quinta-feira, 18 de junho de 2015

Suspeito de matar nove em igreja da comunidade negra nos EUA é preso









Dylann Roof, o homem branco de 21 anos suspeito de matar nove pessoas em uma igreja da comunidade negra da cidade americana de Charleston, na noite de quarta-feira 17, foi capturado, informou a imprensa local. Ele foi preso na Carolina do Norte.


Em abril deste ano ele completou 21 anos e ganhou do seu pai como presente de aniversário um revólver calibre 45. No meu entendimento, tratando-se da sociedade norte americana, essa deve ter sido a maneira mais prática que o pai encontrou para se livrar dessa mente doentia.



Conheça Nardes, o mau caráter que barrou as contas de Dilma no TCU








O Brasil é um país curioso, porque o passado é lembrado ou esquecido seletivamente.

Por exemplo: quando Severino Cavalcanti elegeu Augusto Nardes – deputado pela Arena e suas sucessivas reencarnações – para uma vaga destinada à Câmara no Tribunal de Contas, o então presidente do órgão,  Adylson Motta escreveu ao presidente Lula pedindo que não sancionasse a nomeação devido “à inobservância do requisito constitucional da reputação ilibada e idoneidade moral”.

Nardes era processado – respondia ao Inquérito 1827-9 – crime eleitoral, peculato e concussão, doação de campanha eleitoral, segundo a publicação “No banco dos réus”, do site Congresso em Foco – pelos quais alguma alma caridosa le fez um “desconto” para pagar mil reais e fazer palestras em escolas públicas, o que, segundo a “prestigiosa” revista Veja, que publico acima, foi uma “malandragem”.

Lula o nomeou, porque a vaga pertencia à Câmara e a Câmara o escolheu.

Curioso é que, nove anos depois, Nardes pegou emprestado os argumentos que usaram contra ele e, já na Presidência do TCU, ameaçou vetar a posse do senador Gim Argelo por falta de “reputação ilibada e idoneidade moral”. De novo, minha fonte é a revista Veja, onde, aliás, o moralíssimo Ricardo Setti o saudou entusiasticamente dizendo que, ainda bem, existem homens como Nardes, “com vergonha na cara”.

Agora, Nardes – redimido pela mídia – assume uma postura agressiva  como jamais se viu no TCU, sob completa cumplicidade dos veículos de comunicação, sem que um único deles aponte e recorde quem é este senhor.

A Folha chega a dizer que os “Ministros temem desmoralização do TCU ao julgar contas de Dilma“. Ora, quem teme desmoralização tem um presidente da corte que foi acusado de crime eleitoral, peculato e concussão, doação de campanha eleitoral e se acertou com uma multa e algumas palestras como pena alternativa?

O Brasil virou o país onde o cinismo é virtude, a hipocrisia é a verdade e a imprensa transforma em vestais as figuras mais sombrias, desde que isso ajude a derrubar o governo que –  absurdo! – foi eleito pelo voto popular.

Se para isso precisam esquecer – como disse FHC – que escreveram, pouco se lhes dá.

Afinal, nessa história de ausência de reputação ilibada e idoneidade moral a mídia brasileira não é melhor que os personagens desta história.




O pedido de arrego do ano: a foto da retratação do homem que disse que loja era do filho de Lula









São uns covardes, pois mesmo sabendo que têm do seu lado boa parte da "Justiça" e toda a mídia abutre e caloteira, ainda tremem com qualquer reação do lado de cá.



O que você precisa saber sobre as pedaladas fiscais e o TCU









Você que consome notícias nas grandes empresas de jornalismo vai ouvir falar freneticamente do TCU nos próximos dias.

