sexta-feira, 30 de abril de 2010

O TORTURADOR É UM MONSTRO E UM COVARDE




Sem espaço para cínicos poemas.
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Será que há alguém que acredite que será possível sempre e sempre empurrar para debaixo do tapete o crime da tortura? Será que não se toma consciência de que a morte de centenas de pessoas sob tortura nunca será esquecida? Será que não se compreende que, por mais que tentem não é possível ignorar essa monstruosidade? A Nação só vai caminhar em paz consigo mesma no momento em que, no mínimo, forem encaminhados ao Judiciário os torturadores vivos, para um julgamento justo, com todo o direito à defesa, diferentemente dos nossos companheiros e companheiras que foram mortos covardemente, cruelmente.
 "Não se pode ter condescendência com torturador" afirmou nesta quinta-feira - 29/04/10 -  o ministro Carlos Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal, que classificou torturadores de "monstros".

O ministro avaliou que, quando a lei foi elaborada, "não se teve coragem" de assumir "essa propalada intenção de anistiar torturadores, estupradores, assassinos frios de prisioneiros já detidos, pessoas que ligavam fios desencapados nas genitálias femininas, isso sem falar em pedofilia". E acrescentou que a lei até podia anistiar torturadores, desde que "o fizesse claramente, sem tergiversação".

Continuam com o direito de transitar entre nós,
sob os mais hilários disfarces.

Ayres Britto foi o quarto ministro a votar e o segundo a defender a revisão da Lei da Anistia, já que se manifestou depois do colega Ricardo Lewandowiski, que defendeu que os agentes do Estado "não estão automaticamente abrangidos na anistia". Em sua opinião, cabe ao juiz ou tribunal analisar caso a caso e verificar se foi cometido crime comum. "Segundo a minha conclusão, esse automatismo não existe e será possível a abertura de uma eventual persecução penal contra esses agentes", disse o ministro.

O ministro disse que foram praticados excessos que infrigiram até mesmo as regras do regime de exceção. "As Forças Armadas tomaram o poder às claras, dizendo a que vieram. Essas pessoas desobedeceram não somente a legalidade democrática como a própria legalidade do regime militar, desonrando as próprias Forças Armadas...


Ele votou pela procedência da ação que pede a revisão da Lei da Anistia, apresentada à Corte pela Ordem dos Advogados do Brasil, e concluiu: "O torturador é um monstro, é um desnaturado, experimenta o mais intenso dos prazeres diante dos mais intensos sofrimentos. É uma espécie de cascavel que morde o som dos próprios chocalhos", ressaltou. ".
Salvador Dali
O ovo da Cascavel 


A equipe do “Projeto Brasil Nunca Mais”, coordenada pelo cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, da Arquidiocese de São Paulo, se encarregou de pesquisar todo o processo político do período ditatorial que compreende as décadas de 60 e 70, o que resultou em um livro que traz um relato histórico do que de fato acontecia nos podres porões do regime.


Contrários aos princípios que regem os direitos humanos - estes princípios foram definidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada e adotada pela ONU em dezembro de 1948 - ao respeito à integridade física e moral do homem, militares e policiais brasileiros, nas décadas de 60 e 70, se transformaram em agentes implacáveis da prática repressiva, utilizando os mais perversos métodos de tortura importados dos países imperialistas, especialmente dos Estados Unidos, para onde foram levados, voltando mais tarde como açougueiros.
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Eram apenas jovens idealistas, tentando
resgatar nosso Brasil das garras daqueles abutres.




São apontadas, no livro, entre outras coisas, as formas de tortura que eram utilizadas pelos carrascos da ditadura, um conjunto de práticas que quando não matava, deixava danos irreparáveis à psique humana.


Na parte mais baixa da hierarquia dos órgãos de repressão, surgiam os captores e os torturadores ou interrogadores, responsáveis pelos depoimentos. Na maioria das vezes eram executados por pessoas inescrupulosas, dissimuladas, especializadas em empregar técnicas de barbárie e  cansaço  ao interrogado.

