segunda-feira, 25 de maio de 2015

PRÓXIMA FASE DA LAVA-JATO: O OBJETIVO PODE QUEBRAR EMPRESAS









Leio nos portais que a força-tarefa da Lava Jato, “comandada pelo juiz Sergio Moro”, irá investigar os contratos do pré-sal.

Mais uma vez, a força-tarefa não tem a mínima preocupação em assegurar que as investigações serão conduzidas com prudência, para não prejudicar uma das atividades econômicas mais estratégicas do país.

Além disso, você percebe rapidamente que tem alguma coisa de errado quando um juiz é descrito como “líder” de uma investigação. Sergio Moro está impondo, à força, uma coisa que não existe no Brasil: a figura do juiz de instrução, que é aquele que lidera uma investigação criminal.

Talvez devêssemos ter esta figura, que orienta os procuradores e delegados a agirem conforme à lei.

Só que, nos países onde existem juízes de instrução, não são eles que julgam os réus, justamente porque eles estão envolvidos demais com a lógica da acusação.

Segundo a doutrina democrática, quem investiga não julga.

Mas eu queria falar aqui de outra coisa.

Eu queria fazer um pedido aos procuradores, ao juiz Sergio Moro e aos delegados que conduzem a Lava Jato.

Sei que é ingênuo, mas vamos lá.

Mirem-se no exemplo dos investigadores da Operação Patriota, deflagrada há poucos dias, que investigam desvios que podem chegar a R$ 1 bilhão, em sonegação de impostos, feito por empresas da área de transporte e turismo.

Nem de longe são empresas estratégicas, como aquelas envolvidas na exploração do pré-sal; mesmo assim, os investigadores já anunciaram que terão o maior cuidado para não prejudicar o funcionamento das empresas, não quebrá-las de vez, não provocar a demissão de ninguém.

Trabalhou-se, desde o início, em prol de uma solução prudente: o Estado deverá nomear interventores, cuidando para que as empresas continuem funcionando e pagando seus impostos, não implicando em mais prejuízo ao erário.

Voltando à Lava Jato, a força-tarefa jamais teve esse cuidado, e estamos lidando com empresas realmente estratégicas para o país!

Se as empresas quebram, elas deixam de gerar empregos e pagar impostos. Ou seja, ao dano causado por uma suposta corrupção, somar-se-á um prejuízo muito maior!

Não adianta nada Sergio Moro divulgar que tal ou qual corrupto devolverá 100 milhões à Petrobrás, se o prejuízo causado por uma investigação destrambelhada causa demissão de dezenas de milhares de trabalhadores e quebra empresas que pagavam bilhões em tributos!

Até porque a gente sabe muito bem que se o corrupto devolve 100 milhões é porque guardou outros 100 milhões em outro lugar.

A Sete Brasil é um exemplo. A força-tarefa deve investigá-la, mas sem destruí-la. Quer dizer, se é que já não destruiu, porque os prejuízos impostos a todas as fornecedoras da Petrobrás, pela maneira irresponsável como a operação foi conduzida, tem sido enormes!

A Sete Brasil foi constituída no Brasil apenas para fornecer sondas à Petrobrás. Quebrá-la – o que os procuradores estão quase conseguindo – apenas irá completar o quadro de devastação que a Lava Jato parece querer impor ao setor brasileiro de petróleo.

A força-tarefa, em todas as suas etapas, vestiu trajes de cavaleiros do apocalipse, a ponto de a ex-namorada de Youssef, uma mulher visivelmente desequilibrada, elogiar o seu próprio carrasco, o juiz Sergio Moro, e afirmar que, se isso for preciso para acabar com a corrupção, não devemos hesitar em provocar “desemprego e recessão”.

Ora, desemprego e recessão ajudam a aumentar a corrupção, obviamente, porque a miséria econômica produz miséria moral!

A história da Sete Brasil traz um detalhe irônico: ela é controlada pelo BTG, cujo proprietário é o super-tucano Andre Esteves, o mesmo que bancou a lua de mel de Aécio Neves em Nova York.

Não quero nem pensar o que a imprensa diria se Esteves tivesse bancado a lua de mel de um petista… Provavelmente, a mídia produziria manchetes como: “Petrolão banca farra de petista e esposa em Nova York”, ou algo parecido.

Deixa pra lá.

