quinta-feira, 27 de agosto de 2015

PT saberá responder à mensagem das ruas?







Por Reginaldo Moraes, no site Brasil Debate:



Em artigo no site Carta Maior (agosto de 2015), Emir Sader, analista atento e com muitos anos de janela, faz uma pergunta: “Por que a direita saiu do armário?” Emir afirma que “o que há de novo é a consolidação de um setor de extrema direita na classe média”. E em parte concorda que pelo menos um setor da classe média assume teses fascistas, aberta e agressivamente.


Sua explicação é que “os governos do PT não amaciaram a luta de classes, mas a acirraram”. O “sair do armário” seria resultado dessa “perda de espaço”. Mais precisamente,“o PT é responsável pela saída da direita – e da ultradireita – do armário, porque afetou profundamente os seus interesses”.

Nessa análise, o que não fica muito claro é outra coisa, que podemos sintetizar em outras perguntas: Por que agora, depois de três mandatos presidenciais? Ou não foi agora? O artigo me parece ter o mérito de suscitar essas perguntas – que o artigo do Emir não responde, nem nós tentaremos fazê-lo. Vamos deixar para outra ocasião.

Outra avaliação dessa “nova cena” está no também instigante artigo de Celso Marcondes, do Instituto Lula. O título do artigo, aliás, é precioso: “O PT não perdeu as ruas, mas elas não são as mesmas”. 

Marcondes aponta as duas razões pelas quais a direita teria posto o pé no freio, no seu movimento golpista: (1) demasiadamente alongada, a incerteza resultante do impasse prejudica seriamente os lucros e, por outro lado, (2) em caso de golpe, haveria possibilidade de reações populares pesadas.

A partir daí, contextualiza a manifestação do dia 20, em que as forças de esquerda teriam convergido para uma ação unificada, antigolpe. Assim, nota, com acerto: “O PT estava lá, mas não estava só. E todas as ruas agora apontam para uma bifurcação.”

Aí está a coisa. A manifestação foi contra “o golpe”, é fato. Mas as diferentes forças caracterizaram diferentemente o que consideravam golpe. Para boa parte dos presentes, golpe não era apenas a possibilidade de derrubar a presidenta e banir o PT.

Golpe é impor uma agenda que, claramente, foi derrotada nas urnas, coisa que estaria sendo feita a partir do próprio governo, por dentro da sua equipe. Ou pelo Congresso, com suas leis punitivas extraídas do Velho Testamento. Ou por um Judiciário ultraconservador. O “ajuste do Levy”, assim como os demais retrocessos e recuos, foram seguidamente apontados pelos oradores, faixas, gritos da rua.

Enfim, para retomar uma oportuna diferenciação feita por um grupo da juventude do PT, há uns dois meses: o petismo não perdeu as ruas. Mas isso não parece ser exatamente “o PT”. Por isso, Marcondes acerta, talvez sem pretender: O PT não estava só nas ruas porque o “petismo” ou as crenças e aspirações que um dia se identificaram com o PT estão hoje mais espalhadas fora do PT (embora nem sempre contra o PT).

Esses sentimentos estão alojados em movimentos sociais diversos, em militantes de outros partidos menores e, mesmo, em simpatizantes do PT que não batem continência nem participam de ordem unida. O desafio, para o PT, é entender a diferença entre “fora” e “contra”. Para não se colocar “contra” e acabar “fora”.

Essa é a riqueza da cena e o desafio da recomposição da esquerda, não apenas para enfrentar o golpe armado e anunciado, mas, também, para avançar nas reformas de base e, assim, desarmar os golpes silenciosos que andam por dentro, pelas “agendas” derrotadas nas urnas, mas vitoriosas nos palácios – palácios do Legislativo, do Judiciário e, também, do Executivo.

É sintomático que essa manifestação tenha tido o porte e o entusiasmo que teve, surpreendendo até mesmo alguns dos seus organizadores. Talvez todos, não sei. Mas há precedentes a considerar. Guardadas as diferenças, esta manifestação tem, para o “petismo além PT”, o mesmo significado que teve um ato de campanha, ocorrido na PUC-SP (talvez tenha havido similar em outros estados).

