segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Teerã Sob Ameça








 “Um ataque a Teerã seria loucura. Por isso mesmo, não exclua a possibilidade”



Se Israel atacar o Irã esse ano, Israel – e os EUA – darão prova de serem ainda mais loucos do que a massa pensante do planeta acredita que sejam. Sim, Mahmoud Ahmadinejad, o presidente iraniano, é doido também, mas Avigdor Lieberman, que parece ser ministro dos Negócios Exteriores de Israel, também é. Talvez queiram fazer favores um ao outro.
Mas por que Israel bombardearia o Irã, e atrairia sobre a própria cabeça a fúria simultânea do Hezbollah libanês e do Hamás — sem falar na Síria? E, isso, também sem lembrar que Israel atrairia para o fundo do mesmo buraco e para o mesmo tiroteio o ocidente, ou seja, a Europa e os EUA.
Alguma tramóia paira no ar. Até Leon Panetta, secretário de Defesa dos EUA, anda dizendo que Israel talvez ataque o Irã. E também a CNN – e seria difícil achar mais antiga criadora de tramóias.
Um alerta, também foi escrito por um “analista” israelense, Ronen Bergman, do jornal israelense Yedioth Ahronoth.
Eis aqui a isca de Bergman, bem no estilo da velha toada da cansativa  propaganda de guerra: “Depois de falar com muitos [sic] altos líderes israelenses e comandantes [outro sic] militares e da inteligência de Israel, estou convencido de que Israel realmente atacará o Irã em 2012. Talvez na pequena e cada vez menor janela de tempo que ainda resta, os EUA decidam, afinal, fazer alguma coisa, mas do ponto de vista de Israel, a esperança já é quase nenhuma. Em vez de esperança, o que se vê é a mesma combinação, tão típica dos israelenses, de medo e tenacidade, a feroz convicção, certa ou errada, de os israelenses sempre têm de se defender sozinhos.”
Ora essa! Primeiro, qualquer jornalista que preveja um ataque de Israel contra o Irã põe o próprio pescoço na guilhotina. Segundo, jornalista que se prese – e há muitos em Israel – perguntaria a si mesmo, antes de escrever: Para quem estou trabalhando? Para o meu jornal? Ou para o meu governo?
Panetta, que já mentiu aos soldados dos EUA no Iraque, quando lhes disse que estavam lá por causa do 11 de Setembro, deveria saber jogar o jogo com mais competência. A CNN também. Mas… que conversa é essa, em geral? Nove anos depois de invadir o Iraque – aventura muitíssimo bem sucedida, como não se cansam de repetir até hoje –, porque Saddam Hussein tinha “armas de destruição em massa”, lá estamos nós, aplaudindo que Israel bombardeie o Irã, por causa de outras “armas de destruição em massa”, ainda mais improváveis.
Quem duvida que, segundos depois de ouvir o noticiário, os redatores grotescos que redigem os discursos de Obama já estarão metendo as mãos à obra para encontrar as palavras certas de apoio a um ataque israelense? Se Obama pode trocar a defesa da liberdade e dos direitos dos palestinos ao próprio Estado pela própria reeleição, não há dúvidas de que poderá apoiar a agressão israelense, na esperança de que o mantenha na Casa Branca.
E esta não seria uma postura equivocada e desprovida de dignidade apenas de Obama. Tem sido assim ao longo das décadas de “democracia” norte-americana. A cada reeleição uma Nação que não lhe beije os pés será invadida, seus líderes serão assassinados “legalmente”, e seus costumes substituídos pelos do usurpador.



Parafraseando Robert Fisk em "Destaques, Geopolítica, Mundo"