sexta-feira, 18 de março de 2011

Obama Foge da Cinelândia, e Troca a Fantasia de Cowboy Americano Pela de Bicheiro Carioca

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Cara de gaiato... Pinta de gaiato... Roupa de gaiato...
Foi o que eu arranjei pra mim.
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Espremido entre suas próprias mentiras e as já tradicionais do sistema que preside, o Bicheiro Obama chega amanhã ao Brasil, e avisa que não discursará da sacada do Teatro Municipal na Cinelândia.
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A embaixada americana e o Governo Brasileiro bem que tentaram dissimular o constrangimento que causou essa exigência do caubói de plantão.
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O motivo maior da desistência não tem nada a ver com a segurança do Bicheiro Obama. Tanto é assim que ele ainda falará a uma platéia de americanos e alguns brasileiros escolhidos a dólares, mas, no palco do nosso Teatro da mesma Cinelândia.
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Esse desejo incontido de fazer parte, mesmo que por míseros quinze minutos, da história da Cinelândia e do Rio de Janeiro, provocou inconformismo na massa pensante brasileira e deixou nossa presidenta Dilma constrangida. Ninguém ouviu da presidenta nenhuma queixa, mas ela fez chegar aos ouvidos do orelhudo Obama que “não era bem por aí!”
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Eu não consigo outro adjetivo para a caravana presidencial norte americana que não o de “Farândola de Cafajestes”. Já há algum tempo que não dá mais pra usar meios termos.
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Por que nunca forçaram o famigerado Conselho de Segurança da Onu a autorizar a invasão de países da África sub saariana?
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Em primeiro lugar por que não teriam o que saquear. Depois, a imensa desproporção das tropas, nada acrescentaria ao currículo dos seus milicos carniceiros.
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A desproporção deve ser imensa – como no Iraque, Afeganistão, e agora na Líbia, mas, tem que dar a impressão ao mundo de que pelo menos encontraram alguma resistência... Que correram algum perigo... Que aquele povo invadido só tem agora duas opções: ou aderem às “tropas de coalizão” ou tornam-se “insurgentes”. A palavra “insurgente”, geralmente pronunciada de boca cheia por William Bonner, não significa para essa corja os heróis que deram ou darão a vida pelo seu país surrupiado, mas uma gangue de esfarrapados malfeitores.
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O jogo do Bicheiro Obama e dos que o antecederam já é assaz previsível. Já não encanta nenhum torcedor idiota, não trás esperanças a nenhum iludido pacifista, mas horroriza a grande massa, agora já consciente de que as novas “armas” de que dispõe... funcionam.
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O Oriente Médio que o diga.
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Obama Posa de Cowboy na Cilnelândia Para Poster de Campanha

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 Só mudou a cor da pele.
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É preciso romper o silêncio da amabilidade para estranhar o pronunciamento público que o presidente Obama fará, da sacada do Teatro Municipal, diante da histórica Cinelândia. Afinal, é de se indagar por que a um chefe de Estado estrangeiro se permite realizar um comício – porque de comício se trata – em nosso país. Apesar das especulações, não se sabe o que ele pretende dizer exatamente aos brasileiros que, a convite da Embaixada dos Estados Unidos – é bom que se frise – irão se reunir em um local tão estreitamente vinculado ao sentimento nacionalista do nosso povo.
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É da boa praxe das relações internacionais que os chefes de estado estrangeiros sejam recebidos no Parlamento e, por intermédio dos representantes da nação, se dirijam ao povo que eles visitam. Seria aceitável que Mr. Obama, a exemplo do que fez no Cairo, pronunciasse conferência em alguma universidade brasileira, como a USP ou a UNB, por exemplo. Ele poderia dizer o que pensa das relações entre os Estados Unidos e a América Latina, e seria de sua conveniência atualizar a Doutrina Monroe, dando-lhe  significado diferente daquele que lhe deu o presidente Ted Roosevelt, em 1904. Na mensagem que então enviou ao Congresso dos Estados Unidos, o  presidente declarou o direito de os Estados Unidos policiarem o mundo, ao mesmo tempo em que instruiu seus emissários à América Latina a se valerem do provérbio africano que recomenda falar macio, mas carregar um porrete grande.
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Se a idéia desse ato público foi de Washington, deveríamos ter ponderado, com toda a elegância diplomática, a sua inconveniência. Se a sugestão partiu do Itamaraty ou do Planalto, devemos lamentar a imprudência. Com todos os seus méritos, a presidência Obama ainda não conseguiu amenizar o sentimento de animosidade de grande parte do povo brasileiro com relação aos Estados Unidos. Afinal, nossa memória guarda fatos como os golpes de 64, no Brasil, de 1973, no Chile, e ação ianque em El Salvador, em 1981, e as cenas de Guantánamo e Abu Ghraid.
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O Rio de Janeiro é uma cidade singular, que, desde a noite das garrafadas, em 13 de março de 1831, costuma desatar seu inconformismo em protestos fortes. A Cinelândia, como outros já apontaram, é o local em que as tropas revolucionárias de 1930, chefiadas por Getúlio Vargas, amarraram seus cavalos no obelisco então ali existente. Depois do fim do Estado Novo, foi o lugar preferido das forças políticas nacionalistas e de esquerda, para os grandes comícios. A Cinelândia assistiu, da mesma forma, aos protestos históricos do povo carioca, quando do assassinato do estudante Edson Luis, ocorrido também em março (1968). Da Cinelândia partiu a passeata dos cem mil, no grande ato contra a ditadura militar, em 26 de junho do mesmo ano.
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Não é, convenhamos,  lugar politicamente adequado para o pronunciamento público do presidente dos Estados Unidos. É ingenuidade não esperar manifestações de descontentamento contra a visita de Obama. Além disso – e é o mais grave – será difícil impedir que agentes provocadores, destacados pela extrema-direita dos Estados Unidos, atuem, a fim de criar perigosos incidentes durante o ato. Outra questão importante: a segurança mais próxima do presidente Obama será exercida por agentes norte-americanos, como é natural nessas visitas. Se houver qualquer incidente entre um guarda-costas de Obama e um cidadão brasileiro, as conseqüências serão inimagináveis.
Argumenta-se que não só Obama, como Kennedy, discursaram em público em Berlim. A situação é diferente. A Alemanha tem a sua soberania limitada pela derrota de 1945, e ainda hoje se encontra sob ocupação militar americana.
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Finalmente, podemos perguntar se a presidente Dilma, ao visitar os Estados Unidos, poderá falar  diretamente aos novaiorquinos, em palanque armado no Times Square.
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Texto de Mauro Santayana no JB
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