domingo, 18 de outubro de 2009

Horário de Verão




"Dali" relógio!


Com os brasileiros do Sul, Sudeste e Centro Oeste acho que não acontece a mesma coisa, mas, comigo, a cada ano o horário de verão trás a certeza de que alguns programas de TV que estavam fora do meu alcance de vigília, entrarão nele.

Hoje foi nossa estréia nesse período em que se sai do trabalho ainda com luz, e aquela vontade de tomar um chopp sem peso na consciência pode ser realizada no barzinho a caminho de casa, enquanto o Sol dá sua última espiada em nós.

Mas, hoje é domingo, e aqui em casa combinamos que iríamos acordar às seis, para às sete estarmos em Boa Viagem com Rodolfinho e suas mulheres, como costumo me referir a ele, com Betoca a dividir os cuidados com as três filhas, Maria Eduarda, Maria Luiza e a recém chegada Maria Clara, que ainda nem completou seu primeiro aniversário e já determina nosso horário à praia.

Nosso despertador é a TV do quarto que, após programada para ligar sozinha, faz isso irrepreensivelmente. E foi assim que a programamos ontem à noite para as cinco e meia de hoje.

Acordamos às seis - uma hora após o programado - desconfiados com a fidelidade da TV nesse novo horário. Tínhamos então meia hora a menos para todos os preparativos inclusive chegar à praia, se não quiséssemos perder outra meia hora em companhia de Maria Clara com sua pele ainda tão sensível.

Em 38 minutos estávamos no carro, e ao ligá-lo, seu relógio bem à minha frente me acordava, eram cinco e trinta e oito e não seis e trinta e oito. Só então percebemos que a TV por assinatura obedece ao horário dos brasileiros daquelas outras regiões. Só nos restou voltar para curtir uma hora em casa, Nadja e Kekel assistindo TV, e eu registrando nossa estréia no horário de verão deste ano.



quinta-feira, 23 de abril de 2009

JOAQUIM BARBOSA... Enfim Um Homem!...


Teríamos enfim um país, se tivéssemos um homem dessa estirpe na presidência da Câmara dos Deputados e na do Senado Federal.
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Por que, quando o Ministro Joaquim Barbosa disse a essa cômica figura que preside o Supremo Tribunal Federal, que é Gilmar Mendes, que ele não tinha "autoridade moral para lhe dar lição" ele respondeu com uma risada nervosa?
Por que não respondeu à altura que o cargo lhe confere? Por que não retrucou que tinha autoridade sim?... Por que não cobrou do Ministro Joaquim Barbosa explicações imediatas?
Por que?......
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... Porque, em 2002, quando foi indicado para o STF pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, Mendes já era apontado como prejudicial à imagem da justiça brasileira.

Naquele ano, o renomado jurista Dalmo Dallari, advogado e professor de Direito na Universidade de São Paulo (USP), publicou um artigo na Folha de São Paulo criticando duramente a indicação de Gilmar Mendes.



''Degradação do Judiciário''



Sob o título de ''Degradação do Judiciário'', Dallari registrou em seu artigo: ''(...) O presidente da República, com afoiteza e imprudência muito estranhas, encaminhou ao Senado uma indicação para membro do Supremo Tribunal Federal, que pode ser considerada verdadeira declaração de guerra do Poder Executivo federal ao Poder Judiciário, ao Ministério Público, à Ordem dos Advogados do Brasil e a toda a comunidade jurídica. Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional''.



''O nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta corte do país'', disse Dallari na ocasião.



Em novembro de 2008, a revista Carta Capital -- incomodada com o evidente protecionismo que Mendes estendeu a Daniel Dantas ao conceder dois habeas corpus para livrar o banqueiro da cadeia -- publicou um perfil nada lisongeiro do presidente do STF. A reportagem resgata as relações da família de Mendes com as várias esferas de poder. A revista de Mino Carta revela como o ministro atua politicamente para reforçar o naco de poder do irmão, prefeito de Diamantino (MT), cidade da família Mendes. A reportagem mostra um homem muito diferente da face pública.



