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A justiça poética de ver Eduardo Cunha no pântano da Lava Jato

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Teve o que mereceu Há uma espécie de justiça poética no vendaval que arrastou o deputado Eduardo Cunha para o pântano da Lava Jato. Pouco antes de ganhar o noticiário, ele se apressara em avisar, pelo Twitter, que era terminantemente contra qualquer espécie de regulação de mídia. Provavelmente ele imaginara estar ganhando blindagem – e louvação — das grandes empresas de jornalismo ao adotar uma postura tão servil a elas e tão contrária à sociedade. A reportagem da Folha que o colocou na Lava Jato deve ter sido, para ele, um choque extraordinário. Você pode imaginá-lo dizendo: “Ei, amigos, eu estou do lado de   vocês !” Mas onde mais se percebe a justiça poética do caso é na argumentação de Cunha também no Twitter sobre o mérito jornalístico da Folha. Num português manco de quem ou não sabe escrever ou está terrivelmente ansioso, Cunha produziu, sem querer, uma vigorosa defesa da tese de que as regras e a legislação do jornalismo devem ser revistas. Ele ...

Você já viu na imprensa uma charge de Deus mostrando o rabo?

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Chorando o leite derramado Após ataque terrorista, imprensa internacional censura charges do 'Charlie Hebdo', nas quais o profeta Maomé aparece em situações humilhantes. Fala-se em liberdade de expressão, imprensa livre... Mas, e aquela máxima de que o meu direito acaba onde começa o do outro, deixou de existir, ou só existe e serve quando é entre nós ocidentais ou entre "nós" cristãos? Procurei uma charge de Deus (cristão) em situações degradantes como as de Mamomé postadas no "Charlie Hebdo" mas não encontrei nenhuma. Sacanagem com o Deus dos outros dá nisso! Rodolfo Vasconcellos O texto abaixo (menos as charges) é da Carta Capital Veículos da imprensa internacional publicaram imagens grosseiramente alteradas do jornal satírico   Charlie Hebdo   com o objetivo de excluir caricaturas do profeta Maomé que constavam na publicação. O fato ocorreu justamente na cobertura de um   ataque terrorista à redação que deixou 12 mortos ...

‘Cupincha’ de Aécio, Anastasia é citado na Lava Jato

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O mesmo abraço que pegou Eduardo Jorge de surpresa, ao anunciar seu apoio a Aécio no 2º turno Antes fora da lista de políticos citados pela Operação Lava-Jato, o senador eleito Antonio Anastasia, ex-governador de Minas Gerais, foi mencionado em depoimento do policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca. Em 18 de novembro do ano passado, Careca contou à Polícia Federal que entregou R$ 1 milhão a Anastasia em 2010, a mando do doleiro Alberto Youssef, pivô do esquema de corrupção que desviou R$ 10 bilhões da Petrobras. Quem revelou a notícia foi a Folha de S. Paulo, nesta quinta-feira. A Justiça Federal do Paraná está sob posse da citação, que não foi encaminhada à Procuradoria Geral da República porque Anastasia perdeu o foro privilegiado quando pediu demissão do cargo de governador para concorrer ao Senado. Recuperou o foro privilegiado às vésperas do recesso judicial. Anastasia nega conhecer o policial e o doleiro. E considera o depoimento fora da realidad...

Por que o sucesso de um grupo alemão anti-islamização está assustando a Europa

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Publicado na  DW. Uma série de protestos contra uma suposta “islamização” está agitando a Alemanha. Atos organizados pelo grupo Pegida estão reunindo grandes multidões. Os protestos contra a “islamização” começaram em Dresden no final de 2014 e são realizados sempre às segundas-feiras. Chama a atenção que o estado da Saxônia, do qual Dresden é a capital, praticamente não tem muçulmanos. Eles representam 0,1% da população local, segundo o último censo. Quase todos os muçulmanos que vivem na Alemanha estão no lado ocidental. O que é Pegida? O movimento “Europeus patriotas contra a islamização do Ocidente” (Pegida, em alemão) carrega os seus medos no nome. Desde meados de outubro, o grupo protesta todas as segundas-feiras de noite em Dresden contra tudo o que eles consideram como “islamização”, abuso das leis de asilo ou ameaça à cultura alemã. Essas preocupações não se refletem em slogans abertamente racistas, mas em faixas com dizeres do tipo “Unidos e ...

A agonia da editora Abril

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A família Civita e o busto do fundador, antes do declínio A retirada do busto de Victor Civita do saguão da sede da editora Abril neste começo de janeiro é um capítulo dramático do declínio acelerado daquela que foi uma das maiores empresas de jornalismo. A Abril está morrendo. Victor Civita foi abatido porque a Abril já não tinha mais como bancar o aluguel do megalomaníaco prédio da Marginal de Pinheiros. Ao devolver uma das duas torres, perdeu o direito de exibir o fundador da empresa. Para os futuros inquilinos, o busto de VC, como era chamado, não faria sentido nenhum. A morte de uma empresa de jornalismo é um processo lento. Não é fácil identificar o momento em que as coisas começam a dar errado. Depois tudo se aclara, e o fim é evidente. As últimas etapas são agônicas, e é isto o que a Abril está vivendo. A torre remanescente dificilmente sobreviverá por muito tempo, bem como uma série de revistas e, lamentavelmente, centenas de empregos. Como todas as ...

Onde está a gritaria das associações de médicos contra a “máfia das próteses”?

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Onde estão as declarações indignadas das entidades médicas contra a chamada “máfia das próteses”? Onde os protestos veementes da categoria? Onde metade daquele povo que foi aos aeroportos agredir os cubanos, denunciar a invasão comunista, o trabalho escravo e a roubalheira? O Fantástico fez uma reportagem denunciando um esquema em que fabricantes de próteses pagavam comissões para profissionais de saúde prescreverem seus produtos. O negócio estaria ocorrendo em cinco estados. Alguns ganhavam 100 mil reais por mês pelo serviço. Funcionava assim: o paciente — ou melhor, cliente –, depois de esperar pela cirurgia na fila da rede pública, ia para uma consulta, onde o médico indicava um advogado. Ele ajudava a pessoa a entrar na Justiça pedindo uma liminar que obrigava o governo a pagar pelo procedimento. O Cade vai averiguar a existência de um cartel dos fabricantes. Segundo o Tribunal de Contas da União, os gastos com medicamentos e insumos para cumprimento de ...

10 versões “hereges” para Jesus: liberdade de pensamento e a neo-inquisição virtual

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(Enquanto isso, no twitter…) Pouco antes do Natal, divulguei no twitter um texto escrito pela psicóloga norte-americana Valerie Tarico abordando o fato de as relações sexuais não consentidas estarem na origem da maioria das religiões, inclusive na concepção de Jesus Cristo (leia  aqui  o original e  aqui , uma tradução). E perguntei: “Então, na verdade, Deus estuprou Maria?” Alguns dias depois, durante minhas férias, o post foi descoberto por algumas personalidades tuíticas (sei que parece ridículo, mas elas existem), que atiçaram a turba furiosa contra mim. Conservadores disfarçados de moderninhos, em fúria, defendendo a santa madre igreja da bruxa infiel. Qual uma herege medieval, fui xingada, agredida, ameaçada de processo e até de excomunhão (?!). Teve um cara que me lembrou que eu havia pecado “contra o espírito santo”, como se eu, agnóstica, acreditasse em pecados. Muitos devem ter achado uma pena que a época em que se queimavam pessoas na fogueira por di...