segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Malvinas: Londres Instala Armas Nucleares










Paiol submerso: O submarino inglês HMS Vanguard: mísseis que podem alcançar 5 000 quilômetros




As denúncias da Argentina contra o Reino Unido por instalar armas nucleares no Atlântico Sul reacenderam anteontem - sábado 11 - um novo foco de inquietude nas Nações Unidas e a necessidade de negociações sobre as Ilhas Malvinas.

As acusações contra Londres nesse tema foram feitas pelo chanceler argentino, Héctor Timerman, que viajou à sede da ONU em Nova Iorque para expô-las aos titulares daquele que deveria ser o Órgão de representação de todas as Nações.



O ministro entregou ao secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, informações que sustentam as alegações da Argentina e aceitou um oferecimento do secretário para mediar entre Buenos Aires e Londres e iniciar conversas sobre as Malvinas.

Também reuniu-se com o mesmo propósito com o embaixador de Togo perante as Nações Unidas e presidente do Conselho de Segurança, Kodjo Menan, e o titular da Assembleia Geral, Nassir Abdulaziz Al-Nasser (Catar).

Além disso, sustentou uma reunião com o presidente do Comitê de Descolonização, Pedro Núñez Mosquera (Cuba), e os embaixadores da Colômbia e da Guatemala, respectivamente, os países latino-americanos que este ano ocupam um assento no Conselho de Segurança.

A todos expôs os argumentos da Argentina frente ao crescimento militar realizado pelo Reino Unido no Atlântico Sul e reiterou a demanda de soberania de seu país sobre as Ilhas Malvinas, ocupadas desde 1833.

Com a projeção de dispositivos que respaldaram sua exposição, Timerman explicou em coletiva de imprensa detalhes da militarização dessa região, como a chegada às Malvinas do submarino nuclear Vanguard, do destruidor HMS Dauntless e de aviões Typhoon, todos de última geração.

Disse que as bases militares britânicas nas ilhas Ascensión, Santa Helena, Tristán de Cuña, Malvinas e Geórgias e Sándwich do Sul e o território antártico dominam o Atlântico Sul e o tráfego marítimo e aéreo entre a América do Sul e a África e o acesso ao Pacífico e ao Índico.
Trata-se de um controle exercido por uma potência militar que se encontra a 14 mil quilômetros das Malvinas, sublinhou, embora todos saibam que os EUA estão por trás desses deslocamentos, os quais fazem parte de um projeto de domínio do Cone Sul.

Revelou que o governo argentino ainda espera uma resposta de Londres sobre se introduziu ou não armas nucleares na região, como lhe perguntaram vários países preocupados por essa possibilidade.

Recordou que em 2003 ocorreu um acidente nas Malvinas durante o translado de material nuclear entre dois barcos britânicos, o qual derivou em uma propagação de radioatividade.


A respeito, o embaixador do Reino Unido na ONU, Mark Lyall Grant, admitiu que "há submarinos de bandeira britânica por todo o mundo" e que Londres aumentou seu poderio militar nesse arquipélago desde 1982, quando a Argentina e seu país foram a uma guerra que custou a vida de 649 argentinos e 255 ingleses.



A Argentina é signatária do Tratado de Tlatelolco que converteu a América Latina em uma região livre de armas nucleares, enquanto o Reino Unido o assinou, porém, com reservas para não cumprir com todos os preceitos desse pacto, explicou o ministro.

Nesse sentido, destacou o apoio unânime da América Latina ao pedido argentino de conservar a paz no Atlântico Sul e de recuperar a soberania das Ilhas Malvinas, Geórgias do Sul, Sándwich do Sul e os espaços marítimos circundantes.

Esse respaldo está plasmado nos acordos adotados pelo Mercado Comum do Sul, União de Nações Sul-americanas, Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos e as Cúpulas Ibero-americanas.

Timerman criticou a reiterada negativa de Londres a retomar as negociações dispostas pela ONU e as ilegais medidas unilaterais ditadas pelo governo britânico para a exploração e extração de recursos naturais renováveis e não renováveis da área da controvérsia.

O Reino Unido é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, órgão encarregado de velar pela paz e segurança internacionais.

Fonte: Prensa Latina 





domingo, 12 de fevereiro de 2012

Ex Delegado do DOPS, Bonchristinano, Abre o Bico.















Um agente da repressão pós-64 fala (muito) à repórter Marina Amaral: torturas, assassinatos, intimidades com mídia, os bancos, a CIA…



Por Marina Amaral, da Agência Pública


Aos 80 anos, José Paulo Bonchristiano conserva o porte imponente dos tempos em que era o “doutor Paulo”, delegado do Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo, “o melhor departamento de polícia da América Latina”, não se cansa de repetir.“O DOPS era um órgão de inteligência policial, fazíamos o levantamento de todo e qualquer cidadão que tivesse alguma coisa contra o governo, chegamos a ter fichas de 200 mil pessoas durante a revolução”, diz, referindo-se ao golpe militar de 1964, que deu origem aos 20 anos de ditadura no Brasil.


Embora esteja aposentado há 27 anos, não há nada de senil em sua atitude ou aparência. Os olhos astutos de policial ainda dispensam os óculos para perscrutar o rosto do interlocutor, endurecendo quando o delegado acha que é hora de encerrar o assunto.

Bonchristiano gosta de dar entrevistas, mas não de responder a perguntas que lancem luz sobre os crimes cometidos pelo aparelho policial-militar da ditadura do qual participou entre 1964 e 1983: prisões ilegais, sequestros, torturas, lesões corporais, estupros e homicídios que, segundo estimativas da Procuradoria da República, vitimaram cerca de 30 mil cidadãos. Destes, 376 foram mortos, incluindo mais de 200 que continuam até hoje desaparecidos.

Os arquivos do DOPS se tornaram públicos em 1992, mas muitos documentos foram retirados pelos policiais quando estavam sob a guarda do então diretor da Polícia Federal e ex-diretor geral do DOPS, Romeu Tuma. Entre os remanescentes estão os laudos periciais falsos, produzidos no próprio DOPS, que transformavam homicídios cometidos pelos agentes do Estado em suicídios, atropelamentos, fugas. No caso dos desaparecidos, os corpos eram enterrados sob nomes falsos em valas de indigentes em cemitérios de periferia.

Globo, Folha, Bradesco – e Niles Bond

Bonchristiano é um dos poucos delegados ainda vivos que participaram desse período, mas ele evita falar sobre os crimes. Prefere soltar o vozeirão para contar casos do tempo em que os generais e empresários o tratavam pelo nome. Roberto Marinho, da Globo, diz, “passava no DOPS para conversar com a gente quando estava em São Paulo”, e ele podia telefonar a Otávio Frias, da Folha de S. Paulo “para pedir o que o DOPS precisasse”. Quando participou da montagem da Polícia Federal em São Paulo, conta, o fundador do Bradesco mobiliou a sede, em Higienópolis: “Nós do DOPS falamos com o Amador Aguiar ele mandou por tudo dentro da rua Piauí, até máquina de escrever”.