Já está ouvindo, a rigor.
Não porque se trate de um assunto de extraordinária importância. Mas porque os editores e colunistas da Globo, Veja e Folha acham que isto vai manter no ar a palavra impeachment.
Eles pensam, assim, agradar a seus patrões, e na verdade agradam mesmo.
Numa entrevista recente, o presidente da Globo, Roberto Irineu Marinho, RIM para os que se comunicam com ele no correio eletrônico global, afirmou que a empresa tem boas relações com o governo Dilma.
Caro RIM: como disse certa vez Wellington, quem acredita nisso acredita em tudo. Boas relações a Globo teve com a ditadura e, posteriormente, com os governos que ela controlava, de Sarney a FHC.
A questão do TCU não vai dar em nada, e os mais espertos sabem disso, mesmos entre os que profetizam o fim de Dilma.
Mas é importante para manter Dilma na defensiva e, com ela, Lula, o fantasma que apavora a direita para 2018.
(Para quem quer detalhes, recomendo uma reportagem da BBC).
Se tribunais de contas fossem instâncias de vida e morte para governantes, não sobraria nenhum governador tucano de São Paulo.
No Palácio dos Bandeirantes, Covas colocou, no TCE de SP, seu braço direito, Robson Marinho.
A jornalistas que na época questionaram se haveria conflito de interesses, ele respondeu que ninguém melhor que um amigo de confiança para uma função tão vital como a de fiscalizar as contas do governo paulista. Vale dizer, as dele próprio, na ocasião.
Robson Marinho enriqueceu, nestes anos todos. Mas está impedido de desfrutar de parte da fortuna porque a Suíça congelou uma conta milionária sua num banco local por entender que era abastecida por corrupção.
Mesmo diante da atitude da Suíça, Robson Marinho foi mantido no TCE, do qual só há pouco tempo foi, enfim, afastado.
A mídia jamais se incomodou com sua permanência no TCE, e consequentemente nem Alckmin por não sofrer nenhum tipo de pressão.
Mas agora, por uma mistura de hipocrisia e oportunismo, um tribunal de contas vira uma preocupação monumental para quem enxerga nisso uma chance de atazanar Dilma.
A tática é a de sempre: você mantém o assunto nas manchetes, e ouve os políticos que você sabe que gritarão frases pseudomoralistas.
A rigor, os jornalistas da grande mídia podem até economizar um telefonema. Como Elio Gaspari
fazia na Veja na década de 1980, podem inventar declarações. Porque as fontes toparão qualquer coisa, num casamento obsceno de conveniência.
“Pedaladas fiscais”, o pecado do qual Dilma é acusada, é um expediente comuníssimo nas corporações, incluídas, evidentemente, as jornalísticas.
Em meus anos de executivo na Abril, cansei de ver isso acontecer. Você segura alguns pagamentos, antecipa certas receitas – e acerta tudo no exercício seguinte.
As empresas usam este expediente para mostrar ao mercado que estão atentas à coluna de gastos e ao chamado bottom line, a linha que define lucro ou prejuízo.
Para os executivos das corporações, é uma manobra para garantir ou aumentar bônus num determinado ano.
Mas, como se trata de pegar Dilma, vale tudo.
Alguém tem dúvida de que FHC pedalou em seus anos de presidência? Apenas isso não era assunto porque FHC era um amigo fiel da plutocracia.
Não vai acontecer nada agora, como não aconteceu antes.
Mas quem consome notícias das grandes empresas de mídia vai ficar com o coração batendo rápido nas próximas semanas, caso tenha qualquer simpatia por Dilma e os 54 milhões de votos que a reconduziram ao cargo no final do ano passado.
Minha recomendação, neste caso, é a de sempre: fugir da grande mídia em nome não da sanidade.
E também para evitar que você fique muito mal-informado.




RÚSSIA VAI INVESTIGAR A FARSA DA VIAGEM DOS EUA À LUA







A Rússia decidiu abrir uma investigação para apurar se de fato os Estados Unidos pousaram na Lua em 1969. Segundo notícias veiculadas por veículos de imprensa internacionais, o objetivo da investigação é revelar novos "insights" sobre as viagens espaciais.
Segundo o representante do Comitê de Investigações Vladmir Markin, também foi aberto um inquérito para investigar o desaparecimento das imagens originais do pouso que teria levado o homem à lua, bem como para apurar o destino das pedras lunares que teriam sido coletadas.
"Não estamos afirmando que os Estados Unidos não foram à Lua, e apenas feito um filme sobre isso. Mas todos esses artefatos científicos – ou talvez culturais – são legados da humanidade, e seu desaparecimento sem vestígios é uma perda para todos nós", disse Markin.
Em 2009, a Nasa já havia admitido que as imagens originais do pouso do homem na Lua haviam desaparecido após terem sido apagadas juntamente com outras 200 mil arquivos em vídeo para "economizar dinheiro". Posteriormente a agência espacial americana teria conseguido restaurar as imagens históricas utilizando imagens de outras fontes, como emissoras de televisão.
Sobre o destino e estado de conservação das pedras lunares, a Nasa informou que estas "se diferem aos encontrados na Terra em muitos diferentes aspectos". A maior parte do material, contudo estaria guardada e devidamente preservada.




