sexta-feira, 21 de outubro de 2011

PARA NÓIA Mostra o Drama Social do Crack

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O primeiro longa-metragem do cineasta baiano Harrison Araújo, Para Nóia, traz cenas e depoimentos de usuários de crack colombianos e brasileiros, mostrando as tragédias que a dependência causa na sociedade e na saúde pública.


Se, na década de 1980, o avanço da aids era o maior problema de saúde pública no mundo, no século 21, os olhares dos governos e da sociedade mundial se voltam para a rápida expansão do consumo e o tráfico de drogas, que vem desaguar no financiamento do ‘terrorismo mundial’ e nas milícias espalhadas em comunidades carentes, como as do Rio de Janeiro, no Brasil.

Nesse universo, o “crack” vem merecendo uma atenção e combate especial, por ser o estopim de uma verdadeira tragédia social.

O primeiro longa-metragem do cineasta baiano Harrison Araújo, Para Nóia, que se encontra em fase de produção, lança luz nessa cortina de fumaça e mergulha a fundo no cotidiano de usuários de crack, bem se propõe a mostrar as reais consequências socioeconômicas e para a saúde pública, causadas pelo consumo de drogas e a sua marginalização.

As filmagens e entrevistas com especialistas e usuários de crack serão registradas no Brasil, nos estados da Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro, e na Colômbia, nas cidades de Medellin e Bogotá. A previsão é que as gravações sejam finalizadas em janeiro de 2012.

Personalidades como o médico Dráuzio Varela e o ex-presidente Fernando Henrique foram convidados para dar seus depoimentos no filme.

As gravações na Colômbia serão apoiadas por uma produtora local, que está na fase final de negociação com a produtora baiana Movimento Filmes.

O documentário Para Nóia descortina a relação estabelecida entre o usuário de crack e as práticas sociais. Faz uma reflexão acerca dos lugares sociais, as “crackolândias” – criadas a partir da popularização do entorpecente –, tendo como pano de fundo o Brasil e a Colômbia. O longa-metragem confronta olhares diversos sobre o problema, para, a partir disto, construir outros caminhos possíveis para o diálogo com esta realidade.

De acordo com Harrison, a ideia é proporcionar uma experiência estética pautada na relação íntima que será estabelecida entre o filme documental e as pessoas que o assistirão. “Não perdendo de vista toda a complexidade poética que este encontro implicará”, diz.

O documentário surge como um grito de socorro que pretende atingir todos os âmbitos e esferas da sociedade. “A ameaça que não tem cor, sexo e muito menos classe social, vem se tornando cada dia mais íntima e possuidora de seus usuários. A sociedade está imersa em um verdadeiro cárcere privado, causado por esta nova realidade que se alastra velozmente, desestruturando famílias e ceifando vidas”, conta o diretor.

Para Nóia tem como objetivo, ainda, provocar; trazer a sociedade civil, o Estado, as instituições religiosas, os pesquisadores e os usuários, para a discussão. “Salientamos as causas, as formas mais eficientes de prevenção, o combate e a reabilitação”, conta. A ideia é exibir o documentário no Circuito Cinema Sala de Arte e nas principais comunidades em risco social da América Latina.
“Vamos exibir o filme nas principais salas do Brasil, Colômbia, no circuito alternativo do Chile e nos principais festivais da América Latina”, revela o diretor.

O cineasta baiano, Harrison Araújo, é especialista em Direção de Cena pela Escuela Internacional de Cine y Television, San Antonio de los Baños – Cuba; bacharel em Comunicação Social Publicidade e Propaganda, e, atualmente, trabalha como diretor de comerciais publicitários, programas televisivos e documentários em Salvador.

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