sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Valeu, Lula... Valeu, Presidente.

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Esta foto linda, e de imenso simbolismo, é vista pela mídia golpista como enigmática, por sugerir o apego de Lula ao poder.
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Um dia, lá no mundão, uma das donzelas da torre será presidente

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Rose Nogueira comprou uma camélia vermelha, para usar na posse de Dilma Rousseff. Com a camélia, pretende levar para a festa todas e todos que não puderam estar lá.
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Rose e Dilma foram colegas de presídio Tiradentes, em São Paulo, durante o regime militar.
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Naquela época, elas costumavam sonhar com a liberdade dizendo: “Um dia, lá no mundão…” vou fazer isso ou aquilo. “Um dia, lá no mundão…” serei assim ou assado.
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“Um dia, lá no mundão”, diz Rose Nogueira por telefone, de Brasília, com seu tradicional bom humor, “uma das donzelas da torre será presidente”.
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Ela ri de uma notícia que leu a bordo do avião, em O Globo, que fala nas 11 ex-companheiras de cela de Dilma, todas convidadas para a posse. Talvez estivesse se referindo a esta notícia.
 
Fica sem saber se o jornal tentou ser irônico ao falar em Grupo das Onze, já que os Grupos dos Onze foram os famosos “comandos nacionalistas” criados por Leonel Brizola nos anos 60, para resistir ao golpe
 
O fato é que Rose é uma mulher extraordinária da mesma forma que muitas mulheres o são. Extraordinária com as pequenas conquistas do dia-a-dia, consciente de que é o elo de uma corrente e que, portanto, é preciso persistir. Persistência não é o forte das mulheres?
 
“Se não fosse a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho, legislação trabalhista implantada pelo governo Vargas) do Getúlio, ela teria se matado de tanto trabalhar”[Rose sobre a avó, a tecelã Maria Ghilardi Guerra, exemplo de mulher batalhadora]
 
“Eu apanhava porque eu estava fedida de leite azedo” [Rose sobre a tortura. Quando ela foi presa, o filho era recém-nascido]
 
“Ela contribuiu mais do que qualquer outra para a mudança do Brasil” [Rose sobre a atuação de Dilma no ministério de Lula] 
“Quando a gente tava lá na cadeia ficava muito claro que todas tinham vocação política. A Dilma era a pessoa onde mais isso aparecia. Porque ela tinha uma presença muito forte, ela tinha um equilíbrio nas análises das coisas que, embora ela tivesse 20, 21 anos, impressionava, francamente” [Rose, explicando depois que Dilma defendeu na cadeia a ampliação do mar territorial brasileiro de 12 para 200 milhas, uma proposta dos militares]
 
“Eu considero que quem fez a luta armada contra o povo brasileiro foi a ditadura” [Rose ao lembrar que milhões de brasileiros se opuseram ao regime militar e que os oportunistas costumam repetir, nos dias de hoje, o bordão usado no passado pelos militares, de que a resistência ao regime queria implantar no Brasil uma ditadura de esquerda] 
“A gente naquela época era tratada como coisa” [Rose, sobre as mulheres nos anos 60]
 
Durante nossa conversa Rose Nogueira lembra que a classe operária brasileira se formou nos anos 30, especialmente com a chegada de imigrantes. E que nos anos 60, na geração dela, os filhos de imigrantes começaram a chegar à universidade. Razão pela qual havia muitos filhos de imigrantes na resistência ao regime militar. Gente que tinha ascendido socialmente mas mantinha sua solidariedade com os de baixo. Como foi, aparentemente, o caso dela.
 
A jornalista perdeu o pai aos 4 anos de idade. Foi morar com a avó, a Maria “que tinha guerra no nome”. Aliás, a avó de Rose não queria saber de batizar ninguém com o próprio nome. Dizia, “Maria tá condenada ao sofrimento”.
 
Maria contava que, para não perder o emprego, tinha “atrasado” o parto da mãe de Rose. Escondeu a gravidez com a cumplicidade do chefe. A mãe de Rose nasceu no domingo de Carnaval. Na quinta, dona Maria Guerra estava de volta ao emprego.
 
