quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Dilma Rousseff – Reencontrando a Tortura

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 Quantos jovens idealistas foram brutalmente torturados, enquanto outros simplesmente desapareceram?
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Qual será a manchete da Folha de S.Paulo quando tiver acesso aos autos do processo da ditadura contra a presidente eleita Dilma Rousseff, garantido pelos ministros do Superior Tribunal Militar? “Dilma participou do assalto a cofre de Ademar de Barros”, “Dilma tomou parte de assalto a banco que resultou na morte de inocentes”, “Dilma delatou companheiros”?
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Na sanha de deslegitimar a candidata escolhida pela maioria do povo brasileiro, qualquer uma delas lhes bastará.
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Não há nenhum problema em recuperar o passado de pessoas públicas, mesmo que este as denigra, e desde que baseado em fatos e fontes confiáveis. O papa Benedictus XVI foi indiscutivelmente apresentado como ex-integrante da juventude nazista, por exemplo, pois imagens e registros atestados historicamente o comprovavam. Isso não impediu que os católicos o reconhecessem como líder máximo da sua Igreja, após contextualizar o ocorrido no tempo e no espaço.
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Circo dos horrores: Gritaria na madrugada...
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O problema no caso de Dilma é que a Folha mostra-se afoita em dar vazão a registros que foram obtidos em circunstâncias excepcionais. Dilma não compareceu a uma delegacia para prestar esclarecimentos, acompanhada de seu advogado, e nem respondeu a um processo legítimo. Muito do que consta nos autos de seu processo foi obtido enquanto estava pendurada num pau de arara ou sentada na cadeira do dragão, levando inúmeros choques elétricos, sendo barbaramente torturada na flor da idade.
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 Este era o trbalho na calada da noite...
Durante o dia eles instruiam os Processos. 

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Uma publicação jornalística com o mínimo de seriedade teria que levar isso em conta e não reproduzir simplesmente o que diz um processo ilegítimo, produzido por um governo que rompeu a ordem constitucional do país e adotou a tortura como instrumento de obter confissões, contrariando os princípios mais básicos dos direitos humanos. Foi esta conduta que os jornais adotaram quando a ditadura tentou apresentar a morte do jornalista Vladmir Herzog como suicídio. Ninguém aceitou a versão dos carniceiros como verdade,  com exceção da empresa que publica a Folha. O que provinha da ditadura não era confiável sob nenhuma hipótese, mas a Folha de São Paulo rendeu-se covardemente às armas apontadas contra a sociedade brasileira, e em seguida desfrutou das benesses patrocinadas pelos golpistas.
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Os carrascos dos porões da ditadura desfilavam entre seus familiares e a sociedade, travestidos de pessoas de bem.
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Confissões sob tortura não têm valor jurídico. E reproduzi-las pura e simplesmente, escudando-se no fato de se tratarem de documentos oficiais, seria de uma leviandade ímpar. Outro agravante de tal divulgação seria legitimar a ditadura militar, um dos períodos mais cruéis e trágicos da história brasileira, confiando exclusivamente na veracidade dos documentos que produziu com o intuito de justificar as prisões, torturas e mortes de milhares de jovens idealistas. O que está lá escrito não tem outra finalidade senão a de proteger os próprios criminosos da opinião pública quando enfim esses processos chegassem, como agora chegam, ao conhecimento de todos.  O Brasil ainda não fechou a página do que se passou naqueles 25 anos para aceitar passivamente fatos originados nos porões do regime.
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Os que morreram foram os mais brutalizados.
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Não esperamos que a Folha tenha o mínimo de decência para não publicá-los. O jornal publicou coisa muito pior, como a ficha falsa de Dilma antes mesmo de a campanha começar. Talvez seja até uma tentativa de encontrar algo que repare a “barriga” do jornal ao publicar, sem nenhum critério de verificação, a tal ficha, proveniente de um site de ultradireita. Ou então, iniciar um terceiro turno, apresentando as armas para o combate sem tréguas que desempenhará nos próximos quatro anos.
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 Covardia...
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Seja qual for o propósito, ele parece tudo, menos jornalístico. O empenho do jornal se coaduna unicamente com os seus próprios interesses , e não com os interesses do país. Seja lá o que contiverem os autos, a sua publicação servirá, sobretudo, para diminuir ainda mais o tamanho da Folha de S.Paulo, que já saiu bem reduzida da recente eleição.
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Parafraseando Mair Pena Neto
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