O “doutor Paulo” sorri enlevado ao lembrar dos momentos passados com o marechal Costa e Silva (o presidente que assinou o AI-5 em dezembro de 1968, suspendendo as garantias constitucionais da população). “O Costa e Silva, quando vinha a São Paulo, dizia: ‘Eu quero o doutor Paulo Bonchristiano’”, e imita a voz do marechal – ele adora representar os casos que conta.

“Eu fazia a escolta dele e ele me chamava para tomar um suco de laranja ou comer um sanduíche misto na padaria Miami, na rua Tutóia, vizinha ao quartel do II Exército. Todo mundo querendo saber onde estava o presidente da República, e eu ali”, delicia-se.

Gaba-se de ter sido enviado para “cursos de treinamento em Langley” nos Estados Unidos, pelo cônsul geral em São Paulo, Niles Bond, que admirava a “eficiência” da polícia política paulista. E o chamava de “Mr. Dops”.

Orgulha-se também de outro apelido – “Paulão, Cacete e Bala” – que diz ter saído da boca dos “tiras” quando “caçava bandidos” na RUDI (Rotas Unificadas da Delegacia de Investigação), no início da carreira, com um “tira valente” chamado Sérgio Fleury. Anos depois, os dois se reencontrariam na Rádio Patrulha, de onde saiu a turma do Esquadrão da Morte, levada para o DOPS em 1969, quando Fleury entrou no órgão.

“Polícia é polícia, bandido é bandido”, diz Bonchristiano. “Para vocês de fora é diferente, mas para nós, acabar com marginal é uma coisa positiva. O meu colega Fleury merecia um busto em praça pública”, afirma, sem corar.

O delegado Sérgio Fleury e sua turma de investigadores se celebrizaram por caçar, torturar e matar presos políticos no DOPS, enquanto continuavam a exterminar suspeitos de crimes comuns no Esquadrão da Morte.

Conversas gravadas

No decorrer de nove tardes passadas, entre junho de 2010 e janeiro deste ano, em seu apartamento no Brooklin, no 13º andar de um prédio de classe média alta, aprendi a escutar com paciência os “causos” que “doutor Paulo” narra com humor feroz, até extrair informações relevantes. Repetidas vezes eu as confrontava com livros e documentos e voltava a inquiri-lo; a proposta era que ele se responsabilizasse pelo que dizia.

De certo modo, meu embate com o “doutor Paulo” antecipava as dificuldades que serão enfrentadas pela Comissão da Verdade, a ser instalada em abril para apurar fatos e responsáveis – sem punição penal prevista – pelas violações de direitos humanos cometidas pelo Estado entre 1946 e 1988, abrangendo o período da ditadura militar. O objetivo da comissão é devolver aos cidadãos brasileiros um passado que ainda não se encerrou, como provam os desaparecidos, e impedir que funcionários públicos sigam mantendo segredo sobre atos praticados a mando do Estado.

A fragilidade da lei em pontos cruciais, porém, provoca ceticismo nas organizações de direitos humanos, em especial ao permitir o sigilo de depoimentos – ferindo o direito à transparência pública –, e ao não prever punições aos responsáveis pelos crimes, nem mesmo medidas coercitivas para os que se recusarem a depor.

“Não vou depor. Acho bobagem”, diz Bonchristiano. “Nunca pratiquei irregularidades, mas não sou dedo duro e não vejo utilidade nessa comissão”, justifica o funcionário público, aposentado aos 53 anos, e que recebe hoje 11 mil reais por mês de pensão.

Minhas conversas com Mr. DOPS renderam 15 horas de gravação que revelam a mentalidade e as conexões políticas dos policiais que atuaram na repressão do governo militar. E provam que os detentores das informações estão por aí – embora continuem ocultando as circunstâncias exatas em que os crimes foram cometidos e os mandantes de cada um deles.

Torturadores e repressores

O nome de Bonchristiano – que significa “bom cristão” e veio de Salerno, Itália – não consta das principais listas de torturadores compiladas por organizações de direitos humanos.

O Projeto Brasil Nunca Mais, um extenso levantamento realizado clandestinamente entre 1979 e 1985 com base nos IPMs (inquéritos policiais militares), é até hoje a principal referência, embora muitas vezes liste apenas os “nomes de guerra” dos torturadores, já que os reais eram desconhecidos das vítimas.

No tomo II, volume 3, “Os funcionários”, Paulo Bonchristiano é citado oito vezes em operações de repressão. Mas seu nome também não consta da chamada Lista de Prestes, de 1978, liberada recentemente pela viúva do líder comunista, que traz vários nomes completos e os cargos de 233 torturadores denunciados por presos políticos – entre eles 58 policiais do DOPS de São Paulo, 21 deles delegados.

As lacunas dessa história, porém, não permitem descartar a revelação de novos nomes. Entre 1968 e 1976 – o período mais duro da ditadura –, as torturas faziam parte do cotidiano de todos os policiais e militares envolvidos na repressão. O DOPS era “manejado pelos militares como um órgão federal”, como observa o jornalista Percival de Souza no livro “Autópsia do Medo”, do qual o Paulo Bonchristiano participa como fonte e personagem, qualificado como “um dos delegados mais conhecidos do DOPS”.

Nas entrevistas à Pública, o ex-delegado resistiu duas tardes inteiras antes de admitir que se torturava e matava no “melhor departamento de polícia da América Latina” – o que hoje qualquer cidadão pode constatar através dos depoimentos reunidos no “Memorial da Resistência”, museu que desde 2002 ocupa as antigas instalações do DOPS, no centro de São Paulo.

Nem mesmo o fato de Sérgio Fleury ter se celebrizado como torturador impediu Bonchristiano de tentar isentar o órgão: “O Fleury era do DOPS e não era do DOPS, era o homem de ligação do DOPS com os militares, era delegado das Forças Armadas, do Alto Comando. Não obedecia a ninguém, interrogava presos no DOPS, no DOI-CODI, em delegacias, sítios, no país inteiro. Todo o segundo andar do DOPS era dele, tinha que telefonar antes: ‘Fleury eu vou descer pra falar com você’. Se não, a gente não entrava. Ele tinha uma porta lá, todo misterioso”.

Bonchristiano ainda se lembra, e muito bem, das antigas desavenças com o ex-colega.

“O Fleury estava em todas, se metia em tudo, perdi muitos ‘tiras’ para ele porque lá eles ganhavam mais, tinha um ‘por fora’”, contou na segunda entrevista. “Uma vez prendi um cara em um aparelho no Tremembé, e quando estava chegando no DOPS, o Fleury pediu o preso emprestado, não lembro o nome dele. Depois de dois dias sem notícias do preso, fui perguntar para o Fleury, e ele me pediu desculpas, tinha matado o cara que eu nem ouvi”, relata, como se fosse um contratempo na repartição. “Chegou uma hora que só ele que dominava. Só se falava dele”.

“Graças a Deus só se fala no Fleury”, reagiu dona Vera, a elegante senhora com quem o ex-delegado é casado há 53 anos, que entrava na sala trazendo refrigerantes. E emendou: “Zé Paulo, essa entrevista já não está durando demais?”, frase que ela repetiria muitas vezes depois.