Andre Esteves, como bom tucano bilionário, tem muitos outros ovos na cesta. Se a Sete Brasil ruir, quem será prejudicado serão seus centenas de pequenos fornecedores, e dezenas de milhares de trabalhadores.

Esteves continuará bilionário, pagando viagens para seus amigos tucanos.

O prejuízo será do Brasil.

Com a entrada dos chineses, esse espírito destruidor da Lava Jato se tornou simplesmente patético. O objetivo era destruir a economia do petróleo para derrubar Dilma. Esse plano foi enterrado pela conjuntura: o lucro da Petrobrás e a entrada dos chineses. Não vão mais conseguir derrubar ninguém.

Os chineses já garantiram: se destruírem as fornecedoras da Petrobrás, a China as substituirá imediatamente, e ainda nos dará o dinheiro necessário para estabelecê-las aqui.

Então acabou a palhaçada. O golpe morreu. É hora de botar a viola no saco e cuidar dE tocar a luta contra a corrupção de maneira inteligente e responsável, sem espetáculos midiáticos cujo único resultado é produzir crises políticas, paralisar a economia e gerar demissões em massa.

As delações já entraram em colapso. Cada delator diz uma coisa oposta ao outro. Youssef fala uma coisa, Paulo Roberto nega. A tal “Lista do Janot” se mostrou um apanhado ridículo de acusações sem prova contra vários políticos. E a última “denúncia” da força-tarefa contra políticos trouxe acusações completamente desvinculadas dos esquemas da Petrobrás: André Vargas, ex-deputado pelo PT, é acusado de usar sua “influência” na Caixa para conseguir contratos para um irmão, que tinha uma agência de publicidade. E um deputado do PP é acusado de incluir sua empregada doméstica na folha de pagamento de seu gabinete.

E agora um dos delatores inocentou a senadora Gleisi Hoffmann, cuja inclusão na “Lista de Janot”, aliás, também foi surreal, por ter sido baseada numa delação completamente destituída de provas ou mesmo indícios.

Ninguém apresenta nenhuma prova. A única coisa que ficou provado é que as delações foram arrancadas, em sua maioria, de executivos corruptos e desesperados para se livrarem da Guantanamo de Sergio Moro.




O GRANDE MICO DA "COLUNA AÉCIO"









Ignorância política

Segundo o Estado de S.Paulo, líderes do PSDB avaliam, reservadamente, rever a estratégia de apoiar explicitamente a marcha, quebrando a promessa de dar um caráter apoteótico à sua chegada a Brasília.

O ex-deputado federal Francisco Graziano, assessor do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, disse à Folha de S. Paulo que entende a frustração dos que querem o impeachment, mas considera que “atacar Aécio, FHC ou o PSDB mostra ignorância política”. De repente, os tucanos descobrem que meteram a mão em cumbuca.

Restará aos protestadores, certamente, o apoio do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) e talvez a presença do deputado Paulo Pereira da Silva (SDD-SP), cujas biografias não justificam os cuidados que precisam ter os líderes do PSDB.

O principal partido de oposição embarcou na aventura dos golpistas pela mão do senador Aécio Neves, que foi demovido do plano de impeachment pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na semana passada. Agora, precisa de um discurso consistente para evitar o constrangimento de se haver associado aos aloprados que seguem para Brasília.

Não se pode prever o que irá ocorrer na capital federal na quarta-feira (27/5), mas certamente não será a grande festa cívica que esperavam os organizadores do protesto. Nesse período, o núcleo principal das propostas de ajuste econômico já terá sido aprovado, ou uma nova agenda estará acertada entre o Executivo e o Congresso Nacional.

Analistas acreditados pela imprensa já registram uma redução das tensões entre os poderes, que vêm sendo estimuladas pela mídia desde a posse da presidente Dilma Rousseff em segundo mandato.

A decisão da presidente, de elevar a alíquota da Contribuição Social sobre o lucro líquido dos bancos, tende a reconciliá-la com parte de seu eleitorado, pela simbologia da medida, combinada com a manutenção da carência de um mês para pagamento de abono salarial, que beneficia os trabalhadores.

Tudo de que os presidentes da Câmara e do Senado, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, não precisam, neste momento, é barulho de manifestantes. O “mico” do impeachment fica com o PSDB, que vai ter que explicar, daqui para a frente, se considera que eleição é para valer ou se, nas próximas disputas, caso venham a ser derrotados novamente, os tucanos irão outra vez mobilizar a “coluna Aécio”.




