terça-feira, 16 de junho de 2015

Futebol despenca em audiência na Globo









Por Altamiro Borges



O site especializado Notícias da TV, editado por Daniel Castro, registrou nesta segunda-feira (15) que a transmissão do futebol na TV Globo teve sua pior audiência nos últimos três anos. "A partida contra a Chapecoense, no sábado, rendeu ao São Paulo a liderança no Campeonato Brasileiro. Para a Globo, no entanto, foi a pior audiência do futebol nacional em três anos na Grande São Paulo. Os 11,5 pontos do jogo só superam os 10,5 de Cruzeiro x São Paulo, em 30/6/2012". Mantida esta tendência de queda no Ibope, os filhos de Roberto Marinho - que não têm nome próprio, segundo o blogueiro afiado Paulo Henrique Amorim - poderão em breve aprontar ainda mais contra o futebol brasileiro.

Em março passado, a jornalista Keila Jimenez publicou na Folha que a TV Globo já estudava reduzir o espaço dedicado a esta paixão nacional em sua grade de programação. A audiência para os jogos dos principais clubes paulistas já apontava a forte tendência de queda. "Time que arrebanha a maior audiência no futebol exibido pela TV Globo, o Corinthians perdeu cerca de 26% de ibope nos jogos transmitidos pela emissora nos últimos quatro anos. O clube, que em 2010 obteve média de 23,8 pontos de audiência em suas partidas, encerrou 2014 com média de 17,5 pontos. Cada ponto equivale a 67 mil domicílios na Grande São Paulo".

Outros times também confirmaram a decadência nas transmissões do futebol. São Paulo, Palmeiras e Santos perderam 20% da sua plateia na Globo no mesmo período. "A mesma porcentagem de queda atinge o principal campeonato de futebol do país, o Brasileirão. Em 2010, a competição registrou média de 20,9 pontos de ibope. No ano passado, marcou 16,8 pontos de média. Nos últimos quatro anos, o Campeonato Paulista perdeu cerca de 23% de sua audiência. Já a Copa do Brasil, caiu 32%". Diante deste cenário, Keila Jimenez especulou:


"Com perdas anuais de audiência nos principais torneios da modalidade, a TV Globo pode diminuir a exibição de jogos de futebol em sua programação até 2017. Esse é um dos planos em estudo na rede a médio prazo, defendido por diretores que acreditam que o futuro do futebol está na TV por assinatura e nos serviços de pay-per-view". Para agravar ainda mais a situação deste esporte na telinha, em abril último a Fifa confirmou a venda da transmissão da Copa do Mundo de 2026 para a estadunidense Fox, conforme notícia postada no Portal Imprensa:


"A Bloomberg, agência de notícias financeiras norte-americana, divulgou na quarta-feira (22/04) que a Fifa teria facilitado a compra da transmissão da Copa do Mundo de 2026 para a Fox. A ação teria ocorrido como uma forma de compensar a mudança da data da Copa de 2022, no Catar, que também foi adquirida pela emissora, e que acontecerá entre os meses de novembro e dezembro, em vez de junho e julho, como de costume... A Fifa teria negociado 'às escondidas' a transmissão da Copa de 2026, que pode acontecer nos EUA, para compensar a Fox pela possível perda de audiência".

Agora, com as denúncias de corrupção na Fifa - que tem como centro as propinas nas "transmissões televisivas" -, a TV Globo poderá sofrer novos abalos. Com a queda da audiência e os escândalos no bilionário negócio do futebol, os filhos de Roberto Marinho poderão repassar o ônus para os amantes deste esporte. Mas, como dizem os chineses, toda a crise também é um janela de oportunidades. Esta seria a melhor hora para o governo brasileiro redefinir o papel das emissoras privadas - que exploram concessões públicas - na transmissão dos jogos. Dava até para seguir a experiência da Argentina, que tratou este patrimônio como um bem público e viabilizou a transmissão do futebol nas TVs públicas.




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