terça-feira, 19 de maio de 2015

Fernando Henrique Cardoso não tem autoridade moral para pontificar lições de boa governança para Dilma Rousseff









A autoridade moral de Fernando Henrique Cardoso – I

O ex-presidente, que pontifica lições de boa governança para Dilma Rousseff, foi reeleito com dinheiro dos bancos e depois jogou o Brasil na crise



A crise econômica vivida pelo governo Dilma Rousseff, no primeiro ano de seu segundo mandato, nem de longe tem a gravidade da que balançou o país no primeiro ano do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso (1999-2002). A crise política enfrentada por Dilma apenas é mais intensa que a de FHC nesse primeiro ano de segundo mandato porque ele tinha uma base de apoio que, embora mais vulnerável do que a dos primeiros quatro anos, reunia elementos de coesão ideológica inexistentes na atual coalizão governista. FHC apenas tinha uma posição um pouco mais confortável do que tem Dilma agora.
No governo FHC, a aliança parlamentar se fazia do centro à direita ideológica. Assim, mesmo que houvesse discordâncias pessoais na base parlamentar e quedas-de-braço do Congresso com o Palácio do Planalto – e o então senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) fazia questão que isso acontecesse com regularidade –, nas questões fundamentais para o projeto econômico os interesses convergiam. Ajudava a constituir maiorias parlamentares o apoio dos meios de comunicação às chamadas “reformas estruturais” – e a pressão de fora para dentro do Congresso tinha o poder de resolver as disputas mais mesquinhas.
Nas gestões do PT, a diluição ideológica do apoio parlamentar – ao centro, à direita e à esquerda – tornaram a vida dos presidentes Lula e Dilma mais difícil. No governo Dilma, a exposição de uma fragilidade econômica deu à mídia oposicionista o elemento que faltava para pressionar os parlamentares, de fora para dentro do Congresso, a assumirem posições contrárias ao governo; e, junto à opinião pública, jogar elementos de insegurança e desqualificar toda a gestão anterior.
Ainda assim, e apesar da propaganda contrária ao governo Dilma, não se pode atribuir ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso qualidades morais para pontificar julgamentos sobre política econômica, ajuste fiscal, relacionamento com a base parlamentar, relações apropriadas com financiadores de campanha ou de fidelidade a promessas eleitorais da atual presidente. Se sua experiência ajudar em alguma coisa a crise de agora, é para dar o exemplo de como não fazer o ajuste fiscal, de como não se relacionar com a base parlamentar e de como não fazer política eleitoral.
No ano de 1999, segundo os jornais, o Brasil pagava a conta do governo anterior tucano, que manteve a estabilidade de preços às custas de uma âncora cambial artificial e de uma política fiscal rigorosa, que resultou numa enorme fragilidade externa, em grande desemprego, pífio crescimento econômico e, ironicamente, aumento da inflação.
A conta foi alta. Em 1998, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,4%, e em 1999, 0,5%; o dólar, que valia R$ 1,2 em 1998, saltou para R$ 1,8 no ano seguinte. A inflação foi de 8,9% em 1999; o ajuste fiscal do governo imprimiu uma inflação de 19,2% em 1999 sobre os preços monitorados (petróleo e energia). O consumo das famílias teve crescimento negativo de 0,7% em 1998 e apenas 0,4% positivo no ano seguinte. O investimento público federal caiu de 2,1% do PIB em 1998 para 1,4% em 1999; a taxa de investimento, de 17% para 15,7% do PIB; a formação bruta de capital fixo, que sofreu variação negativa de 0,2% em 1998, chegou ao fundo do poço em 1999, com queda de 8,9% em relação ao ano anterior.
As reservas internacionais, que eram de US$ 52,1 bilhões em 1997 e haviam caído para US$ 34,4 bilhões em 1998, chegaram ao perigoso nível de US$ 23,9 bilhões em 1999. O saldo da balança comercial no final do ano eleitoral de 1998 foi negativo em US$ 6,6 bilhões, e em 1999 de US$ 1,3 bilhões. Em 1998, o Brasil perdeu 36 mil postos de trabalho, e 582 mil em 1989.
Eleições caras
Em outubro de 1998, Fernando Henrique Cardoso conquistou o seu segundo mandato no primeiro turno, com a ajuda de financiadores privados de campanha que haviam sido enormemente beneficiados no seu primeiro governo e no governo Itamar Franco, quando o PSDB ocupou o comando econômico que permitiu ao partido e a FHC se credenciarem como os pais do Plano Real nas eleições de 1994.
Segundo a Folha de S. Paulo (“Bancos lideram doações para campanha de FHC”, 26/11/1998 e “Bancos lideraram contribuições a FHC”, 6/6/1999), bancos e instituições financeiras foram os principais doadores de campanha, e contribuíram com 25,7% do total de R$ 43 milhões arrecadados pelo comitê do presidente reeleito.
É o próprio jornal que lembra a razão do interesse de financiadores de campanha do mercado financeiro pelo candidato: “Em novembro de 95, o governo FHC criou o Proer, o programa de socorro a bancos em dificuldade. Já foram injetados R$ 21 bilhões para financiar fusões bancárias”, diz na material de 1998.
Na matéria publicada em 1999, o jornal afirma: “No primeiro mandato de FHC, as instituições [financeiras] viveram anos de prosperidade, segundo balanços divulgados pelo Banco Central, e escaparam dos impostos, segundo a Receita Federal. A soma do patrimônio líquido do conjunto das 223 instituições financeiras mais do que duplicou no periodo, passando de R$ 26,426 bilhões para R$ 55,653 bilhões”.
Além disso, FHC teve uma generosa contribuição de empresas com interesse direto no processo de privatização levado a termo pelo PSDB desde o governo Itamar. Figuravam entre os dez maiores financiadores da campanha de 1998 de FHC a Inepar (que participou do Consórcio Telemar), a Vale do Rio Doce (privatizada em 1997), a Companha Siderúrgica Nacional (CSN, privatizada em 1993, quando FHC era ministro de Itamar), a Copesul (privatizada em 1992) e a Copene (privatizada em 1993). A Andrade e Gutierrez, que também fez parte do Consórcio Telemar, figurava no 11º lugar entre os financiadores de campanha do tucano.