IBOPE DA GLOBO AOS DOMINGOS DESABA 35% PONTOS. QUEDA DEVE-SE A PERDA DA CREDIBILIDADE DO EX IMPÉRIO GLOBAL, QUE TRANSFORMOU A EMISSORA NUM PARTIDO POLÍTICO DE EXTREMA DIREITA.





Domingão do  Faustão e Fantástico na berlinda

TV Globo perde 35% do ibope aos domingos


Fantástico e Domingão do Faustão, entre outros programas enfadonhos exibidos pela TV Globo aos domingos, que se cuidem. Seus índices de audiência neste dia tão nobre para os anunciantes seguem em franco declínio. Segundo reportagem do site UOL desta sexta-feira (22), nos últimos dez anos, na medição das 24 horas dominicais, a emissora perdeu 35% em pontos do ibope na Grande São Paulo. O cenário exposto na matéria é dramático e deve ter assustado as empresas – inclusive do governo federal – que bancam os bilionários anúncios publicitários na TV Globo.

“Durante décadas a TV Globo se manteve líder isolada em audiência em todos os dias da semana, em todas as faixas horárias. No domingo, em especial, o dia mais caro para os anunciantes, a emissora sempre se deu ao luxo de não apenas liderar, mas também de registrar, sozinha, mais ibope que a segunda e terceira colocadas somadas (SBT e Record). Esse tempo acabou. Nos últimos dez anos, a Globo perdeu cerca de 35% em pontos de ibope na Grande São Paulo (hoje cada ponto é igual a 67 mil domicílios nessa região). Dos 16,39 pontos registrados de média em 2005, a média caiu para 10,46 no ano passado e está em 10,51 este ano (até o último dia 17)”, descreve a reportagem do UOL.

Há cinco anos, a TV Globo não consegue mais audiência do que SBT e Record somados. Em 2005, as duas emissoras tinham em conjunto 12,34 pontos no ibope, contra 16,39 do império global. Hoje, os dois canais somam 11,32 pontos – quase um ponto a mais do que a poderosa rival, que tem 10,51. “Tudo isso ocorreu exclusivamente porque a Globo perdeu pontos, e não porque SBT e nem Record aumentaram os seus. Pelo contrário. Houve uma ‘compensação’: o SBT perdeu quase três pontos na última década, mas a Record ganhou outros três, então na soma dos dois está tudo como era… O problema, portanto, foi causado unicamente pela queda mais acentuada da líder Globo”.
Vários fatores explicam esta queda acentuada – de quase 35% – nos últimos dez anos. Uma delas é a perda de credibilidade do império global – que transformou a emissora num partido político, cada vez mais editorializado e partidarizado. Outra é a chatice da programação da TV Globo, que se acomodou aos altos índices de audiência do passado. Por último, vale registrar a explosão da internet – que afetou todas as emissoras de tevê. No início de maio, a internet completou 20 anos de existência no Brasil. É pouco tempo, mas os seus estragos já são enormes – tanto para os jornais e revistas, que continuam falindo e demitindo, como para as emissoras, que assistem a migração, principalmente da juventude.
Como apontam vários estudos, o acesso à internet no Brasil atinge 60% da população. Neste período, ele deixou de ser concentrado nas faixas mais ricas da população. Em 1º de maio de 1995, a Embratel começou a oferecer o acesso ao mercado em geral – antes, ele era limitado a universidades e alguns funcionários de órgãos oficiais. À época, 250 consumidores foram selecionados para testar a nova tecnologia. Só quem tinha dinheiro podia comprar um computador. Atualmente, 54% dos internautas pertencem à chamada Classe C, segundo pesquisa do instituto Data Popular. O Brasil hoje possui cerca de 120 milhões de pessoas conectadas, segundo levantamento do instituto Nielsen Ibope, de julho de 2014.
Pesquisa ainda mais recente, intitulada “O futuro digital do Brasil em foco”, revela que o número de usuários da internet móvel no país subiu 7% em apenas seis meses – até março último. Segundo Alex Banks, vice-presidente para a América Latina da empresa de medição com Score, este vertiginoso crescimento fez com que o Brasil já se aproxime das economias mais desenvolvidas, como a da Alemanha. A população digital no país é de 84 milhões de visitantes únicos. Segundo a pesquisa, “mais de 29 milhões acessam o conteúdo digital por meio de mais de uma plataforma mensalmente”. O estudo mostra, ainda, que as redes sociais “continuam crescendo, com uma audiência altamente engajada”.
Estas acentuadas mudanças afetam duramente as mídias tradicionais, colocando na berlinda o seu modelo de negócios. A TV Globo já sente seus efeitos! Fantástico e Faustão que se cuidem!