Começo de campanha para o segundo turno, clima de “Aécio ganhou” na mídia, com reflexos depressivos no PT – coisa que se repete em segundos turnos. Dilma faria uma visita à PUC. A direção da campanha e do partido deram ao evento um tratamento “interno”, discreto, quase clandestino. Mas os simpatizantes da candidatura estavam angustiados com a situação e ansiosos por sair à rua. Não aguentavam mais ficar em casa, vendo notícias da “vitória” da direita.

A notícia sobre o evento se propagou rapidamente pelas mais diferentes vias. Aconteceu algo não previsto, não programado: milhares de pessoas se concentraram diante da PUC para um evento que não iria ocorrer, um comício. Dilma foi praticamente empurrada a sair à janela para, pelo menos, acenar para a multidão, sob os gritos de “quem não pula é tucano”.

Naquele ato de campanha, assim como nesta manifestação antigolpe, o fato teve importância sobretudo para a moral política dos manifestantes: a rua tinha sido resgatada. Resgatada pelo petismo, bem mais do que “pelo PT”. Entender esse fato e aprender com ele é um desafio para o PT, estrito senso: ou decifra a esfinge ou é por ela devorado.



ESQUERDA E DIREITA JÁ ESCREVEM NAS RUAS UM CONFLITO ANUNCIADO









Brasília – Os protestos do domingo 16 levaram ao governo um alívio e uma preocupação. Não foi a “bala de prata” que a oposição esperava para derrubar a presidente Dilma, mas colocaram duas novidades no conturbado cenário: o “Fora-Lula” e, pela primeira vez desde o início da jornada de manifestações, PSDB e PT, foram às ruas travar a revanche de 2014. Os adversários que polarizaram as disputas presidenciais nos últimos 20 anos deixaram o conforto dos gabinetes acarpetados para buscar o apoio das massas num conflito de classes tão vital para a radicalização da democracia quanto perigoso.
Que as manifestações representam o melhor combustível para aprofundar e depurar a democracia, nem o mais neófito em política tem dúvida. Contudo, não é isso que está em disputa. A oposição, agora com importante parcela da população capitaneada pelo PSDB, quer tomar o governo. A situação, embora visivelmente frágil e menos numerosa, dá sinais de que vai resistir até onde isso seja possível e com os recursos disponíveis.
Poucas manifestações simbolizam melhor a evolução dos ânimos que as recentes declarações de dois personagens secundários da política, o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG) e o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) Vagner Freitas.
Pestana disse que é irrelevante se Dilma é ou não inocente na onda de denúncias da Lava Jato, ou seja, a presidente deve ser derrubada a qualquer custo. Já o sindicalista procurou mexer nos brios do que ainda resta de sentimento de resistência na esquerda, para defender, com armas nas mãos, se necessário, um mandato conquistado nas urnas.
Hora do jogo
As duas declarações convergem para o lógico raciocínio de que acabou o treino. O jogo agora é pra valer, o que torna cada vez mais provável a hipótese de conflito cujas consequências são ainda imprevisíveis, embora poucos analistas tenham dúvidas de que falta apenas uma faísca para que o rastilho alcance as ruas.
O ruim para o PT, Dilma e Lula, é que a oposição e os grupos que pregam abertamente o golpe – seja através do impeachment no Congresso, no tapetão do TSE ou por uma pressão mais forte, que obrigue a presidente a renunciar – escolheram as cercanias do poder como trincheira. A parte boa é que mostraram a cara e estão partindo para o tudo ou nada, sem vergonha de conspirar para derrubar um governo eleito pelo voto popular.
Dirceu no corredor de abate
Para os estrategistas do poder, Dilma tem como reverter o quadro, ainda que para isso vire as costas para correligionários históricos no PT, como fez com o ex-ministro José Dirceu, que foi para a cadeia como um animal que entra no corredor de abate. Nenhuma autoridade de peso no governo ou no partido do qual foi o coração saiu em sua defesa. A terceira prisão derrubou a biografia do líder estudantil que se rebelou contra a ditadura e se tornou um dos símbolos da resistência.
Dirceu é o grande perdedor político da última década. Até o gesto suicida do ex-deputado Roberto Jefferson (“Zé Dirceu, se você não sair daí rápido, vai fazer réu um homem bom, inocente. Zé Dirceu saia do governo, saia daí rápido!”) era um sucessor certo de Lula, tão natural quanto foi Raul de Fidel Castro. O equívoco de Jefferson, que imaginou o dedo de Dirceu na reportagem de Veja sobre o escândalo dos Correios, em 2005, detonou os 10 anos de solidão do centro de decisões políticas do poder e o empurrou para a próspera carreira do consultor que traficou influência. Entre o mensalão e a Lava Jato, Dirceu encontrou um fim de linha triste e insólito. Engana-se quem imagina que está definitivamente derrotado.

