quarta-feira, 11 de março de 2015

GOLPISTAS (MARIANA BRITO) PAGAM R$ 10 POR HORA PARA QUEM DIVULGAR PROTESTO ANTI DILMA





"O episódio sugere que pode haver alguma ilegalidade nesses gastos para financiar protestos contra a presidente da República", conta Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania


Continuam chegando relatos sobre gastos dos grupos que organizam o protesto do próximo domingo pelo impeachment de Dilma Rousseff.
Neste caso, as informações são do tuiteiro Marcus Pessoa, quem flagrou uma militante dos grupos anti Dilma de Recife oferecendo R$ 10 reais por hora para quem se dispuser a panfletar a favor do protesto pelo impeachment da presidente que ocorrerá naquela e em outras capitais no próximo domingo.



A pessoa que andou fazendo essa oferta no Twitter usa em seu perfil nessa rede social o nome de Mariana Brito e se diz “jornalista (com diploma), escritora, cientista política, economista, ex-BBB e Miss Brasil 2010”.


Conforme relata Marcus Pessoa, essa pessoa apagou a postagem sobre oferta de dinheiro para trabalhar pela manifestação anti Dilma do próximo domingo logo após publicá-la, o que se pode supor que se deveu a alguém tê-la alertado de que estava fazendo besteira.
Esse episódio sugere que pode haver alguma ilegalidade nesses gastos para financiar protestos contra a presidente da República. Com a palavra, as autoridades.




CUNHA: FHC ABRIU A PORTA DA CORRUPÇÃO NA PETROBRAS






Briga de cachorros... Ou seja, "é uma cachorrada!"


Em entrevista ao jornal espanhol El País, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que é um dos investigados pelo Supremo Tribunal Federal por suposto envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras, eximiu o Congresso Nacional de participação em desvios de dinheiro da estatal. "Esse é um esquema do Poder Executivo. A corrupção está no Governo, não está no Parlamento", afirmou Cunha.


Segundo o presidente da Câmara, o fato de haver pedidos investigação abertos no STF contra 22 deputados e 12 senadores, além de outros 12 ex-deputados, todos suspeitos de se beneficiarem do esquema de arrecadação de propinas não implica ao Congresso a materialidade sobre os atos ilícitos.
"A corrupção não existiu pelo Poder Legislativo. Alguns parlamentares até podem ter apoiado sem saber que era corrupção, pela natureza política. Outros, podem ter compartilhado", defendeu Cunha. "Essa crise é do Poder Executivo, não é daqui. Há uma nítida tentativa de transferir ela para cá. Como se fosse aqui que se assinasse a contratação de plataforma, que construísse refinaria, que convidasse cartel de empreiteiras para participar de licitação. Onde se faz isso é lá", completou. 


Eduardo Cunha classificou os atos de corrupção na Petrobras como "sistêmicos". Para ele, a porta de entrada foi o Decreto 2.745, assinado em 1998 pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que mudou o regulamento de licitações na empresa, que deixou de obedecer a Lei 8666 [das licitações públicas] e passou a ter um regulamento próprio, por carta convite. 
"Desde que alteraram o regulamento de licitações da Petrobras. Ela deixou de obedecer a Lei 8666 [das licitações públicas] e passou a ter um regulamento próprio, por carta convite. A partir disso se formaram os carteis e foi a porteira da corrupção."
Questionado se as investigações devem se estender ao governo FHC, Eduardo Cunha afirmou que "ninguém está imune a investigação". "Todos podem e devem ser investigados". Mas Cunha se mostrou contrário à proposta da CPI da Petrobras investigar a corrupção no governo tucano.
"O que eu falei em relação à CPI é que a ementa que pediu a criação dela tinha uma destinação. E eu sou regimentalista, não vou alterar. Se quiserem investigar o Governo Fernando Henrique façam uma ementa da CPI e colham as assinaturas para a investigação que envolva o Governo Fernando Henrique", afirmou.




