segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A Monumental Dificuldade de Marina em Trabalhar em Equipe







 Qual o estilo de Marina?
Neca Setúbal, amiga e conselheira de Marina, falou disso numa entrevista em vídeo ao jornalista Fernando Rodrigues, da Folha.
Neca usou Dilma e Eduardo Campos para definir o jeito de liderar de Marina.
Nem a viva e nem o defunto foram poupados no esforço de Neca em elevar Marina.
Dilma, segundo ela, tem um “estilo masculino”. Campos era “centralizador”.
Marina, disse Neca, trabalha em “equipe”. Está num patamar diferente e superior.
Mesmo?
A biografia de Marina mostra outra coisa. Ela é o que você poderia chamar de criadora de encrencas.
Parece ter, ao contrário do que Neca disse, extrema dificuldade de trabalhar em equipe.
No mesmo dia em que Neca louvava o espírito de time de Marina, o dirigente do PSB Carlos Siqueira, que coordenava a campanha de Campos, dizia o exato oposto.
“Ela nomeou o presidente do comitê financeiro da campanha e não perguntou ao PSB”, disse ele.
“Ela que vá mandar na Rede dela”, acrescentou ele. “Como está numa instituição como hospedeira, tem que respeitar a instituição. No PSB mandamos nós.”
Siqueira está fora da campanha. E a candidatura de Marina só não está em chamas porque as expectativas de voto são efetivamente promissoras.
O cenário mais provável, hoje, é um segundo turno entre Dilma e Marina. Aécio tende a ficar pelo caminho.
O estilo de Marina parece combinar duas coisas contrastantes. O exterior sugere humildade – os traços, as vestes, a voz.
O interior, ao contrário, insinua um caráter com grande dificuldade de trabalhar em equipe – algo que obriga a pessoa a ouvir, com frequência, não.
Pessoas com este perfil costumam, na vida corporativa, sair de empresa para empresa com frequência.
Para elas, para usar a grande expressão de Sartre, “o inferno são os outros”.
No caso de Marina, que optou pela vida pública e não executiva, a consequência tem sido pular de partido para partido.
Do PT para o PV, e deste para a Rede, com a passagem de ocasião pelo PSB, foi um pulo.
Era óbvio, vistas as coisas em retrospectiva, que para Marina se aquietar num partido ele tinha que ser seu.
É mais ou menos, para continuar na comparação corporativa, como o executivo que não gosta de ouvir ordens: ele só vai sossegar quando e se montar sua própria empresa.
Este o sentido histórico da Rede.
Marina jamais vai dizer isso, até para preservar a imagem de extrema humildade, mas está claro que ela poderia repetir o que Luís 14 afirmou em relação ao Estado: “A Rede sou eu”.
Pelas palavras de Siqueira, morto Campos e ungida ela, Marina agiu exatamente assim: como se o PSB fosse ela. Ou dela.
No passado não tão distante assim, os brasileiros tiveram um campeão de votos com características parecidas com Marina, pelo voluntarismo e pela dificuldade em se integrar a um time, ou a um partido.
Era Jânio Quadros.
Jânio foi adotado pela direita da época, alojada na UDN, para chegar ao poder.
Venceu as eleições de 1961, conforme esperado. Antes, já candidato, anunciou que renunciava à candidatura. Depois renunciou à renúncia.
Na presidência, renunciou depois de sete meses.
Cultivava, como Marina, a aura de simplicidade. Comia sanduíches de mortadela e deixava a caspa se mostrar em seus paletós baratos.

Mas, também como ela, não sabia viver em grupo.



Dilma Ensina a Marina Silva Quais São as Funções de uma Presidenta





Presidenta concedeu coletiva no Palácio da Alvorada, neste domingo (24)


 

“Essa história de que o País não precisa ter um cuidado na execução de suas obras e uma obrigação de entregá-las é uma temeridade; ou é de quem nunca teve experiência administrativa e, portanto, não sabe que é fundamental para um País com a complexidade do Brasil dar conta de tudo”, afirmou a presidenta Dilma Rousseff, candidata à reeleição, em entrevista coletiva no Palácio da Alvorada neste domingo (24).





Sem citar o nome da também candidata Marina Silva (PSB-Rede), que disse que num ato em Pernambuco que o Brasil não precisa de “gerente”, a presidenta afirmou que seu cargo não é somente de representação. “Acho que o pessoal está confundindo o presidente da República com algum rei ou rainha de um país constitucional que, de fato, só tem a representação”.


Dilma enfatizou que no presidencialismo, diferente do parlamentarismo, o chefe do Executivo tem obrigações determinadas pela Constituição. “Não é uma questão de ser gerente ou não. Um presidente é executor também, não é, pura e simplesmente, um representante do poder. É mais fácil ser só um representante do poder, eu tenho certeza: você anda para baixo e para cima só representando”, frisou.