Instinto de sobrevivência

O silêncio dos correligionários diante do dilema de Dirceu ilustra bem o instinto de sobrevivência de Lula e de Dilma para defender o legado da estrela vermelha, que se desbota a cada dia. Mas deu certo e pode explicar, em boa parte, porque as manifestações de 16 de agosto não deram o resultado que a oposição esperava.
Ao deixar que Dirceu fosse para a geladeira, a presidente livra-se da banda mais complicada do PT e vai cuidar de sua biografia. O aprofundamento da crise, segundo um assessor governista ouvido pelo Marco Zero, por mais paradoxal que possa parecer, é uma oportunidade para mudanças na coalizão governista. É hora, segundo ele, de mudar os conceitos e práticas de governabilidade, substituindo o famoso “toma lá, dá cá” por compromissos apontados pelas ruas.
Estratégia da “Coração Valente”

O baixíssimo índice de popularidade e a clara conspiração em curso – estimulada pelos grupos de comunicação mais fortes do país – não são obstáculos para uma nova agenda. O assessor lembrou o caso do antecessor de Dilma, que estava nas cordas em 2005, graças à confissão do publicitário Duda Mendonça na CPI do mensalão (ele recebeu os pagamentos pelo trabalho ao PT através de contas bancárias de paraísos fiscais), deu a volta por cima, se reelegeu e virou “o cara”, iluminador de “postes” e fenômeno eleitoral sem precedentes na história política brasileira.

Dilma opera agora uma segunda etapa da estratégia para tentar salvar o mandato: a reforma ministerial, que deve enxugar a máquina, otimizar as políticas públicas (dispersas em 40 ministérios) para melhorar a economia, abrir espaço para fiéis da balança – como o PMDB do vice Michel Temer – e uma pincelada de moralização na confusa coalizão governista.


Lula, Dilma e o PT passaram 12 anos se recusando a enxergar o que as ruas escancararam. É claro que não foi Lula quem inventou a corrupção – ele apenas se rendeu, sem resistência, à promiscuidade da banda podre -, mas o acerto de contas se tornou um imperativo que Dilma, finalmente, parece ter decidido enfrentar.

Paciente e tolerante

Primeiro, contra a vontade de figuras a ela ligadíssimas, reconduziu o procurador Geral, Rodrigo Janot, embora por imposição constitucional tenha deixado a palavra final à imprevisibilidade do Senado. A próxima fase é oferecer ferramentas e recursos para que as instituições de controle estanquem a corrupção endêmica.
Pessoas próximas chegaram a sugerir que a presidente ofereça e dê publicidade aos recursos necessários para que o juiz Sérgio Moro leve em frente a cruzada contra a corrupção.

Embora surfando em perigosos índices de impopularidade e ainda dependente de Lula, Dilma mudou para se adaptar aos novos tempos de crise. Em vez da durona frequentemente agressiva, adotou um estilo em que mescla cautela, paciência, transigência e uma boa dose de tolerância, virtudes até então desconhecidas, mas que a têm blindado até contra o “fogo amigo” alimentado nas conspirações de porão.
Aprendeu no pampa que “a dor ensina a gemer” e aproveitou para mudar, também, o visual, optando por um regime alimentar mais saudável. A aparência leve e solta, passa imagem de sobriedade diante do turbilhão, embora os adversários enxerguem aí autismo e falta de sensibilidade.

Abrindo o cofre



Ao contrário de Collor – fenômeno que a sociologia política deveria se debruçar para entender os problemas morais da República -, que caiu por ter virado as costas à política, Dilma está atenta a base no Congresso, abrindo o cofre com certa moderação e engolindo sapos para rearticular a tropa de defesa.
Foi com mudanças no estilo que ela saiu quase ilesa da investida do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que encerrou o primeiro semestre anunciando com estardalhaço o rompimento com o governo.
Enrolado na Lava Jato, Cunha tentou aplicar a mesma tática de Roberto Jefferson no mensalão atribuindo, equivocadamente, ao Palácio do Planalto a responsabilidade pelas investigações que o encurralaram. Não deu certo pela simples razão de que o governo não consegue mais controlar qualquer investigação. Cunha sabe que mais dia, menos dia, o julgamento da Lava Jato chegará – como ocorreu no mensalão que botou Dirceu e o réu-confesso Jefferson na cadeia – e tentou, em vão, politizar um caso que, controvérsias à parte, é judicial na essência.