Foi na terceira entrevista – quando já acumulávamos seis horas de gravação – que o “doutor Paulo”, sem dona Vera na sala, finalmente confirmou que “sabia de tudo” o que acontecia no DOPS. E se “justificou”: “Eu não podia fazer nada, isso era com o pessoal de lá de cima. Eu era delegado de segunda classe, respondia apenas ao diretor do DOPS, o resto era com eles”.

Bonchristiano tornou-se delegado de 2ª classe em 1969 e foi promovido “por merecimento” a delegado de 1ª classe em 1971.

Naquele mesmo dia, admitiu que frequentava os outros centros de tortura montados em São Paulo a partir de 1969, como a OBAN (Operação Bandeirante) e o DOI-CODI, comandados pelo Exército e compostos de policiais civis e militares instruídos a torturar. Só no período de 1970 a 1974, a Arquidiocese de São Paulo reuniu 502 denúncias de tortura no DOI-CODI paulista, apelidado jocosamente pelos policiais de “Casa da Vovó”.

Bonchristiano disse então que “alguns da diretoria do DOPS” participaram da montagem da OBAN – “os militares não entendiam nada de polícia, depois aprenderam” – e que cederam três delegados no início das operações, todos incluídos entre os torturadores na Lista de Prestes: Otávio Medeiros, ligado ao CCC (Comando de Caça aos Comunistas) e à TFP (Tradição, Família e Propriedade), assassinado em 1973 por militantes da resistência armada; Renato d’Andrea, colega de Bonchristiano na Faculdade de Direito da PUC; e Raul Nogueira de Lima, o Raul Careca, ex-investigador subordinado a Bonchristiano e ligado ao CCC, que se tornaria delegado depois.

Levaram também os métodos da polícia, incluindo o pau-de-arara – na origem um cabo de vassoura apoiado em duas mesas, onde os policiais deixavam o preso pendurado por pulsos e tornozelos até que a dor insuportável os fizesse “confessar”.

“O pau-de-arara não é, assim, uma tortura, vai tensionando os músculos, se o cara falar logo não fica nem marca, mas se o cara for macho e segurar…”, explicou-me ele certa vez. Diante de minha expressão escandalizada, concedeu: “choques, sim, dependendo”. E completou: “Naquela época foi diferente, o governo estava tentando melhorar o país. Aí nós tivemos que fazer essa luta. Nunca considerei os comunistas bandidos, considerava ideologicamente inimigos. Tanto que eu sempre falei, não poderia haver mortes”.

Bonchristiano disse que frequentava a OBAN e o DOI-CODI para “buscar presos, não para levar”, buscando distanciar-se das mal afamadas equipes de captura da OBAN, que realizavam prisões ilegais. Alguns eram soltos sem que sua passagem nos órgãos policiais fosse sequer registrada; outros eram enviados para os cárceres do DOPS, onde assinavam as “confissões” e tinham a “prisão preventiva” decretada.

“Maçã Dourada”, os paramilitares e o DOPS

Em seus primeiros anos no DOPS, Bonchristiano se especializou em infiltrações em movimentos sindicais, mas a partir de 1968 os estudantes se tornaram prioridade. “Quem faz revolução é estudante, operário faz revolução na Rússia”, costumava dizer.

Uma das operações das quais mais se orgulha, que o levou às páginas de revistas e jornais, foi o desmantelamento do Congresso da União Nacional dos Estudantes em Ibiúna, em 12 de outubro de 1968, comandado por ele. “Prendi 1263 estudantes sem disparar um tiro”, diz – embora os policiais do DOPS e da Força Pública de Sorocaba tenham comprovadamente anunciado sua chegada com rajadas de metralhadora para o ar. “Coloquei a garotada em 100 ônibus cedidos pela (viação) Cometa e levei todo mundo para o DOPS. Separei os líderes e liberei o resto para ir para casa. Não tínhamos vontade de matá-los, eram estudantes”, ironiza.

Entre os 11 líderes que Bonchristiano mandou para o Forte de Itaipu, em Santos, estão os ex-ministros Franklin Martins e José Dirceu, e o líder estudantil Luiz Travassos, já falecido.

“Eu sabia tudo o que o Dirceu fazia porque ele era metido a galã e eu coloquei uma agente nossa para seduzi-lo”, gaba-se o delegado. “Ela era muito bonita, a Maçã Dourada, e me contava todos os passos dele”, diz o delegado. A “estudante” Heloísa Helena Magalhães, uma das 40 moças contratadas pelo DOPS para esse tipo de serviço, segundo ele, chegou a ser secretária de Dirceu na UNE.

Dias antes, havia acontecido o famoso embate entre estudantes de direita reunidos no Mackenzie e estudantes da Faculdade de Filosofia da USP, na rua Maria Antonia, base de resistência contra a ditadura. Pelo lado da direita, os conflitos foram publicamente liderados por João Marcos Flaquer, fundador do CCC, organização paramilitar idealizada por Luís Antonio Gama e Silva, o jurista que redigiu o AI-5 após se afastar da reitoria da USP para assumir o Ministério da Justiça de Costa e Silva.

Flaquer não era do Mackenzie – estava no último ano de Direito na USP – e dividia o comando dos combates com Raul Nogueira de Lima, o Raul Careca, “tira” do DOPS, subordinado a Bonchristiano. Oficialmente, a polícia só entrou no campus no segundo dia de conflitos, depois que um tiro, atribuído a um membro do CCC, Ricardo Osni, atingiu um estudante secundarista. Mas, segundo Bonchristiano, havia outras forças por trás dos conflitos:

“Foi o João Marcos que fundou o CCC e salvou os estudantes de passarem todos para o comunismo, por isso os americanos também gostavam dele”, diz o ex-delegado. “Ele tinha uma capacidade fabulosa, era forte demais, um cara fora de série, muito meu amigo. Eu o conhecia desde o segundo ano da faculdade, ele queria ser delegado mas a família dele era muito rica e não o queria metido com polícia, então ele vinha para o DOPS comigo. Ele dirigia toda essa parte de estudantes, infiltrava gente entre os esquerdistas. Se tinha alguma coisa que interessava ao DOPS, ele fazia. Mas só com minha anuência”, gaba-se o ex-delegado, que diz participado do planejamento do conflito.

O CCC começou com cerca de 400 membros e chegou a reunir 5 mil homens – boa parte deles militares e policiais. Andavam armados, espancavam estudantes e artistas que se opunham à ditadura e seus atentados mataram pelo menos duas pessoas.

João Marcos Flaquer, Ricardo Osni, João Parisi Filho e José Parisi, “estudantes” do CCC, eram colaboradores do DOI-CODI e constam da lista de torturadores do Brasil Nunca Mais.

Os dois primeiros, bem como o mentor Gama e Silva, também participavam de encontros que reuniam policiais da CIA e do DOPS. “A especialidade da CIA era fomentar organizações paramilitares como o CCC. Acho bem possível que eles recebessem, além de apoio, dinheiro”, diz a socióloga Martha Huggins, da Tulane University, New Orleans, pesquisadora de programas de treinamento de policiais estrangeiros pela CIA.

Afinidades eletivas: o DOPS e a CIA

Bacharel de Direito pela PUC-SP, filho de uma farmacêutica e um bancário, José Paulo Bonchristiano não entrou na polícia política por acaso. Ele e a turma de amigos da faculdade – seis deles futuros delegados do DOPS – eram anticomunistas viscerais e católicos conservadores, e representavam a direita no centro acadêmico 22 de agosto.

