universidade de Santa Maria, é oficial de material bélico (2º tenente QMB) na guarnição local.
Outras das frentes dos irmãos Koch são a Atlas Economic Research Foundation, que patrocina a Leadership Academy, e o Institute for Humane Studies, às quais os integrantes do MBL estão ligados.
Entre as atividades danosas dos irmão encontra-se o roubo de 5 milhões de barris de petróleo em uma reserva indígena (que acarretou uma multa de 25 milhões de dólares do governo americano) e outra multa de 1,5 milhões de dólares pela interferência em eleições na Califórnia. O Greenpeace considera os irmãos opositores destacados da luta contra as mudanças climáticas. Os Koch foram multados em 30 milhões de dólares em 300 vazamentos de óleo.
As Koch Industries têm suas principais atividades ligadas à exploração de óleo e gás, oleodutos, refinação e produção de produtos químicos derivados e fertilizantes. Com esse leque de atividades não é difícil imaginar o seu interesse no Brasil — a Petrobras é claro.
Seus apaniguados não escondem esse fato.
O MBL, que surgiu em apoio à campanha de Aécio Neves, não esconde o que pretende com a manifestação: “O principal objetivo do movimento, no momento, é derrubar o PT, a maior nêmesis da liberdade e da democracia que assombra o nosso país” disseram Kim Kataguiri e Renan Santos em um gongórico e pretensioso artigo na Folha de S.Paulo.
Eles não querem ser confundidos com PSDB, que identificam com o outro movimento: “os caras do Vem Pra Rua são mais velhos, mais ricos e têm o PSDB por trás” diz Renan Santos. “Eles vão pro protesto sem pedir impeachment. É como fumar maconha sem tragar”.
Kataguiri não se incomoda que seja o PMDB a ascender ao poder: “O PMDB é corrupto, mas o PT é totalitário”. Mas Pedro Mercante Souto, outro dos porta-vozes do MBL, foi candidato a deputado federal no Rio de Janeiro pelo PSDB (com apenas 0,10% dos votos não se elegeu).
Apesar do distanciamento do PSDB a manifestação do dia 15 parece ser apenas uma nova tentativa de 3º turno, mas como vimos ela esconde uma grande negociata. “Business as usual”.
PS do Viomundo: Os Koch Brothers são os maiores financiadores da extrema-direita nos Estados Unidos, Tea Party et al. Plantaram, dentre outros think-tanks, o Cato Institute. Controlam a maior petrolífera privada do planeta, com faturamento de U$ 100 bilhões. Para saber mais sobre eles (em inglês) clique aqui, aqui, aqui, aqui aqui,aqui aqui e aqui. O pai do clã foi um dos impulsionadores da John Birch Society, uma sociedade anticomunista que se opôs às campanhas pelos direitos civis nos anos 60. É famosa nos EUA a oposição deles aos sindicatos e ao salário mínimo; isso, enquanto faturam U$ 13 milhões por dia! Para vídeos do Democracy Now sobre or irmãos Koch, clique aqui, aqui e aqui.

Resumão: “Os irmãos Koch são o que os Estados Unidos tem de mais próximo dos oligarcas russos. Eles juntam controle sobre a economia e sobre o Estado, usando este último para enriquecer gerando ganhos privados com perdas públicas. A idéia que eles tem de ‘economia de mercado’ é comprar autoridades de governo e os bens públicos que eles privatizam a preço de banana”. Já imaginaram estes caras botando a mão no pré-sal?