O SERVIDOR "PRIVADO" DE RONALDO CAIADO









Por Altamiro Borges

O demo Ronaldo Caiado, sempre tão estridente na sua fantasia de vestal da ética, está quieto. Nesta segunda-feira (18), a Folha revelou que uma servidora pública, registrada no gabinete do líder do DEM no Senado, trabalha em seu escritório particular em Goiás. Ela presta serviços na sede de uma das fazendas do famoso latifundiário, fundador da nefasta União Democrática Ruralista (UDR). Diante da grave denúncia, o demo optou pela cautela – talvez torcendo para que a mídia ruralista logo abafe o escândalo. Nos últimos meses, Ronaldo Caiado fez questão de participar – vestindo a sua camiseta preconceituosa com quatro dedos – das marchas golpistas contra Dilma. Agora, ele é quem está na berlinda!

Segundo a reportagem de Rubens Valente – autor do imperdível livro “Operação Banqueiro” –, a servidora Meiry Rosa de Oliveira, nomeada pelo demo, opera numa casa localizada na Rua 26, em Goiânia. “O escritório político informado por Caiado à direção do Senado, porém, fica em outro endereço. Pela regra da Casa, assessores dos senadores nos Estados devem trabalhar nos escritórios indicados previamente pelos congressistas. O prédio em que Meiry atua é o escritório de apoio às fazendas de Ronaldo Caiado, também frequentado por seu irmão, Rondon, que, segundo a assessoria do senador, auxilia na administração das propriedades rurais da família. Caiado declara ter sete fazendas no interior de Goiás”.

Ainda de acordo com a matéria, a própria servidora confirmou que o local é usado para cuidar dos negócios privados do líder do DEM: “Escritório financeiro dele, no geral... Cuida de todas as finanças, de todos os pagamentos dele”. Procurado pelo jornalista, o incorruptível demo até tentou disfarçar o suspeito apadrinhamento. Ele garantiu que o escritório das fazendas não é o local fixo de trabalho da servidora pública. “Então, esse assunto, onde ela fica, é uma coisa muito relativa. Ela despacha comigo na minha casa, despacha comigo no escritório político, despacha comigo no escritório [em] que você viu meu irmão. Agora, falar que ela é fixa naquele local, isso não procede”, reagiu irritadiço.