LEONARDO BOFF: GOLPE É INDUZIDO PELA MÍDIA








Da Rede Brasil Atual - A crise econômica e política pela qual o país atravessa neste momento é "em grande parte forjada, mentirosa, induzida, ela não corresponde aos fatos", afirma o teólogo Leonardo Boff. Segundo o teólogo, a crise amplificada por uma dramatização da mídia. "Essa dramatização que se faz aqui, é feita pela mídia conservadora, golpista, que nunca respeitou um governo popular. Devemos dizer os nomes: é o jornal O Globo, a TV Globo, a Folha de S. Paulo, o Estadão, a perversa e mentirosa revista Veja."

Em entrevista à Rádio Brasil Atual na segunda-feira (9), o teólogo disse que, no entanto, o atual nível de acirramento no cenário político não preocupa porque, para ele, comparado a outros contextos históricos, a "democracia amadureceu". Ele diz acreditar, ainda, na emergência de uma "nova consciência política".

Boff também considera que o cenário brasileiro é bastante diferente da Grécia, Espanha e Portugal, onde são registrados centenas de suicídios, por conta do fechamento de pequenas empresas e do desemprego, e até mesmo de países centrais, como os Estados Unidos, que veem a desigualdade social avançar.

"A situação não é igual a 64, nem igual a 54", compara. "Agora, nós temos uma rede imensa de movimentos sociais organizados. A democracia ainda não é totalmente plena porque há muita injustiça e falta de representatividade, mas o outro lado não tem condições de dar um golpe."

Para Boff, não interessa ao militares uma nova empreitada golpista. Restaria ao campo conservador a "judicialização da política", e acrescenta: "Tem que passar pelo parlamento e os movimentos sociais, seguramente, vão encher as ruas e vão querer manter esse governo que foi legitimamente eleito. Eles têm força de dobrar o Parlamento, dissuadir os golpistas e botá-los para correr."

Sobre o 'panelaço' ocorrido no domingo, durante o discurso da presidenta Dilma Rousseff para o Dia Internacional da Mulher, Boff afirma que o protesto é "totalmente desmoralizado", pois "é feito por aqueles que têm as panelas cheias e são contra um governo que faz políticas para encher as panelas vazias do povo pobre".

O teólogo afirma que a manifestação expressa "indignação e ódio contra os pobres" e são símbolo da "falta de solidariedade"; e que o "panelaço veio exatamente dos mais ricos, daqueles que são mais beneficiados pelo sistema e que não toleram que haja uma diminuição da desigualdade e que gostariam que o povo ficasse lá embaixo".

Sobre o ato programado pela CUT e movimentos sociais para sexta-feira (13), Leonardo Boff diz que a importância é reafirmar os valores democráticos e a defesa da soberania do país: "Aqueles que perderam, as minorias que foram vencidas, cujo projeto neo liberal foi rejeitado pelo povo, até hoje, não aceitam a derrota. Eles que tenham a elegância e o respeito de aceitar o jogo democrático".

O teólogo frisa, mais uma vez, não temer o golpe. "É o golpe virtual, que eles fazem pelas redes sociais e pela mídia, inventando e fantasiando, projetando cenários dramáticos, que são projeções daqueles que estão frustrados e não aceitam a derrota do projeto que era antipovo."





PSDB JÁ APOSTOU NO SANGRAMENTO E PERDEU









Em linguagem mais apurada que a do senador Aloysio Nunes Ferreira (“não tem impeachment, quero ver Dilma sangrar”), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso resumiu a tática tucana: “impeachment é como bomba atômica, é para dissuadir, não para usar”. Este é o jogo mas os que irão às ruas no domingo pedir o afastamento de Dilma não sabem disso. Em outros tempos, seriam chamados de “massa de manobra”.

São duas as razões tucanas para descartar o impeachment, pelo menos por ora. A primeira, e fundamental, é que não existem elementos jurídicos para um pedido de abertura de processo contra Dilma.  A outra vem do cálculo de que afastar Dilma não é o melhor caminho para o retorno do PSDB ao poder central. Em 2018, ao final de um imprevisível mandato complementar de Michel Temer, o partido disputaria a presidência sob acusações de ter fomentado o golpismo para tirar o PT do governo. E ainda que ganhasse, seria carregando este estigma no peito. Mais seguro e honroso, devem pensar, será deixar Dilma sangrar, chegar a 2018 com um governo tão desmoralizado que não permitiria nem a candidatura de Lula, criando as condições para a alternância na presidência.