Trio de conspiradores

O objetivo de Cunha é claríssimo: intensificar a pressão para criar no Congresso ambiente que justifique o impeachment da presidente, o que poderia dar a ele protagonismo e força política para tentar tumultuar o processo em curso no Supremo Tribunal Federal contra parlamentares que receberam propinas através dos desvios na Petrobras – onde é um dos principais alvos.

Sem justificativa plausível Cunha tentou emparedar o governo desengavetando CPIs que não devem dar em nada. Dilma já experimenta o chamado efeito “teflon”.
Com Renan Calheiros fazendo ameaças no Senado, Eduardo Cunha criando factóides na Câmara e Haroldo Cedraz no comando do Tribunal de Contas da União (é bom lembrar que o TCU é um órgão auxiliar do Congresso), Dilma não poderia ter encontrado remédio melhor para se imunizar contra as denúncias.
Além do mais, embora seja praticamente impossível um chefe de governo não ter noção dos malfeitos praticados em seu nome, inexiste prova, pelo menos por enquanto, de que tenha se beneficiado pessoalmente de dinheiro ilícito ou que participou de alguma reunião em que se discutiu fundos de campanha originários das empreiteiras envolvidas na Lava Jato.


Coadjuvante do lacerdismo

Cunha pode estressar um pouco mais o Palácio do Planalto, mas não representa uma ameaça concreta ao mandato de Dilma. O problema para o governo é que ele é coadjuvante do lacerdismo redecorado cuja missão era não permitir que Dilma fosse reeleita em 2014, mas uma vez que ela saiu vitoriosa e foi empossada, pondo em curso uma guerra sem tréguas para derrubá-la. Ao optar por cair atirando a esmo, o presidente da Câmara encontrou guarida na oposição e por ela pode ser usado.
Em 2005, quando teve na mão a faca que poderia cortar a cabeça de Lula, o PSDB recuou diante de um argumento apresentado pelo senador Tasso Jereissati. Este disse que havia base para derrubar Lula, mas lembrou que o PT não era o mesmo PRN que assistiu passivamente o governo Fernando Collor se estatelar. A profecia já não vale mais para o PT, mas pode ser cumprida por alguns grupos de esquerda, que não deixarão um governo conquistado a duras penas cair de graça no colo da direita.
Preparados para a luta
A declaração de Vagner Freitas, que tentou desmenti-la no Jornal Nacional, da TV Globo, não tem nada de novo. Quem conhece os principais movimentos sociais mais à esquerda – é o caso do MST, do MLST e de boa parte dos sindicatos ligados a CUT – sabe que se as circunstâncias exigirem eles estão preparados e irão, literalmente, a luta para impedir o golpe.
Esses grupos só abandonariam Dilma diante de uma prova incontestável de que ela se beneficiou pessoalmente da corrupção, hipótese descartada até pela oposição.
A esquerda mais preparada está quieta, consciente de que o conflito inevitável se dará por etapas. A estratégia agora é disputar as ruas com a direita, marcar território e avisar que a oposição espere até 2018 para tentar tomar o poder no voto.
Mais que defender Lula ou Dilma, os movimentos sociais avaliam que seriam as primeiras vítimas e, uma vez fora da órbita do poder, demorariam outros 500 anos para voltar a ter voz. Foram eles, afinal, que fizeram a diferença na apertada reeleição de Dilma e, mesmo com a mão no nariz, não vacilarão em defender a posição conquistada.




Pau que dá em Chico também dá em Francisco? Dá não, Dr. Janot…





Aécio, cachorro doido




Paulo Henrique Amorim fez a melhor observação de todas sobre a sabatina de Rodrigo Janot no Senado: o olhar baixo e perdido de Aécio Neves.

Uma intervenção vazia, sem conteúdo, da qual, como toda a gentileza, o Procurador tirou a citação, dos tempos da “Derrama” – o imposto cobrado sobre a produção de ouro em Minas Gerais.
Pau que dá em Chico também dá em Francisco.

Será?

Aécio talvez tenha baixado os olhos por medo de que, no Brasil, Chicos e Franciscos sejam tratados da mesma maneira.