Esse perfil agradava ao experiente delegado Benedito de Carvalho Veras, que os recrutou em 1957 quando cursavam o último ano de Direito e faziam estágio na polícia. Veras, que se tornaria secretário de segurança do governador Jânio Quadros no ano seguinte, estava à procura de quadros para modernizar a polícia, sob orientação do Programa do Ponto IV – idealizado pelo presidente americano, Harry Truman, com o objetivo de prevenir a “infiltração comunista”. Isso se traduzia na combinação de ajuda econômica e treinamento das forças policiais dos países da região.

A intenção era “profissionalizar” a polícia brasileira – sobretudo os que lidavam com crimes políticos e sociais – para que barrassem o comunismo sob qualquer governo.

No mesmo ano em que Veras assumia a secretaria de segurança e nomeava Bonchristiano como delegado substituto de polícia, uma deputada (Conceição da Costa Neves, do PTB, que fazia oposição ao então governador Jânio Quadros) denunciava publicamente ter sido vítima de um grampo telefônico. “Foi o primeiro grampo que se tem notícia em São Paulo”, conta o ex-delegado, que conheceu de perto o autor da “inovação tecnológica”, o escrivão Armando Gomide, futuro agente do o Serviço Nacional de Informações (SNI). Gomide havia aprendido o “grampo” com os instrutores do Ponto IV, que também forneceram equipamentos para melhorar a qualidade das gravações.

Em 1962, o programa passou a ser dirigido pelo OPS – Office of Public Safety – uma “célula da CIA incrustrada dentro da AID (Agency for International Development, no Brasil, mais conhecida como USAID)”, nas palavras da professora Martha Huggins.

Além de treinar 100 mil policiais no Brasil, a OPS-CIA selecionava policiais e oficiais militares para estudar em suas escolas no Panamá (1962-1964); e nos Estados Unidos, depois que a Academia Internacional de Polícia (IPA) foi inaugurada em 1963 em Washington, funcionando até 1975. No Brasil, o OPS ficou até 1972, quando o Congresso americano começou a investigar as denúncias de que o programa patrocinava aulas de tortura.

Mr. Dops e Mr. Bond

A IPA foi um das “escolas” nos Estados Unidos que recebeu Bonchristiano antes mesmo do golpe militar. Dois anos antes – logo depois de ser aprovado no concurso para delegado de 5ª classe, o início da carreira, ele já frequentava a casa do diretor DOPS Ribeiro de Andrade, no Jardim Lusitânia, em São Paulo. “Ele estava sempre de portas abertas para nós, ficávamos lá conspirando”, ironiza.

Foi ali que Bonchristiano conheceu o policial americano Peter Costello, que veio para o Brasil em 1962 como instrutor da OPS depois de treinar 2.500 homens em técnicas de controle de distúrbios na Coréia. “Era um sujeito austero, falava português e entendia de polícia, deu curso de algemas, tiro rápido e outros para os policiais do DOPS, conta, completando: “Alguns meninos do CCC também participaram”.

Antes de 1964 os delegados do DOPS já contavam com a ajuda dos americanos para identificar os “comunistas”, muitos deles presos logo depois do golpe. “A ordem que a gente tinha desde o começo era identificar e prender todos os comunistas. Queríamos acabar com o Partido Comunista”, diz Bonchristiano.

Para contribuir com essa missão, “o Ponto IV nos contemplou com fotografias dos frequentadores (brasileiros) dos cursos de guerrilha na China”, relatou Renato d’Andrea, um dos delegados que foram da turma de Bonchristiano na PUC, ao jornalista Percival de Souza.

Na primeira operação importante que Bonchristiano realizou no DOPS, em abril de 1964, foi a vez de retribuir, entregando aos americanos as 19 cadernetas apreendidas na casa do líder comunista Luiz Carlos Prestes. As cadernetas foram xerocadas nos Estados Unidos (aqui ainda não existia o xerox) e retornaram 15 dias depois para o Brasil, servindo de base para a prisão de diversos militantes comunistas.

Só sobraram as cópias das cadernetas de Prestes, hoje nos arquivos do DOPS – os originais, segundo o “doutor” Paulo, desapareceram. Por aqui as cadernetas serviram de base a um dos maiores IPMs da primeira fase da ditadura, e foram usadas como justificativa para a prisão de diversos militantes comunistas como Carlos Marighella, que o próprio Bonchristiano foi encarregado de conduzir a São Paulo, depois que ele havia sido preso e baleado em um cinema no Rio, em 1964. Solto em 1965, Marighella foi assassinado em uma emboscada de policiais do DOPS em 1969.

“É uma bobagem danada dizer que a CIA mandava no DOPS, que nós éramos agentes da CIA, não era nada disso, nós éramos delegados do DOPS”, resmunga o doutor Paulo. “A América do Sul sempre foi o quintal dos Estados Unidos, e eles olhavam muito para nós, tinham medo do Brasil se tornar comunista. E notaram que tinha um departamento de polícia em São Paulo que trabalhava firme nisso. Porque o DOPS de São Paulo fazia todos os levantamentos que conduzissem a algum elemento do Partido Comunista em todo o Brasil, na América Latina inteira”.

“Depois que o presidente Truman criou a CIA, era a CIA que acompanhava o movimento dos subversivos”, continua. “Então trabalhávamos juntos, viajávamos juntos em muitos casos, mas nossas reuniões eram fora do DOPS, na happy hour de bares de hotéis como o Jandaia e o Jaraguá, no centro de São Paulo. O Fleury também ia, o Flaquer, o Gama e Silva e até o Carlos Lacerda (ex-governador do Rio, que conspirou pelo golpe e acabou sendo cassado em 1968). O Niles Bond era chefe lá deles, sujeito bacana, conhecia bem o Brasil, e gostava muito de mim. Me chamava de Mr. Dops, porque eu sempre o atendia em tudo que precisava e era ele que me mandava para Langley”, frisa mais uma vez, mostrando uma foto sua com trajes de George Washington ao lado de um colega fantasiado de soldado federalista, tirada durante uma de suas estadas em Washington (FOTO).

“Não lembro quando foi tirada porque estive oito vezes em cursos de treinamento nos Estados Unidos (entre 1963 e 1970)”, diz ele. “Fiz cursos técnicos, de polígrafo, técnicas de inteligência, infiltração. E sobre o comunismo também, eles tinham verdadeira obsessão. Saí de lá convencido de que eles, sim, são duros, fazem o que for preciso para garantir seus princípios”.

Entre 1959 e 1969, Niles W. Bond foi adido da embaixada no Rio e cônsul geral em São Paulo, segundo seu currículo na Association for Diplomatic Studies and Training, que também aponta a ligação com a CIA desde 1956, quando era assessor político da embaixada italiana.

Langley, frequentemente usado como sinônimo de CIA nos Estados Unidos, é o nome dos arredores da pequena cidade de McLean, na Virginia, onde desde o início da década de 1960 ficam os “headquarters” da agência de inteligência americana, a alguns quilômetros de Washington.