Escreve Leandro Fortes: “Em Diamantino, a 208 quilômetros de Cuiabá, em Mato Grosso, o ministro é a parte mais visível de uma oligarquia nascida à sombra da ditadura militar (1964-1985), mas derrotada, nas eleições passadas, depois de mais de duas décadas de dominação política”.



A reportagem aponta que o irmão de Gilmar, o atual prefeito Francisco Mendes Júnior, vinha conseguindo se manter no cargo graças à influência política do presidente do STF. “Nas campanhas de 2000 e 2004, Gilmar Mendes, primeiro como advogado-geral da União do governo Fernando Henrique Cardoso e, depois, como ministro do STF, atuou ostensivamente para eleger o irmão. Para tal, levou a Diamantino ministros para inaugurar obras e lançar programas, além de circular pelos bairros da cidade, cercado de seguranças, a pedir votos para o irmão-candidato e, eventualmente, bater boca com a oposição''.


Conhecendo este perfil, não surpreende que o ministro Joaquim Barbosa tenha alertado Gilmar Mendes de que ele não estava falando com seus ''capangas do Mato Grosso''.


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terça-feira, 7 de abril de 2009

Quero o Meu Báculo de Volta!!!...

Pronto para o que desse e viesse.

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Os nossos antepassados machos tinham um báculo entre as pernas, como uma boa parte dos mamíferos tem ainda hoje, inclusive os símios, como é o caso do nosso “primo” Chimpanzé. As fêmeas costumavam, já de tão longa data, fazer um completo diagnóstico dos machos que as cortejavam, até escolherem qual seria pai dos seus filhos. A mulher sempre foi “um bicho danado” (danado de bom, como diria Luiz Gonzaga), e estava sempre criando novas e mais apuradas técnicas para evitar serem enganadas por machos cheios de tesão, mas com poucas qualidades genéticas para completarem os outros cinqüenta por cento das suas crias. Uma boa altura e músculos desenvolvidos e rígidos, com certeza lhe garantiria boas caçadas e proteção contra os predadores. Já em contrapartida, o ronco à noite, poderia se transformar num convite com endereço certo para esses mesmos predadores. A mulher já tinha o comando desde então e, até os dias de hoje, cultiva a sabedoria de parecer “submissa”, mesmo que, nos dias atuais, essa submissão restrinja-se exclusivamente – e assim mesmo, nem sempre – à força física.

Afetas a sutilezas, as nossas antepassadas fêmeas perceberam que uma boa e duradoura ereção peniana também poderia ser determinante nesse diagnóstico que, de tão preciso, nos trouxe até os dias de hoje. E, ereção duradoura e rija, como se houvesse um osso dentro do pênis era o que mais existia, pois, acreditem, não é que tínhamos também o tal osso-do-pênis entre as pernas! Tínhamos sim, e dá-se a ele o nome de báculo.

Putz!!! Já tivemos essa ferramenta???

Pois é, tivemos sim... Mas as mulheres, que naquela época não tinham seus “sentidos” limitados apenas até o sexto, foram capazes de prever o que aprontaríamos transportando um pênis eternamente durinho, durinho, para onde fôssemos. E bota durinho nisso... E em qualquer idade, já pensaram!

Mas, deixando a “revolta” de lado, na verdade essas meninas nos levaram a trocar o báculo por um sistema de bombeamento hidráulico, por puro preciosismo , já que perceberam que o osso-do pênis e a conseqüente ereção permanente, não lhes dava subsídios sobre quais machos conseguiriam e manteriam uma ereção em caso de algumas doenças neurológicas ou de certos estados psicológicos como ansiedade, depressão, estresse, excesso de trabalho, perda de confiança e tudo o mais. Não é mesmo improvável que, com o refinamento das suas habilidades diagnósticas ocasionado pela seleção natural, as fêmeas possam reunir, aqui e ali, toda sorte de pistas em relação à saúde do macho (inclusive a financeira), e à sua capacidade de suportar o estresse, a partir do tônus e do comportamento do seu pênis. Assim, a pressão seletiva por parte das fêmeas forçou os machos a perder o báculo, ou osso-do-pênis, porque, a partir daí, só os machos genuinamente saudáveis e fortes, poderiam apresentar uma ereção rígida, e as fêmeas poderiam fazer o seu diagnóstico sem obstáculos.