Há uma ameaça concreta à liberdade de imprensa na enxurrada de ações contra Nassif









De Nassif, no ggn:

(…)
Sou alvo de seis ações cíveis de jornalistas, cinco delas de jornalistas da Veja, duas de não jornalistas. Os dois não jornalistas são os notáveis Gilmar Mendes, Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), e Eduardo Cunha, presidente da Câmara. Além deles, sofro uma ação de Ali Kamel, o todo poderoso diretor da Globo.
***
O que pretendem me sufocando financeiramente com essas ações?
Desde que se tornou personagem do jogo político, a Gilmar tudo foi permitido.
Em meu blog já apontei conflitos de interesse – com ele julgando ações de escritórios de advocacia em que sua mulher trabalha e de grandes grupos que patrocinam eventos do IPD (Instituto Brasiliense de Direito Público).
Apontei o inusitado do IDP conseguir um contrato de R$ 10 milhões para palestras para o Tribunal de Justiça da Bahia no momento em que este se encontrava sob a mira do CNJ. E critiquei a maneira como se valeu do pedido de vista para desrespeitar o STF e seus colegas.
***
De Eduardo Cunha, é possível uma biografia ampla, desde os tempos em que fazia dobradinha com Paulo César Faria, no governo Collor, passando por episódios polêmicos no governo Garotinho e no próprio governo Lula.
No governo Collor ele conseguiu o apoio da Globo abrindo espaço para os cabos da Globo Cabo e dispondo-se a adquirir equipamentos da NEC (controlada por Roberto Marinho). Agora, ganha blindagem prometendo impedir o avanço da regulação da mídia.
Sobre Kamel, relatei a maneira como avançou na guerra dos livros didáticos – um dos episódios mais controvertidos da mídia nos últimos anos, quando editoras se lançaram nesse mercado para ampliar seus negócios.
***
Censurando os críticos, asfixiando-os economicamente, quem conterá os abusos de Gilmar, de Cunha e de Kamel?
Há uma ameaça concreta à liberdade de imprensa nessa enxurrada de ações.




JÁ ERA TEMPO: UMA NOVE FRENTE DE ESQUERDA ESTÁ EM GESTAÇÃO PARA GARANTIR A MANUTENÇÃO DAS CONQUISTAS DOS ÚLTIMOS 12 ANOS









A campanha "O Petróleo É Nosso", lançada há mais de 60 anos, uniu políticos, movimentos, intelectuais e personalidades de diversas correntes e acabou vitoriosa graças a essa variedade de integrantes. Seria possível repetir algo parecido hoje no Brasil para enfrentar uma ofensiva conservadora que não se limita a pregar arepartição do pré-sal com companhias estrangeiras, mas também o impeachment, a volta da ditadura, o retrocesso em direitos sociais e trabalhistas? Há quem aposte que sim e prepare o lançamento de uma reação por ora chamada de Frente Nacional Popular.

A Frente deverá ganhar vida em junho, a partir de um ato público. Entre seus articuladores circula um esboço de manifesto. Embora o objetivo principal seja o de resistir à onda conservadora, o documento elenca bandeira propositivas.  
Prega-se a defesa da democracia e seu aprofundamento pela reforma política, o fortalecimento da soberania nacional contra os efeitos da crise da Petrobras, a volta do crescimento com distribuição de renda e sem arrocho fiscal, o combate às desigualdades e a manutenção de direitos trabalhistas. 



Um dos principais mentores é o cientista político e ex-ministro Roberto Amaral, um dos fundadores do Partido Socialista Brasileiro e colunista de CartaCapital. Para ele, assiste-se hoje no País a uma ofensiva da direita conservadora como não se via desde o governo João Goulart, deposto pelo golpe de 1964. Tal avanço, diz Amaral, ameaça conquistas sociais históricas e só pode ser detido por uma união de forças que não se limite a partidos, pois estes estão sob suspeita da sociedade, a começar pelo PT. “Diante da emergência reacionária, os partidos estão atônitos, sem resposta política”, afirma. “A saída é uma frente de massa. Até para defender reformas profundas que nossos governos não tiveram forças sequer para tentar.”