Apesar do esperneio, a revelação do repórter Rubens Valente pode complicar a vida do demo. Além de Meiry Oliveira, outros noves assessores também trabalhariam em situação irregular. Em 2009, após uma série de denúncias sobre o uso irregular dos escritórios nos Estados, a mesa do Senado disciplinou a matéria. Ela estabeleceu que os senadores podem montar “escritórios de apoio” em suas bases eleitorais, mas fixou que os endereços devem ser comunicados por escrito. “O ato não prevê punições, no entanto deve ser obedecido por todos os gabinetes. Em caso de descumprimento, o Ministério Público pode ajuizar ações de improbidade e buscar ressarcimento aos cofres públicos”, relata a matéria da Folha.

É certo que o ruralista Ronaldo Caiado conta com a cumplicidade dos poderosos. Em março, o ex-senador Demóstenes Torres – o “mosqueteiro da ética” da Veja cassado devido às íntimas ligações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira – fez duras denúncias contra seu ex-colega do DEM de Goiás. Entre outros petardos, afirmou que Ronaldo Caiado “rouba, mente e trai” e garantiu que as suas campanhas foram financiadas pelo mafioso. A mídia privada, que adora promover a escandalização da política e ama bajular os falsos moralistas, simplesmente sumiu com as denúncias. Nada de manchetes ou reportagens bombásticas. O Judiciário também fez um silêncio ensurdecedor. E no Congresso Nacional, nenhum parlamentar tratou da explosiva denúncia. Será que a reportagem de Rubens Valente terá o mesmo fim frustrante. 

A conferir!


BRASIL E CHINA SELAM INVESTIMENTOS DE US$ 53 BI









247 - Os governos do Brasil e da China firmaram acordos que chegam a mais de 53 bilhões de dólares, anunciou a presidente Dilma Rousseff nesta terça-feira, 19.

"O Brasil atribui grande importância à assinatura desse acordo sobre investimento e capacidade produtiva... nas áreas de energia elétrica, mineração, infraestrutura e manufaturas", disse Dilma em declaração conjunta ao lado do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang.
Entre os acordos está o de financiamento da linha ferroviária que irá da costa brasileira no oceano Atlântico até a costa peruana no Pacífico, a fim de reduzir os custos de exportações para a China. O fundo também financiará um empreendimento conjunto para produzir aço no Brasil.
Entre os acordos estão um entre a chinesa Cexim e a Petrobras, no valor de US$ 2 bilhões, para financiamento de projetos na petroleira. A Petrobras também assinou acordo com o Banco de Desenvolvimento da China (CDB), no valor de US$ 5 bilhões, também para financiamento de projetos.
A mineradora Vale também assinou acordo de cooperação financeira global com o ICBC, para oferta de serviços financeiros no valor de US$ 4 bilhões. Também fez um trato para financiamento da compra de 10 navios de minério de ferro de tonelagem de 400 mil toneladas, com o Grupo China Merchants e a Cexim.
A Vale ainda assinou acordo para aquisição de quatro navios da classe carregadores de minério de grande porte, com a chinesa Cosco. O presidente da mineradora brasileira assinou seis acordos com dirigentes chineses. Entre eles estão memorando de financiamento sobre projetos de compra de diversos navios para o transporte de minério de ferro.
O chefe de governo chinês chegou por volta das 10h30 ao Palácio do Planalto, subiu a rampa e foi recepcionado por Dilma na entrada do Salão Nobre. A visita do primeiro-ministro ocorre menos de um ano após a vinda ao Brasil do presidente da China, Xi Jinping, quando foram assinados mais de 50 acordos. A expectativa é que hoje sejam assinados pelo menos 30 atos entre os dois países com o objetivo de aprofundar as relações de cooperação e comércio bilaterais.
A delegação de Li Keqiang inclui 150 empresários chineses que estão reunidos com o empresariado brasileiro na Cúpula Empresarial Brasil-China, no Palácio Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores. Durante a visita da missão chinesa, o governo brasileiro espera solucionar a questão da liberação das exportações de carne bovina para a China. Durante a visita de Xi Jinping, em julho do ano passado, foi anunciado o fim do embargo chinês à carne brasileira, em vigor desde 2012. No entanto, ainda falta a assinatura de um protocolo sanitário.



