segunda-feira, 25 de junho de 2007

BENTO LUIZ DE AZAMBUJA MOREIRA: IGNORÂNCIA E INSENSIBILIDADE ENFIADAS NUMA TOGA




Não é de hoje que temos assistido a decisões do nosso Judiciário que só nos envergonham


  A dor da injustiça


Nem sei se é preciso repetir aqui a decisão do Doutor Juiz Titular da 3ª Vara do Trabalho de Cascavel, Zona Rural do Oeste do Paraná, Bento Luiz de Azambuja Moreira, cancelando a audiência da ação impetrada pelo trabalhador Joanir Pereira contra Madeiras J. Bresolin, porque o ex-funcionário estava, segundo esse sábio juiz, com calçado incompatível com a dignidade do poder judiciário, ou seja: calçava sandálias.


Bom... Já repeti!...


A justiça é retratada sempre com venda nos olhos para dar a impressão de que não se deixará levar pelas aparências, mas, a injustiça vê muito bem, e por isso mesmo corre sempre atrás dos mais desprotegidos e sempre os alcança.


De que dignidade fala em seu despacho o Doutor Azambuja? Será que é da dignidade adquirida pelos que fazem o judiciário após se tornarem doutores? Certamente que sim! Esta tem sido a postura equivocada da maioria dos que detém em suas mãos algum tipo de poder: achar que por estarem investidos de determinada função ou por possuírem sólido lastro em seus extratos bancários, passaram a usufruir de uma respeitabilidade maior que a de qualquer outro ser vivo, humano ou não. A insensibilidade desse vaidoso ignorante, travestido de homem da lei é tamanha que, ao ser entrevistado dias após o degradante despacho, manteve a justificativa de que tudo fora feito para salvaguardar a dignidade do poder judiciário.


Quando Joanir vestiu sua melhor calça e sua melhor camisa para ir à Justiça do Trabalho na tarde daquela audiência, o fez por saber tratar-se de um ambiente impregnado de doutores e que ele não poderia, em sua inocênciacia, deixar de se apresentar com o que tinha de melhor, inclusive seu único calçado que era a sandália de tiras entre os dedos, que tanta indignação causou ao poder judiciário na pessoa desse doutor.


Desde minha infância convivo com pessoas muito simples. Simples de nome, de endereço, de vestimentas, de gostos. É sempre na presença delas que colho os melhores exemplos de dignidade. Não da dignidade que o doutor Azambuja acha haver adquirido depois que se enfiou dentro de uma toga, mas da dignidade presente no olhar acolhedor, na mão sempre estendida, no respeito verdadeiro pelo visinho ou pelo visitante, na admiração com a lavoura que brota e com o ninho do passarinho no beiral do seu telhado, na solidariedade em dividir o pouco que tem, mesmo sabendo que morrerá de vergonha quando chegar sua vez de precisar daquele que ajudou. Esse tipo de dignidade, quase não se tem encontrado além dos limites onde habita essa gente simples como o Sr. Joanir.


A insensibilidade do Fantástico da Rede Globo ontem, ao fazer uma enquete perguntando se era chique usar sandálias de tiras em ambientes sofisticados como boates da Zona Sul do Rio ou restaurantes dos Jardins em São Paulo, causou ainda mais indignação pelo desconhecimento total do motivo que levou Joanir ao judiciário, com os pés enfiados em um lindo par de sandálias recém comprado.


Que sentença receberá o pleito do Sr. Joanir Pereira? Não creio que nenhuma outra possa lhe causar tanto espanto e vergonha quanto esta que o Doutor Azambuja proferiu enquanto ele abaixava a cabeça.


Pobre homem, esse Doutor...


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Hoje, 05.07.07, foi realizada a segunda audiência da ação movida por Joanir Pereira contra seus antigos patrões. Joanir compareceu com o par de sapatos emprestados pelo sogro e dois números menores que a sua medida de calçado. Na sala, o mesmo juiz Bento Luiz Azambuja Moreira. Ao final da audiência, após oficializar um acordo no valor de um mil e oitocentos reais, Joanir recusou um par de sapatos usados oferecido pelo juiz que na audiência anterior pediu que ele se retirasse daquele "digno" recinto porque estava de sandálias de tiras. Joanir recusou o presente.


Grande homem esse nosso Joanir.


