quinta-feira, 10 de setembro de 2015

35 ANOS DEPOIS, O BRASIL VAI SABER QUEM MATOU D. LYDA









Os saudosos da ditadura vão ter amanhã, afinal, uma oportunidade de verem o grau de loucura e a brutalidade que marcaram, até quase o final, o regime autoritário neste país.

Fernando Mollica, em O Dia, hoje, anuncia que a Comissão da Verdade do Rio de Janeiro, presidida pelo advogada Rosa Cardoso, vai apresentar os resultados do inquérito que apurou os responsáveis pela carta-bomba endereçada ao então presidente da OAB, Eduardo Seabra Fagundes que, ao ser aberta por sua secretária, Lyda Monteiro, explodiu, matando-a, em agosto de 1980.

É preciso que os que têm 20 anos agora, como tínhamos àquela época saibam o que foi aquilo.

Uma mulher pacata, trabalhadora, ter seu braço arrancado  e sangrado até à morte pela obra macabra de fanáticos que, então, explodiam bombas a torto e a direito, como forma de tentar evitar a democratização do país.

No mesmo dia, duas outras bombas foram remetidas pelos terroristas: uma contra a Câmara Municipal do Rio de Janeiro, outra contra o jornal Tribuna da Causa Operária. Seis pessoas ficaram feridas e uma delas, José Ribamar  de Freitas, recorda Mollica, perdeu um braço e a visão de um dos olhos.

O hoje advogado e professor Luiz Felippe Monteiro Dias, que há três décadas luta pelo esclarecimento do caso diz que “tudo o que quero saber é quem fez e quem mandou” a bomba que matou sua mãe.

Durante dez anos Felippe, na Comissão de Direitos Humanos da OAB do Rio, tentou investigar de forma sistemática o caso, mas as buscas eram boicotadas sempre que apontavam para uma solução. O momento mais próximo, diz ele, foi a descoberta máquina de datilografia usada para endereçar a carta.

“Nessa época os militares retiraram o inquérito da polícia. Não me conformo com o fato do crime não ter sido apurado. Conseguimos levar o caso para a abertura política, mas ele acabou no arquivo. O crime é imprescritível e a punição é inevitável”, diz.

Menos de um ano depois, quando a explosão do Riocentro matou os dois militares que pretendiam detonar uma bomba num pavilhão lotado de jovens, terminava a era das bombas no Brasil.

Lembrar do que se passou, por mais que seja chocante e desagradável reviver uma cena assim  é essencial para que não se ouça nunca  mais o som macabro das explosões da intolerância.




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