quarta-feira, 14 de outubro de 2015

CREDIT SUISSE: 8% TEM 85% DA RENDA MUNDIAL - OU, CONTRA O QUE LUTAVA MIGUEL ARRAES, E PELO QUE ARENGA MENDONÇA FILHO









O El País publicou ontem - 13.10.15 - que, pela primeira vez, o 1% um por cento) mais rico da população do mundo concentra mais riqueza que todos os outros 99% (noventa e nove por cento) dos habitantes do planeta.

Não é mais retórico, é estatístico e não vem de comunistas, mas do ortodoxo banco Credit Suisse.

Vou traduzir o gráfico aí de cima de um jeitinho que até aquele amigo do  Rodrigo Constantino poderia entender.

Temos 100 biscoitos para dividir entre 100 pessoas.

Oito pessoas vão ficar com 85 biscoitos.

Vinte e uma pessoas ficarão com 12 biscoitos.

E setenta e uma pessoas vão se digladiar pelas migalhas de três biscoitos.

Não se conhece nenhuma sociedade animal onde haja tamanha desigualdade.

É este o modelo que o Sistema Financeiro Mundial (aqueles que são o 1% acima referidos) e o resto da direita, formada pela maioria da classe média alta - pretensamente burguesa,  politicamente iletrada, horripilantemente insensível e vergonhosamente cabisbaixa às ordens dos poderosos - quer nos fazer engolir, dizendo que as bolachas um dia serão maiores e aqueles três por cento vão nos dar migalhas melhores.

Pernambuco: de Arraes a Mendonça Filho

Aos 16 anos Arraes mudou-se para a cidade do Crato, no sul do Ceará, com o objetivo de concluir o ginásio (segunda etapa do atual ensino fundamental). Nesses anos, um fato marcou muito a sua personalidade: flagrou um curral com três flagelados presos simplesmente por tentarem fugir da seca para Fortaleza. A respeito, afirmou: "É uma lembrança que guardo para sempre. Era um horror difícil de compreender e marcou meu jeito de ver as coisas".
Arraes dedicou toda sua vida em defesa dos pobres, foi exilado pela ditadura militar e retornou ao Brasil após a Lei da Anistia, e foi reconduzido ao Palácio do Campo das Princesas nos braços do povo.

Examinando os dados de Mendonça Filho na Wikipédia, ali consta que ele se elegeu deputado estadual em dois mandatos a partir de 1986 como filho do deputado federal José Mendonça Bezerra (ARENA, PDS, PFL e DEM), e se posicionou como oposição ao governo de Miguel Arraes.

Ora, em 1991, com o fechamento do BNCC – Bco. Nacional de Crédito Cooperativo - pelo gangster Fernando Collor, abri meu primeiro bar, o “El Bodegón” nas Graças. Em 1992, quando Mendonça Filho já estava no segundo mandato como deputado estadual, começou a frequentar meu barzinho, ao qual chegava com mais três amigos e uma caixa de madeira com fecho dourado contendo pedras de dominó que os distraia até altas horas, entre gargalhadas regadas a inúmeras cervejas. Naquela mesa não se discutia política nem se tratava de nenhum assunto que tivesse alguma importância. Pareciam robôs de olhos arregalados mirando as pedras reluzentes do dominó. Na quinta vez que apareceu, solicitei ao meu garçom Albérico que os informasse que não permitíamos nenhum tipo de jogo no interior do bar, o que os levou a não mais retornarem ao “El Bodegón”. Nessa ocasião, meu garçom fez o seguinte comentário: “Esse é Mendoncinha, filho do deputado José Mendonça. Servi muito o pai dele quando eu era garçom do Restaurante Leite, mas esse aí não deu pra nada”. 




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