A vida de dona Maria foi tocada pela implantação, no governo Vargas, da CLT, quando a jornada de trabalho dela caiu de 14 para 8 horas diárias.
 
Mais tarde a maternidade assumiria ares dramáticos para a própria Rose. Quando ela foi presa o filho tinha 33 dias de vida. Ela narrou o episódio num livro. O Viomundo, faz algum tempo, reproduziu parte do texto de Rose, em que ela descreve a vida no presídio Tiradentes.
 
Foi deste período, também, a patética demissão de Rose Nogueira do jornal Folha da Tarde. Ela foi demitida por abandono de emprego quanto até as árvores da Barão de Limeira sabiam que a jornalista do Grupo Folha estava na cadeia. Aqui ela tratou do assunto.
 
Um caso sobre o qual a Folha ainda nos deve explicações, sem falar no empréstimo de viaturas para a Operação Bandeirantes
O fato é que a geração de Rose subirá a rampa com Dilma Rousseff, no sábado, em Brasília. Junto com a memória da dona Maria Ghilardi Guerra, que faleceu aos 90 anos de idade. E, de certa forma, com todas as mulheres batalhadoras do Brasil, do passado e do presente.
 
Terminada a entrevista, Rose liga de novo, para complementar: diz que com a avó aprendeu a importância de combater as injustiças, mas que a militância mesmo começou aos 18 anos, quando se apaixonou por um militante do PCB. Amor + luta. Rima com mulher.
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por Luiz Carlos Azenha, no blog "Vi o Mundo"
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Está Chegando a Hora, Presidente...

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Em mais um compromisso na agenda de despedida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou, em encontro com jornalistas em Brasília, que a presidenta eleita Dilma Rousseff só não terá seu apoio em 2014 para a reeleição caso não queira. “Em 2014, trabalho com a ideia fixa que Dilma será candidata. Acho justo e correto um bom governo continuar. Só há uma hipótese para ela não ser candidata. Se ela não quiser”.
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Lula convidou jornalistas de diversos meios de comunicação para um café da manhã
O presidente, no entanto, frisou que ainda é cedo para discutir 2014. Para ele, os integrantes do novo governo devem “trabalhar para evitar que esta seja a tônica do mandato, uma vez que o tema só interessaria à oposição”.

Afirmando que não pretende ser o copiloto de Dilma em sua gestão, Lula disse que confia que a presidente eleita fará um bom governo e mesmo que não consiga colher os frutos logo no início do governo, o fará ao longo do mandato. Para exemplificar, Lula usou das suas famosas metáforas: “Governar é igual plantar jabuticaba. Não adianta plantar e já querer chupar”.

Lula voltou a dizer que ‘precisa desencarnar’ da Presidência e que ficará sem dar palpites e sem se envolver. "Quero menos trabalho e mais descanso. Ficar citando coisas não é bom para mim ou para quem está chegando ao poder. Vou ficar sem dar palpites, sem me envolver". Questionado sobre seu interesse em atuar como secretário-geral da ONU, o presidente respondeu que não pretende e "não quer". “Este cargo precisa ser ocupado por técnicos”.

Perguntado sobre sua saída do Planalto, Lula afirmou que vai sentir das relações de amizade que fez e que, diferentemente de FHC que disse que sentiu saudade da piscina da residência, não sentirá falta nem do helicóptero, já que “tem um pouco de medo”. Mostrando-se saudoso, Lula disse ainda que ficará satisfeito em voltar para o seu apartamento em São Bernardo, o que, na opinião do presidente, “é mais aconchegante que a residência oficial”.

Ao falar de uma questão sempre levantada em seu governo, Lula referiu-se ao terceiro mandato como ruim à democracia. “Se você ficar pedindo “um terceiro, quarto, quinto mandato, ao invés de uma democracia você tem uma “ditadurazinha”.