EC 725 Super Puma - Com 50% fabricado no Brasil, dois destes ultra modernos helicópteros são de uso exclusivo da presidenta Dilma







Os BRICS, têm, hoje, como grupo, não apenas o maior território e população do mundo, mas também mais que o dobro das reservas monetárias dos EUA, Japão, Alemanha, Inglaterra, Canadá, França e Itália, somados.









O Senado Federal aprovou, esta semana, a constituição do Novo Banco de Desenvolvimento, o chamado Banco dos BRICS, formado pelos governos do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, com capital final previsto de 100 bilhões de dólares. A Câmara dos Deputados já havia dado sua autorização para a participação do Brasil no projeto, além da constituição de um fundo de reservas para empréstimos multilaterais de emergência também no valor de 100 bilhões de dólares.


Fazer parte do Banco dos BRICS, e do próprio grupo BRICS, de forma cada vez mais ativa, é uma questão essencial para o Brasil, e para a sua inserção, com alguma possibilidade de autonomia e sucesso, no novo mundo que se desenha no Século XXI.

Neste novo mundo, a aliança anglo-norte-americana, e entre os Estados Unidos e a Europa, que já por si não é monolítica, cujas contradições se evidenciaram por sucessivas crises capitalistas nestes primeiros anos do século, está sendo substituída, paulatinamente, pelo deslocamento do poder mundial para uma nova Eurásia emergente - que não inclui a União Europeia - e, principalmente, para a China, prestes a ultrapassar, em poucos anos, os EUA como a maior economia do mundo.

Pequim já é, desde 2009, o maior sócio comercial do Brasil, e também o maior parceiro econômico de muitos dos países latino-americanos.

A China já é, também, a maior plataforma de produção industrial do mundo. 

Foi-se o tempo em que suas fábricas produziam artigos de duvidosa qualidade, e, hoje, suas centenas de milhares de engenheiros e cientistas – mesmo nas universidades ocidentais é difícil que se faça uma descoberta científica de importância sem a presença ou a liderança de um chinês na equipe – produzem tecnologia de ponta que, muitas vezes, não está disponível nem mesmo nos mais avançados países ocidentais.

Nesse novo mundo, a China e a Rússia, rivais durante certos períodos do século XX, estão se preparando para ocupar e desenvolver, efetivamente, as vastas estepes e cadeias de montanhas que as separam e os países que nelas se situam, construindo,nessa imensa fronteira, hoje ainda pouco ocupada, dezenas de cidades, estradas, ferrovias e hidrovias.

A peça central desse gigantesco projeto de infraestrutura é o Gasoduto Siberiano. 

Também chamado de Gasoduto da Eurásia, ele foi lançado em setembro do ano passado em Yakutsk, na Rússia, e irrigará a economia chinesa com 38 bilhões de metros cúbicos de gás natural por ano, para o atendimento ao maior contrato da história, no valor de 400 bilhões de dólares, que foi assinado entre os dois países. 

Nesse novo mundo, a Índia, cuja população era massacrada, ainda há poucas décadas, pela cavalaria inglesa, possui mísseis com ogivas atômicas, é dona da Jaguar e da Land Rover, do maior grupo de aço do planeta, é o segundo maior exportador de software do mundo, e manda, com meios próprios, sondas espaciais para a órbita de Marte. 

E o Brasil, que até pouco tempo, devia 40 bilhões de dólares para o FMI, é credor do Fundo Monetário Internacional, e o terceiro maior credor externo dos Estados Unidos.