PSDB ASSUME SER O PARTIDO DOS PANELEIROS










Por Ricardo Kotscho, em seu blog

Jornalista lembra que o partido iniciará sua propaganda eleitoral nesta noite com imagens dos panelaços promovidos contra o governo e o PT e destaca uma "virada radical" da sigla, comandada pelo ex-presidente FHC, que parte "como um Carlos Lacerda pra cima de Lula"; para Ricardo Kotscho, o programa que será exibido hoje "servirá como um divisor de águas na guerra política" e marcará a decisão dos tucanos, que, "meio envergonhados no começo, sem saber direito como agir diante dos protestos", resolveram "assumir de vez o papel de partido dos paneleiros e das marchadeiras"; legenda presidida por Aécio Neves, porém, "repete apenas as palavras de ordem da mídia", sem apresentar alternativas, diz Kotscho


Meio envergonhado no começo, sem saber direito como agir diante dos protestos do "Fora Dilma", apresentados como "espontâneos e apartidários", com seus lideres relutando em sair às ruas para se misturar aos manifestantes, agora o PSDB resolveu assumir de vez o papel de partido dos paneleiros e das marchadeiras.


Na noite desta terça-feira, o programa dos tucanos que irá ao ar no rádio e na TV servirá como um divisor de águas na guerra política. Ameaçado de perder o protagonismo das oposições, a reboque da mídia e dos movimentos organizados pelas redes sociais, os tucanos deixaram de lado o pudor acadêmico, mandaram os escrúpulos democráticos às favas, e resolveram ir à luta.
Os grandes caciques tucanos voltaram bem diferentes da temporada em Nova York, onde participaram, na semana passada, de um festival de homenagens ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na gangorra do vai não vai que caracteriza a ciclotimia do partido, o PSDB preparou o mais duro ataque já desfechado contra seu adversário histórico, 12 anos após a perda do poder central.
É o próprio FHC, fugindo ao habitual estilo cordato, quem comanda a virada radical do partido, ao partir como um Carlos Lacerda para cima de Lula, após o programa abrir as baterias com as imagens dos panelaços das varandas promovidos contra o governo e o PT.
"Nunca se roubou tanto em nome de uma causa (...) A raiz da crise foi plantada bem antes da eleição da atual presidente. Os enganos e desvios começaram já no governo Lula. O que já se sabe sobre o petrolão é grave o suficiente para que a sociedade condene todos os que promoveram tamanho escândalo, tamanha vergonha".
Na mesma linha, e para não perder o lugar na fila dos presidenciáveis tucanos, Aécio Neves também desceu do muro e bateu pesado:
"O Brasil precisa saber definitivamente quem roubou, quem mandou roubar e quem, sabendo de tudo, se calou e nada fez para impedir. Se a corrupção ganhar, ela vai voltar cada vez pior, cada vez mais forte. É hora de fazer o que é certo".
E o que é certo? Ao longo do programa, o PSDB nada diz a respeito. Repete apenas as palavras de ordem da mídia, das ruas e das varandas contra o PT, Lula e Dilma, mas em nenhum momento aproveita a propaganda partidária para apontar alternativas à política econômica adotada pelo governo. Fica difícil saber o que o partido ganha com isso pois quem concorda com este discurso já votou em Aécio nas últimas eleições. Os descontentes com o governo podem buscar outras alternativas, não necessariamente as tucanas.
Por coincidência, o programa do PSDB, em clima de panelaços de fim de feira, vai ao ar na mesma semana em que o Brasil recebe o maior volume de investimentos externos já aportado no país. São US$ 53 bilhões em projetos de infraestrutura que a comitiva do primeiro ministro da China, Li Keqiang, vai apresentar hoje em encontro com a presidente Dilma Rousseff.
Como os chineses não são de rasgar dinheiro, eles parecem estar mais confiantes no futuro do Brasil do que os brasileiros da oposição. Tem algo aí que não bate, para além das panelas.
Vida que segue.