Um aeroporto quase “privativo” ao lado de sua fazenda dá em nada.

Uma afirmação do bandido doleiro Youssef, que manda um monte de gente mofar na cadeia, para ele, arquiva-se.

Aparece na “Lista de Furnas”? Deixa que a lista desaparece.

As doações de campanha das mesmas empreiteiras da lava Jato, que no PT são corrupção (como afirma o Ministro Gilmar Mendes), para o tucano – e maiores – são “amor”.

Não, Dr. Janot, pau que dá  em Chico não dá em Francisco.

O senhor lembra que usou esta mesma frase, há dois anos, quando acabara de ser nomeado, prometendo ao Estadão “rigor no mensalão mineiro”, o dos tucanos, e não deu em nada?

Tomara que um dia dê.

Mesmo assim, sem ser punido, a culpa tira a altivez dos olhos de quem a tem.

Talvez a cena fosse mais bem descrita com outro ditado do interior:  Aécio ficou “ficou com cara de cachorro que quebrou panela”.




Sem público, Lobão inventa que ministério da Justiça está “telefonando pros teatros para cancelar” shows









COISA QUERIDA!O MINISTÉRIO DA JUSTIÇA TELEFONANDO PROS TEATROS PARA CANCELAR MEUS SHOWS E O MINISTRO DA DEFESA ME COLOCANDO COMO INIMIGO
— Lobão (@lobaoeletrico) 26 agosto 2015




Quem disse a Youssef que outro delator já estava falando sobre o repasse de recursos para a campanha de Dilma?





Youssef no país dos adivinhos - Ficou claro no depoimento à CPI ontem - 26.08.15 - de quem é que Youssef morre de medo