Com o tempo, descobri que quando o doutor Paulo se referia a Langley, significava que estava em treinamento em instalações na CIA, não apenas na sede, mas “em muitos outros lugares, até na Flórida”, como confirmou depois.

As informações sobre a CIA foram reveladas por doutor Paulo quando o inquiri sobre sua transferência, em 1ª de setembro de 1964, para o Ministério da Guerra, lotado no II Exército – informação que obtive checando todas as suas nomeações, transferências e promoções no Diário Oficial (seu currículo oficial omite essa significativa passagem).

Ele diz que foi transferido porque havia sido encarregado (com mais três delegados) de montar um plano de estruturação da Polícia Federal pelo general Riograndino Kruel, irmão do comandante do II Exército, Amaury Kruel (ambos também treinados nos Estados Unidos): “O Edgar Hoover (fundador do FBI) é um cara que admiro muito, e os americanos achavam muito importante montar uma polícia como essa no Brasil – o DOPS paulista já atuava como polícia federal, mas era subordinado à secretaria de segurança estadual, o que atrapalhava nossos movimentos”, explicou.

Até hoje a Polícia Federal registra seus agradecimentos à “revolução de 1964” no site oficial da entidade: “Somente em 1964, com a mudança operada no pensamento político da Nação, a idéia da criação de um Departamento Federal de Segurança Pública, com capacidade de atuação em todo o território, prosperou e veio a tornar-se realidade”.

O capitão americano e a guerrilheira

“Felizmente aqui no Brasil não fizemos como em outros países, matanças. Não houve isso. Houve só morte de quem quis enfrentar a polícia. Isso em qualquer lugar do mundo. Quando uma guerrilha deles lá, um aparelho, matou o nosso colega lá em Copacabana, o Moreira, o que nós tinhamos que fazer? Descobrir os caras e matar também”, ri. “Polícia é assim”, avalia o “doutor” Paulo.

Dulce de Souza Maia, militante da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) sentiu na carne o peso dessa vingança, quando foi presa na madrugada do dia 25 de janeiro de 1969, enquanto dormia na casa da mãe.

Dois dias antes, vários líderes da VPR tinham sido presos e os repressores já sabiam que ela havia participado de um atentado a bomba no II Exército, que matou o sentinela Mario Kozel Filho. Também havia sido erroneamente apontada como uma das autoras do atentado que em 1968 matou o capitão do Exército americano, Charles Chandler, acusado pelos guerrilheiros de dar aulas de tortura no Brasil a serviço da CIA.

Dulce não sabe dizer se todos que a torturaram no quartel da Polícia do Exército eram militares, mas sua lembrança mais forte é a cara redonda do homem que a estuprou, depois de dar choques em sua vagina. “Eu aguentei 48 horas”, me disse, por telefone. “Depois acabei dando um endereço de um apartamento que eu conhecia porque tinho ido a uma feijoada, não era um aparelho”.

Foi então levada para o DOPS, metida em uma viatura com uma equipe de policiais dos quais não sabe o nome: “Nem lembro das caras, estava quase morta, sei que eles me levaram para a rua Fortunato e apontei o prédio que só reconheci porque tinha parado o meu carro na frente – eu não sabia que o João Leonardo, que inclusive era de outra organização (ALN), morava ali. Lembro só que o vi quando a porta abriu”, lamenta.

A versão do delegado Bonchristiano sobre o mesmo episódio omite detalhes significativos. “Nós estávamos atrás dos caras que mataram o Chandler, coitado, executado na porta da casa dele, no Sumaré. Em 36 horas, o Cara Feia, um tira excepcional que já morreu, sabia quem tinha feito. Aí, uma menina que nós prendemos, nos conta de uma reunião na Rua Fortunato, perto da Santa Casa da Misericórdia. Eu fui com a menina. Mandamos ela tocar a campainha. Peguei o professor que era o dono do apartamento, prendemos. “Voltamos para o DOPS, eu, Tiroteio, Cara Feia e a menina e deixei dois tiras, o Raul Careca e o Nicolino Caveira, para ver se acontecia mais alguma coisa. Telefone. ‘Doutor, o senhor tem que vir aqui, teve um problema’. ‘Muito problema?’ ‘Demais’, quando é demais é que houve morte. Quando cheguei lá, tinha sangue para todo lado. O Raul Careca, que era um ótimo atirador, tinha dado 18 tiros no Marquito (Marco Antonio Brás de Carvalho). Aí que eles me contaram o que tinha acontecido: esse que matou o Chandler tinha chegado e quando abriu a porta, falou assim: “Quem são vocês?” E os tiras: “Nós somos da família”. “Ah é?” E puxou a arma. Os tiras revidaram e ele morreu”.

Bonchristiano jamais mencionou que a “menina” estava quebrada pela tortura. Mas corrigiu a versão que consta do depoimento de Raul Careca em um processo movido pela família de Marquito. Ali ele dizia que foram dois os tiros disparados.

Mano nera

“O caso Chandler gerou consternação, mas, sobretudo preocupação entre o grupo de assessores policiais, pois estes poderiam tornar-se alvo também. Participaram das investigações e ajudaram a identificar as armas utilizadas, enviando o material para estudo em laboratórios de criminalística do FBI”, relata o professor Rodrigo Patto, da UFMG, que estuda a relação entre a USAID e a CIA.

Patto, porém, não sabe dizer se Chandler era de fato da CIA como acreditavam os militantes da ALN e da VPR que decidiram matá-lo. “Ele havia estado no Vietnã, e estava oficialmente em viagem de estudos no Brasil, diz.

Em seguida ao assassinato de Chandler, um ex-instrutor americano de Bonchristiano, Peter Ellena, veio para o Brasil para acompanhar as investigações, o que melindrou o pessoal do DOPS. “Demos para ele a mano nera (símbolo da máfia), a mão negra ensaguentada”, diverte-se, contando que os policiais simularam um bilhete de ameaças dos guerrilheiros para assustar o “gringo”. “Ele ficou morrendo de medo”.

O jornalista Percival de Souza relata que o DOPS produzia relatórios confidenciais diários sobre o caso para o consulado americano, e que descobriram o fio da meada que os levaria a Marquito, “menos de um mês depois do fuzilamento”, registrando em seguida a versão que Bonchristiano continua a defender: um acidente ocorrido na BR-116 no dia 8 de novembro de 1968, na altura de Vassouras (RJ), teria matado Catarina e João Antonio Abi-Eçab que estava em um fusca.

Ao socorrer o casal, a polícia teria encontrado uma metralhadora INA calibre 35, como a que matou Chandler. O DOPS foi avisado, e Bonchristiano viajou imediatamente a Vassouras. Lá o delegado teria descoberto que o casal, militante da ALN, teria ido ao Rio de Janeiro para encontrar Marighella, e que a metralhadora era a mesma que matou Chandler. Tinha encontrado a arma do crime.

O “teatrinho”, como os policiais chamavam as versões criadas para encobrir seus crimes, foi desmontado a partir do relato de um ex-soldado do Exército ao jornalista Caco Barcellos, em 2001, em que reconheceu Catarina “como presa, torturada e morta em um sítio em São João do Meriti (município vizinho a Vassouras)” e afirmou que os órgãos de repressão, após a execução, teriam forjado o acidente.