Manipulada por uma matriz informativa e de entretenimento produzida ou reproduzida a partir dos EUA, disseminada por redes e distribuidoras locais e pelos mesmos canais de TV a cabo norte-americanos que podem ser vistos em muitos outros países, a maioria da população brasileira ignora, infelizmente, a existência desse novo mundo, e a emersão dessa nova realidade que irá influenciar, independentemente de sua vontade, sua própria vida e a vida da humanidade nos próximos anos.

Mais grave ainda. Parte da nossa opinião pública, justamente a que se considera, irônica e teoricamente, a mais bem informada, se empenha em combater a ferro e fogo esse novo mundo, baseada em um anticomunismo tão inconsistente quanto ultrapassado, que ressurge como o exalar podre de uma múmia, ressuscitando, como nos filmes pós-apocalípticos, milhares de ridículos zumbis ideológicos.

Os mesmos hiternautas que alertam para os perigos do comunismo chinês em seus  comentários na internet e acham um absurdo que Pequim, do alto de 4 trilhões de dólares em reservas internacionais, empreste dinheiro à Petrobras, ou para infraestrutura, ao governo brasileiro, usam tablets, celulares, computadores, televisores de tela plana, automóveis, produzidos por marcas chinesas, ou que possuem peças “Made in China”, fabricadas por empresas estatais chinesas ou com capital público chinês do Industrial & Commercial Bank of China, ICBC, o maior banco do mundo.

Filhos de fazendeiros que produzem soja, frango, carne de boi, de porco, destilam ódio contra a política externa brasileira, assim como funcionários de grandes empresas de mineração, quando não teriam para onde vender seus produtos, se não fosse a demanda russa e, em muitos casos, a chinesa.

Nossas empresas com negócios no exterior são atacadas e ridicularizadas, como se só empresas estrangeiras tivessem o direito de se instalar e de fazer negócios em outros países, inclusive o nosso, para enviar divisas e criar empregos, com a venda de serviços e equipamentos, em seus países de origem.

É preciso entender que ao formar uma aliança estratégica com a Rússia, a China, a Índia e a África do Sul, o Brasil não precisa, nem deve, necessariamente, congelar suas relações com os Estados Unidos ou a União Europeia. 

Mas poderá, com eles, negociar em uma condição mais altiva e mais digna do que jamais o fez no passado.  

É nesse sentido que se insere a aprovação do Banco dos BRICS pelo Congresso.

Apesar de termos escalado, desde 2002, sete posições entre as maiores economias do mundo, a Europa e os EUA se negam, há anos, a reformular o sistema de quotas para dar maior poder ao Brasil, e a outros países dos BRICS, no FMI e no Banco Mundial.

Se não quiserem que não o façam. Como mostra o Banco dos BRICS, podemos criar as nossas próprias instituições financeiras multilaterais. 

Os BRICS, têm, hoje, como grupo, não apenas o maior território e população do mundo, mas também mais que o dobro das reservas monetárias dos EUA, Japão, Alemanha, Inglaterra, Canadá, França e Itália, somados. 

O que incomoda os Estados Unidos e a Europa, e os seus prepostos, no Brasil, não é o suposto comunismo ou “bolivarianismo” do atual governo, mas o nacionalismo possível, até certo ponto tímido, politicamente contido, e sempre combatido, dos últimos anos.

Existe uma premeditada, permanente, hipócrita, subalterna, entreguista, pressão, que não se afrouxa, voltada para que se abandone uma política externa minimamente independente e soberana, que possa situar o Brasil, geopoliticamente, frente aos desafios e às oportunidades do mundo cada vez mais complexo e competitivo do século XXI.



A tentativa de incriminar Lula só prova que é o único líder popular brasileiro reconhecido mundo afora





Lula discursou na prefeitura de Roma e na reunião da FAO


Mino Carta, em CartaCapital, publicado 15/06/2015 04h44 



Quando Fernando Henrique Cardoso deixou a Presidência da República, o Banco Itaú forneceu-lhe de graça a sede do Instituto que acabava de criar e lhe doou 2 milhões de reais. Outras importantes empresas cuidaram de atapetar suavemente o futuro do ex-presidente, entre elas, Camargo Corrêa (doação de 7 milhões) Odebrecht, Klabin e Gerdau. Sem contar a Sabesp, empresa pública em mãos tucanas (500 mil).