O principal fato da sessão desta terça-feira, da prevista “acareação” entre os “delatores premiados” Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa, na CPI da Petrobras, da Câmara dos Deputados, talvez não mereça muito espaço nas manchetes desta quarta.
Não bastando o constante vazamento, quase sempre seletivo, sobre suposições, ilações, delações “premiadas”, subjetivas, inaugurou-se ontem, no âmbito da Operação Lava-Jato – em mais um exemplo de que o uso do cachimbo faz a boca torta –  o instituto do “vazamento futuro” de delações, ilações, suposições, em um espetáculo onde quase tudo é suposto e subjetivo, menos o alvo final do processo.
Por isso, mesmo que com mais buracos que um queijo suíço, nessa operação já não espanta o enredo conhecido, caracterizado por  “revelações” feitas a conta-gotas, acompanhadas, na maioria dos casos, pela gritante ausência de provas inequívocas, que está voltado, como na fábula  do Lobo e do Cordeiro, para derrubar o governo a qualquer preço, seja qual for a justificativa.
O que mais surpreende, agora, é o descaramento com que surgem as  “revelações” dos “delatores”, a ponto do Sr. Alberto Youssef, por intervenção ao pé do ouvido de seu advogado, voltar à pergunta anteriormente feita pelo relator da CPI, sobre o repasse de recursos para a campanha presidencial da Presidente da República – o ponto nevrálgico que se pretendia esclarecer com a “acareação” de ontem – retomando a sua negativa de que esse repasse tenha ocorrido por meio de seu intermédio, para fazer o premonitório anúncio – como se quisesse se justificar por não estar acusando diretamente o governo – de que “tem outro réu colaborador que está falando sobre esse assunto e assim que essa colaboração for noticiada vocês vão saber realmente quem foi que pediu o recurso e quem repassou o recurso… Logo vai ser revelado e esclarecido esse assunto”.
Ora, ao fazer, com tom de porta-voz oficial, esse anúncio, o Sr. Alberto Youssef já antecipa o que irá ocorrer a seguir, no próximo capítulo desse ramal da Operação Lava-Jato, desfazendo o teatrinho da suposta contradição entre seus dois mais conhecidos  “bandidos-delatores”.
Ele sinaliza, convenientemente, aos presentes, à oposição, à imprensa, que alguém já estaria “falando”,  ou melhor, que alguém logo irá  dizer que foi feito o repasse e a pedido de quem ele teria sido feito.
E dá a entender que essa pessoa também irá confirmar, eventualmente, seu valor, retirando o ônus, a missão, o papel, de fazer ou comprovar essa acusação, dos ombros dos dois delatores presentes ontem na CPI, e, principalmente,  do próprio  Youssef, que não poderia fazê-lo sem o risco de desmentir suas declarações anteriores.
Ora, revelado, de forma pública e cristalina, no palco da CPI, qual será o próximo passo – Gilmar Mendes trabalha junto ao TSE e os adversários do governo também o fazem em outra frente, no contexto do TCU – o que importa não é saber o que foi dito, mas o que não foi dito pelo delator-doleiro – o que está por trás da orientação recebida de seu advogado, cochichada, naquele particular momento, diante das câmeras.
A pergunta para a qual se deveria esperar pronta resposta, é como um réu, já condenado, prestando depoimento, sabe – por meio de “vazamento interno”, que será feita – em suas próprias  palavras alguém “já estaria falando” – uma nova delação premiada, quem estaria   fazendo essa delação premiada e qual será o teor dessa declaração, a ponto de antecipá-la  descaradamente em plena Comissão Parlamentar de Inquérito.
Ao afirmar, olimpicamente, que “assim que a declaração for revelada vocês vão saber”,  Youssef provou que teoricamente tem acesso, atrás das grades, a um grau de informação muito maior do que têm, jamais tiveram, os membros da Comissão na qual estava sendo interrogado, e não apenas sobre o seu próprio processo, mas sobre a operação como um todo.
Mas, mesmo assim,  ele sequer foi inquirido, imediatamente, a propósito de como e por meio de quem teve conhecimento dessa suposta futura delação, que estaria prestes a ser revelada nas próximas semanas.
Quem disse ao advogado do Sr. Alberto Youssef que um outro “réu colaborador” já estaria “falando” sobre esse tema?
O advogado do Sr. Alberto Youssef é o mesmo desse suposto novo delator “premiado” que irá, segundo o próprio doleiro, confirmar que houve o “repasse”?
Nesse caso, o advogado estaria, eventualmente,  combinando com seus dois clientes (se  não estiver assistindo a mais réus, ainda, no âmbito do mesmo caso) quem deveria falar o quê e o que deveria ser dito?
Ou, não sendo o advogado do Sr. Alberto Youssef o mesmo advogado do réu que já estaria “falando” sobre esse assunto – principal “motivo” da acareação de ontem – de quem teria o advogado do Sr. Alberto Youssef obtido essa informação ?
Do advogado do outro?
Justificando, assim, a suspeita de que os depoimentos, “vazamentos”, “revelações”, e “delações premiadas” poderiam estar sendo combinadas, manipuladas, “coordenadas”, entre os diferentes acusados por meio de seus advogados?
Ou teria o advogado do Sr. Alberto Youssef obtido essa informação, prévia ou “premonitória”, do juiz Sérgio Moro?
O que, em caso afirmativo, poderia comprovar, eventualmente, a existência de inaceitável  grau de intimidade entre um e outro lado do processo, o juiz e alguns dos réus e seus advogados, de uma forma que poderia levar ao comprometimento da lisura da Operação Lava-Jato?
Salvo Alberto Youssef e seu advogado tenham desenvolvido poderes adivinhatórios, são essas perguntas que poderiam estar sendo feitas por membros do Conselho Nacional de Justiça e do próprio STF neste momento, a  propósito da sessão da CPI da Petrobras de ontem.
Mas além disso, há espaço também para uma outra indagação, que também merece resposta:
Por qual razão essa suposta futura “delação premiada”, que será, segundo Alberto Youssef, em breve, revelada, só está sendo feita agora, justamente neste momento, em que, nesse caso de suposto repasse de recursos para a campanha presidencial de Dilma Roussef, chegou-se, pela própria “contradição” dos dois principais delatores  “premiados” a um impasse ?
Outro que anda premonizando coisas – além do próprio juiz Sérgio Moro, que, mesmo sem contar com precorgs, andou adotando as táticas do filme Minority Report, ambientado em Washington, DC, do ano 2054, para prever e impedir antecipadamente crimes, prendendo  executivos para impedir que suas empresas participassem de licitações sequer ainda oficializadas – é o Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.
Reunido ontem, com aliados, ele afirmou que o Presidente do Senado, Renan Calheiros, “aparecerá em delações premiadas” nas “próximas semanas”, no que tem provavelmente razão, já que vivemos em uma República em que qualquer um pode acusar qualquer um, a qualquer momento, impunemente,  de qualquer coisa, independentemente de ser por moto próprio ou por estar ou não a serviço de terceiros, usando para isso pretextos paralelos (como transformar automaticamente uma coisa em outra, do tipo doação de campanha em propina) sem necessidade de provas que sustentem, inequivocamente, suas alegações.
Nessa sequência – que às vezes parece muito bem estruturada – de ilações, delações, “colaborações”, distorções, e, presentes e futuras, “adivinhações”, a única coisa verdadeiramente inequívoca, são os deletérios efeitos, diretos e indiretos – para gaudio dos que torcem pelo “quanto pior melhor” e contra o país, a atividade política e a democracia  – de uma “operação” que, ao que parece, pretende prolongar-se indefinidamente nos próximos anos, transformando-se, de fato,  em um “quinto poder”, dentro do Estado, cada vez mais independente e acima dos outros.
Uma “operação” que poderia estar sendo dirigida apenas contra os corruptos,  que no final, como no caso de Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa, estão sendo quase todos “premiados” – mas que, ao decidir castigar, punitivamente, com o látego dos deuses, algumas de nossas maiores empresas,  está desmantelando amplos e estratégicos setores da vida nacional.
Nas áreas de infra-estrutura e construção pesada, da industria de petróleo e gás, da indústria naval, e, principalmente, da indústria bélica, com a eliminação de milhares de empregos, a provável falência de empresas como a AVIBRAS e a paralisação de programas em que o país já investiu bilhões de dólares, e o precioso trabalho de toda uma geração de valorosos planejadores, engenheiros e técnicos de nossas forças armadas, a percepção, quase certeza, é uma só, sem a necessidade de dons premonitórios:
A Operação Lava-Jato – sem resolver definitivamente o problema da corrupção, que não poderá ser sanado sem uma reforma política de verdade – já está provocando um prejuízo dezenas de vezes maior do que o dinheiro que recuperou até agora,  e irá deixar como herança, direta e indireta,  um atraso que será nefasto, irrecuperável, nas próximas décadas, do ponto de vista do ingente esforço, realizado, a duras penas, por vastos setores da sociedade brasileira, para a inserção estratégica, tecnológica, soberana e competitiva do Brasil entre as maiores nações do mundo.