A experiência ensina que a arte de sangrar presidentes não é simples. Depende da capacidade de defesa e reação do animal condenado.   Pode dar certo mas o PSDB perdeu quando fez esta aposta em 2005.  A mesma frase – “vamos deixar Lula sangrar” – foi utilizada por tucanos e pefelistas (hoje demistas) em agosto daquele ano.  Muitos a pronunciaram e estão registradas. O ex-senador Jorge Bornhausen foi o porta-voz do resultado de uma reunião ocorrida na liderança do PSDB no Senado, depois do depoimento de Duda Mendonça à CPI dos Correios, admitindo que recebeu pagamentos de dívidas do PT através de Marcos Valério. Nessa reunião desistiram de patrocinar o impeachment de Lula.  Ainda que conseguissem formular a condição jurídica a partir das confissões de Duda, faltavam as condições políticas. Dois atos pelo afastamento do presidente haviam sido chamados, um no Rio e outro em Brasília, reunindo meros 20 gatos pingados. Do outro lado da rua, Lula também reagia. Havia avisado que não se mataria como Getúlio, não renunciaria como Jânio e nem seria deposto como Jango. Não falou no impeachment de Collor, evitando cutucar o Congresso. Chamou líderes sindicais para uma reunião e pediu que estivessem prontos para ir para as ruas travar a resistência, “indo de casa em casa” se fosse preciso. Não foi.

A CPI acabou, detonou o PT, veio a denúncia do procurador-geral Antônio Fernando. A popularidade de Lula chegou a menos de 50% no final do ano, quando as pesquisas diziam que ele seria batido pelo tucano José Serra.  Ele recompôs sua base e seu governo, nele incluindo o PMDB, agora parceiro oficial. Em janeiro ele começou a se recuperar. A economia deu sinais de crescimento e o governo acelerou suas políticas sociais. Foi reeleito em segundo turno.

Há mais diferenças do que semelhança com entre o quadro de 2005 e o de agora, afora o fato de que,latu sensu, Dilma não é Lula e as condições jurídicas inexistem.  A situação econômica interna e o cenário externo são bem piores. A popularidade de Dilma caiu bem mais. E ao invés de gatos pingados, o ato de domingo pode reunir muita gente, em vários pontos do país. O prenúncio foi dado pelos protestos durante a fala de Dilma no domingo.

Se a tática é sangrar Dilma, tudo vai depender da capacidade de coagulação/reação dela, tanto na frente política como na econômica.

Mas o zum-zum do impeachment vai continuar, para dissuadir, como disse FH.  O problema é que a massa na rua confunde impeachment com revogabilidade de mandatos, figura que existe em alguns sistemas políticos mas não no nosso. Não basta querer tirar alguém do governo. É necessário que existam os pressupostos constitucionais.  Mesmo assim, se o movimento crescer nas ruas e na hora H a oposição disser “não é por aí”, vamos para uma incógnita.




BARBOSA SUGERE QUE DILMA PODE SER GUILHOTINADA







À disposição para qualquer aventura desde que saiu do Supremo Tribunal Federal, o ex-ministro Joaquim Barbosa sugere que a presidente Dilma Rousseff pode cair, assim como a monarquia francesa, o império português no Brasil ou o czarismo na Rússia; “1) quem diria em maio de 1789 que aquele convescote estranho realizado em Versalhes iria desembocar na terrível revolucão francesa?; 2) em 15/11/1889, nem mesmo o general Deodoro da Fonseca tinha em mente derrubar o regime imperial sob o qual o Brasil vivia. Aconteceu; 3) nem o mais radical bolchevique imaginaria lá pelos idos de 1914 que a 1ª guerra mundial facilitaria a queda do regime czarista da Rússia”, postou ele nas redes sociais, esquecendo-se de que o Brasil é uma democracia e não um regime absolutista; herói de grupos como os Revoltados Online, Barbosa se preparava para se candidatar em 2018; no entanto, se surgir uma oportunidade antes disso, ele estará à disposição, encarnando o papel de justiceiro; será ele o terrorista da charge de Caruso?