Guga Noblat descobriu o óbvio: os paneleiros são doentes





       Os doentes não respeitam nem crianças


Por Paulo Nogueira



O apresentador Guga Noblat descobriu a pólvora: os paneleiros são doentes.
Ele escreveu, no Facebook, que não imaginava que, carregando uma criança no colo, pessoas que protestavam contra Dilma pudessem hostilizá-lo.
Mas hostilizaram.
Quando nem um bebê é respeitado, é porque a doença é, definitivamente, grave.
E essa doença se chama ódio. É um tipo de ódio irracional, ilógico – e perigoso.
Sua origem é facilmente rastreável. Ele deriva do enxame de colunistas que, nos últimos anos, se dedicaram a fazer uma incessante e furiosa pregação contra o PT.
As grandes empresas de jornalismo se abarrotaram de pessoas com esse perfil: gente sem limites na agressividade antipetista.
Se você olhar para trás, verá que o primeiro deles foi Diogo Mainardi, na Veja.
Logo depois, também na Veja, mas no site, apareceu Reinaldo Azevedo.
Tolstoi não se gabava de ter escrito Guerra e Paz, mas Azevedo não perde uma chance de dizer que criou a palavra “petralha”, segundo ele dicionarizada.
Aos dois se juntaria, com a mesma selvageria, Arnaldo Jabor, que começou a enxergar bolcheviques sob (ou sobre*) a própria cama e a denunciá-los com estridência em jornais, rádio e tevê.
Com o correr dos dias, o grupo foi se ampliando rapidamente. Rachel Sheherazade surgiu dentro desse quadro.
Não quisesse Silvio Santos dar sua contribuição sorridente para o ódio anti-PT, Sheherazade ainda estaria no anonimato em que sua carreira se arrastou.
Esta é uma característica comum à brigada da raiva.
Em circunstâncias normais, não seriam nada, ou quase nada. Mas deixaram claro aos donos da mídia que topariam agredir incondicionalmente Lula, Dilma e o PT. E isso lhes trouxe emprego e dinheiro fácil.
A grande ironia de tudo, e já falei disso algumas vezes, é que quem financia tudo isso é o próprio governo, pelo dinheiro bilionário que ano após ano coloca nas corporações de jornalismo dedicadas a destruí-lo.
Sobra dinheiro aos Marinhos, Frias e Civitas para sustentar e ampliar a bancada do golpe.
Uma das grandes interrogações futuras sobre os governos petistas é por que continuaram a prestigiar, com copiosos anúncios, empresas jornalísticas que são hoje, para usar a palavra de Guga Noblat, fábricas de “doentes”.
O mistério é ainda maior porque as audiências das mídias tradicionais despencaram nos últimos anos, com a ascensão da mídia digital.
Um tipo de público foi especialmente afetado pela mídia: pessoas de classe média, ou classe média alta, com pouquíssima leitura.
São os chamados analfabetos políticos.

Agora todos sabem que Danilo Amaral enterrou a Bra

Um caso exemplar é o do executivo fracassado Danilo Amaral, que hostilizou Padilha num restaurante em São Paulo.
Você tem que estar doente da cabeça para fazer o que ele fez. A vida de Amaral foi vasculhada pelos que se condoeram de Padilha, e hoje todo o Brasil sabe que o ponto supremo de sua carreira foi enterrar uma companhia aérea.
O que fez a fábrica de doentes com Amaral?
Aplaudiu.
Algumas pessoas notaram uma ironia nos apuros de Guga. Ele é filho do jornalista Ricardo Noblat, que em seu blog no Globo é parte do grupo semeador de ódio.
Talvez seja uma oportunidade para Noblat refletir sobre o triste papel que vem desempenhando como blogueiro.
Há um limite para agradar patrões – e este limite foi há muito tempo ultrapassado por Noblat e seus congêneres.

* Inserção do "Bastidores"




O manifesto de Jean Wyllys contra Eduardo Cunha e seu ‘ódio homofóbico’









De Jean Wyllys, no facebook:


Pela primeira vez em doze anos, o Seminário LGBT do Congresso Nacional não terá os convites oficiais enviados pela presidência e não será publicizado pelo site oficial da Câmara dos Deputados. Eduardo Cunha proibiu qualquer tipo de divulgação oficial do seminário, que já foi realizado sob a presidência de parlamentares do PT, do PMDB, do PP e do PCdoB ao longo de mais de uma década, sem restrições. Cunha proibiu inclusive que sejam colados os cartazes de divulgação do seminário dentro do prédio do Congresso — cartazes que já foram colados e eu não penso pedir para retirar — e essa decisão antidemocrática, antirregimental, inconstitucional e autoritária obedece a uma única razão: HOMOFOBIA.
O que incomodou Cunha foi a foto do (quase) beijo entre Daniela Mercury e Malu Verçosa que está nas peças aprovadas pelas comissões de Cultura, Legislação Participativa e Ciência e Tecnologia, que dividem a organização da XIIª edição do seminário. Ele fez de tudo para censurar o beijo. Primeiro, falou que era necessária uma autorização de uso da imagem assinada por Daniela, mesmo ela tendo divulgado a arte no seu site oficial. Daniela enviou a autorização por escrito, mas mesmo assim, ele disse não. Não! Ele não vai permitir um beijo lésbico em cartazes e convites oficiais da House of Cunha, o poder legislativo que ele acha ser de sua propriedade pessoal.
O tema do seminário é a empatia, um sentimento do qual o presidente da Câmara dos Deputados carece, pelo menos no sentido humano. Ele tem empatia com as empresas que financiaram sua campanha com “doações” que somaram 6.832.479,98 reais, para as quais quer aprovar uma emenda à constituição que lhes garanta a possibilidade de continuar “investindo” em candidatos patrocinados que as representem no executivo e no legislativo. Ele tem empatia com os deputados que lhe deram o voto para a presidência em troca de aumento de salário e verba parlamentar e outras regalias que ofendem o povo trabalhador em época de crise e ajustes.
Ele tem empatia com as igrejas caça-níquel que se valem do discurso de ódio — contra LGBTs, adeptos das religiões de matriz africana, mulheres que fazem aborto e/ou usuários de drogas ilegais — para disputar o mercado das almas, arrecadar o dízimo e as “ofertas” e até vender vassouras “ungidas”. Ele tem empatia com as máquinas partidárias fisiologistas, as legendas de aluguel, os cabos eleitorais pagos e outros beneficiários da “contrarreforma” política que pretende aprovar nesse ano para fazer menos democrática a democracia.
Ele tem empatia com os fabricantes de armas, para os quais o Congresso prepara uma reforma do estatuto do desarmamento que pode aumentar a violência e a morte num país que já tem violência e morte demais. Ele tem empatia com planos de saúde, para os quais conseguiu o perdão de multas milionárias e o engavetamento de uma CPI. E por aí vai…
Mas ele não consegue ter empatia com as pessoas que se amam. Não consegue sentir empatia por um (quase) beijo entre duas mulheres — fica revoltado, indignado, assustado, enjoado, raivoso. Não basta ele pretender que o Congresso aprove um estatuto contra as famílias que não são como a dele, não basta o discurso de ódio homofóbico. Ele precisa, também, usar seu poder — que acredita ser absoluto, monárquico — para censurar um beijo. Isso diz, também, o que ele pensa das instituições da República, e o pouco respeito que ele tem pela democracia.
Daniela e Malu continuarão se beijando, como outros milhares de casais de todo tipo. E farão isso no Congresso, se quiserem, na cara do censor, na porta do seu gabinete, ou onde for necessário. ALIÁS, EU CHAMO TODOS OS CASAIS A VIR SE BEIJAR NO SEMINÁRIO, NO CONGRESSO NACIONAL! EU CONVOCO VOCÊS A DENUNCIAR A CENSURA E RECLAMAR À MÍDIA QUE NOTICIE ESTE ATO ANTIDEMOCRÁTICO! Nenhum e nenhuma de nós vai voltar ao armário, senhor Cunha!
E eu te garanto: quando chegar o momento, vamos cobrar com juros todo esse amor reprimido e esse silêncio que você quer nos impor. Se não for a “Lava-Jato” a nos dar essa oportunidade, certamente haverá outra!




O OVO DA SERPENTE CHOCA UM RATO - LÍDER DO VEM PRA RUA MATA TRABALHO E VAI PRA RUA









Organizador de manifestações contra a corrupção e contra a presidente Dilma Rousseff nas ruas de Vitória, no Espírito Santo, o líder do movimento Vem Pra Rua, Armando Fontoura, foi flagrado por câmeras da Câmara Municipal batendo o ponto de presença e indo embora sem trabalhar; nas imagens, ele vestia bermuda, sandálias e óculos escuros; o líder oposicionista diz não se lembrar do episódio, para ele, uma "trama diabólica"; Fontoura, que acabou demitido, foi eleito no último domingo 17 o novo secretário do diretório municipal do PSDB; ele também é acusado de fraude na eleição interna por integrantes da juventude do PSDB, que afirmam que ele teria filiado pessoas de sua família para poder participar da disputa.