"LEGALIDADE" VERSUS GOLPE SEPARAM ALCKMIN DE AÉCIO









O jornalista Josias de Souza explicitou, nesta quinta-feira, a guerra interna do PSDB, no artigo Relações de Alckmin com Aécio se deterioram.

"O PSDB vive em dois universos. No oficial, os líderes tucanos jamais discutem. No paralelo, eles quase nem se falam. Quando conversam, se desentendem falando o mesmo idioma", disse Josias.

A rusga mais recente entre os dois presidenciáveis tucanos, segundo Josias, ocorreu em Sergipe. No estado, "a presidência do partido foi retirada de José Carlos Machado, vice-prefeito de Aracaju, para ser entregue a um advogado chamado Pedrinho Barreto, que acaba de trocar o PR pelo PSDB". Segundo Josias, o primeiro nome era simpático às pretensões de Alckmin e foi substituído por um nome aecista. Ele afirma, ainda, que Alckmin se queixou da "pouca visibilidade que teve nos últimos comerciais que o PSDB levou ao ar em rede nacional de rádio e tevê".

Na realidade, o que separa os dois líderes tucanos são seus projetos e interesses pessoais. Alckmin defende parcerias com o governo federal e dá apoio à presidente Dilma Rousseff, que, na sua visão, deve ter apoio para concluir seu mandato em 2018, dentro dos marcos da legalidade. Nesta semana, Alckmin e Dilma participaram de uma cerimônia de entrega de casas populares em Catanduva (SP) e Alckmin, numa foto emblemática, emprestou a ela um guarda-chuva.

Na direção oposta, Aécio age, nos bastidores, pela interrupção precoce do mandato presidencial. Embora tenha adiado a reunião dos partidos oposicionistas sobre eventual impeachment, a ruptura pelo TSE criaria espaço para eleições antecipadas, uma vez que tanto a presidente Dilma como o vice Michel Temer seriam cassados por abuso de poder econômico.

Nesta quinta-feira, uma pesquisa Ibope, divulgada na coluna do jornalista José Roberto Toledo, apontou que tanto Aécio como Alckmin teriam condições de vencer Lula, se as eleições presidenciais fossem hoje. Por isso mesmo, os tucanos já estão em pé de guerra.