Mais uma vez a “eficência” do DOPS veio da tortura. Bonchristiano, que insistiu até o fim na desmentida versão, diz que foi cumprimentado por Niles Bond pelo feito. “O Chandler era um dos nossos, frequentava nossas reuniões, o Bond sabia que eu ia resolver o caso”, gaba-se.

Esticadinha no chão

Em 1983, os ventos democratas extinguiram o DOPS e trouxeram um novo delegado geral, Maurício Henrique Pereira Guimarães, que despachou Bonchristiano para uma obscura seção da Secretaria de Justiça, encarregada das viúvas dos soldados mortos na II Guerra. “Preferi me aposentar, hoje não acredito mais em nada. Fiz o que o presidente queria, os militares queriam, e não ganhei nem aquelas medalhinhas que eles davam para todo mundo”, desdenha, referindo-se à Medalha do Pacificador, entregue pelos militares a torturadores famosos.

Mas o Mr. Dops não tem muito do que reclamar. Em seus primeiros oito anos de DOPS subiu da 5ª para a 1ª classe, como só acontecia aos que participavam da linha de frente da repressão. Ficou um tempo na “geladeira” quando um desafeto, o coronel Erasmo Dias, assumiu a secretaria de segurança (1974-1979). Mas conseguiu depois a promoção a delegado de classe especial e se aposentou no topo da carreira, em 1984.

A família, porém, ainda sofre com o passado do delegado. A filha, uma artista plástica, escolheu o prédio do antigo DOPS como cenário de uma performance acadêmica. No Facebook, comenta que o pai ficou “do lado dos algozes da ditadura”, enquanto uma de suas filhas – neta de Bonchristiano – faz campanha pela Comissão da Verdade em seu perfil.

Dona Vera sente a distância dos netos e lembra com amargura do tempo em que o marido trabalhava no DOPS. Via-se sozinha dias a fio com três filhos pequenos: “Eu não podia falar com ele nem por telefone, ligava lá e me diziam ‘a senhora fica tranquila que ele está bem’”, conta. “E eu, apavorada com as ameaças que a gente recebia por telefone, meus filhos iam escoltados para a escola”, diz.

Fonte: O outro lado da Notícia






sábado, 11 de fevereiro de 2012

Tumor de Lula Foi Eliminado.









Aguardando liberação para voltar à Luta.



A confirmação definitiva ainda será feita com exames de imagem nas próximas semanas, mas avaliações recentes indicam que não há hipótese de inversão na tendência de desaparecimento do tumor, atacado com quimio e radioterapias.


Ontem, sexta-feira (10), Lula fez a última sessão de tratamento e, só a partir de agora, poderá agendar o PET-Scan, tipo de ressonância magnética que detecta células de câncer no organismo.

Em declarações ao jornal O Globo, um dos médicos do Hospital Sírio-Libanês, onde o político recebe tratamento, esclareceu que “ele fez exames de controle, e que está muito bem. Acreditamos que o tumor sumiu, mas aguardamos as avaliações finais”. Ele ressaltou, no entanto, que “a expectativa é que o tumor tenha desaparecido, o que é diferente de estar curado”, disse explicando que seria cedo para afirmar a cura da doença.

Apesar da melhora, Lula pode ser “vetado” no desfile do carnaval paulistano. Ele é o homenageado da escola de samba Gaviões da Fiel, ligada a seu time, o Corinthians. Os médicos não acham conveniente que ele participe. Lula ainda não descartou a participação.







quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A História da “Crioula Safada”








Isso é uma rosa...


Excelentíssimo Sr. Deputado Dr. Jean Wyllys de Matos Santos,

Meu nome é Dirce Pereira da Silva e, atualmente, conto com 77 (setenta e sete) anos de idade, caminhando para o 78º aniversário. Tal como Vossa Excelência, tive uma trajetória difícil e cansativa na busca por meus direitos civis.

Sou negra, filha de um servente de pedreiro e uma lavadeira. Meu avô paterno era escravo alforriado. Nasci e cresci em meio à miséria no interior do Estado de São Paulo, valendo-me de farinha e verduras que minha mãe encontrava no caminho para alimentar-me. Graças a ela, que sempre foi analfabeta, convencemos meu pai a mudar-se para a pequena cidade de Penápolis-SP, a fim de que eu pudesse estudar as primeiras séries e o ginasial (denominação dada à época). Os materiais eram todos muito caros e, por isso, desde meus oito anos de idade trabalhava como lavadeira em conjunto com minha mãe para aumentarmos nossos rendimentos. Papai fez muitas dívidas nessa época também para que eu pudesse estudar.

Quando chegou o momento de optar, escolhi cursar a Escola Normal, já que não havia Faculdades por perto e nem haveria condições de manter-me fora. Formei-me normalista em dezembro de 1954, para orgulho de meus pais.

O caminho, Excelência, não foi fácil. Minhas colegas de Escola podiam ir às matinês ou às festas em que iam as pessoas de minha idade, mas eu era barrada na porta por ser negra. Sempre minha presença foi proibida nos locais destinados às pessoas brancas. Isto não impediu que eu conhecesse um rapaz branco, hoje já falecido, que se apaixonasse por mim e fosse correspondido. Ele pediu minha mão em casamento a meu pai, como era próprio da época. Meu pai aceitou, mas alertou a mim, ainda muito jovem, sobre a possível rejeição por parte da família dele. Infelizmente, papai estava certo: os pais dele (em especial a mãe) rejeitou-me, e me chamou de crioula safada, dentre outros adjetivos. Esse amor nunca teve um beijo ou outra coisa qualquer além de belíssimas declarações, mas foi forte o suficiente para permanecer intacto em minha memória nestes quase sessenta anos. Até hoje, quando visito seu túmulo, penso em tudo o que poderíamos ser e não fomos.

Tornei-me professora em 1955, aposentando-me apenas no ano de 2004, às vésperas de completar 70 anos de idade. Fui homenageada pelo Governo do Estado de São Paulo como a professora que por mais tempo permaneceu em sala de aula: sem faltas, sem licenças, sem atrasos, sem nada. No mesmo ano em que comecei a lecionar, “adotei” uma menina, filha extemporânea de meus vizinhos sexagenários, que era branca e de olhos claros como Arthur, o homem por quem me apaixonei. Ela cresceu, tornou-se também professora e me deu dois netos e um bisneto, razões maiores da minha vida. Ela e meus netos foram, também, fonte de inúmeras alegrias a meus pais, falecidos no final da década de 90.
Com esta pequena história, Excelência, desejo ilustrar minha passagem pelo mundo – ciente de que tenho muito mais passado que futuro – para agradecer-lhe e parabenizar seu trabalho. Na década de 1.950 discriminar uma pessoa negra era algo natural, tolerável e correto. Sobre homossexuais, melhor nem falar: eram considerados pervertidos, doentes, e nem mesmo estes falsos profetas lhes prometiam a chamada “cura”.
Vejo com tristeza que a discriminação em relação aos negros persiste em existir, mesmo que às escondidas, e homossexuais são espancados, tratados com barbárie ou vítimas de discursos de intolerância e preconceito, tristemente retratados na figura (em igual) triste do Exmo. Sr. Deputado Jair Bolsonaro.
Eu fui vítima de inúmeros preconceitos na vida, Excelência. Não pude frequentar locais por conta de minha cor; depois, ingressei numa profissão de elite – o magistério – sendo mulher, negra e pobre. Fui humilhada por anos e confinada em escolas de zona rural, até que um dia, talvez por distração, consegui minha transferência para a escola central da cidade, tornando-me professora da elite de Penápolis. Minha filha adotiva foi uma das primeiras mulheres a se divorciar na cidade, e por conta disso era chamada de indecente, imoral ou coisas piores. Perdeu seu emprego por conta disso e meu neto mais velho teve sua matrícula recusada em uma Escola pública, justamente por ser filho de uma mãe divorciada. Hoje ele é Professor concursado na Universidade Federal de Uberlândia. O destino às vezes dá voltas.