Desconfio que um dia ainda vou me sentir usurpado com essa troca!...


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sábado, 21 de março de 2009

Nós e Laços


... em compasso até sufocar



"Dás-me um fio
que eu fio
e desfio
em busca da essência.

Dás-me um laço
que eu faço
e desfaço,
com toda a paciência.

Dás-me um beijo
que eu vejo
e desejo,
ainda no ar.

Dás-me um abraço
que enlaço
em compasso,
até sufocar.

Os laços e os nós
que atámos em nós,
com tempo e empenho,
são rede segura
da fibra mais pura,
do mais puro engenho.

Com um fio que não rompe
e nem se corrompe
nas voltas da vida,
tecemos afectos,
cúmplices projectos,
‘obra’ garantida.

Com tais alicerces
que teço e teces
num plano comum,
nem sabemos bem,
de nós, quem é quem,
por sermos tão um".



Autor desconhecido.
Ganhei de Nadja, como recadinho de orkut.
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domingo, 22 de fevereiro de 2009

A Sombra do Trapaceiro

Vinte anos atrás.
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Cheguei ao palco armado para o comício na Avenida Dantas Barreto, pelo menos duas horas antes dos primeiros oradores. Queria ficar na turma do gargarejo e, para tal, saí do banco às 18 horas em ponto e corri para casa onde coloquei um par de tênis, um jeans e minha camiseta do PT.

Bem próximo ao palco existia uma barraquinha que vendia cachaça, cigarros e bombons, nada mais. Fui até uma mercearia das redondezas e comprei um pedaço de charque que pedi para cortar em pequenos pedaços. O meu palco também estava armado. Para cada lapada de cachaça lá se iam dois pedaços de charque. Uma hora depois a cachaça da barraca ameaçava acabar, o que me levou a ser previdente e comprar a meia garrafa que restava, deixando-a sob a tábua que servia de balcão, longe dos olhares de outros adeptos.

A cada cinco minutos o animador do comício anunciava que o “presidente” Lula já chegara ao Recife e se dirigia àquele local. Reagíamos todos em uníssono: “Lula Lá!!!” “Lula Lá!!!”. Sentia então uma coletiva ereção dos pelos dos braços e das pernas. Era hora de pedir mais uma cachaça e misturar o primeiro pedaço de charque com o que restava dela na boca, deixando o segundo, esse sim, para tirar-lhe o gosto.

Era noite da quarta-feira 13 de dezembro de 1989 e Lula não era presidente do Brasil, como anunciava o locutor. Disputava com Fernando Collor o segundo turno daquelas eleições após um primeiro onde ficaram para trás nomes como os de Brizola, Mário Covas e Ulisses Guimarães.

Eram as primeiras eleições livres para presidente da república desde 1960, quando o ciclo de normalidade na vida democrática desse país foi interrompido pelo golpe militar de 1964. Os partidos ainda eram frágeis, desestruturados financeira e ideologicamente, e o povo brasileiro, encantado com a possibilidade de escolher quem quisesse para ser seu presidente, não percebia o quanto estava à mercê de engodos e trapaças. A grande maioria, da qual eu fazia parte, votaria pela primeira vez para presidente.

Lula chegou nos braços do povo. Vinha de Natal e, após aquele comício, ainda faria outro em Aracajú.

Emocionei-me diversas vezes com o que representava aquele metalúrgico barbudo trepado naquele palanque dizendo a todos porque queria ser nosso presidente. Era impossível dar um passo à frente para ficar ainda mais perto de Lula como gostaria, mas, mesmo sem dar nenhum passo em qualquer direção, ao final do comício percebi que a barraca com minha última dose de cachaça estava muito distante, assim como o palanque. Fora levado como por uma correnteza, pelo movimento da turba enlouquecida.

Voltei para casa por volta da meia noite, em frangalhos. O par de tênis não serviu mais para nada, e a certeza da vitória – como anunciavam as últimas pesquisas – me impediu de dormir.