A ideia começou a germinar com inquietações surgidas logo depois da eleição presidencial de outubro. O pedido do PSDB à Justiça Eleitoral de uma auditoria nos votos obtidos por Dilma Rousseff provocou apreensões. Deu uma pista sobre o tamanho e a gana do conservadorismo, mais tarde expressos com clareza em passeatas pelo impeachment da presidenta e a favor da intervenção militar. A apreensão aproximou intelectuais, políticos com e sem mandato, sindicalistas, movimentos sociais e empresários, que começaram a se reunir a partir de novembro, de forma discreta, no Rio de Janeiro, em São Paulo e Brasília. E ganhou corpo durante um debate,  em março, no Sindicato dos Professores do Rio, do qual participaram Amaral, os ex-ministros José Gomes Temporão e Luiz Dulci, o economista Theotonio dos Santos, o empresário Pedro Celestino e uma série de acadêmicos.

Foi citada em público pela primeira vez em abril, quando uma mesa-redonda no Clube de Engenharia, também no Rio, discutia a possibilidade de a crise na Petrobras levar a uma invasão do País por petroleiras e empreiteiras estrangeiras. O batismo provisório, sugestão do líder de um famoso movimento social, despontou no dia seguinte, em um debate semelhante ocorrido no sindicato paulista dos engenheiros.

Presidente do Clube de Engenharia e mediador da mesa-redonda de abril, o empresário Francis Bogossian declara-se “inteiramente de acordo com a ideia da Frente”. Foi por essa razão que ele topou acolher debates sobre os rumos do País na entidade, condicionando apenas que não fossem de caráter partidário. “Vemos nitidamente um movimento em prol dos interesses estrangeiros”, avisa.

O caráter suprapartidário ficará nítido caso se confirme a adesão do economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, ex-ministro de FHC, hoje crítico da oposição, e o jurista Cláudio Lembo, ex-governador de São Paulo. Não é de hoje, os dois disparam contra a insurgência reacionária. Segundo Bresser-Pereira, a distribuição de renda nos governos Lula e Dilma produziu um ódio de classe contra o PT por parte dos ricos e de uma “classe média que virou muito conservadora, infelizmente”. Ele aponta o fim do pacto nacional-popular da era Lula. Lembo, que esteve no debate de abril no sindicato dos engenheiros, repele o “Fora Dilma” e os clamores em prol da volta dos militares ao poder. “Há uma coisa diabólica acontecendo no Brasil”, resume.

Um dos combustíveis da Frente, o desgaste do PT, é reconhecido até por petistas. Não por acaso o ex-ministro e ex-governador Tarso Genro tornou-se um aliado de primeira hora da proposta e tem se reunido com frequência com Amaral. “A Frente é fundamental para neutralizar o antipetismo instrumentalizado por setores reacionários. Por isso o PT não pode estar sozinho, tem de estar ao lado de outras forças democráticas e populares”, considera o deputado Alessandro Molon, outro participante das discussões.

O papel mais importante do movimento, enxerga Molon, é enfrentar os retrocessos da Câmara dos Deputados, que sob a regência do peemedebista Eduardo Cunha adotou uma pauta marcadamente retrógrada, incluídas a terceirização total do mercado de trabalho, a revogação do Estatuto do Desarmamento e a constitucionalização das doações empresariais de campanha. “Os maiores riscos de retrocesso hoje estão na Câmara. Há conquistas com as quais sonhamos, mas a situação da Câmara é tão grave, que impedir retrocessos já será uma vitória.” A proposta da Frente mostra, enfim, que uma ala progressista da sociedade decidiu reagir. 
Já era hora.




O “mico” da “coluna Aécio”




A guerra de Aécio é outra.






A Folha de S. Paulo anuncia em nota na sua primeira página, na edição de sexta-feira (22/5): “Grupos anti-Dilma dizem que PSDB e Aécio são traidores”. O Estado de S. Paulo, em reportagem interna sobre o mesmo tema, informa: “Grupos se dizem traídos por tucanos”.