As primeiras páginas dos jornalões negaram-se então a noticiar algo que, de verdade, só ofendia a lei por causa da Sabesp. Ao contrário do que aconteceu na manhã de quarta-feira passada para insinuar a suspeita em relação à doação feita há tempo pela Camargo Corrêa ao Instituto Lula bem como o pagamento de conferências do mesmo Lula, o qual na atividade de palestrante segue o exemplo do seu antecessor.

Recorde-se que durante a ditadura, no seu respeitável Cebrap, FHC contou com o apoio financeiro da Fundação Ford, quem sabe a provar a teoria da dependência. Não é complicado, contudo, entender as razões da diferença de tratamento reservado ao ex-presidente sociólogo e ao ex-presidente metalúrgico. Entram na receita a classe social de um e outro, está claro, bem como seus desempenhos na Presidência. FHC implantou um governo de extremo agrado da casa-grande. Lula, sem deixar de fazer concessões aos graúdos, voltou seus olhos também para a senzala. Por isso, aliás, goza do reconhecimento do mundo, como se deu na sua recente visita à Itália, encerrada dia 8 da semana passada.

O Brasil vive em profundo tormento: recessão, desemprego em aumento, criminalidade de proporções bélicas, empresariado frustrado, inquietação política, empreiteiras a risco, mercado prepotente, e assim por diante. Fermentam os temores da minoria privilegiada enquanto a maioria sofre por ora sem a nítida noção de quanto acontece. Às vezes parece surgir em cena uma espécie de sanha suicida, forma aguda de fanatismo do Apocalipse, como se os filisteus tivessem decidido não esperar por Sansão.

Algo mais, de todo modo, precipita pesos e medidas diversos na atenção midiática dedicada a Lula na comparação com outras figuras nacionais, algumas francamente negativas. Discrepância escancarada, provocada, em primeiro lugar, por uma razão do conhecimento até do mundo mineral. O que mais apavora os privilegiados é o retorno de Lula em 2018.

Preocupação dominante, avassaladora. Antes de mirar em Dilma e no PT, visa-se o vencedor de 2002 e 2006, sem atentar para o fato de que o destino de Lula está nas mãos do governo da presidenta e do partido que ele fundou faz 35 anos. E da própria, célebre mosca azul, se as coisas tiverem funcionado a contento antes da hora da decisão.

Apesar de alvejado incansavelmente, Lula é o único, autêntico líder popular brasileiro. Na Itália, onde visitou a Exposição de Milão, conversou com o premier Renzi e com o ex-presidente da República Napolitano, palestrou na prefeitura de Roma aos pés da estátua de Júlio César, e na reunião da FAO, a contar com a presença de 30 chefes de Estado, surgiu como personagem principal, saudado campeão da luta contra a miséria e a fome. Não houve retórica nas manifestações das autoridades e muito menos nos aplausos recebidos pelas ruas.

Nestes dias realizou-se em Salvador o Congresso do PT, o partido que, chegado ao poder, distanciou-se dos propósitos iniciais e se portou igual aos demais em todos os tempos da história republicana. E ali, Lula aparece como o líder habilitado a redesenhar-lhe as feições. Cabe perguntar aos nossos botões, em todo caso, se a chamada democracia partidária ainda se coaduna com as circunstâncias, nem digo da política nacional, mundial é a palavra adequada.

Em Roma, Lula centrou sua fala na prefeitura na democracia participativa, no “diálogo com o povo”, enquanto na FAO acentuou as dificuldade de um governo obrigado a concessões variadas na falta de maioria parlamentar absoluta, forçado, portanto, a alianças nem sempre desejáveis. As ideias expostas pelo ex-presidente são de fato bastante atuais nos debates acadêmicos europeus. O chamado Velho Mundo ainda é o lugar onde vingam ideias novas e percepções mais precisas da realidade, ou menos anacrônicas. Discute-se em torno de uma fórmula batizada “democracia do líder”, encarada como solução possível do problema da governabilidade, a pressionar em todas as latitudes.