Lula descansou na quinta-feira, enquanto no horário eleitoral, Collor trazia a público sua caluniosa versão sobre o nascimento da primeira filha de Lula, e o depoimento mentiroso da mãe da menina, dizendo haver recebido proposta de Lula para que abortasse. Foi com esse trunfo na manga da camisa importada que Collor atraiu Lula para o último debate antes das eleições, na Rede Globo de Televisão, do seu patrono Roberto Marinho.

O trapaceiro se elegeu presidente do Brasil, e continuou trapaceando ao seqüestrar a poupança do povo, ao demitir milhares de cidadãos brasileiros apenas para justificar a fama que a Globo lhe dera de “caçador de marajás”, ao montar um esquema de enriquecimento ilícito com PC Farias e ao forjar a “operação Uruguai” para tentar se livrar do impeachment.

Demitido do BNCC sem ter sequer os direitos trabalhistas respeitados, fui à Cuba de Fidel colher informações para abrir o meu primeiro barzinho, nas Graças, de nome “El Bodegón”. Indignado com a demissão, comentei com alguns cubanos que a eleição de Collor deveu-se às mentiras apresentadas por ele como sendo seu programa de governo, bem como pelas acusações caluniosas contra Lula, no que fui veementemente repreendido por todos os meus interlocutores, pois, para um cubano, era impossível aceitar que um candidato à Presidência da República fosse capaz de mentir.

Ironicamente, dois anos depois, durante minha segunda viagem à Ilha de Fidel com o objetivo de adquirir nova decoração para o “El Bodegón” que já era um sucesso, assisti pela TV Cubana passeata comandada pelos presidentes da ABI Barbosa Lima Sobrinho e da OAB Marcelo Lavenère em direção ao Congresso Nacional, conduzindo o pedido de impeachment do “trapaceiro”.

Na inesquecível tarde da terça-feira 29 de setembro de 1992, o meu barzinho cubano “El Bodegón” encontrava-se apinhado de cidadãs e cidadãos brasileiros dispostos a tomarem parte da história deste país a partir daquele “território cubano” (no sentido etílico-cultural) implantado por mim no bairro das Graças, em Recife.

Era o dia da votação no congresso nacional do pedido de impeachment do trapaceiro que, há meses, apenas estrebuchava pra não perder a faixa presidencial, pois, da dignidade – que sempre lhe foi escassa - do respeito e da esperança que este povo maravilhoso um dia, tomado da melhor das intenções lhe dispensara, já não restava mais nada. A mobilização nacional assustou até os parlamentares da mesma estirpe do trapaceiro, levando-os a mudar seus votos de última hora, apesar de haverem se vendido a preço de ouro. O placar foi de 441 X 38 para que o trapaceiro apeasse da presidência do meu país. Após o voto decisivo, de braços dados, com lágrimas descendo em profusão pelas nossas faces, cantamos em uníssono e a todos os pulmões o Hino Nacional. Em seguida o “El Bodegón”, símbolo da minha resistência contra a infâmia de marajá jogada sobre mim e outros milhares de brasileiros cumpridores de suas obrigações por esse canalha que hoje é senador pelo Estado de Alagoas, serviu até altas horas da madrugada, um drinque preparado com rum cubano envelhecido e coca-cola que recebeu o nome de Morcego Negro – numa alusão ao jatinho do seu braço-direito PC Farias - e como petisco o prato Porco Enrolado, numa referência ao próprio.

Ironicamente também, dezoito anos e 10 meses após haver sido demitido, tomei posse como funcionário público federal na qualidade de “reintegrado”, tendo como advogado de todos nós funcionários do extinto BNCC, o ex presidente da OAB, Marcelo Lavenère, um dos principais protagonistas dessa página da história recente do Brasil.

A sensação que sentimos ao retornar ao serviço público e ter nossa dignidade reconhecida também pelo governo do nosso país, já que para nós mesmos ela nunca deixou de existir, deve ser a mesma que os exilados da ditadura sentiram ao retornar ao Brasil. Nos emocionamos, brindamos no primeiro dia de trabalho e, como esfomeados diante de uma iguaria, abraçamos as tarefas que nos foram confiadas. Fizemos isso com tanta intensidade que, no Brasil inteiro, muitos de nós, em apenas um mês de retorno, já foram indicados para algumas chefias.