Às vésperas de deixar o governo, Lula deixou escapar que ainda sente mágoas da oposição e da imprensa. Questionado sobre como a história deve retratá-lo, Lula foi enfático. “Depende do jornal que você leia”, respondeu completando: “Esses dias eu li uma matéria dizendo que Dilma estaria derrotada e que os vencedores foram Marina Silva e José Serra. Queria que valesse para o meu Corinthians".

Ele disse que vai precisar de tempo para escrever suas memórias. "Você não está preparado para fazer um livro no dia seguinte. Você está com mágoa. É preciso dar um tempo. Imagina se um marido e uma mulher no dia seguinte à separação resolvem escrever um livro? Vai ser um desastre. Você tem que deixar o ódio se assentar", disse.

Embora tenha usado palavras fortes, Lula fez esses comentários com o semblante tranquilo e observou que o ex-presidente Juscelino Kubitschek (1956-1960) foi bastante criticado. "Todo o santo dia ele era chamado de corrupto e ladrão. Depois de um tempo, reconheceram a importância dele".

Lula disse que pretende trabalhar na construção de um memorial que permita a todas as pessoas fazerem uma análise própria do que representaram seus oito anos de governo. "Eu pretendo fazer isso devagar. Nada apressado".

Pela primeira vez, Lula fez uma conexão entre sua trajetória política com o movimento de resistência estudantil à época ditadura. "O Lula não surgiu do nada. Ele é o resultado de um processo que começou com a revolução dos estudantes nos anos 60, depois passou pela revolução dos sindicalistas nos anos 70 e até a teologia da libertação da Igreja Católica", disse.

"Quando analisarem a história, acho que os mais cuidadosos vão perceber que sou resultado de uma sociedade em efervescência. Eu seria muito presunçoso se dissesse como gostaria de ser lembrado. Só sei que mudei a relação do Estado com a sociedade, com os movimentos sociais", completou.

Lula falou também sobre a regulamentação da mídia e disse que é preciso ter responsabilidade. "Um dono de um jornal pode mentir que é liberdade de imprensa. Agora se o governo critica isso é censura", afirmou pedindo um debate com toda a sociedade, o que “levaria à vitória do bom senso, não de posições extremadas”. 

De acordo com Lula, os Estados Unidos ainda mantêm uma visão imperialista para com os países da América Latina, o que deveria mudar. Lula lamentou não ter dado certo a intermediação que fez nas negociações nucleares com o Irã e justificou que não deu certo porque as potências que normalmente tratam essas questões ficaram com os brios feridos com o fato de o Brasil ter conseguido o que eles nunca conseguiram.

Em sua última semana como presidente do Brasil, Lula terá viagens a Pernambuco, ao Ceará e à Bahia, além de inaugurações em Brasília. A intenção, segundo ele, é trabalhar até o dia 30 e descansar no dia 31, "desligando o motor para esfriar e entregando para Dilma, no dia primeiro o cargo, para ela começar no dia 2 de janeiro a cem (quilômetros) por hora".

Perguntado sobre a relação com seu vice, José Alencar, Lula disse foi o melhor que um governante poderia ter e que os dois formaram a união perfeita entre o capital e o trabalho. Lula disse ainda que tem rezado todos os dias para que Alencar se recupere e tenha condições de participar da cerimônia de posse de Dilma.

“Para mim, o José Alencar é mais do que um irmão. É um companheiro em que eu tenho a mais absoluta confiança. Ele demonstrou a mais extraordinária lealdade que um ser humano pode demonstrar a outro. Ele tem uma visão de mundo, empresarial, da questão social que, junto com a que eu tenho, possibilitou um nível muito importante para o país”, disse o presidente.

“Duvido que no mundo alguém tenha encontrado um vice-presidente da magnitude do José Alencar”, destacou Lula. “De repente, você reúne um bom sindicalista brasileiro e um bom empresário. E esses dois juntos, que pareciam gato e rato, fazem uma combinação de confiança que poucas vezes alguém viu nesse país”, acrescentou.

“Estou pedindo a Deus que ele esteja bom para posse, mas não acredito que alguém consiga ter um vice como eu tive. Nós quase que atingimos a perfeição”, afirmou Lula.
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