Por Luciano Martins Costa*


A imagem que ilustra o texto do Estado mostra doze – isso, exatamente uma dúzia – de manifestantes que caminham pela Rodovia Anhanguera, com destino a Brasília, onde pretendem fazer sua pregação em favor do impeachment da presidente da República. 


Quando saíram de São Paulo, no fim de abril, os integrantes da marcha foram estimulados por líderes do PSDB, que imaginavam uma espécie de “coluna Prestes” invertida, a recolher, pelo caminho, milhares de cidadãos descontentes com o governo, numa chegada triunfal à rampa do Planalto. Mas, como no poema de Hesíodo, as relações entre os homens e os deuses devem se submeter ao crivo da verdade, e esta nem sempre se manifesta como desejam os humanos.

Entre o fim de abril e esta última semana de maio, a expectativa do grupo de manifestantes, estimulada por discursos inflamados do senador que perdeu a eleição presidencial em 2014, não foi justificada pelos fatos. O descompasso entre os trabalhos políticos e os dias de marcha acaba por produzir a ruptura entre os doze aloprados que imaginam reverter a decisão das urnas e os oportunistas que os apadrinharam.

Por sugestão do jurista Miguel Reale Jr., convocado a emitir parecer sobre a proposta do impeachment, os líderes do PSDB acharam melhor ingressar com processo contra a presidente Dilma Rouseff na Justiça comum, talvez confiantes na ação dos julgadores que o poeta grego chama de “comedores de presentes”. Mas o Judiciário, já embaraçado com a interferência do Congresso em suas atribuições, não dá sinais de que irá acolher tal petição.

Representantes dos grupos que pedem a interrupção do mandato da presidente da República teriam ouvido na semana passada, na capital federal, promessas de parlamentares do PSDB e de outros partidos de oposição de que entrariam com o pedido formal de impeachment assim que os marchadores alcançassem a Praça dos Três Poderes. Desde quarta-feira (20/5), a uma semana da chegada da marcha a Brasília, prevista para o dia 27, a página do Movimento Brasil Livre, um dos grupos que organizam o protesto, exibe um quadro dizendo que o senador Aécio Neves traiu a causa.

Ignorância política

Segundo o Estado de S.Paulo, líderes do PSDB avaliam, reservadamente, rever a estratégia de apoiar explicitamente a marcha, quebrando a promessa de dar um caráter apoteótico à sua chegada a Brasília.

O ex-deputado federal Francisco Graziano, assessor do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, disse à Folha de S. Paulo que entende a frustração dos que querem o impeachment, mas considera que “atacar Aécio, FHC ou o PSDB mostra ignorância política”. De repente, os tucanos descobrem que meteram a mão em cumbuca.

Restará aos protestadores, certamente, o apoio do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) e talvez a presença do deputado Paulo Pereira da Silva (SDD-SP), cujas biografias não justificam os cuidados que precisam ter os líderes do PSDB.

O principal partido de oposição embarcou na aventura dos golpistas pela mão do senador Aécio Neves, que foi demovido do plano de impeachment pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na semana passada. Agora, precisa de um discurso consistente para evitar o constrangimento de se haver associado aos aloprados que seguem para Brasília.

Não se pode prever o que irá ocorrer na capital federal na quarta-feira (27/5), mas certamente não será a grande festa cívica que esperavam os organizadores do protesto. Nesse período, o núcleo principal das propostas de ajuste econômico já terá sido aprovado, ou uma nova agenda estará acertada entre o Executivo e o Congresso Nacional.

Analistas acreditados pela imprensa já registram uma redução das tensões entre os poderes, que vêm sendo estimulada pela mídia desde a posse da presidente Dilma Rousseff em segundo mandato.

A decisão da presidente, de elevar a alíquota da Contribuição Social sobre o lucro líquido dos bancos, tende a reconciliá-la com parte de seu eleitorado, pela simbologia da medida, combinada com a manutenção da carência de um mês para pagamento de abono salarial, que beneficia os trabalhadores.

Tudo de que os presidentes da Câmara e do Senado, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, não precisam, neste momento, é barulho de manifestantes. O “mico” do impeachment fica com o PSDB, que vai ter que explicar, daqui para a frente, se considera que eleição é para valer ou se, nas próximas disputas, caso venham a ser derrotados novamente, os tucanos irão outra vez mobilizar a “coluna Aécio”.


*No Observatório da Imprensa