Mais uma vez, a sombra desse trapaceiro que nunca foi punido pela “justiça” do meu país, ameaça embaçar o brilho da nossa dignidade e da nossa capacidade de trabalho. Voltamos como Celetistas que éramos, e, como tal, somos impedidos por “Lei” de assumir chefias.

Na esperança de ver mais essa injustiça castrada por quem de direito, endereço correspondência ao Ministro do Planejamento Sr. Paulo Bernardo, e ao Presidente da República Sr. Luiz Inácio Lula da Silva.

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Cesare Battisti



O jurista Dalmo de Abreu Dallari alerta que: “Se respeitar a Constituição e as leis, o Supremo Tribunal Federal deverá, pura e simplesmente, declarar extinto o processo de extradição que há contra Cesare Battisti”.

Cesare Battisti fugiu da França em 2004, após o governo daquele país haver suspendido o asilo político que lhe protegia, e refugiou-se no Brasil onde vivia pacificamente com esposa e duas filhas, atuando como escritor.

A escritora francesa Fred Vargas que veio ao nosso país especialmente para visitar Battisti, informou: “o primeiro-ministro italiano, Sílvio Berlusconi, persegue meu amigo em busca de dividendos políticos”. Diz ela: “Ele lidera uma reação histérica, movida pelo ódio. Quer transformar Battisti num monstro e apresentá-lo como símbolo dos anos de chumbo, o que não é verdade”.

Nós brasileiros sabemos muito bem a que se refere a escritora francesa quando se alude a “anos de chumbo”, pois também tivemos a oportunidade de sentir o peso das armas comandando o destino dos cidadãos da nossa pátria no período entre 1964 e 1985, onde cotidianamente ocorriam perseguições políticas, censura vergonhosa, prisões arbitrárias, torturas em guetos, porões do DOI/CODI, delegacias de polícias civis militares e federais e, principalmente, inúmeras mortes de jovens brasileiros idealistas.

Em 1969 o Estado italiano iniciou uma feroz e sangrenta perseguição aos opositores políticos que sustentavam o caminho da luta armada contra o opressor regime vigente. Cesare Battisti é um desses opositores políticos que, como todos os demais militantes daquele período, vem sendo caçado como um animal, e apresentado aos grandes meios de comunicação brasileiros dentro de uma lógica fascista, histérica e terrorista, como se Battisti fosse realmente um monstro perigoso, feroz e violento;

A decisão do Ministro da JustiçaTarso Genro, em reconhecer oficialmente Battisti como refugiado político sob a proteção do Estado brasileiro é digna dos maiores elogios, pois livra das garras fascistas esse militante que, como afirma o Movimento Nacional de Direitos Humanos, “por mais de 30 anos foi perseguido em seu país e no exterior”.

Continuando, o Movimento informa ainda, que: “Cesare Battisti foi condenado pela Justiça de seu país, em julgamento sumário, sem direito a plena defesa e por sentença baseada unicamente em informação obtida por declaração premiada”.

Os diferentes governos brasileiros pós-ditadura civil-militar têm dado, sistematicamente, asilo político a militantes perseguidos de vários países, dentre eles a Itália que, sequer anistiou até os dias de hoje, os opositores políticos dos anos de 1960 e 1970.

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domingo, 25 de janeiro de 2009

A FRÁGIL MÁSCARA DO ANONIMATO

Boca
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Escrevo por prazer... 

Às vezes este prazer vem em tornar pública uma história qualquer da minha vida, por ser engraçada, triste, ou por trazer algum tipo de experiência que possa servir a qualquer eventual leitor como parâmetro de qualquer coisa.
Às vezes escrevo como desabafo. Desabafo que se concretiza quando denuncio o que me incomoda, o que me ultraja.

Tenho um total de cinco blogs e, em apenas três deles – os que tento manter atualizados - tenho mais de 300 textos publicados, os quais, até este instante, já foram visitados por mais de 70.000 leitores. (Hoje já são quase 2 milhoes)

Em todos os meus blogs fiz montagens com fotos minhas e, em apenas um deles, o “Bastidores”, tem uma foto com óculos, embora, ao lado dos textos, existam dezenas de fotos minhas sem óculos e dos meus antepassados, os nomes das cidades onde já morei – e não foram poucas – bem como meu local de trabalho.