Quando vejo o preconceito em relação às pessoas de orientação homossexual, sinto-me de novo em 1954 e nos anos anteriores. Eles não têm o direito de amar, como eu não tive. Eles não têm o direito de se casar, como eu também não tive. São considerados pessoas anormais e pervertidas, da mesma forma como fui chamada de “crioula safada”: são rotulados sem que ninguém os conheça, e eu sei qual o tamanho desta dor. Para minha sorte, tive pais analfabetos e pobres, mas maravilhosos. E os homossexuais, que muitas vezes têm de enfrentar o preconceito dentro da própria família, para além daquele que existe na sociedade?
Quem lhe fala, Excelência, é uma mulher que tem idade para ser sua avó. Meu desejo, a essa altura da vida – já são quase 80 anos – é que pessoas como Vossa Excelência persistam em lutar contra o preconceito e qualquer forma de discriminação e opressão neste país. Como ninguém me sentenciou à morte ainda tenho o direito de sonhar, e meu sonho é o de ver uma sociedade verdadeiramente livre, em que cada um possa expressar livremente sua cultura, seu jeito, seus traços africanos ou seu amor, seja ele de qual orientação for. Envio meu apoio ao Projeto de Emenda Constitucional para a viabilidade do casamento de pessoas do mesmo sexo, a fim de que elas tenham o direito que me foi negado: casar-me com quem eu amava e que também me amava em virtude do preconceito de terceiros!

Para a verdadeira democracia, prossiga na sua luta pelas pessoas deste país, meu jovem Deputado.

Com admiração,

Dirce Pereira da Silva


(((O)))

A mensagem de apoio de dona Dirce à minha proposta de emenda constitucional que busca garantir o direito ao casamento civil aos casais do mesmo sexo é mais do que um simples apoio. É uma lição de vida. Ela me fez chorar e, ao mesmo tempo, me deixou muito feliz. Por isso quis compartilhá-la com meus leitores..

Dona Dirce, que, como eu, acredita que a diversidade étnica, sexual, cultural e religiosa, entre outras, são fundamentais para a construção de um Estado Laico e Democrático de Direito de fato, viu em sua história de sua vida – sofrida, porém vitoriosa – um ponto em comum com aqueles que lutam e entendem o casamento igualitário como um direito civil e humano que deve ser estendido a todos e todas cidadãs do mundo. Pessoas que sonham e acreditam que algum dia ainda poderão viver em um mundo “verdadeiramente livre, em que cada um possa expressar livremente sua cultura, seu jeito, seus traços africanos ou seu amor, seja ele de qual orientação”. Ainda nas palavras da dona Dirce: “como ninguém me sentenciou à morte ainda tenho o direito de sonhar”.

Por Jean Wyllys na Carta Capital






terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Companheira de Cela de Dilma nos Anos de Chumbo, é a Nova Ministra da SPM.









Eleonora Menicucci de Oliveira



A presidente Dilma Roussef anunciou nesta segunda (6) a nova ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres. É Eleonora Menicucci de Oliveira, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A ministra Iriny Lopes deixa o governo para disputar a Prefeitura de Vitória pelo PT.

Com a troca de Iriny, Dilma completa a primeira fase da reforma ministerial, dedicada a substituir os ministros que vão disputar as eleições municipais deste ano. Antes de Iriny, Dilma trocou Fernando Haddad, que disputará a prefeitura de São Paulo, por Aloizio Mercadante no Ministério da Educação.


Pró-reitora da Unifesp, socióloga e professora de saúde coletiva na universidade, Eleonora é amiga de Dilma desde a década de 1960. Ambas nasceram em Belo Horizonte. Ex-diretora da União Nacional dos Estudantes, a nova ministra foi companheira de Dilma no presídio Tiradentes, em São Paulo, onde ficavam as presa políticas condenadas pela ditadura militar (1965-1985).

A escolha de Eleonora está sendo comemorada pelas feministas do Brasil inteiro.

Fátima Oliveira, médica, escritora e feminista: “Pela primeira vez a Secretaria de Mulheres será ocupada por uma feminista histórica, comprometida com todas as lutas populares. Eleanora foi uma das mulheres que ajudaram a construir a política brasileira de Atenção Integral à Saúde da Mulher. Vamos tomar uma cerveja hoje!”

Eleonora Menicucci de Oliveira cultiva a imagem de pesquisadora feminista com visão política independente, uma vez que é filiada ao Partido dos Trabalhadores, mas não participa do dia-a-dia do partido.

Mineira da cidade de Lavras, nascida em 21 de agosto de 1944, é divorciada e tem dois filhos – Maria, de 42 anos, e Gustavo, com 37 – e três netos, Stella, João e Gregório.

Na juventude, interessa-se pelo ideário socialista e inicia sua participação em organizações de esquerda após o golpe militar de 64. Passou quase três anos na cadeia em São Paulo, de 1971 a 1973.

Ao sair da prisão, reorganiza sua via em João Pessoa, na Paraíba, onde inicia sua carreira docente na Universidade Federal da Paraíba. É nesse período que a militância feminista e a paixão pela pesquisa sobre as condições de vida das mulheres brasileiras ganham relevo na sua trajetória acadêmica e política.

Como pesquisadora e professora titular da Universidade Federal de São Paulo, publica regularmente artigos e estudos sobre temas críticos da condição das mulheres nos campos da saúde, violência e trabalho.

Professora Titular em Saúde Coletiva no Departamento de Medicina Preventiva da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Atualmente é Pró-Reitora de Extensão da Unifesp.

Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (1974), mestrado em Sociologia pela Universidade Federal da Paraíba (1983), doutorado em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (1990), pós-doutorado em Saúde e Trabalho das Mulheres pela Facultá de Medicina della Universitá Degli Studi Di Milano (1994/1995) e livre docência em Saúde Coletiva pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (1996).

Experiência acadêmica e docente nas áreas de Sociologia e Saúde Coletiva, com ênfase em Sociologia da Saúde, atuando principalmente nos seguintes campos de pesquisa: saúde e relações de gênero; violência de gênero e saúde; mulher trabalhadora e saúde; saúde reprodutiva e direitos sexuais.

Sua trajetória acadêmica é marcada por participações em conselhos e comissões e por consultorias em políticas públicas e direitos das mulheres.