O psiquiatra forense Michael Stone da Universidade de Columbia, classifica os torturadores no mesmo grau de maldade  dos assassinos em série, que é o máximo ao qual a perversidade humana pode chegar, ou seja, o número 22 na sua escala. Neurologistas, psicólogos e psiquiatras forenses, ao examinar e traçar o perfil da mente dos torturadores, determinam que fatores ambientais -  esses indivíduos foram vítimas de severo abuso físico e/ou sexual na infância -  neurológicos e genéticos são responsáveis por tamanha aberração. Preocupa-nos, sobremaneira, a origem genética porque, caso seus descendentes não encontrem ambiente propício para dar sequência a essa insanidade, sabe-se lá onde poderão chegar.

Muitas das características da personalidade dos torturadores poderiam ser explicadas por déficits emocionais. Por exemplo, eles têm pouco afeto com os outros, são incapazes de amar, não ficam nervosos facilmente e não mostram remorso ou vergonha quando abusam de outras pessoas.

 A inveja é outro traço psicológico do torturador.

Personalidades doentias como as dos torturadores, desprendem grande energia em parecerem normais, mas, sempre deixarão rastros: se empregador, abusará da tortura psicológica dando sumiço a Carteiras de Trabalho dos servidores que tiverem personalidades fortes ou forem brilhantes; se “amigo”, ao receber um pagamento que lhe é devido, não devolverá o documento que originou o débito, sob qualquer pretexto, para depois exibi-lo como troféu a amigos da vítima na tentativa de denegrir-lhe a imagem; se vizinho, destruirá furtivamente o Mercedes Benz trazido da alemanha, com dificuldades, pelo servidor da embaixada brasileira que teve o azar de vir morar ao seu lado.


Como hienas acuadas, proverão seus currículos de uma infinidade de insignificantes títulos e até escreverão poemas, mas estarão sempre à espreita para vingar quem ousar mostrar sua indigência de caráter.
 
 

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terça-feira, 13 de abril de 2010

A VITÓRIA DE SÁVIO ROLIM

O beijo do Menino de Engenho
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Ontem, 12 de abril de 2010, o Conselho de Cultura do Estado da Paraíba, POR UNANIMIDADE, acolheu indicação da Associação Paraibana de Imprensa na pessoa da sua presidente Marcela Suetônio, para que o ator SÁVIO ROLIM recebesse os benefícios da Lei Canhoto da Paraíba. O projeto foi defendido em plenário pelo conselheiro, jornalista Biu Ramos.


A seguir transcrevo e-mail enviado ao jornalista paraibano Rubens Nóbrega:

Caro Rubens


Quando Robson, emocionado, me deu a notícia da aprovação do nome de Sávio para fazer jus aos benefícios da Lei Canhoto da Paraíba, disse-lhe imediatamente  - também emocionado - que entraria em contato com você para agradecer em nome de Sávio, da sua filha - minha esposa – Nadja, e em meu próprio. Com certeza, muitas outras pessoas também estão gratas a você pelo carinho com a pessoa humana demonstrado em todos os seus escritos sobre as aflições do artista Sávio Rolim.


Enquanto outros acusaram a ele próprio ou à sua filha pelos anos expiados nas ruas pessoenses, você lutou por uma solução; as frases de efeito fazendo sempre referência ao menino de 40 anos atrás e a bagaceira, ou ainda ao bagaço humano em que se transformou o lindo garoto Sávio, tão repetidamente utilizadas pelos cegos travestidos de clarividentes, foram substituídas, no seu espaço, por um altivo dedo em riste apontando irredutivelmente para a saída. Quem se interpôs entre você e o reconhecimento que a Paraíba devia a Sávio Rolim, abandonou rapidamente o debate, mas não sem antes deixar revelado o tamanho da sua própria mesquinhez.


Também tenho travado meus embates ao longo desses últimos anos, na tentativa de preservar o nome de Nadja e da sua filha neta de Sávio. Muitos dos textos aos quais deixei comentários foram rapidamente retirados da internet, o que me levou à decisão de agora publicá-los em meu blog. A seguir, lhe envio o link do mais recente: http://rodolfovasconcellos.blogspot.com/2010/02/covardia-de-humberto-de-almeida-ou.html;

Aceite um forte abraço de nós três.
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