A criminalização da política no Brasil tem um interessado direto, que se movimenta como seu principal beneficiário. Trata-se do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, que vinha se preparando para disputar a presidência da República apenas em 2018, mas já se coloca como uma peça no tabuleiro desde já. Sua última aparição havia sido no Carnaval, quando exigiu a demissão do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Agora, ele volta às redes sociais, sugerindo que o Brasil pode estar à beira de uma revolução.

Eis o que escreveu o ex-presidente do STF:

1) quem diria em maio de 1789 que aquele convescote estranho realizado em Versalhes iria desembocar na terrível revolucão francesa?; 2) em 15/11/1889, nem mesmo o general Deodoro da Fonseca tinha em mente derrubar o regime imperial sob o qual o Brasil vivia. Aconteceu; 3) nem o mais radical bolchevique imaginaria lá pelos idos de 1914 que a 1ª guerra mundial facilitaria a queda do regime czarista da Rússia”.

Em seguida, ele explicou seus posts:

“Por que fiz esses três últimos posts sobre História? Porque no Brasil pouca gente pensa nas ‘voltas’ e nas ‘peças’ que a história dá e aplica”, afirmou, como quem sugere que a presidente Dilma Rousseff pode estar prestes a ser guilhotinada.

Herói de movimentos como o grupo 'Revoltados Online', Barbosa pretende ocupar, no imaginário nacional, o papel do justiceiro, capaz de limpar o Brasil da corrupção. Seria uma espécie de 'salvador da pátria', mas sua própria conduta à frente do STF o coloca como uma das mais sérias ameaças à democracia que o Brasil já enfrentou.







REVOLTADOS ONLINE: PANELAÇO FOI ARMADO ‘PELA GENTE’





“Independente do que fosse dito ela tomaria o panelaço”




O panelaço que estampou capas dos principais jornais brasileiros nesta segunda-feira não foi uma reação espontânea às palavras ditas por Dilma Rousseff em seu discurso no Dia Internacional da Mulher, mas sim uma resposta à convocação feita pela internet, segundo líderes de grupos que atuam nas redes sociais.
Registrado em diversas cidades, o barulho foi articulado na semana anterior por pelo menos três grupos: Revoltados Online, Vem pra Rua e Movimento Brasil Livre. Por meio de montagens fotográficas com imagens de Dilma e Lula no Facebook, os grupos convidavam a população para o bate panela, independente do que a presidente dissesse em seu pronunciamento oficial.
“Independente do que fosse dito ela tomaria o panelaço”, completa Marcello Reis, líder do Revoltados Online, movimento que reivindica a autoria da mobilização digital. “É importante frisar que a iniciativa partiu da gente.”
“(O panelaço) Teve comunicação prévia, sim”, confirmou à BBC Brasil Kim Kataguri, porta-voz do Brasil Livre. “Depois se espalhou de maneira espontânea.”
Os mesmos grupos estão entre os principais articuladores dos protestos marcados para o próximo 15 de março a favor do impeachment de Dilma.
“A gente queria preparar um esquenta para as manifestações da semana”, explica Reis.

O “esquenta” continua: desde o episódio, as páginas conclamam seus seguidores a enviarem fotos interagindo com a imagem da presidente em seu pronunciamento. A maior parte das imagens compartilhadas pela página mostra gestos obcenos.





As razões do ódio das elites ao PT







Por Leonardo Boff, em seu blog:

Já dissemos anteriormente e o repetimos: o ódio disseminado na sociedade e nas mídias sociais, não é tanto ao PT, mas àquilo que o PT propiciou para as grandes maiorias marginalizadas e empobrecidas de nosso país: sua inclusão social e a recuperação de sua dignidade. Não são poucos os beneficiados dos projetos sociais que testemunharam: “sinto-me orgulhoso não porque posso comer melhor e viajar de avião, coisa que jamais poderia antes, mas porque agora recuperei minha dignidade”. Esse é o mais alto valor político e moral que um governo pode apresentar: não apenas garantir a vida do povo, mas faze-lo sentir-se digno, alguém participante da sociedade.