Proposta em gestação, Carta Capital ainda falará dela em profundidade, como, entre outras interpretações possíveis, sistema de governo de unidade e salvação nacionais, reunido em torno de uma liderança incontestável. Certo é que Lula continua a desempenhar um papel determinante, como se não bastasse a prova irrefutável de sua importância, representada pela obsessiva tentativa dos porta-vozes da casa-grande de incriminá-lo de alguma forma, de envolvê-lo em tramoias, conchavos e corrupção.

Vibra nos ataques a Lula, a aposta na ignorância, na parvoíce, na ausência de espírito crítico de quem lê e ouve, a fomentar a paroxística situação de extremo maniqueísmo em que nos mergulha o atentado diuturno à razão dos iluministas. Resulta disso tudo a intolerância irremediável, a impossibilidade de diálogo, de qualquer tentativa de entendimento, ao sabor de uma navegação oposta àquela desejável para o bem do País.




SEM ESPAÇO NO PSDB, AÉCIO TENTA A VENEZUELA





Uma das ideias mais idiotas da política recente                                  brasileira




Que deu na cabeça de Aécio para ir se meter nos negócios alheios na Venezuela?
É uma das ideias mais imbecis dos últimos anos na cena política. Tem a mesma quantidade de tolice da viagem que Kim Kataguiri empreendeu a Brasília para derrubar Dilma.
A diferença é que Kim é mirim, e Aécio já ultrapassou os 50, embora faça força para parecer um garotão.
Cada país que cuide de seus problemas.
A direita brasileira é a segunda pior do mundo, no quesito apego a mamatas e privilégios estatais. Só é batida pela direita venezuelana.
Desde que Chávez chegou ao poder – pelos votos – a direita tenta derrubar a nova ordem que nada mais fez que incluir uma vasta porção de venezuelanos relegados à miséria ao longo dos séculos.
Até um golpe foi dado. Durou pouco, e Chávez acabou reconduzido pela reação do povo e de seus antigos companheiros militares.
Neste trabalho de sabotagem contra a inclusão social e contra a democracia, a elite venezuelana tem o amparo permanente dos Estados Unidos.
Era assim com Bush e continuou assim com Obama, de quem se esperavam, em vão, mudanças.
Numa de suas grandes frases, Chávez disse que a diferença entre Bush e Obama era a mesma que existe entre seis e meia dúzia.
Chávez governou para os pobres, e recebeu deles o reconhecimento na forma de um amor irrestrito.
Ele cansou de ganhar eleições, pelo apoio popular. Mesmo quando a oposição, tradicionalmente fragmentada, se uniu com Capriles Chávez, sozinho, bateu os que queriam o retorno da velha ordem.
Doente, ele pediu que os venezuelanos votassem em Maduro caso morresse. Já não era Chávez que enfrentaria a oposição reunida, mas um semidesconhecido indicado por ele, Maduro.
E Maduro venceu, em eleições cuja lisura foi atestada por Jimmy Carter e diversos outros insuspeitos observadores internacionais.
A oposição começou a tramar contra Maduro imediatamente. O primeiro passo foi a acusação, disparatada e cínica, de fraude eleitoral.
E a sabotagem não parou mais.
Querem tirar Maduro? Que vençam nas urnas.
Mas não. A direita venezuelana, como a brasileira, quer atalhos que prescindam de uma coisa chamada voto.
O 1% venezuelano não tem nada a mostrar. Governou por séculos a Venezuela e construiu uma das sociedades mais iníquas do mundo.
Se você acha que a mídia brasileira é canalha, é porque não viu a venezuelana. Até a mãe de Chávez era constantemente xingada nas redes de tevê da Venezuela.
E é dentro desse quadro tão complicado, de boicote sistemático da plutocracia contra a democracia, que Aécio acha que tem alguma contribuição a dar aos venezuelanos.
É cômico e é trágico ao mesmo tempo.
Aécio, definitivamente, não se enxerga.
Vi, nas redes sociais, reações que contam muito sobre o caso. Várias pessoas perguntaram quanto custaria a viagem aos cofres públicos.
Até o avião da FAB seria utilizado. Pagar passagens com o próprio bolso não faz parte dos hábitos de Aécio.
Terminou em piada, claro.
O jornalista Pedro Alexandre Sanches, no Twitter, pediu a Maduro que aceitasse Aécio na Venezuela.
Para sempre.