sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O ataque à Petrobras e os órfãos da empresa





Vítima de corrupção, e dos que desejam inviabilizá-la, empresa reduziu drasticamente seus investimentos sócio-culturais. Atitude golpeou centenas de projetos, de valor irrisório frente ao faturamento total




Por Lorhan Caproni e Izadora Mattiello

Quase um ano após o início das investigações sobre corrupção na Petrobras,, começamos a perceber que os desdobramentos do que ocorreu com a empresa podem trazer consequências ainda mais devastadoras.
Em junho de 2014, a Petrobras anunciou no Social Responsibility Global Village, parte integrante do World Petroleum Congress (WPC), em Moscou, um investimento da ordem de US$ 750 milhões entre 2014 e 2018, em projetos sociais e ambientais. Tinha como foco sete linhas de ação: Produção Inclusiva e Sustentável, Biodiversidade e Sociodiversidade, Direitos da Criança e do Adolescente, Florestas e Clima, Educação, Água e Esporte.
Na condição de um dos maiores investidores sociais do Brasil, a Petrobras seleciona seus projetos através de editais nas áreas de desenvolvimento e cidadania, socioambiental e esporte. Os projetos duram cerca de dois anos e após esse prazo e avaliação do projeto implantado, pode ocorrer a renovação.
É justamente aí que começa o problema
Somente no Estado de São Paulo, mais de vinte organizações sociais contavam com a renovação e ainda não obtiveram uma resposta, sendo que o prazo para o posicionamento da empresa já se esgotou.
Estamos nos referindo a 10 mil crianças, adolescentes, jovens e mulheres que, sem os espaços de lazer, esporte, cultura, convivência, cidadania e capacitação profissional, voltarão a ficar suscetíveis e à mercê de inúmeras situações perigosas, diversas formas de violência, ao crime organizado e situações de negligência.
Muitas organizações sociais possuem altos níveis de dependência do financiamento da Petrobrás (em alguns casos até 60% dos recursos da organização são originados desse edital e a não renovação também refletirá em demissões de seu quadro de colaboradores). No Brasil, são 130 projetos contemplados com mais de R$ 145 Milhões investidos nessa situação de incerteza e risco.
Em junho, na apresentação de seu novo plano de negócios Gestão 2015- 2019, a Petrobrás anunciou redução de 37% nos seus investimentos. Nesse contexto, ficam as perguntas:
Esses investimentos também sofrerão cortes? Qual o tamanho do corte? Quem será excluído do financiamento e quem será beneficiado? Com qual critério?Como se manterão as organizações sociais civis sem a continuidade desses projetos? Além da possibilidade da não renovação do contrato, a falta de informação é o que as deixa sem perspectiva quanto ao seu futuro. Demitir a equipe profissional? Fechar suas portas?
Estamos falando de organizações sociais civis no Brasil inteiro, com projetos contemplados e expectativa de renovação que atuam na garantia dos direitos da criança e do adolescente, de educação para a qualificação profissional, geração de renda e oportunidade de trabalho.
A corrupção sofrida pela Petrobrás e a tentativa de atingir a empresa não vão impor altas perdas somente para os acionistas — mas a crianças, adolescentes e adultos desamparados. Estes serão os que sofrerão as maiores perdas.
Enquanto esperamos uma resposta, é preciso nos mobilizarmos, envolver empresas, governo, fundações, institutos e famílias para que possamos juntos garantir a sustentabilidade desses projetos e diminuir a dependência de um único financiador. Caso contrário, teremos uma nova classe de projetos sociais: os órfãos da Petrobrás.




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