Nenhum governo antes em nossa história conseguiu esta façanha memorável. Nem havia condições para realizá-la porque nunca houve interesse em fazer das massas exploradas de indígenas, escravos e colonos pobres, um povo consciente e atuante na construção de um projeto-Brasil. Importante era manter a massa como massa, sem possibilidade de sair da condição de massa, pois assim não poderia ameaçar o poder das classes dominantes, conservadoras e altamente insensíveis aos padecimentos do próximo. Essas elites não amam a massa empobrecida. Mas tem pavor de um povo que pensa, pois faz valer seus direitos e pode ameaçar os privilégios dela.

Para conhecer esta anti-história aconselho aos políticos, aos pesquisadores e aos leitores/as que leiam o estudo mais minucioso que conheço:”a política de conciliação: história cruenta e incruenta”, um largo capítulo de 88 páginas do clássico “Conciliação e reforma no Brasil” de José Honório Rodrigues (1965 pp. 23-111). Ai se narra, como a dominação de classe no Brasil, desde Mende de Sá até os tempos modernos, foi extremamente violenta e sanguinária, com muitos fuzilamentos e enforcamentos e até de guerras oficiais de extermínio dirigidas contra tribos indígenas como contra os botocudos em 1808.

Também seria falso pensar que as vítimas tiveram um comportamento conformista. Ao contrário, reagiram também com rebeliões e violência. Foi a massa indígena e negra, mestiça e cabocla a que mais lutou e que foi reprimida cruelmente, sem qualquer piedade cristã. Nosso solo ficou ensopado de sangue.

As minorias ricas e dominantes elaboraram uma estratégia de conciliação entre si, por cima da cabeça do povo e contra o povo, para manter a dominação. O estratagema sempre foi mesmo. Como escreveu Marcel Burstztyn (O país das alianças: as elites e o continuismo no Brasil, 1990): “o jogo nunca mudou; apenas embaralharam-se diferentemente as cartas do mesmo e único baralho.”

Foi a partir da política colonial e continuada até recentemente que se lançaram as bases estruturasis da exclusão no Brasil, como foi mostrado por grandes historiadores, especialmente por Simon Schwartzman com o seu “Bases do autoritarismo brasileiro” (1982) e Darcy Ribeiro com seu grandioso “O povo Brasileiro” (1995).

Existe, pois, com raízes profundas, um desprezo pelo povo, gostemos ou não. Esse desprezo atinge o nordestino, tido por ignorante (quando a meu ver é extremamente inteligente, vejam seus escritores e artistas), os afrodescendentes, os pobres econômicos em geral, os moradores de favelas (comunidades), e aqueles que têm outra opção sexual.

Ocorre que irrompeu uma mudança profunda graças às políticas sociais do PT: os que não eram começaram a ser. Puderam comprar suas casas, seu carrinho, entraram nos shoppings, viajaram de avião às multidões, tiveram acesso a bens antes exclusivos das elites econômicas.


Segundo o pesquisador Márcio Pochmann em seu Atlas da Desigualdade social no Brasil : 45% de toda a renda e a riqueza nacionais é apropriada por apenas 5 mil famílias extensas. Estas são nossas elites. Vivem de rendas e da especulação financeira, portanto, ganham dinheiro sem trabalho. Pouco o nada investem na produção para alavancar um desenvolvimento necessário e sustentável.

Veem, temerosas, a ascensão das classes populares e de seu poder. Estas invadem seus lugares exclusivos. No fundo, começa a haver uma pequena democratização dos espaços sociais.

Essas elites formaram, atualmente, um bloco histórico cuja base é constituida pela grande mídia empresarial, jornais, revistas e canais de televisão, altamente censuradores do povo, pois lhe ocultam fatos importantes, banqueiros, empresários centrados nos lucros, pouco importa a devastação da natureza e ideólogos (não são intelectuais) que se especializaram em criticar tudo o que vem do governo do PT e fornecem superficialidades intelectuais em defesa do status quo.

Esta constelação anti-popular e até anti-Brasil suscita, nutre e difunde ódio ao PT como expressão do ódio contra aqueles que Jesus chamou de “meus irmãos e irmãs menores”, os humilhados e ofendidos de nosso pais.