Sinto prazer com tudo isso. Não teria graça alguma não mostrar minha cara quando exponho minhas dores, divido minhas alegrias, divirto alguém com as situações hilárias em que já me envolvi. A graça está em mostrar a fragilidade e a coragem, os instantes de grandeza e de medo, os erros e acertos. Gosto de ser assim. De ter a coragem de me expor e de expor meus pensamentos. Nos meus blogs, todos podem postar comentários, e para isso, não precisam, necessariamente, se identificar, nem seus comentários passam por censura prévia de minha parte, embora disponha de ferramentas para tudo isso. É óbvio que dar a opção do anonimato liberta verdadeiros monstros que vivem ao nosso redor - ou mais longe, como nesse caso – com sorrisos e relações cordiais. Também posso retirar, mesmo depois de publicados, os textos que abusarem de insanidade, de destempero verbal, de indignidade. Mas, nem mesmo em tais circunstâncias sinto-me estimulado a extraí-los, pois, todos esses ressentimentos, invejas e sentimentos ainda menos nobres, ficarão aqui, escancarados para o mundo.

O anonimato, ou o uso de pseudônimo, é a forma mais torpe e vil de emitir-se o pensamento. Só mesmo uma pessoa ressentida, invejosa, de mal com o seu pequeno mundo, é capaz de externar o que pensa sem correr o risco de ser identificada. Então apela, acusa, xinga, calunia, valendo-se da torpe traição do anonimato para praticar um ato de vindita pessoal, aparentemente “invisível” aos olhos da lei e de quem teve a coragem de enfrenta-lo de cara limpa e em campo aberto.

Sobre anonimato, a lei é clara: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”. Ou seja: você é livre para dizer o que quiser, desde que aguente as consequências.

Usar o anonimato para poder, aparentemente impunemente, insultar, ou até escrever comentários que nunca teria a coragem de publicar em nome próprio, ou cara-a-cara, pode ser possível, mas diz muito da falta de caráter e da miséria de quem se esconde sob essa máscara. Mas, se o mundo real é fértil em ratos e gente frustrada e sem coragem, porque seria diferente no mundo virtual?

Errei, quando generalizei, usando o termo JUDEUS – assim, em maiúsculas – logo no início de todos os títulos sobre a última invasão da Palestina. Quis chamar a atenção dos internautas que procurassem por textos sobre o assunto, trazendo-os assim para dentro das minhas idéias, as quais continuo defendendo, mas, claro que me referi, em todos esses textos, às pessoas diretamente envolvidas com esse ataque covarde, ou comprometidas com as idéias de quem os determinou.

Minhas desculpas a Leila e sua família, a Mazo, a Luiza Roberta, a Liliana Miranda e a André Macambira e sua musa Thalita.

Estou substituindo a palavra JUDEUS, por ISRAELENSES.
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sábado, 10 de janeiro de 2009

ISRAELENSES - Enquanto Balançam Como Chama de Vela em Frente ao Muro das Lamentações.

Treinamento para "Carniceiro"
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Regras jornalísticas sobre o Oriente Médio


Doze regras de redação da grande mídia internacional quando a notícia é sobre o Oriente Médio:



1. No Oriente Médio, são sempre os árabes que atacam primeiro e sempre Israel que se defende. Esta defesa chama-se "represália".

2. Os árabes, palestinos ou libaneses não têm o direito de matar civis. Isto se chama "terrorismo”.

3. Israel tem o direito de matar civis. Isto se chama " efeito colateral" ou "legítima defesa".


4. Quando Israel mata civis em massa, as potências ocidentais pedem que seja mais comedida. Isto se chama "reação da comunidade internacional". Nunca se fala em terrorismo.

5. Os palestinos e os libaneses não têm o direito de capturar soldados de Israel dentro de instalações militares com sentinelas e postos de combate. Isto se chama "seqüestro de pessoas indefesas."


6. Israel tem o direito de seqüestrar a qualquer hora e em qualquer lugar quantos palestinos e libaneses desejar. Atualmente, são mais de 10 mil presos, 300 dos quais são crianças e 1000 são mulheres. Não é necessária qualquer prova de culpabilidade. Israel tem o direito de manter seqüestrados presos indefinidamente, mesmo que sejam autoridades democraticamente eleitas pelos palestinos. Isto se chama "prisão de terroristas".