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JUIZ É CONDENADO A PAGAR 12.4 MIL POR SUSPENDER AUDIÊNCIA


Hoje, 09 de março de 2017 a 1ª Vara Federal de Paranaguá (PR) condenou o juiz da 21ª Vara Trabalhista de Curitiba, Bento Luiz de Azambuja Moreira, a ressarcir a União em R$ 12,4 mil por adiar audiência porque o lavrador Joanir Pereira calçava chinelos; na sessão, ocorrida em 2007, o então juiz da 3ª Vara do Trabalho de Cascavel (PR) afirmou que não iria "realizar esta audiência, tendo em vista que o reclamante compareceu em Juízo trajando chinelo de dedos, calçado incompatível com a dignidade do Poder Judiciário"

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segunda-feira, 11 de junho de 2007

Gay, a Parada Indigesta.

Parada Gay em São Paulo, ontem.
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É com alegria e esperança que recebo com freqüência notícias sobre o carinho e respeito com que são tratados os homossexuais em todo o mundo. Espero que em breve muitas das outras minorias existentes também mereçam essa distinção.
São cada vez mais esparsas as notícias de agressão e desdém deferidas a essa minoria em particular. A inteligência, alegria, perspicácia e exigência com seus direitos são uma marca registrada deles, e talvez por isso despertem nos outros, que são a maioria, admiração e deferência.
Dono de bar já há mais de dezesseis anos, tenho podido conviver com mais freqüência com eles. Interagindo como anfitrião, passei a conhecer melhor essas suas qualidades já citadas, bem como a dor pelo olhar discriminatório, o cochicho na mesa ao lado, a impossibilidade de demonstrar um carinho maior pelo companheiro fora dos poucos ambientes destinados a esse público, o que por si só já é uma discriminação.
Cada um de nós é dono da sua vida e tem direito integral sobre ela, não cabendo a mais ninguém determinar ou censurar escolhas de quem quer que seja, a não ser que essa escolha lhe cause dano, o que não se aplica nesse caso.
Acredito que o pavor que causam às religiões cristãs, será de grande importância para o aceleramento da extinção daquela farsa.
Conviver diariamente com a “não aceitação” e o desprezo por parte de alguns, além dos problemas que já são inerentes à vida cotidiana de todo ser humano, é uma parada deveras indigesta.
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sexta-feira, 8 de junho de 2007

Dom Juan Trapalhão.


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Nossa! Estou com uma gripe de lascar!... São treze horas e acabo de chegar da reforma que estamos fazendo em um depósito de materiais de demolição, onde o Farândola - meu barzinho - passará a funcionar no início de Julho. Passei toda esta noite em claro, incomodado com a garganta, o nariz e a moleza no corpo.
Resolvi parar primeiro na farmácia para comprar um antitérmico. Ao me aproximar, percebi que um casal de garotos fardados do mesmo colégio conversávam animadamente. Com o carro já no estacionamento mas ainda em movimento, passei por eles quando ela sem perder o sorriso, falou-lhe: "Ah! Quer dizer que sou fácil, né?!" E em seguida tomou outro caminho enquanto emendava: "Nunca mais falo com você!" Disse isso sorrindo ainda e fazendo um pouco de charme. Quando enfim estacionei, o garoto que também tinha uns treze anos foi passando ao lado da porta do carro e, como sempre, não me contive e me meti na conversa: "Mas boy! A gente não diz que a mulher é fácil!... A gente nunca diz isso, a não ser que queiramos magoa-la!" E ele com uma cara de tarado e um sorriso que lembrou o do meu filho Tel na sua idade, agradeceu: "Valeu, coroa!"
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sexta-feira, 1 de junho de 2007

Menina de Rua - Uma Tragédia Anunciada.


Rosemeire fazendo xixi no Parque do Carmo - Olinda

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Ontem, Rosemeire foi encontrada desacordada sob a marquise de uma loja de material de construção no centro de Olinda. Estava no oitavo mes de uma gestação embalada por cola de sapateiro, fome, frio, desamparo e solidão, apesar das companhias que conseguia a um ou dois reais, com promessas de variados prazeres sexuais.

Levada às pressas numa ambulância da Prefeitura, morreu ao chegar ao Hospital da Restauração. Seu bebê já estava morto há dias, o que provocou complicações no quadro de Rosemeire.

Seu enterro foi hoje às dez horas da manhã num pequeno cemitério de Olinda, com as despesas pagas pela Prefeitura.

Rosemeire morreu sem entender nada: Porque estava aqui nesta vida; quem a trouxe e porque; quem determinou que teria que ser pobre, estuprada pelo padrasto, abandonada pela mãe que optou por salvar seu relacionamento.

Rosemeire não entendia nada! Não teve sequer oportunidade para isso. Mas nós entendemos, sabemos que somos culpados. Até queremos fazer alguma coisa, mas essa disposição estanca quando percebemos que teríamos que abrir mão de um por cento do que conseguimos juntar ávidamente.

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