O currículo da nova Ministra é vastíssimo. Impressionante mesmo.







segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Teerã Sob Ameça








 “Um ataque a Teerã seria loucura. Por isso mesmo, não exclua a possibilidade”



Se Israel atacar o Irã esse ano, Israel – e os EUA – darão prova de serem ainda mais loucos do que a massa pensante do planeta acredita que sejam. Sim, Mahmoud Ahmadinejad, o presidente iraniano, é doido também, mas Avigdor Lieberman, que parece ser ministro dos Negócios Exteriores de Israel, também é. Talvez queiram fazer favores um ao outro.
Mas por que Israel bombardearia o Irã, e atrairia sobre a própria cabeça a fúria simultânea do Hezbollah libanês e do Hamás — sem falar na Síria? E, isso, também sem lembrar que Israel atrairia para o fundo do mesmo buraco e para o mesmo tiroteio o ocidente, ou seja, a Europa e os EUA.
Alguma tramóia paira no ar. Até Leon Panetta, secretário de Defesa dos EUA, anda dizendo que Israel talvez ataque o Irã. E também a CNN – e seria difícil achar mais antiga criadora de tramóias.
Um alerta, também foi escrito por um “analista” israelense, Ronen Bergman, do jornal israelense Yedioth Ahronoth.
Eis aqui a isca de Bergman, bem no estilo da velha toada da cansativa  propaganda de guerra: “Depois de falar com muitos [sic] altos líderes israelenses e comandantes [outro sic] militares e da inteligência de Israel, estou convencido de que Israel realmente atacará o Irã em 2012. Talvez na pequena e cada vez menor janela de tempo que ainda resta, os EUA decidam, afinal, fazer alguma coisa, mas do ponto de vista de Israel, a esperança já é quase nenhuma. Em vez de esperança, o que se vê é a mesma combinação, tão típica dos israelenses, de medo e tenacidade, a feroz convicção, certa ou errada, de os israelenses sempre têm de se defender sozinhos.”
Ora essa! Primeiro, qualquer jornalista que preveja um ataque de Israel contra o Irã põe o próprio pescoço na guilhotina. Segundo, jornalista que se prese – e há muitos em Israel – perguntaria a si mesmo, antes de escrever: Para quem estou trabalhando? Para o meu jornal? Ou para o meu governo?
Panetta, que já mentiu aos soldados dos EUA no Iraque, quando lhes disse que estavam lá por causa do 11 de Setembro, deveria saber jogar o jogo com mais competência. A CNN também. Mas… que conversa é essa, em geral? Nove anos depois de invadir o Iraque – aventura muitíssimo bem sucedida, como não se cansam de repetir até hoje –, porque Saddam Hussein tinha “armas de destruição em massa”, lá estamos nós, aplaudindo que Israel bombardeie o Irã, por causa de outras “armas de destruição em massa”, ainda mais improváveis.
Quem duvida que, segundos depois de ouvir o noticiário, os redatores grotescos que redigem os discursos de Obama já estarão metendo as mãos à obra para encontrar as palavras certas de apoio a um ataque israelense? Se Obama pode trocar a defesa da liberdade e dos direitos dos palestinos ao próprio Estado pela própria reeleição, não há dúvidas de que poderá apoiar a agressão israelense, na esperança de que o mantenha na Casa Branca.
E esta não seria uma postura equivocada e desprovida de dignidade apenas de Obama. Tem sido assim ao longo das décadas de “democracia” norte-americana. A cada reeleição uma Nação que não lhe beije os pés será invadida, seus líderes serão assassinados “legalmente”, e seus costumes substituídos pelos do usurpador.



Parafraseando Robert Fisk em "Destaques, Geopolítica, Mundo"




domingo, 5 de fevereiro de 2012

Mulher Poderosa Ainda é Caso Raro











Graça Foster, Presidenta da Petrobras.



No Brasil e no mundo é grande a curiosidade em torno da engenheira Graça Foster, a primeira mulher a comandar a maior empresa do Brasil e a quinta maior no ranking mundial da indústria petrolífera, a Petrobras.

A engenheira química Maria das Graças Silva Foster – nome completo da nova presidente da Petrobras – já está acostumada a cargos de chefia. Foster, que ocupa atualmente o posto de diretora de Gás e Energia da empresa, já comandou as subsidiárias Petroquisa e Petrobras Distribuidora. Entre 2003 e 2005, foi secretária de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, indicada pela então ministra da pasta, a hoje presidente da República, Dilma Rousseff.

O anúncio oficial da sucessora de José Sérgio Gabrielli, que administrou a estatal desde 2005, virá no dia 9 de fevereiro, após reunião do conselho de administração. Mas se trata apenas de uma formalidade: o nome de Foster foi encaminhado pelo próprio presidente do conselho, o ministro da Fazenda, Guido Mantega.


Foster dá continuidade à sua carreira num ambiente essencialmente masculino. Em nenhuma das grandes companhias petrolíferas da atualidade a última palavra é de uma mulher. Mas a competência feminina já é vista em conselhos diretores de gigantes como a norte-americana Chevron, a russa Gazprom e a francesa Total. Curiosamente, nas duas maiores chinesas do setor, PetroChina e Sinopec, não há mulheres em conselhos diretores.

O Brasil vê uma evolução na igualdade dos gêneros desde que Dilma assumiu o governo como primeira presidente da história do país. Com a chefe de Estado, outras profissionais ascenderam ao poder: nove dos 38 ministérios são administrados por mulheres. Na era Lula eram quatro, incluindo a atual presidente, ex-ministra da Casa Civil e de Minas e Energia.

Aos poucos, mulheres ganham território no cenário político brasileiro. De 1999 a 2000, não havia mulheres nos gabinetes ministeriais. Entre 2003 e 2006, elas representavam 10,7%, e entre 2007 a 2010, 14,8% – os homens continuam representando 85,2%. A mesma tendência é observada no Senado e na Câmara dos Deputados.

A presidenta reforçou o Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, criado em 2005 em parceria com a ONU Mulheres, com a intenção de valorizar e estimular a ascensão de mulheres a postos de poder e decisão. Empresas públicas que aderem ao programa e são fieis aos objetivos ganham um selo de reconhecimento. As adesões ainda são tímidas: das 122 que participaram até agora, 92 foram premiadas.

No mercado de trabalho, as estatísticas ainda mostram uma tendência do passado. O Anuário das Mulheres Brasileiras, organizado pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mostra que a maioria das mulheres empregadas atualmente executa serviços domésticos (17%). Seguem-se os setores de comércio e reparação (16,8%) e o de educação, saúde e serviços sociais (16,7%).

No universo de 97,3 milhões de mulheres no Brasil – quatro milhões a mais que o total de homens –, são poucas ainda aquelas com um perfil semelhante ao de Graça Foster. A engenheira química, que percorreu 32 anos de carreira dentro da Petrobras, ganhou vários prêmios como executiva e apareceu no ranking das 50 mulheres em ascensão no universo de negócios em todo o mundo, segundo o jornal inglês Financial Times.

Com a fama de ser rígida e extremamente exigente, Foster vai comandar um orçamento de 224,7 bilhões de dólares previsto no Plano de Negócios da Petrobras para o período de 2011 a 2015. Ao que tudo indica, também será sob sua coordenação que a companhia empreenderá as explorações mais desafiadoras da camada Pré-Sal.

Fonte: Deustche Welle