Como teólogo me pergunto angustiado: na sua grande maioria, essas elites são de cristãos e de católicos. Como combinam esta prática perversa com a mensagem de Jesus? O que ensinaram as muitas Universidades Católicas e as centenas de escolas cristãs para permitirem surgir esse movimento blasfemo, pois, atinge o próprio Deus que é amor e compaixão e que tomou partido pelos que gritam por vida e por justiça?

Mas entendo, pois para elas vale o dito espanhol: entre Deus e o dinheiro, o segundo é primeiro.

Infelizmente.





A cretinização em marcha




Personagem das manifestações de 2013, o "Batman" tornou-se persona non grata nos protestos deste ano no Rio


“Nem de esquerda nem de direita”? Esqueça. Eron Melo é fã de Bolsonaro
De como a casa-grande e os sábios do jornalismo nativo apontam as soluções erradas para sair da crise


Na foto ao lado, o procurador-geral da República sorri com bonomia, como se dissesse “não exagerem”. Reparo merece o dizer do cartaz que Janot exibe para os fotógrafos. No caso, a esperança é malposta.

Se indiciar um mero grupo de cidadãos brasileiros acusados de corrupção, e até condená-los ao cabo do processo que se seguirá, resolvesse o problema central e imediato do Brasil, a esperança teria sentido. Não é assim, porém. A corrupção é mal antigo e crônico. O cartaz em questão resulta da maciça campanha midiática urdida para desestabilizar o governo, alimentada pelo ódio de classe antipetista e pela leviandade e má-fé dos sábios do jornalismo nativo.
Este lamentável e forçado equívoco tem raízes. Por trás está a parvoíce de um país que emburrece progressivamente. Não chamemos em causa o povo, primeira vítima da corrupção e da prepotência da casa-grande, e sim aqueles que encaram o mundo a partir do seu umbigo. E aqui CartaCapital não esmorece na denúncia das responsabilidades do PT, a se mostrar incapaz de agir com independência e criatividade em relação aos andamentos tradicionais.

Todos caem na armadilha que eles próprios montaram, encarada paradoxalmente como única forma de exercício do poder. E é nesta moldura que se agita a crença no impeachmentcomo antídoto à crise, bem como na corrupção de alguns enfim punida, a confirmar a cretinização em marcha, sem intenção de metáfora. Ideia que ecoa o passado para propor o golpe em um país muito diferente daquele dos começos da década de 60 do século passado. Os marchadores do próximo dia 15 talvez apresentem algum parentesco com aqueles de 51 anos atrás, mas o cenário é outro.

Punir a corrupção seria justo e salutar, e emprego o condicional porque ainda aguardo o desfecho desse enredo. O qual está longe de abarcar a corrupção em peso, os humores malignos que percorrem o Brasil do Oiapoque ao Chuí, os maus hábitos mais ou menos generalizados, macunaímicos. De todo modo, o problema central e imediato é a recessão que nos aflige, em meio a uma situação mundial sombria ao extremo.

Há sinais de resistência à austeridade imposta pelos apóstolos do neoliberalismo, nada, porém, indica mudanças profundas a curto prazo, em um mundo que oferece acolhida bem menos generosa à soja e ao minério de ferro do Brasil, eterno exportador decommodities. Sobram uma indústria abandonada, o desemprego, a inflação, a penúria. O índice negativo do PIB.

Igual à comparação precipitada entre a Marcha da Família com Deus e pela Liberdade e a manifestação do próximo dia 15, outra, francamente inadequada, se dá entre a Operação Mãos Limpas, que mudou os rumos da política italiana, e a Lava Jato. A Itália de 1990 era a quinta economia do mundo, sua indústria gozava de boa saúde, a Justiça provava a sua eficácia e não havia um único, escasso comunista envolvido no episódio, bem ao contrário dos petistas, que, aliás, comunistas nunca foram.

Quando diz que a Mãos Limpas gerou Berlusconi, Lula não erra. Sempre que o campo da política é devastado, na terra arrasada costumam surgir os piores oportunistas. A Itália de então não precisava, porém, de um New Deal, como sustenta CartaCapital, para sair da crise que no Brasil obscurece irremediavelmente os efeitos positivos do governo Lula. E que se origina dos males de sempre, repetidos ad infinitum, em uma sequência tão dolorosa quanto avassaladora.