7. Quando se menciona a palavra "Hezbollah", é obrigatório que a mesma frase contenha a expressão "apoiado e financiado pela Síria e pelo Irã".


8. Quando se menciona “Israel”, é proibida qualquer menção à expressão "apoiado e financiado pelos EUA". Isto pode dar a impressão de que o conflito é desigual e que Israel não está em perigo de existência.

9. Quando se referir a Israel, são proibidas as expressões "territórios ocupados", "resoluções da ONU", "violações dos direitos humanos" ou "Convenção de Genebra".



10. Tanto os palestinos quanto os libaneses são sempre "covardes", que se escondem entre a população civil a qual "não os quer". Se eles dormem em suas casas, com suas famílias, a isto se dá o nome de "covardia". Israel tem o direito de aniquilar com bombas e mísseis os bairros onde eles estão dormindo. Isto se chama "ação cirúrgica de alta precisão”.

11. Os israelenses falam melhor o inglês, o francês, o espanhol e o português que os árabes. Por isso, eles e seus apoiadores devem ser mais entrevistados e ter mais oportunidades do que os árabes para explicar as presentes 'regras de redação' (de 1 a 10) ao grande público. Isso se chama "neutralidade jornalística".


12. Todas as pessoas que não estão de acordo com as 'regras de redação' acima expostas são "anti-semitas de alta periculosidade" ou são "terroristas" ou são "radicais" ou são "fundamentalistas".


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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

ISRAELENSES: Porque Nos Odeiam Tanto???



Por Robert Fisk

Assim, mais uma vez, Israel abriu as portas do inferno sobre os palestinenses. 40 refugiados civis mortos numa escola da ONU, mais três noutra. Nada mau, para uma noite de trabalho do exército que acredita na "pureza das armas". Não pode ser surpresa para ninguém.

Esquecemos os 17.500 mortos – quase todos civis, a maioria mulheres e crianças – de quando Israel invadiu o Líbano, em 1982? E os 1.700 civis palestinos mortos no massacre de Sabra-Chatila? E o massacre, em 1996, em Qana, de 106 refugiados libaneses civis, mais da metade dos quais crianças, numa base da ONU? E o massacre dos refugiados de Marwahin, que receberam ordens de Israel para sair de suas casas, em 2006, e foram assassinados na rua pela tripulação de um helicóptero israelense? E os 1.000 mortos no mesmo bombardeio de 2006, na mesma invasão do Líbano, praticamente todos civis?

O que surpreende é que tantos líderes ocidentais, tantos presidentes e primeiros-ministros e, temo, tantos editores e jornalistas tenham acreditado na mesma velha mentira: que os israelenses algum dia tenham-se preocupado com poupar civis. "Israel toma todo o cuidado possível para evitar atingir civis", disse mais um embaixador de Israel, apenas horas antes do massacre de Gaza.

Todos os presidentes e primeiros-ministros que repetiram a mesma mentira, como pretexto para não impor o cessar-fogo, têm as mãos sujas do sangue da carnificina de ontem. Se George Bush tivesse tido coragem para exigir imediato cessar-fogo 48 horas antes, todos aqueles 40 civis, velhos, mulheres e crianças, estariam vivos.

O que aconteceu não foi apenas vergonhoso. O que aconteceu foi uma desgraça. "Atrocidade" é pouco, para descrever o que aconteceu. Falaríamos de "atrocidade" se o que Israel fez aos palestinenses tivesse sido feito pelo Hamás. Israel fez muito pior. Temos de falar de "crime de guerra", de matança, de assassinato em massa.

Depois de cobrir tantos assassinatos em massa, pelos exércitos do Oriente Médio – por sírios, iraqueanos, iranianos e israelenses – seria de supor que eu já estivesse calejado, que reagisse com cinismo. Mas Israel diz que está lutando em nosso nome, contra "o terror internacional". Israel diz que está lutando em Gaza por nós, pelos ideais ocidentais, pela nossa segurança, pelos nossos padrões ocidentais.