AVIÃO E AEROPORTO GERAM “CAOS AÉREO” A MARINA E AÉCIO





Ameaçados por um avião e um aeroporto, Mariana e Aécio podem ter perdido o voo que conduziria um deles à Presidência da República. Mais ironia do que isso, impossível




EDUARDO GUIMARÃES


Não deixa de ser irônico que se possa usar uma metáfora “aérea” para descrever o enrosco em que os dois principais candidatos de oposição a presidente da República se meteram. Um enrosco que pode lhes custar a derrota para Dilma Rousseff.
A ironia, por óbvio, reside em que o setor aeroportuário foi, durante anos, um dos principais cavalos-de-batalha da oposição a Lula e a Dilma. Devido à forte inclusão social nos governos petistas, a “nova classe média” chegou a aeroportos pensados exclusivamente para a elite e causou superlotação que a mídia apelidou de “caos aéreo”.
A Copa do Mundo de 2014 resolveu o problema. Hoje, o país tem aeroportos capazes de atender a uma demanda vitaminada pela distribuição de renda da era petista, ainda que a elite e a mídia se recusem a reconhecer os méritos da nova malha aeroportuária.
Ironicamente, porém, Aécio Neves e Marina Silva podem ser derrotados, respectivamente, por um aeroporto e um avião. Está ficando claro ao país que o moralismo com que esses dois atacam os governos petistas dos últimos 12 anos não passa da mais deslavada hipocrisia.
A candidatura de Aécio Neves foi praticamente inviabilizada por um fato que ele achou que passaria batido: ter usado dinheiro público para construir um aeroporto dentro de fazenda de sua família que ele frequenta o tempo todo.
Aécio tentou fazer o país de trouxa ao negar o que só cego não enxerga: o seu escandalosamente evidente interesse pessoal na execução da obra milionária.
Mídia e aliados de Aécio disseram que as pesquisas não registraram prejuízo eleitoral para ele por conta desse episódio, mas a rápida desintegração de sua candidatura que pesquisas internas dos partidos (inclusive do PSDB) vêm revelando, comprova esse prejuízo.
Aécio pode até não ter perdido votos – a crer nas pesquisas e, sobretudo, em suas “margens de erro” –, mas parou de ganhar. Estancou. Por conta disso, foi o principal prejudicado pela morte de Eduardo Campos.
O fato é que, à exceção da direita mais radical, todos estão vendo o pretenso novo “príncipe da República” se esboroar contra o solo.
Eis que surge Marina, herdeira política da “santificação” instantânea que a morte concede no Brasil. Contudo, passados alguns dias a justificada gritaria dos que perderam seus imóveis com a queda do avião de Campos começa a fazer as pessoas acordarem.
Chega a ser estupefaciente que, passados mais de dez dias, não se tenha chegado ao dono de um avião que o político morto usava de modo tão intenso. O jogo de empurra vai deixando claros os interesses obscuros que financiavam Campos e que continuarão financiando Marina.
As suspeitas de ilegalidade no uso da aeronave ainda não chegaram ao eleitorado, mas já estão sob escrutínio da Polícia Federal e da Justiça Eleitoral. A cada dia se entende cada vez menos a origem daquele avião e que tipo de acordos o colocaram à disposição de Campos.
Mesmo que os adversários de Marina não tenham coragem de explorar o escândalo que vai nascendo – e, no que diz respeito ao PSDB, seus blogueiros e colunistas amestrados já exploram o caso –, a Justiça Eleitoral dificilmente vai se contentar com explicações vagas.
De quem é o avião que Campos usava como seu? Quem pagou? Quanto foi pago? Foi declarado à Justiça Eleitoral?
Marina, segundo já admite a mídia, pode ter a candidatura impugnada por esse caso.
Mesmo que a Justiça Eleitoral não tenha coragem de chegar a tanto, as obscuras contas de campanha do PSB já revelam que Marina não tem as diferenças que apregoa em relação a outros políticos.
Tanto Marina quanto Aécio são daqueles políticos que quanto mais forem conhecidos, pior para eles.
No caso de Marina, até mesmo o tal “mercado” já começa a perceber que um seu governo seria fraco por falta de base política sólida. Ela teria que bater às portas do PSDB e do PMDB ou deste e do PT.
Estadão, Época e Reinaldo Azevedo saíram na frente na pancadaria contra Marina. Ou seja, o PSDB saiu na frente contra Marina – até por ela prejudicar mais os tucanos, ao menos no momento.
O PT parece menos preocupado com Marina do que com o bombardeio da mídia.
No terceiro programa de Dilma no horário eleitoral, o PT alternou a estratégia de acusar a mídia com a estratégia que esta chama de “nós contra eles”, ou seja, mostrar como o povão passou a desfrutar do que antes era exclusividade da elite, como acesso a universidades, a casa própria, a aeroportos.
Lula, no horário eleitoral, é uma bomba atômica. Deve ser um dos políticos que menos perdeu com as manifestações de junho do ano passado, apesar de Dilma ter sido quem mais perdeu. O chamamento à reflexão que o ex-presidente tem feito dificilmente deixará de produzir efeitos eleitorais.
A vantagem de Dilma é a de que ela não precisa melhorar muito as suas intenções de voto. Se ganhar meia dúzia de pontos nas pesquisas pode até liquidar a fatura no primeiro turno. Já Marina e Aécio precisam de muito mais.

Ameaçados por um avião e um aeroporto, Mariana e Aécio podem ter perdido o voo que conduziria um deles à Presidência da República. Mais ironia do que isso, impossível.