quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Luiz Gonzaga - Cem Anos de Festa e Saudades

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A primeira travessura fora de casa da qual me lembro é de Caruaru, com meus primos Célio, Clélio e Nilton.
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Nas proximidades da casa da minha querida Tita (Tia Dolores), havia sido montado o “Gran Bartholo Circus” e, na condição de mais novo do grupo, com apenas uns cinco anos, fui “arrastado”, às primeiras horas da manhã, para o interior daquela imensidão colorida e mágica. Vimos, de dentro pra fora , por entre as frestas das amarras da lona, os trailers dos artistas e as jaulas dos animais (elefantes, tigres, leões e cavalos brancos), até sermos notados e sair em disparada pelo meio do picadeiro nivelado com cascalho de madeira, enquanto o serviço de som tocava uma canção de Luiz Gonzaga, que dizia: “Meu cigarro de palha/Meu cavalo ligeiro/Minha rede de malha/Meu cachorro trigueiro... Quando a manhã vai clareando/Deixo a rede balançar/No meu cavalo vou montando/Deixo o cão a vigiar...”
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Esta cena está registrada com cheiro de magia, arrepios de criança diante do inusitado, o som da inconfundível voz do ainda muito jovem Luiz Gonzaga, e a tremedeira das pernas ao chegarmos à calçada da casa de Tita.
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Uns quatro anos depois, também em Caruaru, espremido entre papai e mamãe que me levaram ao Parque Changai, assisti ao primeiro show da minha vida. Era o recém nomeado Rei do Baião, Luiz Gonzaga, que há meses já tocava sem parar na Rádio Difusora de Caruaru.
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As letras das canções de Luiz Gonzaga reforçavam, avivavam, davam cor, a tudo o que nós nordestinos vivíamos ou presenciávamos no nosso dia a dia. Daí vem parte desse carinho imenso que todos nós sentimos por ele. A outra vem do seu inconfundível humor em contar histórias entre canções e da sua relação de pai amoroso com o filho Gonzaguinha.
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Reencontraria Luiz Gonzaga nos anos 80, em frente ao Cine Plaza de João Pessoa. Os nossos carros estavam lado a lado esperando o sinal (semáforo) ficar verde, quando o reconheci no banco traseiro de uma Caravan.
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Surpreso e feliz, não contive o grito: “Seu Luuulaaaaaa!”. E ele, de lá gritou: “Ooooiiiiiii!”
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De lá prá cá é só saudade.

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