Então também somos criminosos, cúmplices da selvageria que desabou sobre Gaza.

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

ISRAELENSES: Carcereiros Assassinos

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Todos os povos assistem - em sua quase totalidade estarrecidos – a essa carniçaria, que é transmitida do lado de fora do muro infame por uma mídia totalmente comprometida com os planos dos assassinos e dependente do seu poder econômico.

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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

A Simbologia de um Sapato

Sem ferro e sem fogo.
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Al Zaide é jovem mesmo. Tem apenas 29 anos. Foi, ainda sob o governo de Saddam Hussein, presidente de uma entidade estudantil. Segundo a emissora Al Jazeera, é membro do partido Comunista Iraquiano. Tem muitos irmãos e alguns deles mortos em combate na resistência contra a ocupação do Iraque por tropas estrangeiras desde 2003. Zaide é jornalista da emissora de TV Al Baghdadiya (cuja central fica no Cairo). Todas as reportagens da TV que ele faz na cidade de Bagdá ele conclui, dizendo, "da Bagdá ocupada". A própria emissora que o emprega exigiu a sua imediata libertação, assim como o Sindicato dos Jornalistas do Iraque.

Al Zaide virou instantaneamente um herói nacional. E usou a sua arma mais potente, tanto física como simbólica: seus sapatos de sola de borracha pesados. Foi ficando cada vez mais irritado com a entrevista coletiva que Bush vinha dando, com suas mentiras habituais, ao lado do primeiro Ministro fantoche do Iraque, Nuri Al Maliki. Num determinado momento, decidiu arremessar os seus dois sapatos contra Bush. A catatonia dos presentes e mesmo da segurança presidencial foi tamanha, que ele conseguiu inclusive tempo para atirar o segundo sapato.

A frase que ele proferiu, gravada ao vivo por todas as emissoras presentes foi: "É o seu beijo de despedida do povo iraquiano, seu cachorro. Isso é pelas viúvas, órfãos e pelos que foram mortos no Iraque". E não precisava dizer mais nada. Al Zaide mostrava-se ao mundo como o vingador dos mais de 200 mil iraquianos mortos, representava o sentimento de uma nação destruída, desmontada, aviltada, vendida, entregue à sanha imperialista e com quase toda a sua infra-estrutura destruída e vendida ao setor privado (doadas, na verdade).

Sua fama foi instantânea. Foi saudado no mundo inteiro. Passeatas saíram às ruas para exigir a sua imediata libertação. Circulou a informação de que um empresário saudita estaria oferecendo dez milhões de dólares por um dos sapatos que foram arremessados contra Bush. A foto de Al Zaide não saia de todas as TVs árabes e os jornais americanos publicaram o sapato "voador" passando rente à cabeça de Bush. Claro, os americanos procuraram minimizar o fato, dizendo que o mesmo não tinha importância alguma e que o jornalista não agiu em nome de nenhuma organização e não expressava a vontade do povo. Pura balela. Só se falava do ato de bravura praticado por um árabe contra o chefe do império mais odiado da história.

Os policiais que o prenderam, o espancaram brutalmente. Seu irmão, Maitham Al Zaide, afirma que diversas de suas costelas foram quebradas e seu olho foi atingido por coronhadas de fuzil. Continua preso sem que nenhuma acusação lhe tenha sido feita e que nenhum comunicado tivesse sido enviado formalmente à justiça por sua detenção. Fala-se que poderia pegar de sete até quinze anos de cadeia por ter tentado agredir chefe de estado estrangeiro em visita ao Iraque.

Imediatamente, uma rede de advogados formou-se para defendê-lo e exigir a sua libertação. A imprensa noticiou mais de cem advogados dispostos a prestar seus serviços gratuitamente para que ele possa ser libertado. O chefe da defesa de Saddam Hussein, Dr. Jalil Al Duleimi, será o provável defensor central de Al Zaide. Ainda continua sem nenhum contato tanto com seus familiares, como amigos e advogados, num claro desrespeito às tais normas mínimas de direitos humanos que os Estados Unidos tanto, e hipocritamente, pregam pelo mundo afora sem respeitá-las em lugar nenhum onde têm hegemonia.

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Por Lejeune Mirhan
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