segunda-feira, 28 de setembro de 2015

PROPINA A CUNHA FOI PAGA DA SUÍÇA, DIZ LOBISTA À PF









Em depoimento à Polícia Federal no âmbito das investigações da operação Lava Jato, o empresário João Augusto Rezende Henriques, apontado como operador do PMDB na arrecadação de propinas em contratos da Petrobras, afirmou que abriu uma conta na Suíça para operacionalizar o pagamento de propina ao presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
O pagamento de propina refere-se a um contrato de compra de um campo de exploração em Benin, na África, pela estatal. Preso há uma semana, Henriques disse à PF que o repasse a Cunha foi um pedido de Felipe Diniz, filho do ex-deputado Fernando Diniz (PMDB-MG) – morto em 2009.
"Em relação à aquisição pela Petrobras do campo de exploração em Benin, a pessoa que lhe indicou a conta para pagamento foi Felipe Diniz; que Felipe Diniz era filho de Fernando Diniz; que Felipe enfrentava dificuldades econômicas; que a conta indicada para o pagamento pertencia a Eduardo Cunha", diz trecho do depoimento do lobista à PF. 
João Henriques teve sua prisão preventiva decretada pelo juiz Sérgio Moro na sexta-feria, 25, e afirmou também que não sabia que o destinatário da suposta propina era o presidente da Câmara, que nunca teve relação com o presidente da Casa e que só ficou sabendo da titularidade da conta há cerca de dois meses. 
Investigado por ter intermediado negócios na área Internacional da Petrobras e ter recebido mais de R$ 20 milhões de fornecedoras da estatal, Henriques havia sido preso temporariamente na 19ª Fase da Operação Lava-Jato. Segundo o Ministério Público Federal, além de ter participado da transação da compra do campo de petróleo no Benin, Henriques intermediou a venda da refinaria San Lorenzo, a compra de 50% de um bloco de exploração offshore na Namíbia, a contratação do navio-sonda Titanium Explorer e o contrato de US$ 825,6 milhões firmado para a Odebrecht em 2010 para prestação de serviços de certificação na área de segurança e meio ambiente.




DILMA NA ONU: "O BRASIL VAI CONTINUAR NO CAMINHO DA DEMOCRACIA"





Dilma deixou claro que governo e a sociedade não toleram a corrupção e o Brasil vai continuar no caminho da democracia


Em discurso de abertura da 70ª sessão da Assembleia Geral da ONU, nesta segunda-feira (28), a presidenta Dilma falou sobre a crise migratória e a questão dos refugiados; as metas para a Agenda 2030 e o atual processo político do Brasil. Neste ponto, deixou claro que o país “vai continuar trilhando o caminho democrático”.


Dilma destacou os avanços obtidos nos últimos anos no Brasil, como a saída do Mapa da Fome e a superação da extrema miséria. Pontuou que isso só foi possível em um ambiente de “consolidação e aprofundamento da democracia, graças à plena vigência da legalidade e do funcionamento do Estado”. Explicou que o Brasil não tem problemas estruturais graves, mas sim conjunturais, e afirmou que “temos condições de superar as dificuldades atuais e avançar no trilho do desenvolvimento, para um novo ciclo mais profundo, sólido e duradouro”. 


Sobre o atual processo de instabilidade política que o país passa, a presidenta destacou ainda a importância da investigação e da punição de todo e qualquer político envolvido em processos de corrupção. Não titubeou ao afirmar que “o governo e a sociedade não toleram a corrupção”. Afirmou ainda que em um ambiente soberano e democrático, como é o do Brasil, os juízes devem julgar com liberdade, sem pressões ou paixões políticas; e os governantes devem se comportar de acordo com suas atribuições. “A lei vai cair sobre todos que praticam atos ilícitos.” 

Segundo Dilma, o Brasil conseguiu, durante seis anos, amenizar os impactos da crise mundial que atingiu duramente os países do Norte, principalmente os Estados Unidos e os integrantes da União Europeia. Mas que agora “este esforço chegou no limite, tanto por razões fiscais internas, quanto pelo quadro externo”. Na contramão do que acontecia em outras partes do mundo, durante este período o Brasil aumentou a oferta de empregos e a renda de seu povo, explicou a presidenta. 

Esclareceu que neste momento de readequação econômica, o Brasil fez cortes drásticos de despesas e redefiniu suas receitas, com o objetivo de reorganizar o quadro fiscal, reduzir a inflação e aumentar a confiança na economia, a fim de retomar o caminho do desenvolvimento. Explicou também que, mesmo neste período de recessão, o processo de inclusão social e ampliação das oportunidades não foi interrompido. “Esperamos que o controle da inflação e a retomada do desenvolvimento contribuam para o consumo das famílias, de forma a movimentar e fortalecer nossa economia”. 

Imigrantes e refugiados 

Dilma levou à comunidade internacional uma mensagem sensível de solidariedade aos imigrantes e refugiados, vítimas de violação dos Direitos Humanos em muitas partes do mundo. Neste sentido, exigiu um posicionamento mais firme da ONU com relação a esta questão que atinge duramente o mundo neste momento. 

“Este inquietante pano de fundo nos impõe uma reflexão sobre o futuro das Nações Unidas e nos exige agir rapidamente. Atuar com presteza e eficácia em situações de guerra e crise localizada”, defendeu. Para a presidenta, a multiplicação de conflitos regionais que vem atingido o mundo mostra que a ONU está sob um grande um desafio. 

“Um país formado por refugiados”, foi desta forma que a presidenta definiu o Brasil ao afirmar que estamos de “braços abertos” para acolher os refugiados de todo o mundo. “Somos um país multiétnico, que convive com as diferenças e sabe a importância delas para nos tornar mais fortes, ricos e diversos, tanto cultural e social, quanto economicamente”, disse. 

Cuba e Palestina

Dilma defendeu, uma vez mais, a criação imediata de um Estado Palestino, livre de ocupações e soberano, que possa conviver com Israel. E condenou duramente as invasões israelenses na Palestina. “Não são aceitáveis os assentamentos nos territórios ocupados”, afirmou. 

Sobre a recente aproximação bilateral de Cuba com os Estados Unidos, Dilma disse que “nossa região, onde imperam a paz e a democracia, se regozija”, e defendeu o fim do bloqueio do país norte-americano sobre Cuba. 

Celebrou também o acordo logrado com o Irã, que, segundo a presidenta, vai permitir ao país desenvolver energia nuclear para fins pacíficos. 

Agenda 2030

Com já era esperado, Dilma falou sobre a meta ousada do Brasil para conter a mudança climática. Segundo ela, o país pretende reduzir em 37% as emissões de gases de efeito estufa até 2025. Para 2030 a ambição é chegar a uma redução de 43%. Estas serão as metas que o país vai levar para a Conferência do Clima em Paris, a COP-21, em dezembro. 

Dilma destacou ainda a importância de se gerar condições dignas de trabalho e ampliar a distribuição de renda para melhorar a vida dos mais pobres. “Na transição para uma economia de baixo carbono, consideramos importante a geração de emprego e garantia de oportunidades”, explicou. 

Para encerrar, a presidenta falou sobre a reinauguração dos painéis Guerra e Paz, de Cândido Portinari, que aconteceu recentemente na sede da ONU. “A obra denuncia a violência e a miséria e exorta os povos a buscar entendimento. É um símbolo para as Nações Unidas quanto às suas responsabilidades de evitar conflitos armados e de promover a paz e a superação da pobreza. A mensagem dos murais [doados pelo Brasil em 1957] permanece atual, alude tanto às vítimas das guerras, quanto aos refugiados que buscam abrigo”, finalizou.