19 DE MAIO DE 2015 ÀS 09:46

247 – O líder do movimento Vem Pra Rua em Vitória, no Espírito Santo, foi flagrado por câmeras da Câmara Municipal da capital batendo o ponto de presença vestido de bermuda, camiseta, sandálias e óculos escuros e indo embora sem trabalhar.
O vídeo causou sua exoneração, mas ele afirma desconhecer as imagens e não se lembrar de ter feito isso. O fato aconteceu em março de 2013, mas o vídeo só foi divulgado ontem.
Fontoura foi um dos organizadores de manifestações contra a corrupção e contra a presidente Dilma Rousseff nas ruas de Vitória. Para ele, a divulgação do vídeo é uma "trama diabólica".
Questionado pelo jornal A Tribuna sobre se sua conduta como assessor na Câmara condizia com o que prega nas ruas, Fontoura respondeu: "Minha luta sempre foi pública e quem me conhece sabe que eu não coaduno com nenhum tipo de malfeito".
No último domingo 17, Armando Fontoura foi eleito secretário do diretório municipal do PSDB. O vídeo foi divulgado por integrantes da juventude do PSDB, após a eleição da Executiva Municipal da legenda.
Eles denunciam uma fraude na disputa interna: Armando Fontoura teria a senha do programa de filiação do partido e teria filiado várias pessoas de sua família para participar da eleição. "O Armando conseguiu filiar pessoas que nunca tiveram ligação com o PSDB. Ele ligou para os parentes irem votar. Teve gente que foi votar de pijama", contou Bárbara Kuster, 25.
Para Elias José Salim, 20, a chapa vencedora, encabeçada por Wesley Goggi, e que tem Armando Fontoura como secretário, só está atrás de cargos, não tem ideologia. "Eles achavam que teriam cargo no governo com César Colnago (PSDB) como vice-governador", disse. O líder do Vem Pra Rua respondeu ser normal ter parentes filiados ao partido, mas não precisou o número de familiares que foi votar por ele no domingo passado.




Randolfe Rodrigues: “A oposição esqueceu que Fachin também abriu o voto em Covas e Richa”





O ínclito senador Randolfo Rodrigues




Do Uol

Artigo do senador Randolfe Rodrigues:

O limão com que tentaram transformar a sabatina do jurista Luiz Edson Fachin, indicado para ministro do STF, acabou virando uma doce limonada na sessão da última terça-feira (12) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.  Numa sessão histórica, que marcou um recorde pela duração de quase 12 horas da sabatina ininterrupta, a CCJ acabou aprovando o nome de Fachin por uma esmagadora maioria de 20 votos contra 7.
O resultado maior, porém, não foi numérico. A relevância da aprovação de Fachin se afirma pela prevalência inequívoca da democracia, que garantiu espaço generoso para um longo e exaustivo debate no qual saíram vitoriosos, mais do que o candidato, a transparência, a discussão, o choque de ideias e a luz do pensamento que forja o caráter, estimula a consciência e reafirma os valores da civilização. Por tudo isso ganharam, sem dúvida, o Parlamento, a Justiça e a nação brasileira.
A sessão da CCJ com Fachin fugiu à maldição burocrática das sabatinas antecedentes, que pareciam mera formalidade para atender ao rito da lei. Dessa vez, o Senado exerceu, no limite de sua atribuição, o direito e o dever de questionar, até com dureza, o candidato que pleiteia a 11ª cadeira de juiz da Suprema Corte.
A discussão preliminar sobre o nome do candidato trazia o azedume dos confrontos ideológicos e dos interesses partidários que rebaixavam o debate e confundiam o cidadão. A oposição à direita não escondia a acidez de seu ataque ao candidato por ser indicação ostensiva da presidente Dilma Rousseff, esquecida de que todo nome proposto ao STF tem origem no Palácio do Planalto, por mera exigência constitucional.
A paternidade (ou, no caso, maternidade) da indicação, mais do que uma sina partidária, é uma imposição do calendário: é o presidente da República que tem o dever de preencher a vaga existente no Supremo.
E essa obrigação legal não garante nenhum privilégio ou subordinação entre o presidente que indica e o ministro que é indicado. Um bom exemplo é Joaquim Barbosa, indicado por Lula e, apesar disso, transformado pelas circunstâncias no algoz preferencial dos petistas e companheiros do presidente a partir de sua implacável atuação como relator no julgamento do mensalão.
A oposição reclamou que o cidadão Luiz Fachin, num certo momento, abriu seu voto para a candidata a presidente Dilma Rousseff, esquecida de que, em outras campanhas, ele declarou apoio aos governadores José Richa e Mário Covas e ao prefeito Gustavo Fruet — por acaso, nomes ilustres que a oposição de hoje um dia louvou como tucanos de estirpe e linhagem.
Os opositores do governo, certos de que deviam usar outra tática, tentaram o recurso menor do ataque burocrático a um eventual exercício ilegal da advocacia quando era procurador no Paraná, malícia que Fachin rebateu simplesmente pelo amparo da Constituição, que lhe dava esse direito.
Sem rebuço na CCJ, o candidato confessou-se “progressista”, o que pode explicar um pouco do ranço concentrado da direita mais zangada, que tentava sem sucesso carimbar o currículo exemplar de Fachin com o sinete do preconceito mais tolo, tentando vesti-lo com a fantasia de “oráculo da poligamia” e de “inimigo da família”.
Sereno, didático, paciente, Fachin atravessou as 12 horas de sua audiência desmontando, um a um, os moinhos dos radicais que, pelo cansaço e pela teimosia, tentavam tempestades de vento para apresentar ao país a versão em terno e gravata de um Frankenstein jurídico. Deu tudo errado.
A longa, indulgente exposição de Fachin acabou mostrando a consistência de sua formação jurídica e a solidez de suas convicções humanistas, ao mesmo tempo em que escancarou a fragilidade de argumentos e o palavrório oco da banda mais conservadora do plenário. A rala votação que obtiveram, após tanto esforço e tanto tempo, mostra que fracassaram, para sorte da Justiça e dos brasileiros de bem.
Derrotados de forma arrasadora, os opositores ao bom direito agora acoitam suas esperanças no voto secreto do plenário, que deverá sacramentar a amadurecida decisão da CCJ. Sussurram que lá, sob o manto do sigilo, os senadores deverão enfim rejeitar o que foi tão amplamente acolhido pela maioria exponencial da comissão. Alegam, à socapa, que terão o apoio e liderança do presidente da Casa, senador Renan Calheiros, na vã esperança do que parece ser outro quixotesco moinho de vento.




Servidora do Senado trabalha em escritório particular de Caiado





O probo senador Caiado



Da Folha:

Pouco antes das 14 horas do dia 9 de abril, a servidora do Senado Meiry Rosa de Oliveira, nomeada pelo senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), cumpriu sua rotina de parar o carro no estacionamento privativo e abrir o cadeado do escritório localizado em uma casa na rua 26, em Goiânia (GO), onde trabalha.
Duas semanas depois, a Folha encontrou a assessora novamente no local.
O escritório político informado por Caiado à direção do Senado, porém, fica em outro endereço. Pelas regras da Casa, assessores dos senadores nos Estados devem trabalhar nos escritórios políticos indicados previamente ao Senado pelos congressistas.
O prédio em que Meiry atua é o escritório de apoio às fazendas de Caiado, também frequentado por seu irmão, Rondon, que, segundo a assessoria do senador, auxilia na administração das propriedades rurais da família. Caiado declara ter sete fazendas no interior de Goiás.
Segundo Meiry, o escritório particular também é usado para cuidar dos negócios do senador do DEM.
“Escritório financeiro dele, no geral. (…) Cuida de todas as finanças, de todos os pagamentos dele.”
Em entrevista à Folha, Caiado disse que o escritório das fazendas não é o local fixo de trabalho da assessora.
“Então, esse assunto, onde ela fica, isso é uma coisa muito relativa. Ela despacha comigo na minha casa, despacha comigo no escritório político, despacha comigo no escritório [em] que você viu meu irmão. Agora, falar que ela é fixa naquele local, isso não procede”, disse.
Caiado confirmou que o escritório frequentado por Meiry também cuida dos assuntos das fazendas. “Ali, eu e meu irmão, nós temos vários negócios de família, (…) assuntos que ficaram em comum”, disse o senador.
Caiado também informou que tem nove assessores morando em cidades do interior do Estado. Segundo o senador, eles encaminham relatórios de trabalho e periodicamente vão a Goiânia para participar de reuniões.